Caito Marcondes e Tracy
Silverman - "Sul Encontra Norte"
Este é um dos mais célebres encontros musicais das Américas.
No caso, "Sul Encontra Norte" ou "North Meets South". Os
músicos em questão são o percussionista brasileiro Caito Marcondes e o
violinista americano Tracy Silverman. Ambos dividem composição e arranjos nas
11 faixas do CD. A parceria deles começou ainda antes deste trabalho efetivo.
Em 1995, quando Caito gravou seu primeiro CD solo, "Porta do Templo",
Silverman integrava o Turtle Island String Quartet, que participou do disco. Em 1999, Silverman participou com Caito do Festival Percussões do
Brasil. Dali saiu o coração desde disco, como afirmou Caito. O CD começa com Repente,
de Caito Marcondes. Uma variação de canção popular brasileira, improvisada
no xilofone baixo, por Caito, e no violino elétrico com pedal wah-wah, por
Silverman. Uma abundância musical acrescida ainda de tabla e a voz percussiva
de Caito. Segue com o clássico O trenzinho do caipira, de Heitor
Villa-Lobos, também com um belo e emocionante vocalise de Caito, que ainda se
utiliza de pandeiro, tornozeleira indiana e caxixi, entre outros recursos. O bom
humor brasileiro abre passagem na interpretação e interatividade dos músicos
executando Chiclete com banana, de Gordurinha e Altamiro Castilho. A
quarta música é Olive Branch, de Tracy Silverman, com interpretações
bem livres e vigorosas dos músicos. Ainda de composição de Silverman, a
quinta faixa é Are you sleeping? Uma canção de ninar que ele escreveu
com a ajuda de sua filha de oito anos. Depois vem Dança do sol, de Caito, que
o instrumentista compôs quando já estava de volta ao Brasil. O CD foi gravado
em Nashville. Depois Caito mandou a base e outras partes para Tracy completar.
Por falar em Nashville, até a pizzaria onde eles almoçavam durante a
gravação foi homenageada. Assim nasceu Firehouse, de Silverman. Caito
não deve ter resistido e aproveitou o inusitado utilizando uma frigideira entre
seus instrumentos nessa faixa. Paracamby, de Caito, é o nome de um rio
numa estrada próxima ao Rio de Janeiro. O músico achou o nome sonoro e... lá
vai composição. Zabumba e triângulo dão um ar bem nordestino à canção,
apesar do violino elétrico de Silverman, que, aliás, o dedilha de vez em
quando. Segue com Canon, de Silverman. Bonita canção com a ilusão de
se escutar um vendaval. A penúltima música é Canção da partida, de
Dorival Caymmi, com arranjo de Caito. O músico procura criar uma certa tensão
que simboliza a partida das jangadas dos pescadores, como sugere a música. O CD
fecha com uma única parceria entre os dois músicos para esse trabalho. Last
word tem também um fato curioso. Tracy usa o arco do violino para soar como
uma flauta, sem ajuda de nenhum efeito eletrônico. Um som arrojado e viril,
onde se percebe as sutilezas criativas de cada instrumentista. Lançamento e
distribuição Núcleo Contemporâneo. Tel. (11) 3873-1386 ou www.nucleo.art.br
(Por Sérgio
Fogaça)
Derico & Sérgio -
"Duo Sciotti"
Formado pelos irmãos Derico e Sérgio Sciotti, o CD "Duo
Sciotti", lançado pela Zabumba Records, traz a típica música de boa
companhia, ou seja, bem tocada, harmoniosa e eclética. O repertório abrange
Paul McCartney, passando por Cazuza, Djavan, Elton John e Phil Collins, entre
outros. Um terço das canções são brasileiras. À base de teclados, sax e
flauta, o duo foi criado em 1982 e apresenta músicas mais intimistas. O CD foi
gravado ao vivo em julho de 2001, no Baccos Pub, na cidade de Itu, em São
Paulo. Para quem não assiste muita TV, um aviso: o Derico, do Duo, é
justamente o super conhecido músico do sexteto do Programa do Jô, na Rede
Globo. O CD começa com Caetano Veloso. Você é linda já dá um certo
tom romântico presente em várias outras músicas do disco. Segue com um
criativo arranjo para Eleanor Rigby, de Paul McCartney. Aqui, a flauta de
Derico voa livre sobre base e conversa musical dos teclados de Sérgio. A
terceira é a clássica Killing me softly with his song, de Norman Gimble
e Charles Fox. A seguir vem uma música que já aos primeiros acordes é
bastante aplaudida pelo público presente. Trata-se de Codinome beija-flor,
de Cazuza. Merece. Depois vem Fato consumado, de Djavan, numa levada
quase jazzística da dupla. A sexta canção é mais um sucesso de Paul
McCartney. The long and winding road. E ainda, na mesma faixa, Imagine,
de John Lennon. Segue com Against all odds, de Phil Collins, que foi tema
bem conhecido de filme e This masquerade, de Leon Russel. Nesta última,
aparece também uma gaita em duo com o sax de Derico. Na nona, o próprio Derico
é quem anuncia: "de Carlinhos Lira, Você e eu". Tremenda
flauta. Depois vem a melodiosa Your song, de Elton John. A penúltima é You
make me feel brand new, de Linda Creed e Thomas Randolph Bell. O CD fecha
com o alto astral de Take a long way home e The logical song, de
Richard Davis e Charles Ponfret, ou, para ficar mais fácil, da banda Supertramp.
Perfeito pocket show! Lançamento Zabumba Records. Tel. (11) 577-6071 ou www.estudiozabumba.com.br
(Por Sérgio
Fogaça)
Moisés Santana -
"Moisés Santana"
Este CD de Moisés Santana é um dos
papos mais francos da música brasileira com a modernidade. Franqueza, surto,
construção poética e coragem. Quase todas as 15 faixas foram compostas
por este baiano, radicado há 11 anos em São Paulo. Quando ele escolhe coisas
de outros compositores é para reconstruir ou desconstruir, no melhor sentido,
conforme sua sensibilidade. As bases eletrônicas, elemento mais visível de uma
certa contemporaneidade, respeitam sempre a canção, a mensagem. Por isso é
importantíssimo saber usá-las. O CD abre pop, eletrônico. Dançante e,
principalmente, pensante. Impressionante como Moisés comunica com inteligência
e grande musicalidade. A música é Origem das espécies. Agora, o
cavaquinho de Carlinhos do Cavaco, presente também na anterior e em outras
faixas do disco, fala mais alto. Fineza tem o dom da ironia
em dose certa. Segue com uma homenagem às mulheres. Pin ups cita
várias, indistintamente, entre nomes principalmente de mulheres corajosas. Ali
estão de Clementina, Cássia Eller e Vera Fischer até Joana D’arc,
Barbarella e Madonna, entre outras. Depois vem a balada O limite, seguida
de Bala com bala, de João Bosco e Aldir Blanc. Belo arranjo de Johnny
Frateschi. A sexta canção é um samba muito bem articulado. Trata-se de Samba
da rotina, que conta com a participação da cantora Jussara Silveira,
dividindo os vocais com Moisés. Depois vem Dizer sim, que o autor,
Moisés, dedica para Os Mutantes. E sabe que, por influência da dedicatória,
ou não, dá para sentir umas bases harmônicas que lembram coisas do grupo?!
Segue com uma vinheta cantada em coro, acompanhada de percussão. A música é No
meio da rua. A nona é a construção – ou desconstrução – que Moisés
fez em Triste Bahia, de Caetano Veloso e Gregório de Mattos. Uma
espécie de obra de arte do CD. Moisés soube dar tensão a composição, sem
esquecer da beleza e, mais uma vez, da mensagem. A interessantíssima cantora
Rebeca Matta participa da faixa também. Depois vem o blues Homens,
seguida de Marginália II, de Gilberto Gil e Torquato Neto. Super legal o
arranjo de Luis Bergmann, que também está na programação, teclados e
guitarra. E por falar nisso, a musicalidade do disco é toda bem generosa. A
décima segunda é Compromisso com, insisto, mais uma forte mensagem.
Afinal, "se você mora nos Jardins ou Ipanema/você tem compromisso/não adianta espernear, nem reclamar/você tem compromisso/preto, mulato,
branco/você tem compromisso". A voz que participa aqui junto com Moisés
é de Maricenne Costa. Depois vem a deliciosa bossa Os dois, com o
pianasso de Keco Brandão. A seguir, mais uma vinheta com a mesma base da oitava
canção, de percussão e a participação do Coro Come Vocal. A música é Salve!
A mesma trupe ainda participa da próxima faixa que encerra o CD com... Alegria,
de Assis Valente e Durval Maia. Ainda participam da música Beto e Rubens Nardo,
além de Fernando Forni, no arranjo, violão, teclados e programação, que
inclui uma tremenda bateria para comemorar o belo trabalho. Luz, música, ação!
Lançamento Lua Discos. Distribuição MCD World Music. Tel. (11) 3257-9744 ou www.mcd.com.br
(Por Sérgio
Fogaça)
Olivar Barreto
- "Olivar Barreto"
Olivar Barreto começou sua carreira em 1987 cantando em casas
noturnas de Belém, no Pará. Mudou-se para o Rio de Janeiro no ano seguinte e, como o bom filho..., retornou em 1993 a sua terra natal. Quem vai,
geralmente, volta mais forte. Não deu outra. Neste trabalho de estréia ele
começa já fincando bandeira no estado. Merenguêra é, como diz o
título, um tremendo merengue, mas vai além: é
principalmente um verdadeiro tratado das coisas do Pará. A música é de Walter
Freitas. Mesmo assim, o intérprete mostra que não olha só a sua terra.
Pelo contrário, a próxima é de um autor do Paraná radicado em São Paulo. Acho
é de Carlos Careqa e fez grande sucesso na época da Musical FM, na capital
paulista. Depois vem Tudo o que eu preciso, de Suzy Quintella, seguida da
balada romântica Além dos muros, de Pedro Cavalero e Jorge Andrade. Uma
verdadeira história de amor na voz segura de Olivar. A quinta faixa é de Chico
Sena. Rastro de saudade cita e lembra uma marcha-rancho. Bonita. Depois
vem Ícones – o criador e a criatura, de Maria Lídia. Canção e
arranjos peculiares. Diversão e profundidade ao mesmo tempo. O tema é ainda o
mesmo, mas Batida, de Paulo Moura, aborda amor e canção com uma
instrumentação da pesada. A oitava é, agora sim, a romântica dos pés à
cabeça Nuvens são nuvens, de Floriano e Jorge Andrade. Segue com a
abolerada Mesa de bar, de Paulo André Barata. Verdadeiro hit noturno,
pelo menos nos bares de Belém. A décima é Canto de casa, de Pedrinho
Callado. Bonita canção onde também são lembrados elementos da terra.
Incidentalmente, escutam-se bichos do mato. Olivar encerra o trabalho
homenageando o Círio de Nossa Senhora de Nazaré. A maior romaria religiosa do
Brasil, que acontece sempre no segundo domingo de outubro nas ruas de Belém.
Uma festa que há 210 anos mobiliza mais de 1 milhão de fieis em cada romaria.
A música é Última oração, de Edyr Proença e Emanuel Matos.
Lançamento Independente. E-mail: olivarbarreto@ieg.org.br.
Site: www.culturapara.com.br/olivarbarreto.
(Por Sérgio Fogaça)
Pena Branca - "Pena Branca
canta Xavantinho"
Uma das duplas caipiras mais respeitadas de todo o Brasil, ou
ainda, na opinião de muita gente, a principal referência no gênero. Pena
Branca e Xavantinho contam a história da música regional, sertaneja ou
caipira, como preferirem. Neste CD, "Pena Branca canta Xavantinho",
vinga a homenagem mais que oportuna de Pena Branca ao irmão que partiu
prematuramente há cerca de três anos. A obra continua e se eterniza. Pena
Branca teve seu primeiro disco solo, "Semente Caipira", premiado no
Grammy Latino. Mais uma confirmação do excelente trabalho. Agora, neste CD, 19 canções de
Xavantinho contam quase toda a sua história de
compositor e intérprete entoadas por seu irmão, por ele mesmo e grandes
participações. O CD começa com O grande sertão. Interpretada por Pena
Branca, a música de Xavantinho dá o tom de suas origens: "Ei o sertão é
meu lugar/nos campos e os matagais/onde cantam os passarinhos/nas colinas
das Gerais". A dupla é do Triângulo Mineiro. Segue com a Suíte do
trem, composta por três canções que abordam o tema. O primeiro vagão é Trem
das Gerais; o segundo, Maria louca e o terceiro, Zé granfino.
Neste último, Renato Teixeira participa cantando. Mas as participações não
param aí. Na clarineta, Paulo Sérgio Santos; no acordeon, Oswaldinho, além de
Serginho Silva na percussão e Gilvan de Oliveira, no violão, viola e banjo,
que participam de praticamente todas as outras faixas. Depois vem Primeira
cantiga: Meu velho carro de boi, primeira música de Xavantinho que nunca
tinham sido gravada integralmente. Apenas um comentário e alguns compassos
haviam sido registrados numa entrevista para o programa Ensaio, da TV Cultura. A
partir de apenas 30 segundos desse registro, a música foi toda refeita,
mantendo a voz de Xavantinho. Uma beleza e um momento importante do CD. Depois
começa a participação de Chico Lobo, que divide vocais e viola com Pena
Branca, nesta, Restinga, sertão e viola, dos irmãos Pena Branca e
Xavantinho, e também em outras faixas. A mata gemeu, a próxima, traz
mais participações especiais. Desta vez, Xangai canta e Nivaldo Ornelas toca
flauta em sol. Segue com a bucólica Casa de barro, canção mais
premiada de Xavantinho, que dividiu a composição com Cláudio Balestra. A
sétima faixa esbanja tradição na folia de reis Encontro de bandeiras,
que Xavantinho compôs com Tavinho Moura, seguida do batuque Que terreiro é
esse?, só dele. Depois vem Oração de camponês, interpretada
purinha ao som da viola, voz e violão, respectivamente de Pena Branca e Gilvan
de Oliveira. Velho Catireiro, feita pelos irmãos, é uma aula de catira
ou cateretê. Dança rural conhecida desde a época colonial em São Paulo,
Minas e Rio e Janeiro, segundo o Dicionário do Folclore Brasileiro, de Câmara
Cascudo. A décima faixa traz Xangai entoando um longo aboio de abertura na
música O aboiador. Ainda, segundo o mesmo dicionário já citado: canto
sem palavras entoado pelos vaqueiros quando conduzem o gado. Depois, de
Xavantinho e Zé Mulato, vem Meu céu. Este é outro momento marcante do
CD. A faixa foi gravada em estúdio, em julho de 1999, semanas antes de
Xavantinho partir. Faz parte do CD de estréia do grupo Viola Quebrada. Segue
com Mulheres da terra, de Xavantinho e Arlindo Moniz, também com
participação de Oswaldinho, no acordeon. A décima terceira é Cantiga do
arco íris, também composta em parceria com Arlindo Moniz, seguida de Estrada.
O CD fecha festivo com Farra de peão, de Almir Sater e Renato Teixeira,
com este último dividindo os vocais com Pena Branca. Uma verdadeira celebração
sertaneja. Lançamento Kuarup. Adquira o CD pela parceria Página da Música
- Gravadora Kuarup: clique na capa do disco e entre diretamente no site da
gravadora. (Por Sérgio
Fogaça)
SaGrama - "Tábua de Pirulito"
O grupo pernambucano Sagrama lança seu quarto CD, "Tábua de Pirulito", e confirma por que é uma das principais referências que fundem o popular e o erudito. O trabalho é puro deleite. Para que muito mais gente saiba identificar o grupo, a trilha sonora da minissérie de grande sucesso, exibida na Rede Globo, "O Auto da Compadecida" é deles. A minissérie ainda foi recordista nacional na versão lançada no cinema, no ano de 2000. Este mais recente trabalho nos oferece um amplo painel do universo sonoro da cultura popular do nordeste. O CD abre valente e virtuoso com Guerreiro do além-mar, de Sérgio Campelo. Uma fusão de reisados alagoanos migrados de Portugal. Depois vem Carnavá na roça, de Lourival Oliveira. A destemida canção conjuga instrumentos como flauta, surdos, marimba e viola nordestina, entre outros. A terceira faixa é Brilhareto, de Dimas Sedícias. Um baião mais que arretado que utiliza o triângulo de carrossel, que nada mais é que um jeito de tocar. O músico, sentado num banquinho, bate o ferrinho no triângulo e no banco ao mesmo tempo. Cantiga, de Clóvis Pereira, é a quarta canção. Este é um dos momentos mais marcantes para apreciar a dança dos instrumentos. Ou seja, não existe um só solando, mas vários diálogos. Tudo dentro de uma bela harmonia. Também de Sérgio Campelo, Nanã traz a participação do violoncelista Nelson Campos, do Quinteto de Cordas da Paraíba. E a participação de músicos do Quinteto citado continua. Em Rabecada, de José Menezes, a participação fica por conta de Yerko Pinto, que executa a rabeca. A sétima música é Louvação, de Cláudio Moura, que traz elementos de chegança, que significam as rezas que os marinheiros fazem antes de irem para o mar. Agora, sim, com a participação integral do Quinteto de Cordas da Paraíba, vem Gajeiro, de Cláudio Moura. Violas, flautas, ganzás e caxixis conversam harmoniosamente com violinos e violoncelo. De Luiz Guimarães, o CD segue com Urupema, defendida por eles como sendo um baião jazzístico. E por falar em jazz, o grupo faz uma divertida "confusão" rítmica em Folia, de Cláudio Moura, a décima canção. As participações aqui são de Ebel Perrelli, na bateria e Fred Andrade, no violão. Depois vem um verdadeiro resgate do grupo. Eles tiveram a sensibilidade de trazer a valseada Légua tirana da obra de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira. Um achado fora do comum. Na seqüência, a faixa título do CD. Tábua de pirulito, de Sérgio Campelo, tem um arranjo bem peculiar. Depois, o imponente violão de Fábio Delicato vai como que chamando cada instrumento para compor Onde navego, de Sérgio Campelo. Mais uma belíssima canção do disco. Por coincidência, a próxima faixa foi composta justamente por Fábio Delicato. Chama-se Lamento ribadêro. A música varia e passeia por mais de um clima. A décima quinta é Papagaio de papel, de Dimas Sedícias. Com esse som, a pipa sobe até sem vento. O grupo surpreende na penúltima canção com suas vozes. A música é Cauin, de Sérgio Campelo. Uma verdadeira obra indígena com ritmos baseados em tribos do nordeste. O CD encerra também com vozes, desta vez de crianças do Daruê Malungo. Pé de camurça, de Dimas Sedícias e Romero Amorim, lembra a La ursa, brincadeira onde crianças saem pedindo dinheiro pelas casas onde passam, durante o Carnaval de rua. Um show alegre e harmonioso em 17 faixas! Lançamento independente. Site: www.sagrama.com.br . E-mail: sagrama@sagrama.com.br (Por Sérgio Fogaça)