Beto Guedes, Flávio Venturini, Milton Nascimento e outros mineiros movimentam a semana em Belo Horizonte
Por Evanize Sydow, de Belo Horizonte
Para as pessoas que estavam em Belo Horizonte nesta semana que passou foi difícil ficar em casa – mesmo para quem estava lá para trabalhar. As opções culturais da capital de Minas Gerais estavam tão boas e diversificadas quanto têm sido as de São Paulo. Só para dar três exemplos, bem ao gosto mineiro: Milton Nascimento cantou e encantou ao lado de Marina Machado no Palácio das Artes; Beto Guedes completou 50 anos no palco do Teatro Francisco Nunes, com as participações de Tavinho Moura, Lô Borges, Milton Nascimento e Clóvis Aguiar nos teclados, Jota Quest, além da esposa, dos filhos, e da nora de Beto, num show que vai virar especial da DirecTV; e Flávio Venturini lotou o Teatro Alterosa nas três noites do final de semana.
Os mineiros pareciam sedentos da música de Flávio. Mesmo depois do bis do show "Um Violeiro" e os músicos já recolhidos ao camarim, ainda tinha gente na platéia que pedia: "Espanhola..."
Mas a apresentação foi mesmo especial. A começar pela banda, que tinha Paulinho Carvalho, eleito o baixista mais simpático de Minas Gerais, e Neném e sua badalada bateria.
Fosse só este detalhe, o show já teria valido – vale lembrar que choveu muito em Belo Horizonte nos últimos dias, colaborando para que as pessoas não saíssem de casa. A voz de Flávio está em sua melhor forma – para os apreciadores do trabalho dele, uma dica: CD "Dentro da Palavra", lançado pela gravadora Outros Brasis, que tem Flávio e outros bons intérpretes cantando músicas de Marcos Quinan (Flávio canta lindamente Querências do destino).
Além das canções atemporais, como Todo o azul do mar, Clube da esquina e Princesa, ele deu de presente para a platéia algumas inéditas que farão parte de seu próximo CD. Estão nesse grupo Minha estrela e Luz na minha voz, ambas compostas com Ronaldo Bastos, e Sonho e pedras, parceria com Murilo Antunes. Murilo, aliás, participou do show – mais uma bela surpresa –, interpretando o poema Belo Horizonte, acompanhado por Flávio nos teclados.
Outras participações que enriqueceram as apresentações foram Aggeu Marques e Cláudio Faria, ambos com fã-clubes já mais que formados em Belo Horizonte. Aggeu é um dos destacados intérpretes brasileiros dos Beatles em Liverpool (e fará temporada em São Paulo, no Blen Blen, em outubro) e dividiu com Flávio Luz dos meus sonhos, que tem a participação do cantor no primeiro CD solo de Aggeu, "Quer Saber", e Here, there and everywhere, mesclada com sua versão em português Sim, não, talvez, feita por Aldir Blanc para Venturini cantar. Cláudio Faria integra a banda Noivo da Lu e deve ter músicas suas gravadas por Venturini em seu próximo disco.
Flávio ainda passeou pela época do grupo O Terço, tocando Pássaro. O músico mineiro fez parte do conjunto de rock progressivo nos anos 70 e em breve volta a gravar e a fazer shows pelo Brasil com os antigos companheiros.
Outra novidade: Venturini faz uma pequena turnê com a cantora inglesa Annie Haslam, ex-líder da banda Renaissance, em outubro. No dia 4 eles tocam no Teatro Central de Juiz de Fora. De lá, seguem para o Rio de Janeiro para espetáculo no ATL Hall, dia 5. Belo Horizonte receberá os dois artistas e seus respectivos músicos no dia 10, no Palácio das Artes. O encerramento acontece em São Paulo, no DirecTV Music Hall, dia 13 (acompanhe matéria sobre estes shows na próxima edição da Página da Música).
Impressão que fica depois destas apresentações é que é diferente ver show de mineiro em Minas Gerais. Mais do que assistir a espetáculo de carioca no Rio, paulista em São Paulo ou gaúcho no Rio Grande do Sul, a platéia mineira se sente tão próxima de quem está no palco que parece quase um grande encontro de velhos companheiros.
Coisa dos conterrâneos de Aleijadinho. Bom demais da conta.