Antonio Nóbrega leva sua arte para comunidades carentes

Por Sérgio Fogaça

    Parece que hoje em dia, no Brasil, um artista para ser completo deve procurar viabilizar sua arte para classes menos favorecidas. É o que Antonio Nóbrega, um dos principais nomes na defesa e transmissão da cultura genuinamente brasileira, está conseguindo fazer. O multiartista pernambucano está em turnê pelo país apresentando o espetáculo "O Marco do Meio-Dia" para jovens de comunidades carentes. Os espetáculos vão até outubro deste ano.

    A idéia é antiga e concretiza um sonho do artista. Nóbrega sempre se preocupou com o que classifica de "globalização de mão única", querendo dizer que o País recebe uma avalanche de informações culturais dos Estados Unidos e Europa, deixando os jovens distantes da cultura popular brasileira. Com o patrocínio da Ultragaz, dentro do Projeto Ultragaz Cultural 2001, o espetáculo percorrerá sete capitas e três cidades do interior de São Paulo. Acompanham Nóbrega na turnê uma trupe formada por oito músicos e quatro brincantes.

    Além do espetáculo, a equipe de artistas vai promover oficinas de danças brasileiras, coordenada por Rosane Almeida, e de percussão, ministrada por Gabriel Almeida, para arte-educadores. A idéia é mostrar aos espectadores a cultura brasileira por meio da música, da dança, do teatro de bonecos e do vídeo, enfatizando ritmos como o frevo, o maracatu, o samba de roda e o chorinho, entre outros. O público, em cada cidade, será selecionado por ONGs, Sesc ou Prefeituras Municipais, dependendo do local.

O espetáculo

    "O Marco do Meio-Dia" estreou no Brasil em maio de 2000. Nóbrega atua, dirige e, juntamente com o poeta pernambucano Wilson Freire, Rosane Almeida e Bráulio Tavares, criou as canções, textos e a cenografia do espetáculo. O repertório é baseado num CD de mesmo nome, com canções que, por exemplo, homenageiam ídolos e profetas populares como Antônio Conselheiro, Bispo do Rosário, Garrincha e Zumbi. Outras composições mostram o Brasil com o maracatu de Estrela Dalva, o Coco da Bicharada e um poema inédito de Ariano Suassuna, musicado por Nóbrega, chamado Martelo d’O Marco do Meio-Dia, que encerra o espetáculo.

 

3/9 - Ópera de Arame, Curitiba

5/9 - Teatro São Pedro, Porto Alegre

11/9 - Teatro Carlos Gomes, Rio de Janeiro

17/9 - Teatro Municipal, Ribeirão Preto (SP)

19/9 - Centro de Convivência do Sesc, Campinas (SP)

4/10 - Teatro José de Alencar, Fortaleza

6/10 - Teatro do Parque, Recife

8/10 - Teatro Castro Alves, Salvador

23/10 - Sesc Santos (SP)