CD's ABRIL 2001

Antonio Adolfo - "Viralata"

Para quem não conheceu, ou não conhece, um dos melhores times de instrumentistas do final dos anos 70, aqui está uma oportunidade. Trata-se do relançamento do disco "Viralata", de Antonio Adolfo. A primeira edição foi lançada em 1979. Além dele nos pianos elétrico e acústico, o agora CD conta com Jamil Joanes no baixo elétrico, Helio Capucci na guitarra, Teo Lima na bateria, Agenor Mendes na percussão, Bidinho no trompete, Zé Carlos no sax e flauta, e Serginho do Trombone. É suingue puro! Todas as músicas são de Antonio Adolfo, com exceção de Caminhada e Alegria de carnaval, dele e Tibério Gaspar. De cara, um aviso aos modernos. Este e outros discos de Antonio Adolfo estão sendo disputados a tapa por DJs londrinos e novaiorquinos. Um deles chegou a pagar US$ 250 por um compacto duplo do disco "Brazuca 2". O CD "Virala" é definido como trazendo um som brasileiro dançante, recheado com metais, percussão e guitarra, em 11 faixas. Antonio Adolfo tem um papel importante na história da música independente no Brasil. Em 1977, o mercado fonográfico vivia um impasse e Antonio Adolfo produziu sozinho o disco "Feito em Casa". Com isso, ele começou a mostrar a possibilidade de gravar de forma independente, com mais liberdade e enfrentando o monopólio das gravadoras. A partir de 1979, realizou-se o I Encontro de Independentes de Curitiba, segundo livro de Chico Mário, "Como Fazer um Disco Independente", da Editora Vozes, quando existiam só cinco produtores independentes de música popular. Eram eles: Antonio Adolfo, Danilo Caymmi, Francisco Mário, Luli e Lucina, e o grupo Sambachoro. Mas o movimento só ganhou força a partir da marca de 80 mil cópias vendidas, a partir de 1980, de um disco do grupo Boca Livre. Enfim, vale a pena conferir as andanças musicais de Antonio Adolfo. Lançamento Kuarup, Tel. (21) 2220-1623, ou através do site e e-mail da Kuarup - www.kuarup.com.br , kuarup@kuarup.com.br  (Por Sérgio Fogaça)

 

Celso Pixinga - "O Condutor"

Conhecido como um dos baixistas mais rápidos do mundo, inclusive sendo citado pela revista Downbeat, Celso Pixinga lança "O Condutor". O CD tem a participação de, basicamente, dois músicos, além de Pixinga no contrabaixo de 4, 5, 6 cordas e um fretless, e também o teclado de José Carlos de Godoy. Na sonoridade, o instrumentista e compositor faz uma fusão entre ritmos norte-americanos, música brasileira e latina. Tudo já à mostra logo na primeira faixa, Canelada, de José Carlos de Godoy. A terceira, Milestones, de Miles Davis, é um dos bons exemplos para mostrar a versatilidade e vistuosismo de Pixinga. A música tem um "batidão" para Dj nenhum achar defeito. Na flauta, Léa Freire. Na seqüência, Não mexe em nada, de Pixinga, que dá prazer em acompanhar o baixo dele. Na percussão, Kadú Fernandes. A aula de baixo fica por conta de Intervalo, com autoria, arranjo e interpretação num contrabaixo de 4 cordas de Celso. O nome já dá uma idéia da próxima faixa. Kadú Funk, de Celso, traz o homenageado Kadú Fernandes na percussão também. Falta ainda citar três músicas que parecem ter a ver com outra paixão de Celso, além do contrabaixo. São elas: Pro gol, Carrinho por trás e Apito final, que encerra o CD. Esta última de autoria de Ricardo Marão, que faz programação de bateria junto com José Carlos de Godoy em algumas faixas. Além de ter oito disco gravados, Celso Pixinga já tocou com artistas como Angela Ro Rô, Evandro Mesquita, Anna Caran, Jane Duboc, Jessé, Nelson Ayres, Gal Costa e Cida Moreira, entre outros. Lançamento Mix House. Site: www.mixhouse.com.br  - e-mail: mixhouse@dialdata.com.br  (Por Sérgio Fogaça)

 

Regina Spósito - "Regina Spósito"

Se observado por uma ótica holística, talvez diriam que o CD solo de Regina Spósito foi produzido com o equilíbrio possível e a força dos quatro elementos – água, terra, fogo e ar. "Regina Spósito", produzido por Flávio Henrique e pela própria Regina, parece ter sido concebido com ares de leveza, mares de sentimento, calor de harmonias cuidadosas e chão firme de instrumentos bem escolhidos. Para quem acompanha a digna trajetória de Regina Spósito, uma observação: É a cara de Regina. A ousadia consciente do álbum "Hebraico" – onde, ao lado de Marina Machado, Spósito cantou o contemporâneo israelense em hebraico, iídiche e ladino com qualidade surpreendente – aposta, neste lançamento, na suavidade possível, na beleza do simples, na leveza da voz. Nas 11 faixas, Regina interpreta Vander Lee, Renato Motha, Sérgio Pererê, Zeca Baleiro, Flávio Henrique, Renato Negrão, Makeli, Afonsinho, Elton Medeiros e Tom Zé. De Vander Lee, a continuidade de uma obra convicta em qualidade, genuína – Pra ela passar revela o bem-humorado espírito do compositor. Eu não vejo nada dá início ao disco, com arranjo singular. Abra os ouvidos para os sons percussivos de Daniela Ramos. Os violões de Rogério Delayon passeiam por todo o álbum. Delayon ainda se desdobra, com primazia, em sons de bandolim, guitarra e cavaquinho. Vander Lee também empresta seu dedilhado, fechando o disco, ao lado de Regina, em roupagem, de puro linho, para Eu não vejo nada. A voz de Regina flui em cada canção. O amor, faixa 9, desvenda parceria feliz de Flávio Henrique, Renato Negrão e Makely. O violoncelo de Lui Coimbra tange bela sintonia. Perfeito. O disco encanta. Chave de ouro. Feliz projeto gráfico de Leonardo Gomes (Agência Dez). Olhos para a artista. Mais informações sobre o disco: reginasposito@uol.com.br (Por Márcia Francisco, contatos mfrancis@uai.com.br).

 

Alaíde Costa - "Rasguei a minha fantasia"

Cantora dna de técnica impecável, Alaíde Costa é capítulo importante na música popular brasileira. Neste disco "rasguei a minha fantasia", produzido por Hermínio Bello de Carvalho, Alaíde traz exclusivamente músicas dos carnavais dos anos 40. Os arranjos do 13º disco de Alaíde são de Gilson Peranzzetta e João de Aquino. O trabalho tem a participação de músicos como Jorge Helder no baixo e Mauro Senise no sax alto. Composto por obras-primas, o disco abre com um medley composto por Sonho de um Carnaval (Chico Buarque), Mal-me-quer (Newton Teixeira e Cristóvão de Alencar) e Dama das camélias (Alcir Pires Vermelho e João de Barro). Rosa Maria, de Aníbal Silva e Eden Silva, e Falam de mim, de Noel Rosa de Oliveira, Eden Silva e Aníbal Silva, são as próximas. Na seqüência vêm Deus me perdoe (Lauro Maia e Humberto Teixeira) e Maior é Deus (Fernando Martins e Felisberto Martins) num medley. Aí, hein?!, de Lamartine Babo e Paulo Valença, e Se a lua contasse (Custódio Mesquita) compõem um novo medley. Interpretação impecável de Alaíde em Não me diga adeus (Paquito, Soberano e João Correia da Silva, Meu consolo é você, composta pelo cartunista Nássara e por Roberto Martins, e Ta hi (pra você gostar de mim, de Joubert de Carvalho, uma das mais conhecidas marchinhas de Carnaval. Trombone e cuíca acompanham a bela voz de Alaíde em Mora na filosofia, de Monsueto e Arnaldo Passos. Fechando o disco, Batente (Almirante), Rasguei a minha fantasia (Lamartine Babo), Adeus batucada (Synval Silva) e Sonho de um Carnaval – desta vez Alaíde interpreta o último verso da composição de Chico Buarque. Disco que faz muito bem aos ouvidos de bom gosto. Lançamento Jam Music www.jammusic.com.br. Distribuição Caravelas/Sony - Tel. 0800-234425  

 

Cid Campos - "No Lago do Olho"

Um pouco de desafio para os ouvidos pode cair muito bem. Ainda mais quando a experiência também significa beleza e prazer. Este trabalho traz, antes de tudo, uma idéia plástica, visual para a canção. O autor tem procedência para experimentar com propriedade esse tipo de linguagem na canção. Cid Campos é filho do poeta concreto Augusto de Campos. Já na primeira faixa é fácil saber porque Tom Zé se encantou com seu trabalho. O olho do lago possui texturas semelhantes às que Tom Zé já usou. É visível a influência do efervescente período do teatro Lira Paulistana, em São Paulo, por onde circularam artistas da chamada vanguarda paulistana do início dos anos 80, como Arrigo Barnabé. E por falar em Arrigo, o "cheiro" da sua idéia musical está por toda parte do CD. É só escutar, por exemplo, Velocidade, com letra de Ronaldo Azeredo e música de Cid Campos. Para quem estava com saudades desse tipo de som, este trabalho é um prato cheio. A música Life, de Décio Pignatari, não por acaso, é como estar visitando uma instalação na Bienal. De Cid Campos, Péricles Cavalcanti e Augusto de Campos, Êxtases caminha suave na voz de Adriana Calcanhotto. Participações especiais não faltam no trabalho. Entre elas estão Arnaldo Antunes, o próprio Péricles Cavalcanti e os poetas concretos Décio Pignatari, Haroldo e Augusto de Campos, Lenora de Barros e Walter Silveira. A música Desktop, de Cid e Lenora, brinca com a internet. Mas para entender melhor só olhando o encarte do CD. Aliás, neste caso, o encarte é tão importante quanto a música, em se tratando de canção concreta. O CD fecha magistralmente com um resgate de uma gravação caseira e original de Samba concreto de Eurico de Campos, vô de Cid e pai de Augusto, que compôs, canta e toca piano nesta faixa. Lançamento Dabliú, Tel (11) 3079-1843/0372 ou www.eldoradodiscos.com.br . (Por Sérgio Fogaça)

 

Odette e Jaime Ernest Dias – "Paisagens Noturnas"

Odette Ernest nasceu em Paris, França. Mas foi no Brasil que cravou seu diamante-preciosa arte-musical. A música brasileira tornou-se constante alvo de suas pesquisas. Originou livros e discos. Na década de 80, iniciou pesquisa sobre o rico acervo da música de Diamantina, MInas Gerais. Mais de 3 mil composições foram documentadas. Violonista, arranjador e compositor, Jaime Ernest Dias (um dos fundadores da Orquestra de Cordas Brasileira e criador da Orquestra de Violões de Brasília) se uniu à mãe Odette nesta delicada produção fonográfica, mais uma pérola do selo Karmim, "Paisagens Noturnas". Num clima intimista, violão e flauta desfiam Bach, Pixinguinha, Villa Lobos, Paulinho da Viola, ao lado de representativas peças da cultura diamantinense do século XIX, riquezas musicais especiais, em surpreendente resgate (Minas é mesmo assim). O virtuoso vigor do toque de Jaime, ao violão, segue disco afora na primorosa união à flauta orgânica de Odette. A riqueza musical brasileira vibra em Oscarina, Lamento e Rosa (Pixinguinha) e descortina o Choro Negro, de Paulinho da Viola. Igualmente universal, surge uma Sonata de Bach. O compositor Ruy Quaresma escreveu Pour Odette, em 1977, para Odette Ernest – adequada tradução da artista que, tão bem, sabe flutuar sob as sutilezas do patamar invisível que une as culturas. Odette e flauta são a própria música em sua expressão mais tenaz. Lançamento Karmim. karmim@uol.com.br (Por Márcia Francisco, contatos mfrancis@uai.com.br)

 

Jongo Trio

O melhor do universo - e das sensações - da música brasileira dos anos 60 estão nas faixas deste CD. Um resgate importante do selo Mix House que abre passagem para dezenas de trabalhos de artistas brasileiros e internacionais que fazem música de qualidade. Neste caso, relançando um disco que se tornou raríssimo entre os admiradores da boa música. Trata-se do primeiro e histórico LP do Jongo Trio, gravado em 1965. Formado pelo pianista Cido Bianchi, o contrabaixista Sabá e o baterista Toninho Pinheiro, o trio foi referência importante da época, gravando sucessos como O menino das laranjas, de Théo de Barros, Feitinha pro poeta, de Baden Powell e Lula Freire, e Arrastão, de Edu Lobo e Vinicius de Moraes, todas presentes neste CD. Quando fala-se em trio de instrumentistas, por vezes, imagina-se música sem palavras. Não é o caso. Além da "quebradeira" instrumental, os músicos arrasam nos vocais. O CD impressiona logo na primeira faixa: a já citada O menino das laranjas, grande sucesso do grupo. Uma perfeita e harmoniosa explosão rítmica, com vigor poucas vezes encontrado. Bossa nova e jazz com balanço genuinamente brasileiro. De Menescal e Bôscoli, Ela vai, ela vem traz um requebrar que só podia vir dessa dupla que vivia, literalmente, no mar. O trio também gravou gente que estava começando na época, como é o caso dos irmãos Marcos e Paulo Sérgio Valle. Deles o Jongo Trio gravou Terra de ninguém e Deus brasileiro, no CD. Quem não poderia faltar, com tanta referência sobre bossa nova, é Johnny Alf, personagem fundamental na história no movimento. E veio nos instrumentos do Jongo com a divertida Seu Chopin, desculpe, onde o autor pede licença para Chopin, "para valorizar esse chorinho/canção". Arrastão, também já citados os autores, tem uma leitura bem própria do grupo. Uma faixa onde o trio não canta é também de um dos jovens talentos que despontavam na época. Trata-se de Hermeto Pacoal, em Balanço nº 1. O CD encerra com um presentão para o ouvinte. Esta faixa não estava no LP original. Medley Dorival Caymmi, com mais de sete minutos, é um verdadeiro passeio pela obra do grande compositor baiano. Uma aula para os ouvidos. Lançamento Mix House. Site: www.mixhouse.com.br , mixhouse@dialdata.com.br  (Por Sérgio Fogaça)

 

Fernando Muzzi – "Arranjos e Trilhas"

O álbum duplo registra dez anos da trajetória musical do cantor, compositor e arranjador Fernando Muzzi, em uma produção que também documenta momentos especiais da arte musical e teatral de Minas, São Paulo e Rio de Janeiro. O trabalho, que contou com a presença de aproximadamente 70 artistas, traz a participação especial do Grupo Galpão, Babaya, Patrícia Ahmaral, Eda Costa, Ernani Maletta, doce voz do filho de Fernando, Gabriel Muzzi (aos 5 anos), Graziela Cruz, Raquel Filogônio, Rossana Decelso, Sérgio Moreira, Selmma Carvalho e todo o suingue da carioca Leny Andrade, dentre outras presenças, que se unem a um forte time de instrumentistas. Em "Trilhas", as premiadas trilhas para cinema e teatro, criadas por Muzzi, ganham as faixas. Em "Arranjos", um registro dos arranjos feitos para cantoras mineiras, numa generosa apresentação, por meio da voz delas próprias, convidadas. Ao público, presente versatilidade criativa de Fernando que transpira arte e inspira brilhos musicais pelos palcos brasileiros. Tel. (31) 3411-5307. (Por Márcia Francisco, contatos mfrancis@uai.com.br)

 

Marco Pereira e Hamilton de Holanda - "Luz das Cordas"

Muita luz. Incrível o que se pode fazer com apenas dois instrumentos. No caso aqui, com o violão de Marco Pereira e o bandolim de Hamilton de Holanda dialogando na primeira faixa do CD "Luz das Cordas". Dois virtuoses de gerações diferentes e incrível empatia musical. No repertório estão composições próprias como a primeira faixa já citada de Marco Pereira, além de Bate-coxa e Seu Tonico na ladeira, dedicada ao flautista Toninho Carrasqueira, todas de Marco. Essas, e outras, já com o acompanhamento de um excelente time de instrumentistas. O compositor Hamilton aparece em Enchendo o latão e o samba-choro Brasileiro. Depois, também de grandes compositores, a dupla gravou e reinventou 1x0, de Pixinguinha e Benedito Lacerda, Lamentos do morro, de Garoto, Xote das Meninas e Qui nem jiló, de Luiz Gonzaga respectivamente com Zé Dantas e Humberto Teixeira, e Na baixa do sapateiro, de Ary Barroso, entre outras. Aldir Blanc se emocionou com a leitura que os instrumentistas fizeram de 50 anos, dele e Cristóvão Bastos. O CD soma ainda Pra você, um baião latino de Michel Camilo, pianista dominicano radicado nos Estado Unidos, e termina com o belíssimo desafio entre bandolim e violão, Las abejas, de Agustín Barrios, com interpretação e arranjos primorosos de Marco e Hamilton. De tirar o fôlego. Lançamento Núcleo Contemporâneo, tel.: (11) 3873-1386 ou - www.nucleo.art.br  (Por Sérgio Fogaça)

 

Natalia Mallo - "Natalia Mallo"

Natalia vem para confirmar uma espécie de nova tendência. Artistas que estão fora do mercadão e que, apesar de contarem com poucos recursos, deixam evidente o lado mais criativo possível que a música pode ter. Poucos músicos, muita música. Toda a produção e execução de vários instrumentos são feitos por ela e Mintcho Garrammone, com a participação de apenas mais um instrumentista na maioria das faixas. O CD começa com um belo "papo" em Rápido amor, de Natalia. Esta música já começa a tocar no rádio. Ótimo. Assim, mais pessoas terão oportunidade de conhecer seu trabalho. Na seqüência, Paulicéia, uma homenagem a São Paulo feita por esta argentina. Isso mesmo, Natalia nasceu em Buenos Aires e chegou ao Brasil com 21 anos de idade. Ainda criança começou a estudar violão, mas o contato com a música brasileira foi uma espécie de chamado. No fim da adolescência conheceu o País e viajou por vários Estados durante cinco meses. Está aqui desde 1995. Morando em São Paulo, encontrou sua identidade musical. Fala, canta e compõe em português maravilhosamente bem. A segunda canção do CD continua a provar isso. Abandone a idéia traz até os traquejos da língua portuguesa, com expressões bem nossas como "hora h" e "dia d", mas a delícia fica por conta da frase "abandone a idéia, não abandona-me". Vapor, como o nome diz, é uma canção quente e terna. Segue com um verdadeiro hit, para quem conhece a obra de Natalia. Não é para menos. Música e letra de Coração em pó, dela e de Vadim Nikitin, são irresistíveis. Entre outras coisas, a concepção do arranjo de Vênus, a sexta faixa, é o que mais chama a atenção. A canção Seu trem Natalia oferece a seu grande companheiro, Mintcho. A bela valsa portenha El vals de Américo y Ñata, com letra de Natalia e música de Mintcho, parece que economiza nos instrumentos para valorizar a interpretação da artista. A harmonia do bandoneón de Nelo Oronó marca bem a música. O clima denso que inicia a canção Essa mulher, de Bernardo Pelegrini, lembra até o início do filme The Wall. A música irradia os melhores momentos do pop brasileiro, que remete a Mutantes, por exemplo. E tudo isso ainda com sensualidade. E por falar em pop, Chega de demora, a décima faixa, também é. No bonus track, décima primeira canção do CD, Brevinheta para clowns é um reggae funk para terminar dançando e comemorando o que se acaba de escutar. Lançamento Natalia Mallo. Tel. (11) 3819-4386 ou e-mail: natmallo@hotmail.com. (Por Sérgio Fogaça)

 

Roberto Corrêa - "Viola Caipira - Um pequeno concerto"

Lançado em 1988, este foi o primeiro CD só de viola caipira lançado no Brasil, sem o acompanhamento de violão ou outros instrumentos. Purinho e feito pelas mãos abençoadas de Roberto Corrêa. Mineiro, de Campina Verde, mas radicado em Brasília, Roberto é um dos nomes mais importantes da viola no Brasil. Sua obra inclui pesquisas sobre tradições musicais do interior e a publicação de vários trabalhos, incluindo o primeiro livro de viola publicado no Brasil. O CD é um verdadeiro show de interpretação e escolha de repertório. São sete clássicos da música brasileira e mais cinco composições próprias. Entre os clássicos estão O Trenzinho do caipira, de Heitor Villa-Lobos, Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira, Chico Mineiro, de Tonico e Francisco Ribeiro, Siriema, de Nhõ Pai e Mário Zan, Boiada Cuiabana, de Raul Torres, Pagode em Brasília, de Teddy Vieira e Lourival dos Santos, e Saudades do matão, de Jorge Galati, Antenogines Silva e Raul Torres. As outras músicas do disco, que também já podem ser consideradas clássicos da música genuinamente brasileira, são de autoria do próprio Roberto. São elas: Araponga, Isprivitada, Lacuticho, Jararaca chateadera, Reqüenqüem e Anti-Viola, que fecha o CD. Roberto Corrêa já apresentou seu trabalho em recitais e oficinas pelo Brasil, Japão, China e Alemanha. Também já recebeu convites para representar o governo brasileiro na Itália, Portugal, México, além de toda a América do Sul e Central. É a viola caipira sendo conhecida no mundo todo. Lançamento Kuarup, Tel. (21) 2220-1623 ou www.kuarup.com.br , kuarup@kuarup.com.br  (Por Sérgio Fogaça)

 

Flávia Virgínia - "Livro-Mãe"

Mais uma boa surpresa na nova safra da música popular brasileira Flávia Virgínia é filha de Djavan (que participa neste primeiro disco dela nas canções Janela e Crescendo) e herdou dele o talento. No disco "Livro-Mãe" há uma mistura de ritmos e estéticas, do funk ao blues, passando por sons latinos. O blues A balada é a primeira faixa. Depois vem Mãe, quando Flávia é acompanhada por uma orquestra de cordas. Toques de jazz e música afro baseadas em um poema árabe composto pela intérprete. Canto oração da terra, a música seguinte, tem as participações especiais Daniel Gonzaga e Eduardo Luke. Sinuca é canção inspirada na música O Medo, de Bia Grabois, cantora e compositora paranaense radicada no Rio. Um funk que tem o bandolim e a guitarra de Armandinho. A salsa Sangria é a seguinte. Depois vêm Janela, Amaralina - extraída da obra "Aldeia Mubairi" -, De avião, que costuma levantar da cadeira o público da cantora em seus shows. Crescendo, uma balada nordestina, é pura emoção. Encerram o CD Amado de papel - com a participação de uma orquestra de cordas -, Praça de Espanha, com forte base percussiva, Difícil, um funk, e Vida, bela música com Paula Lima e Carolina Bonfanti nos vocais. Lançamento Jam Music www.jammusic.com.br. Distribuição Caravelas/Sony - Tel. 0800-234425