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Pelas entranhas de Minas Por Evanize Sydow A palavra cambada aqui não tem nada do tom pejorativo presente nos dicionários. Cambada, neste caso, é sinônimo de agrupamento de talento, sensibilidade e música. É encontro de amigos. Três: Amarildo Silva, João Francisco e Rodrigo Santiago. Esta cambada é diferente de qualquer outra. Ela traz a grandiosidade e a beleza de Minas Gerais – aquela cantada há e por tantos – em suas entranhas. Esta tem nome e sobrenome. Chama-se Cambada Mineira. "Uma mistura de quintal e metrópole, regional e urbano, o puro som das Gerais com um jeitinho carioca", confirma o grupo. Amarildo, João Francisco e Rodrigo, três mineiros (Rodrigo nasceu no Rio e foi criado em Minas) que moram na capital carioca, já foram celebrados por gente que não erra quando o assunto é música. Fernando Brant escreveu: "A Cambada Mineira desvenda para o País, e essa é sua profissão de fé, a alma musical de Minas." Túlio Mourão destaca a mistura de talento e emoção. "Longe das montanhas gerais, mineiros se conhecem, se juntam e se ajudam no desafio de fazer soar suas crenças, seus acordes, seus corações. Cambada Mineira é o nome desse grupo de músicos." O Cambada Mineira – que já dividiu o palco com Toninho Horta e Túlio Mourão e abriu shows de Beto Guedes, Flávio Venturini e Lô Borges – está preparando o lançamento de seu terceiro CD, "Cambada Mineira ao Vivo", gravado em junho passado no Teatro Nelson Rodrigues, misturando músicas inéditas, a maioria do repertório, com algumas já gravadas. Para apresentar este novo trabalho, o trio faz show no Teatro Rival, no Rio de Janeiro, no dia 23 de outubro. Também estarão no programa canções dos discos anteriores – Cambada Mineira 1 e 2 (gravadora Outros Brasis) –, além de composições de Milton Nascimento e Fernando Brant (Roupa nova, Cavaleiros do céu e Caxangá), Nelson Angelo (Canoa canoa e Fazenda), Flávio Venturini e Márcio Borges (Linda juventude), Jackson do Pandeiro (O canto da ema), Samuel Rosa e Nando Reis (Resposta) e outros compositores. Entre os destaques do repertório dos discos anteriores estão Foi assim (João Francisco e Amarildo Silva), uma das mais bonitas do "Cambada Mineira 1", Um jeito carioca (João Francisco), Mãe das pratas , uma linda homenagem feita por Rodrigo Santiago e Lúcio Brandão para Minas, e a inédita Cambada, composta por João Francisco em parceria com Márcio Borges. O espetáculo também terá a participação da cantora e pianista Flávia Ventura. Amarildo Silva tem mais de 15 anos de carreira e dois CDs solo, "Rios Afluentes" e "Estação", lançados em 1995 e 1997. É mineiro de Raul Soares, região da Zona da Mata. João Francisco nasceu na divisa de Minas, Rio e Espírito Santo. Durante quatro anos excursionou com a Banda Geraes, apresentando o show "Geraes Canta Minas". Lançou, em 1997, o CD "Estórias de Mato e Cidade", com composições próprias. O artista, aliás, responde por duas das mais interessantes músicas do segundo CD da Cambada Mineira, O sapo e Revolução dos bichos. Influenciado por Eddie Van Hallen, Steve Vai e Joe Satriani, Rodrigo Santiago, carioca criado na mineira Barroso, passou a se interessar pela música das Gerais por meio do trabalho de Beto Guedes, um ídolo. Rodrigo fez parte do Trio Hora H, composto por ex-integrantes dos Secos e Molhados. Os três juntaram-se para cantar as tradições, a cultura e os costumes das gentes das montanhas, disse Fernando Brant. O resultado não poderia ser melhor e merece ser prestigiado. Afinal, como já registrou o poeta Jorge Fernando dos Santos, "todo mineiro tem um trem de ferro apitando nas veias, uma montanha brilhando nos olhos e uma banda tocando nos ouvidos".
Site Cambada Mineira: www.cambadamineira.com.br Gravadora Outros Brasis: www.outrosbrasis.com.br
Cambada Mineira 23/10, às 19h Teatro Rival BR - Rua Álvaro Alvim, 33, Cinelândia Tel (21) 2240-4469 Site Núcleo Contemporâneo: www.nucleo.art.br |