Vânia Bastos grava Clube da Esquina
Por Evanize Sydow
Vânia Bastos presenteia o seu público com mais um bom trabalho. Em seu mais novo CD, que sai pela MZA Music e é distribuído pela Abril Music, ela canta o Clube da Esquina. São 12 canções do movimento mineiro que trouxe ao grande público nomes como Milton Nascimento, Beto Guedes, Lô Borges, Toninho Horta, Fernando Brant e Flávio Venturini. Estão no repertório, entre outras, San Vicente, que conta com a sempre bem-vinda participação de Milton Nascimento, Cais, Um gosto de Sol, Um girassol da cor do seu cabelo e Nascente. Os shows de lançamento do disco acontecem nos dias 4 e 5 de maio, no Sesc Pompéia, em São Paulo. Leia abaixo entrevista com a cantora para a Página da Música.
Página da Música – Como aconteceu este CD que você está lançando agora, com obras do Clube da Esquina?
Vânia Bastos – Eu recebi um convite do Marco Mazzola, produtor. Eu estava indo para a gravadora dele e ele me sugeriu esta idéia. Ao mesmo tempo que é uma delícia, é uma responsabilidade, porque essa obra é muito acabada, muito perfeita. É uma responsabilidade. Mas você sabe que, no momento, eu pensei mais na beleza das músicas e que essas músicas, na realidade, tinham uma história de sentimento do que estava na minha pré-adolescência. O meu irmão comprava discos e eu ouvi demais, eu quase furei, na época, de tanto que eu gostava. Quando que eu podia imaginar que, 30 anos depois, seria uma cantora e que receberia um convite para cantar essas músicas lindas?
PM - Você é uma cantora paulista.
VB - Eu nasci em Ourinhos, divisa de São Paulo com Paraná.
PM - Você também viajou muito por Minas, naquela época?
VB - Além de gostar e tudo mais, tinha essa história da família de meu pai ser toda de Minas Gerais. A gente tinha esse costume de passar as férias lá. Então, esse som tocava normalmente nas rádios do Brasil, a gente ia viajando cruzando pelas montanhas de Minas Gerais, ouvindo essas músicas. Isso ficou muito marcado em mim.
PM - E como é o seu contato com os músicos que integraram o Clube da Esquina?
VB - Até então, eu tinha encontrado com o Milton só em estúdio e camarim. Nunca tinha tido contato com ele. Eu achei interessante que eles deram o aval para esse disco. O Milton topou em cantar comigo numa das faixas. Ele foi com todo prazer, segundo ele mesmo disse. O Lô Borges fez, há duas semanas, um show em Belo Horizonte, festa de 30 anos do Clube da Esquina, 50 anos de idade dele, e convidou várias pessoas, Milton Nascimento, Beto Guedes, Skank, e me convidou também. Achei bonito porque eu era a única não mineira que estava lá. Achei muito legal o jeito deles todos terem essa interferência.
PM - Alaíde Costa gravou...
VB - Gravou nesse Clube I. Era só homem. A única participação feminina que teve neste disco foi a da Alaíde Costa como convidada.
PM - Como foi a questão da interpretação neste disco para você? Ele tem uma interpretação muito própria...
VB - Eu não pensei muito não, nem programei nada. Na verdade, conheci o Luiz Avellar para fazer este disco. Eu só o conhecia de nome. Foi um encontro assim... vamos ensaiar, vamos bolar aqui uma história... E foi muito bom porque parecia que a gente já se conhecia há mais tempo. A coisa foi brotando dessa forma. Sabe aquela coisa que você fala: "Vamos mexer" e aí vai saindo? Foi ficando desse jeito. Ele veio com a bagagem dele e eu fui com a minha e o encontro, essa mistura, deu certo porque ele trabalha com música erudita, com jazz e eu fui com a minha forma de cantar. A interpretação saiu assim, do jeito que nós somos. É uma coisa simples até. A gente quis fazer uma coisa completa, mas diferente por causa dessa história que eu te falei, de que é a perfeição. É um mundo que já está pronto. Para reler aquilo precisa fazer uma outra forma completamente diferente.
PM - Essa estrutura de voz/piano foi uma idéia sua?
VB - Foi surgindo de conversas com o Mazzola. Como a gente poderia fazer? A gente pensou de um jeito, de outro. Sabe quando você vai chegando a uma conclusão que poderia ser uma coisa baseada no piano e voz porque eu já tenho outros discos, minha voz combina com este tipo de som e, além de tudo, fica uma releitura mesmo, completamente diferente, para fazer sentido.
PM - Os shows também têm essa estrutura?
VB - Também. Mistura piano com quarteto de cordas. Vai ser um show camerístico, onde eu vou cantar grande parte das músicas do novo disco e algumas outras da minha história.
PM - Qual é o pianista que te acompanha?
VB - Neste show será o Luizinho Avellar.
PM - O Milton participa do disco. Vocês tiveram idéia de chamar outros integrantes do Clube para participarem também ou era só o Milton mesmo?
VB - Era o Milton mesmo. O Mazzola já produziu disco dele e mostrou o disco para o Milton, que falou: "Não, eu vou lá." E ele foi. Para mim, foi um luxo. E eu, aquela cantora lá de Ourinhos, de repente como colega dele...
PM - Você vem fazendo discos temáticos. A idéia é continuar nessa linha nos seus próximos trabalhos. Você já tem outros projetos em vista?
VB - Não tenho. Eles surgem. Esse é o disco de número 9 na minha carreira e eu fui intercalando músicas inéditas com discos que têm um tema. Os discos de temas são "Cantando Caetano", em 92 com Caetano Veloso; outro que eu fiz foi "As Canções de Tom Jobim", com arranjos de Francis Hime, em 95, e o "Belas e Feras" foi uma idéia que eu tive de fazer as compositoras brasileiras contemporâneas, mas que tivesse também músicas inéditas. Esse, agora, foi um convite. Eu recebendo um convite como cantora. É claro que eu não quero levar isso a ferro e fogo, não. Acho que a gente tem de ser maleável.
PM - O Belas e Feras foi um disco bem trabalhado na sua opinião?
VB - Mais ou menos. A gravadora Play Art, na verdade, é forte no ramo de cinema. Eu não tenho o que reclamar. Foram muito legais comigo, deram apoio em vários pedidos, mas a gente sabe que é complicado abrir uma gravadora aqui no Brasil e ter todo o esquema de distribuição, competir com as multinacionais. Não é brincadeira. Acho que fizeram o que foi possível. É claro que é diferente estar numa gravadora que está se instalando e estar numa outra com um super esquema. Alguma coisa ficou a desejar, mas não por maldade deles, nada disso.
PM - Os planos agora são divulgar esse CD?
VB - Sim. Eu estou achando legal porque a MZA e Abril Music, unidas, estão com uma forma bem legal de divulgar. Os shows estão começando agora, nos dias 4 e 5 de maio, no Sesc Pompéia. Depois, a gente vai seguir viajando pelo Brasil.
Vânia Bastos canta Clube da Esquina
Dias 4, às 21h, e 5/5, às 18h
Sesc Pompéia - Rua Clélia, 93, Pompéia
Tel (11) 3871-7700
R$ 7,50 a R$ 15,00
Site: www.vaniabastos.com.br