PM – Como foi feito o "Canções do Brasil"? Foi uma "aventura" independente ou vocês tinham o apoio de alguém para produzí-lo?
PT – Tivemos a idéia em 1997, escrevemos o projeto e ficamos batalhando o patrocínio até 1999. Mas não estávamos conseguindo e fomos fazendo conforme nossas condições. Por exemplo, quando a Sandra ia viajar para outro Estado, a gente fazia pesquisa, marcava dois dias, ia junto e gravava. Aí eu fui fazer o Abril Pro Rock com o Arnaldo Antunes, em Pernambuco, já tinha uma passagem e só faltava outra, e fomos fazer o Recife.
SP – Se tinha um show da gente em Belo Horizonte, lá íamos nós gravar.
PT – Quando íamos fazer uma oficina lá em Tocantins, aproveitávamos também para coletar coisas de lá. Quando a gente tinha já uns seis lugares gravados, a Varig começou a dar as passagens. Mas só as passagens, as outras despesas por nossa conta.
SP – Depois também recebemos uma pequena ajuda da Natura e da Nestlé, que totalizaria 15% do valor do projeto. Ou seja, a gente fazia tudo. Toda a produção. Mas tinha uma pessoa-chave, o Mário Ruza, que foi contratado para fazer a pré-pesquisa. Ele, por telefone e pela internet, contatava de três a quatro grupos por intermédio da Secretaria de Cultura e de músicos que moravam na cidade. Ele levantava possibilidades e a gente escolhia uma das três e ia para a cidade. Em alguns casos, a gente gravava até duas. Também virei fotógrafa.
PT – No projeto, a gente tinha inscrito uma equipe de cinco pessoas.
SP – A gente foi aprendendo a fazer de tudo, o que não deixou de ser legal. Foi extremamente cansativo, mas muito bom.
PM – Quantos lugares vocês percorreram?
SP – Na verdade são 26 Estados. Quando a gente ganhou o dinheiro da Natura e da Nestlé, principalmente a Natura, a partir desse patrocínio, nos pediu para criar um cronograma, já que ela tinha prazo para entregar o CD. Depois eles saíram do projeto, por algum motivo interno deles, mas nós já tínhamos começado. Nesse momento, como a gente já tinha um pouquinho de dinheiro, contratamos o Mário Ruza e o Celso Gelman para fazer cinco Estados. Foi muito legal. Foi um trabalho de dois anos.
PM – Quando foi lançado?
PT – Em agosto do ano passado. Foi um trabalho em que a gente colocou todo o dinheiro que ganhava. Tudo o que vinha a mais, a gente colocava nele. Investimos muito nesse projeto e estamos pagando ele até hoje, já há mais de um ano.
PM – Tem algum projeto em andamento?
SP – Vai ter o lançamento do DVD do "Canções do Brasil", mostrando o show e um pouco de making of.
PM – Onde vocês já apresentaram esse show?
PT – No Sesc Pompéia, aqui em São Paulo, e em Brasília. Somente nesses lugares porque é um show caro, a gente não consegue patrocínio e traz crianças de outros Estados, por exemplo. É um disco que é meio complicado, porque além de ser mais caro naturalmente, é um livro também. Não pode ser lançado com vários shows porque o show dele tem um custo muito alto. O nosso projeto é estar lançando a idéia dessa coleção, desse selo. Em São Paulo ele é conhecido, mas em outros lugares não. Quer dizer, a gente tem músicas novas que estamos loucos para gravar, mas seria irresponsabilidade fazer um lançamento ainda tendo tudo por fazer por esses trabalhos já existentes. A gente pode lançar esses títulos no Brasil inteiro ainda como uma grande novidade. Nós podemos lançar o primeiro CD — Canções de Ninar — numa boa cidade como Campinas, onde nunca fomos, ou em Criciúma, que é a segunda cidade de Santa Catarina. Nós sabemos que eles são bons e que a grande maioria das pessoas não conhece nem o primeiro da coleção.
Leia: