PM – A Eldorado distribuiu até mais ou menos um ano atrás, certo?
PT – Por aí. E eles até mantiveram a gente ainda por um tempo. Nós fomos dos últimos a nos desligar porque nossos CDs vendiam. Mas o importante é que a gente adquiria aquilo que realmente íamos vender. Então, digamos, a gente comprava algo como 400 CDs de um título ou 200 de outro, somando mil CDs por mês. Eram vendas que a gente mantinha. E nossos pontos-de-venda eram alternativos, fora da loja de disco. Isso é uma característica do nosso selo.
SP – E a gente não abre mão disso.
PT – Principalmente em livrarias e lojas de brinquedos. Fomos nós que inventamos a estratégia de colocar CD em loja de brinquedo. Não existia isso antes. Eu e a Sandra fomos a uma feira de bebê e gestante para conhecer os possíveis pontos onde poderíamos colocar os CDs. E quando a gente passa isso para uma pessoa que está trabalhando, a gente sabe do que está falando. Mas fez uma grande diferença quando a Eldorado saiu e a gente teve de fabricar os CDs. Ter de fazer esses pedidos grandes, totais.
PM – Foi um momento bem delicado quando vocês tiveram de pensar na distribuição, não?
PT – Agora também temos uma distribuidora, que é a MCD. Mas ela é pequena e não gera um pique que a gente possa ficar tranqüilo.
SP – O que mantém o selo são os pontos que a gente abriu, que a gente cuida e que temos certeza sobre o faturamento. A partir daí, o que a distribuidora vender é lucro. A gente quer cada vez mais contar com isso, mas ainda não é um negócio certo.
PM – Quer dizer que vocês vendem mais discos de forma própria?
PT – A Eldorado vendia muito mais discos que a gente. No entanto, o faturamento dos pontos em que a gente vendia era maior, uma questão de porcentagem. A gente torce para que nossa distribuidora passe na nossa frente. Porque a gente não distribui em loja de CDs, só em pontos alternativos.
PM – Basicamente em livrarias e lojas de brinquedos?
PT – Também em farmácias homeopáticas, de produtos naturais. Esse é o tipo de ponto por onde circulam mães.
SP – O trabalho é para um público diferenciado. Quem compra o CD da Palavra Cantada não vai às Lojas Americanas nem ao Carrefour. Compra num lugar em que vai encontrar um produto um pouco mais adequado aos seus valores.
PM – É mesmo uma maneira própria de distribuir.
PT – Mas nossa distribuição, junto com a da MCD, ainda é muito pequena. O potencial da gente é limitado. A maior parte das vendas ocorre na zona oeste de São Paulo, embora tenhamos outros pontos, como Belo Horizonte, Curitiba e Florianópolis, que tem dois pontos.
PM – E é um produto que poderia vender em qualquer lugar do Brasil, não é?
SP – Eu não acho que é só distribuição. O xis da questão é: uma pessoa que não vê a gente na televisão — porque a gente não tem um programa na televisão, a gente não tem uma mídia específica — não nos conhece. Eles conhecem as pessoas que aparecem na TV. Que seja na TV Cultura, por exemplo, como o disco do Castelo Rá-Tim-Bum. É isso que acaba segurando. Eu posso colocar 100 discos numa loja em Belém, no Pará, e nem dá para imaginar uma pessoa chegando e pedindo um CD da Palavra Cantada. A gente precisaria ter uma atuação diferenciada.
PM – Vocês pensam nisso ou não?
SP – A gente pensa nisso. Estamos agora com a possibilidade de fazer um programa baseado no "Canções do Brasil". A gente quer muito isso. Queremos, por exemplo, ter videoclipes na televisão, no mínimo. Acho que é a coisa mais obvia, só que a gente não consegue "bancar" isso. Estrategicamente ainda não conseguimos nos direcionar financeiramente para estar batalhando nisso.
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