PM – Sendo artista e precisando criar, compor, pesquisar, como é também estar envolvido na burocracia da empresa? Como vocês lidam com isso?
SP –Até um determinado momento, e nem sei se isso já acabou, a gente foi engolido por essa máquina empresarial durante muitos anos. A diferença é que agora nós sabemos o que queremos e o que não queremos. E mais, a gente tem pessoas para ajudar hoje em dia. Temos sete pessoas que trabalham aqui. Um administrador, uma vendedora, uma gerente de vendas, uma produtora, uma secretária, além de uma estagiária e do office-boy. O selo funciona muito sobre as vendas especiais, de projetos especiais, e os shows.
PM – Mas no começo não era assim.
SP – No começo a gente fazia tudo, aprendendo e errando. Mas, principalmente, acho que montar um selo depois que a coisa deu certo é o melhor caminho. Pessoalmente, não acredito em negócio que você arma o circo, coloca as pessoas sem experiência lá dentro e depois é que vai ver se dá certo. Acho que quando o negócio dá certo é porque você primeiro sente uma demanda e só aí é que vai se posicionar com relação àquilo que está sendo oferecido. Por causa disso, tudo o que você possa imaginar a gente já fez, e faz. Arrumar patrocínio, abrir ponto-de-venda e outras coisas. Hoje nos preocupamos um pouco menos com a questão de venda, por exemplo, mas a gente tem de estar sempre atento a tudo o que está acontecendo. Prestar atenção, por exemplo, quando pára de vender em algum lugar. Porque o que nos dá retorno é a venda de CDs. Então, se a gente só ficar fazendo música e não prestar atenção em ações que podem estar ocorrendo, perdemos o controle.
PT – E a venda de CDs tem de ser boa, porque se não vender bem o selo não sobrevive. Isso acontece porque, quando a gente manda fazer CD, a tiragem tem de ser de mil, por exemplo. De preferência, é bom encomendar 3 mil, para você começar a pegar preço. Se você não se estrutura para vender essa quantidade, começa a criar um estoque imenso. Era interessante quando a Eldorado distribuía. Ela assumia a parte de fabricação dos CDs, porque ela era, digamos, o primo forte do processo. Porque no todo ela tinha mais condições nas fábricas.
SP – E nós éramos um dos selos que mais vendiam.
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