PM - Você acha que ele tem o reconhecimento merecido?
MM - Da mídia, sim. Ele não tem do que reclamar. Do público ainda não. Mas isso é uma coisa histórica do nosso país. Só se dá valor ao artista quando ele morre. Em vida, fico impressionado como a Leila Pinheiro tem sido uma autêntica porta-voz de sua obra. Ela fala, faz, conta. Ela é sua maior divulgadora atualmente. Sinto que ela ainda vai gravar muitas canções do Guinga. Muitas. E vai entrar para a história da MPB como ele.
PM - Esse trabalho mudou de alguma forma a sua visão como crítico de música?
MM - Sim, muito. Para pesquisar a obra de Guinga ouvi de tudo. Villa-Lobos, Garoto, Radamés, Baden, música clássica. Tentava entender o que Guinga queria dizer com sua música. Era muito complexo para mim. Descobri que mais vale um Guinga do que cem mil Strokes e 500 mil White Stripes. O Guinga, sim, que é indie. O resto é enganação.
PM - Você tem projetos para outras biografias?
MM - Sempre tive vontade de contar a história do Vasco através do olhar de um personagem de sua história. Devo fazer isso com o Luiz Neto, outro jornalista daqui. Mas está longe ainda. Agora quero descansar e ouvir "os mais belos acordes do subúrbio". Sem ter de escrever nada...
"Guinga - Os mais belos acordes do subúrbio"
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