PM - Como é o processo de criação dele?
MM - Ele diz que é criminoso. Vem uma canção de pronto e logo depois ele esquece. O Guinga deve ter por baixo umas 400 canções. O difícil é achá-las. Há inéditas com Paulo César Pinheiro e algumas esquecidas em algum baú de sua casa do Aldir Blanc. Sinto que o Guinga quer ampliar sua música, sem prostituí-la. Quer entrar em contato com novas linguagens. A nova parceria com Nelson Motta, Choro na noite, é um indício disso. Ele precisa respirar ares novos, música com outros ângulos.
PM - Como ele se tornou um músico tão respeitado, principalmente pelos próprios artistas? O que ele ouviu, que tipo de música o influenciou? Ele estudou música?
MM - Sua escola é o subúrbio. Sua música é cinematográfica, carrega uma carga de imagem muito forte. Ele ouviu bossa nova, ganhou informação do jazz e do clássico e fundou seus pilares com uma identidade. Choros, foxes, valsas, baiões, sambas, tudo numa linguagem própria. Você ouve e sabe que é ele. Lembro-me que o Chico (Buarque) disse para mim que ele era a coisa mais importante que havia acontecido para a MPB nos últimos anos. Eu acreditei firmemente nele.
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