Página da Música - Por que você resolveu escrever sobre o Guinga? Quando começou a pensar em biografá-lo?

Mario Marques (na foto) - Temos uma amizade longa, que data do começo dos anos 90. Eu trabalhava como editor de uma revista pop e ele era muito mais desconhecido, não havia nem saído nenhuma grande reportagem em jornal sobre sua música. Eu era um garoto bitolado pelo rock, heavy metal e progressivo, mas tinha laços com a música maior, de qualidade. Não ouvia punk rock, achava um lixo. E a música de Guinga para mim foi um passaporte para a música brasileira, para Chico, para Jobim, para Gil. Entusiasmei-me com aqueles acordes quase eruditos, molhados de jazz e de choro. Virou um clássico para mim. Em 1998, numa das nossas conversas (longas, como com todos que ligam pra ele), eu sugeri e ele topou. Sem compromisso. Sabíamos que ia sair um dia, mas não sabíamos quando.

PM - Como foi o processo de realização do livro? Você fez muitas entrevistas com ele ou conversou mais com as pessoas ligadas ao seu trabalho? Houve muita pesquisa e de que forma você pesquisou?

MM - Para mim foi enriquecedor. Conviver com o Guinga e mergulhar na sua vida foi um exercício musical e pessoal para mim. Nós costumávamos nos encontrar toda semana para uma entrevista no Garcia & Rodrigues, bar chiquezinho no Leblon. Eu bebia cerveja, ele água. Muita piada, muito papo, muitas confidências, algumas que não saíram no livro a pedido dele. Devemos ter nos encontrado umas 20 vezes. E fiz com a ajuda do Dirley Fernandes, um superjornalista daqui do Rio umas 40 entrevistas. Depois convidei o Guto Costa, fotógrafo da pesada que já trabalhou comigo no Globo. Eu dei a edição do livro para ele. Disse que fotos eu queria e acabamos trabalhando o livro como uma grande reportagem. Muitas das fotos dele são absolutamente jornalísticas. Outras artísticas. A parte gráfica é um trunfo do livro. Sobre pesquisa, como não havia nenhuma publicação sobre ele, recorri aos jornais, a muitas reportagens que foram publicadas sobre ele durante a década de 90.

PM - Quanto tempo durou o trabalho?

MM - Durou dois anos. Mas escrevi o livro em 20 dias, a tempo de ser lançado na Bienal do Livro, semana passada. Confesso que fiquei travado quando uma outra editora (que prefiro não falar o nome) acabou por rejeitar o projeto. Também só sei trabalhar sob pressão. A editora me passou um e-mail em janeiro dizendo que precisava do livro para fevereiro. Fiz o seguinte cálculo: Como só tinha um capítulo pronto e ele durou cerca de um dia para ficar pronto, achei que em mais 15 dias fechava o livro. Já eram 12 capítulos. Bem, não foi como eu previ, mas foi quase lá. Depois a Ana Montenegro e a Gisela Zingoni da Gryphus me pediram mais algumas coisas e terminamos. O texto final não saiu exatamenete como eu queria. Mas já conversamos e devemos fazer várias alterações para a, se Deus quiser, segunda edição.

PM - O que mais lhe chamou a atenção ao realizar esta biografia?

MM - Chamou-me a atenção o entusiasmo das pessoas, músicos, produtores, jornalistas, compositores, quando eu dizia que estava fazendo uma biografia do Guinga. Todos sabem de sua importância. E me deixou maravilhado a generosidade e o bom caráter do Guinga no trato com sua vida e comigo pessoalmente. Ele sempre foi muito amável e disponível para as fotos e entrevistas. Espero que tenha gostado.

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