PM - Falar do Beto Guedes não é só falar dos shows que ele faz...
RP - Exato. Não é só idolatrar porque eu não vou idolatrar. Eu vou contar a história dele como pessoa, como é que ele se tornou um músico e a história da família, dos músicos e a história das pessoas que gravaram músicas deles. E a professora que tinha dado aula para ele em Montes Claros, as pessoas próximas, os primos, as pessoas que o acompanhavam, sobre os anos 70, que foi uma época que não acompanhei. Eu não vou querer escrever alguma coisa da minha cabeça, adaptar alguma coisa que alguém me conte. Eu quero que a própria pessoa me conte. Não vou ser arrogante de querer pegar esta história para dizer "eu soube". Não. Eu só tive o mérito de encontrar o fulano e ele me contar a história que viu com os olhos dele. Não com os meus. Vou falar com as irmãs dele para contarem como é que foi essa mudança de Montes Claros, essa casa mais espaçosa para um um apartamento de 2 ou 3 quartos para 7 ou 8 pessoas. Ronaldo Bastos também é uma pessoa importantíssima. Com Márcio Borges eu já falei. Murilo Antunes também é importante porque é da parte da letra. Murilo Antunes foi quem deu a idéia dele colocar o piquizinho nas capas. Ele falou para o Beto: "Os Beatles põem a maçã, por que você não coloca o piqui?".
PM - Toda capa dele tem um piqui?
RP - Tirando uma ou outra. Claro, tem um outro significado da coisa bucólica da música do Beto Guedes porque piqui é uma fruta que dá muito no norte e cresce naturalmente, sem plantar. Então, os caras viajaram e deu tudo certo assim... essas loucuras. E esse povo era muito... eu não sei se era maluco, acho que era criativo demais porque no disco Clube da Esquina eles botaram para fora toda a criatividade. Ficou um disco genial e que hoje, 30 anos depois, a gente está falando ainda desse movimento que talvez seja o mais importante da música popular brasileira. Algumas pessoas podem concordar, outras discordam achando que é a Tropicália, Bossa Nova, Jovem Guarda.
PM - A abertura de uma novela é música do Beto...
RP - Sim, a música Maria Solidária. Essa música foi gravada no primeiro disco de 1977. Ela é tema da novela Coração de Estudante. Tem 25 anos.
PM - Você tem idéia de aproveitar esse momento e casar alguma coisa?
RP - Eu acho que independe. Acho que esse momento me ajuda na coisa do patrocínio até porque eu posso chegar em alguma empresa e falar: "Ah, olha, fazendo livro do Beto Guedes. O Beto da música da novela, assim..." Mas, na verdade, ele já tem um público segmentado.
PM - Mas tem um público novo, esse público jovem que está conhecendo agora e de repente assiste a novela e pode achar que esta música é de agora.
RP - Claro. Só que se alguém gostar dessa música, da voz dele, vai ser difícil achar discos dele, exceto uma outra coletânea que é o que se encontra hoje. Os discos originais em CD não se acha, a não ser que se pesquise em selos. Eu acho que esse momento em que ele está, tema da novela Coração de Estudante, é indiferente. Mas, é claro, se mais gente, através dessa música, começar a conhecer o trabalho dele, for asssitir ao show, podem se interessar em conhecer mais profundamente o trabalho dele e comprar o livro quando sair. Porém, independente disso, ele já tem um público que é o que eu viso e conheço.
Leia: