PM - Você falou do livro "Os Sonhos Não Envelhecem". Como você pretende fazer o texto do seu livro? Vai ser uma coisa parecida com o livro do Márcio Borges ou não?

RP - Quando li "Os Sonhos Não Envelhecem", eu estava ávido em saber coisas do Beto Guedes, do Clube da Esquina. O Márcio foi por um outro caminho que foi pessoal, de lembrança dele. Ele se centrou na amizade dele com o Milton e acabou escrevendo um romance, uma coisa assim. Ficou legal de ler. Mas não é esse o caminho que eu vou seguir porque eu correria um risco muito grande de ser piegas se escrevesse as minhas impressões sobre ele. Na verdade, depois que li o livro da Regina (Echeverria), "O Furacão Elis", eu disse: "É por aí que quero seguir". Uma espécie de livro-reportagem com muitos depoimentos. Eu quero ser o condutor da história. Então, o Lô vai contar uma coisa sobre ele e o Beto. O Beto vai contar sobre ele e o Lô. E assim por diante. Eu vou amarrar. Quero passar o modo como ele fala e pensa para as pessoas que conhecem o trabalho dele. Esse é um detalhe também importante porque o livro vai estar direcionado para as pessoas que já conhecem o mínimo do trabalho dele. A idéia inicial é fazer livro para os fãs.

PM - Mas você vai contextualizar tudo isso, não? A época em que surgia o Clube da Esquina e o momento político e social do país, por exemplo?

RP - Eu vou contar uma história que começou na década de 50, depois 60, 70, 80, 90.

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