PM - Gostaria de saber como você está fazendo a sua pesquisa, onde você está pesquisando, quem você já entrevistou e quem você ainda vai entrevistar?

RP - Tenho que agradecer muito a Silvana (esposa de Beto Guedes; foto) porque ela já tinha esse material que me poupou um trabalho enorme. Eu escrevi para eles dizendo isso, que talvez não conseguisse esse acervo e tive o empréstimo desta pasta. Minha pesquisa partiu deste material, cerca de uns 250 recortes de jornal. Abrange de 1977, que é quando o Beto lançou o primeiro disco (capa à esquerda), até 1994, uma época em que ele começa a desaparecer. Ele lançou o disco "Andaluz" em 1991 e em 1994 as pessoas estão falando de shows que ele faz em Belo Horizonte e por aí a fora e, a partir de 94, dá uma sumida e volta em 97, quando lança "Dias de Paz". De 97 para cá não lançou mais nada. Ele está para lançar um disco este ano.

    Meu ponto de partida foi esse calhamaço de recortes de jornais. Comecei a organizar. Fui lendo, comecei a montar uma base e a querer ampliar isso, explorar para ser uma coisa além do que saiu, aprofundar mais para as pessoas que acompanham o trabalho. Comecei a ir atrás dos primeiros entrevistados e o primeiro deles foi o Lô Borges. Foi uma coisa meio que intuitiva também. Foi ótimo. O Lô Borges me recebeu e o que ele contou foi de uma generosidade, de uma simpatia pelo próprio trabalho, pela própria amizade que ele tem com o Beto, acho que até pela confiança que ele teve comigo porque eu já tinha um conhecimento. Comecei a perguntar para o Lô como é que ele conheceu o Beto. Eu tive um roteiro também. Conversamos cerca de 80 minutos. Ele estava gravando o disco dele "Feira Moderna".

    Aí fiquei um tempo na geladeira, sem grana para poder ir até lá de novo. Depois, em um mês fiz quase 10 entrevistas. Peguei o irmão do Beto em Montes Claros, a mulher do Luiz Guedes, outros amigos e integrantes dessa banda Brucutus. Entrevistei uma pessoa em Belo Horizonte que o Lô citou: "Olha, o nome do produtor do programa que a gente fazia quando era criança é Isaías Lansky e nem sei se ele ainda é vivo; espero que ele esteja vivo." Eu consegui encontrar. Ele está com alguns problemas de saúde e me contou algumas histórias. Interessante que ele fala assim: "Faz muito tempo que eu não vejo o Beto Guedes nem o Lô Borges, mas eu lembro como se fosse hoje da carinha deles de criança."

    O Isaías também comenta do Tutty Maravilha, que era o agitador dos primórdios da televisão - e mais da televisão mineira. Isso também é um material que eu posso e devo aproveitar. Isaias, Tadeu Franco, Paulinho Carvalho, baixista que também tocou com o Milton, com o Lô e com a própria banda do Beto uns bons anos até sair por uma história que o Beto contou que deve sair também... 

PM - Que história?

RP - Ele perdeu o vôo para um show em Brasília. O Paulinho Carvalho ficou com a passagem dele, do baterista e do tecladista porque o Beto foi e o Paulinho perguntou se ele podia ir no dia seguinte. O Beto aceitou. Então, o Paulinho fez o show e saiu. No dia seguinte, perdeu a hora do vôo. Só que, além dele, o Telo Borges, que tocava na banda, e o Neném também perderam. Telo é o tecladista, irmão do Lô Borges. Estava chegando a hora do show e foi um Deus nos acuda. Aí, o Beto não quis mais trabalhar com eles. Eu só sei a versão do Beto. Ele continua com o Neném até hoje. É o baterista do Beto e tocou no Clube da Esquina também. Acho que ele tem mais de 30 anos de bateria. 

    Conversei com Tadeu Franco também. Pouca gente conhece o trabalho dele e é um trabalho muito bonito e poderia ter sido muito maior. Ele contou dos arrependimentos dele, os furacões pelos quais passou quando foi gravar o primeiro disco, produzido pelo Milton Nascimento, um cara também lá do norte de Minas que veio para a capital tentar ser alguém. Começou tocando na noite e de repente chamou a atenção do Milton Nascimento. Ele tem uma história também com o Beto. Fez uma letra para uma música do Beto que se chama Choro de Pai, que tem a ver com a morte do pai do Beto, Godofredo Guedes.

PM - Você conta com pessoas para te ajudarem na pesquisa ou nas entrevistas?

RP - Ainda não. Ainda sou um cavaleiro solitário. Foi sugerido isso pra mim. O rapaz que formatou o projeto para mim incluiu um ou dois estagiários para me ajudarem. Pode ser que eu conte com essas pessoas. 

Leia:

O livro "Os Sonhos Não Envelhecem", de Márcio Borges

Beto Guedes e o cenário político

Relâmpago Elétrico

O piqui nos discos do músico mineiro

Patrocínio do livro

A importância da obra de Beto Guedes