O sermão popular de Antônio Vieira

Por Sérgio Fogaça

    Tem nome de padre, mas é compositor popular. Fã de Charles Chaplin, sua graça é viver tranqüilo, com um acervo de 300 músicas já compostas. O maranhense Antonio Vieira é diferente de muita gente que "sustenta" 82 anos de vida. Ele prefere "exibir". Compõe desde os 16 anos e ficou famoso em todo o País quando sua conterrânea, a cantora Rita Ribeiro, gravou a música Cocada em seu primeiro CD. Além do sucesso popular, o reconhecimento veio também por meio da indicação da música para o Prêmio Sharp, na categoria Melhor Canção. Sua trajetória é autêntica. Embora reconhecido num pequeno círculo musical, teve que trabalhar em várias outras funções para se sustentar. "Aqui no nordeste ninguém pode viver de música porque é uma região muito pobre", diz. "Acho que tem muita gente trabalhando em música nesse País, mas falta oportunidade, abertura e sensibilidade dos dirigentes." E põe falta de sensibilidade nisso. Conversando com ele descobrimos que existe um acervo fabuloso nos arquivos públicos do Maranhão. Obra de um abnegado padre que durante anos percorreu vários municípios do Estado para recolher partituras e registros de inúmeros compositores. "São mais de 2 mil partituras", atesta Vieira.

   Ano passado, o reconhecimento veio por meio de um belo registro chamado "O Samba é Bom", primeiro trabalho solo da carreira do compositor, gravado ao vivo no Teatro Arthur Azevedo, em São Luís, no Maranhão. Como merece, ganhou a companhia de grandes nomes no show e no registro do CD. Estavam com ele Sivuca, Elza Soares, Célia Maria, Rita Ribeiro e Zeca Baleiro, que produziu e idealizou esse trabalho. Em sua longa trajetória, Antonio Vieira participou durante muitos anos de grupo de choro, escreveu o livro "Pregões de São Luís", em parceria com Lopes Bogéa, e participou de shows importantes para a sua carreira que só esquentou quando já estava perto de completar 80 anos, a exemplo de outros grandes nomes da música brasileira, só reconhecidos com um pouco de sorte. Leia a seguir entrevista de Antonio Vieira para a Página da Música.

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O começo de tudo

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