O Tabar u Encantado

 

       Vicente Barreto merecia, e finalmente ganhou, uma antologia de sua obra. A gravadora Dabli Discos lan ou no m s passado "O Melhor de Vicente Barreto", com 15 composi es, incluindo p rolas como A Cara do Brasil, M o Direita e A Not cia, al m de seu maior sucesso, Morena Tropicana. Mas o melhor, em se tratando de Vicente, ainda est por vir. Mais seguro do que nunca em rela o a sua posi o dentro do cen rio da m sica brasileira, o compositor, instrumentista e cantor prepara um novo CD que prioriza seu mais afetuoso baluarte: o viol o. Sua musicalidade intuitiva nunca teve fronteiras. Ele pr prio assume a identidade de um homem nascido na ro a, um tabar u, que nasceu com o dom da m sica. Hoje, esse fato uma das principais fontes inspiradoras para o desenvolvimento de seu trabalho. Veja essas e outras "conversas" na entrevista a seguir.

Por S rgio Foga a

P - Vicente, voc considerado um m sico completo. J foram exaltadas v rias facetas suas, como a do compositor, do melodista, do int rprete e do violonista. Com qual delas voc se identifica mais ou se dedica mais?

V - Eu tenho a mesma dedica o por todas elas, mas acho que me envolvo mais com a quest o da cria o, da composi o. Eu me considero mesmo um grande inventor de m sica. Apesar disso, o toque do viol o vem marcando muito minha carreira toda. J a minha voz, que at bem pouco tempo era uma coisa que eu detestava, hoje esse sentimento j mudou bastante porque modifiquei muitas coisas na maneira de cantar. Passei a observar em que tonalidades eu estava compondo, porque s vezes eu compunha em tons muito altos e depois tinha de cantar a pr pria obra e fazia isso gritando. Mas normal, todos os cantores j passaram por isso. Hoje estou usando bastante os graves que eu tenho e que estavam escondidos. A fui perceber que o meu timbre de voz, do qual eu tinha tanta bronca, bonito. Ele meu e me identifica. Essa descoberta demorou muito tempo, foi a partir do disco M o Direita (lan ado em 1997). Foi quando eu percebi que as pessoas gostavam da minha voz e era s eu que n o gostava.

P - interessante voc dizer isso, j que esse foi um trabalho em que os cr ticos destacaram o lado do instrumentista. No entanto, para voc ele foi importante para "revelar" o cantor?

V - Na verdade o M o Direita foi um grande divisor. Eu entendo que a minha carreira vem de um jeito at esse CD e depois ela muda completamente, eu mudo completamente. Mudo a minha dedica o, a minha profiss o, no sentido de estar sempre bem para estar sempre estudando, estar sempre trabalhando. Estava bastante seguro nesse trabalho. Isso significa sempre olhar o que eu fiz e o que venho fazendo, para que eu sempre esteja melhorando na m sica e para que ela chegue boa para o p blico. Porque eu n o acredito no artista que n o se preocupa com o p blico, eu n o reconhe o isso como arte. Voc tem de dar o melhor que existe dentro de voc , essa a fun o do artista. Da o meu ensaio di rio, ou a minha observa o di ria, me perguntando: ser que estou cantando bem isso aqui? A afina o t boa? E esse toque de viol o, ser que est bom? Mas o que eu penso que sempre pode ser melhor e sigo estudando.

P- Como voc come ou na m sica?

V- Inicialmente foi a quest o do viol o. Foi a partir do viol o que tudo come ou, quando eu vi meu pai tocando e aquilo me despertou. Depois ele brigou comigo, porque viol o n o era coisa para menino ficar olhando. Mas a eu me interessei e fui na loja do seu Pinheiro, que era o vendedor de materiais para instrumentos l em Serrinha, na Bahia, e ele me perguntou. "Mas, Vicente, voc tem professor?". Da eu falei que n o. Afinal, n o tinha o m todo que explicava? Era aquilo que eu queria. Mesmo assim ele achava que eu tinha que ter professor. Mas eu disse que j fazia uns tons, que queria o m todo. A a primeira coisa que ele perguntou foi: "Deixe-me ver a sua m o". Depois que eu mostrei a m o para ele, ele disse: "Voc tem m o de violonista. Voc vai ser um grande violonista".

P - Essa foi uma bela profecia do seu Pinheiro.

V - Foi. Ele, primeiro, queria saber da minha m o. Como eu estava querendo comprar um m todo se eu n o tinha nem professor? Porque minha m sica at hoje intuitiva. Nunca tive professor nem de viol o e nem de composi o. Eu acredito mesmo que nasci com esse dom.

P - Existem muitos compositores e instrumentistas intuitivos no Brasil. Quer dizer, deve ter um monte de talento escondido por a , que, vendo voc falar isso, pode tomar coragem para levar um sonho adiante, n o?

V - A m sica popular brasileira quase totalmente intuitiva. Grandes nomes s o intuitivos. Pessoas que tocam sem terem nunca ido a uma escola de m sica. Eu, por exemplo, nasci no mato l na Bahia e virei ou j era m sico. Recentemente aconteceu uma hist ria interessante comigo. Foi atrav s de um document rio sobre por que a Bahia tem aquela musicalidade toda. E descobriram exatamente que a regi o em que eu nasci um dos maiores redutos de m sica do Estado.

P - Serrinha fica em que regi o da Bahia?

V - Fica ao norte do Estado, mas bem pr ximo da capital, cerca de 170 quil metros. Mas eu nasci em Concei o do Coit , apesar de ter ido pequeno para Serrinha. Nasci numa ro a mesmo. Mas esse document rio da TV Cultura, que eu vi h pouco tempo, mostrava as regi es de Coit e Valente, exatamente onde eu nasci, como um reduto de grandes acontecimentos e concentra o musical.

P - Tem outros m sicos que a gente conhece daquela regi o?

V - Que eu saiba, n o. Mas o que eu achei interessante foi observar as manifesta es populares art sticas. Ou seja, n o tem ningu m famoso. Por exemplo, se eles v o trabalhar na lavoura, eles est o cantando. Quer dizer, eu fui um daqueles que sa daquele n cleo e vim para c . Ent o o que eu fa o hoje muito voltado para eles. E eles t m uma auto-estima muito legal, eles dizem que o que mais gostam de fazer l improvisar. Eu nasci nesse n cleo, numa ro a, numa regi o espec fica da Bahia, que depois de muito tempo foi se descobrir que era uma regi o musicalmente muito f rtil. evidente que, por nascer na ro a, poucas pessoas tiveram condi es de sair dali.

P - Isso foi um encontro com a sua identidade, de personalidade e musical?

V - isso, percebi uma raz o de ser por eu ser um artista. E na verdade um artista nato, que, mesmo sendo daquela regi o, sempre mexeu com a quest o da arte, da m sica. Fiquei muito emocionado, muito feliz de ver isso. Inclusive o meu parceiro, Celso Vi fora, tamb m assistiu a esse programa e n s compomos, a partir disso, a m sica O Tabar u.

P - Essa m sica est em algum CD?

V - N o, ainda n o est em nenhum.

P - Vicente, quantos anos de carreira voc tem?

V - Eu posso dizer que a minha vida inteira. Claro, voc tem de considerar que tem um per odo de amadorismo etc. Mas, profissionalmente, desde quando comecei a ganhar dinheiro, eu toco desde os 13 anos, eu j tocava nas orquestras. Bom, se eu estou com 51 anos, s o quase quarenta anos de carreira. Eu sempre vivi de m sica, embora tenha tido esse per odo amador, claro. Parece que muita gente prefere contar a partir de quando o artista grava, ou quando as pessoas come am a gravar a sua obra. Desse ponto de vista, seriam uns vinte, vinte e poucos anos de carreira.

P - Bom, j estava mais do que na hora de uma antologia da sua obra, como essa que a Dabli lan ou no m s passado, n o?

V - Isso me emocionou bastante. Eu sou um cara que penso sempre para a frente. Agora, por exemplo, estou pensando no CD que vou fazer. O tempo todo estudando m sicas que j est o compostas, ou ainda compondo outras coisas, porque eu prefiro ainda aperfei oar o que j fiz. Na semana passada fui fazer um show no Guaruj , e na passagem de som com a minha banda, que conta com Chico Pinheiro, Swami J nior e Guilherme Kastrup, comecei a desenhar um ritmo e olhei para eles. Percebi que as caras se iluminaram. Eles notaram que era uma coisa nova. O pr prio Guilherme falou que n o via a hora de gravar esse disco novo, e aquilo era uma coisa que tinha chegado naquela hora. Fiquei at preocupado durante o show, com medo de esquecer aquela levada. No dia seguinte, acordei cedo e a m sica estava ali.

P - Voc tem algum caso espec fico de can o que te emocionou muito?

V - Tem v rias, mas A Cara do Brasil mexeu muito comigo. Essa m sica tem uma hist ria bem interessante. Quando ela surgiu, o acorde dela me emocionou bastante, eu achei muito parecido com piano, que preenche muito. Depois que o acorde agradou, eu comecei a correr atr s dele para descobrir uma seq ncia mel dica. Vim desenhando e fiz todo um roteiro at chegar no tom inicial. Quando comecei a trabalhar essa can o pensei muito na minha regi o, numa coisa descritiva. Eu tinha de falar alguma coisa, explicar para a pessoas. Ent o eu pensei no repente, mas n o aquilo que a gente conhece tipicamente com dois cantadores. Pensei que o texto dela deveria dizer alguma coisa.

P - Depois, como veio a letra? Quando voc passa para o parceiro, voc conversa com ele?

V - s vezes. Essa eu passei para o Celso (Vi fora). Mas nesse caso n o me lembro de ter falado nada. Talvez eu tenha dito para ele que era alguma coisa que eu tinha de falar, explicar. A quando ele me veio com aquelas palavras, eu achei perfeito. Ele parece que descobriu toda a conversa, explicando o nosso pa s. Ent o aquilo foi um momento extraordin rio de cria o nossa. Depois de ela pronta, o Celso me liga e diz que ficou sabendo, atrav s de uma amiga, que o Ney Matogrosso estava procurando m sica para gravar. Foi muito importante ele gravar aquela m sica naquele momento. Depois a gente viu muita coisa acontecer com a m sica. Quando o Brasil estava festejando os 500 anos, muita gente usou a m sica.

P - Teve mais gente que gravou essa m sica?

V - Por enquanto gravamos o Ney, o Celso e eu. Mas ela est na boca de v rios m sicos por a . Muita gente tem cantado ela. A gente ficou sabendo que as pessoas est o discutindo nas escolas etc. Quer dizer, para mim, depois de Morena Tropicana, a maior m sica de prest gio que eu tenho A Cara do Brasil. Al m de M o Direita, com Costa Neto e Na Volta que o Mundo D , com Paulo Cesar Pinheiro. M sicas que conquistaram um prest gio muito grande. (Leia a letra de A Cara do Brasil no final da entrevista).

P - A gente podia aproveitar e falar das suas parcerias, que s o muito legais. Muita gente n o sabe que no in cio de carreira voc teve uma parceria com o Vin cius de Moraes. Como aconteceu essa parceira?

V - Eu estava morando no Rio, mas o encontro com o Vin cius foi na Bahia. Eu fui fazer um show na Bahia, se eu n o me engano, em 1975, com o Walter Queir z e a Cybele, aquela menina do Quarteto em Cy. O show se chamava Temporada de Ver o. E Vin cius foi assistir ao show, porque era amigo de Cybele. Depois do nosso show, quem tocava era o S rgio Ricardo. E ele virou meu amigo, gostou bastante do jeito que eu tocava viol o. Depois que o show terminou, ele chegou para mim e disse que tinha ido casa de um compositor que tinha gostado muito da minha m sica. Quando eu perguntei quem era, ele respondeu que era o Vin cius de Moraes. Como sou do interior, eu sou tabar u, e n o acreditei muito nessa hist ria, at ri disso. A o Walter encontrou o Vin cius num bar e aconteceu a mesma coisa: o Vin cius perguntou por mim. O fato que logo o conheci e ele foi muito gentil. Ele elogiou meu viol o e pediu para eu preparar, como ele disse, uma musiquinha para ele colocar uma letrinha. E a se iniciou a parceria, como Eterno Retorno, que fecha o CD M o Direita.

P - Ainda nesse per odo tamb m teve parceria com o Tom Z ?

V - Com o Tom Z eu trabalhei uns seis anos. Teve um disco que foi muito importante, o Estudando o Samba. Depois a gente trabalhou bastante e eu compunha coisas que ia deixando l . Por isso, quando saiu o Vaia de B bado N o Vale, foi uma surpresa para mim. Se ele n o me lembrasse que a melodia era minha, eu nem ia lembrar. E foi uma m sica que tamb m me marcou muito, que me d prest gio porque sobre um texto extraordin rio dele. Quer dizer, aos poucos eu vou marcando minha presen a na m sica brasileira com coisas importantes que v o ficando. E isso me deixa muito atento para que eu sempre esteja construindo coisas que mexam com as pessoas, que as fa am refletir, porque eu acho que essa a grande fun o do artista.

P - Al m de parcerias recentes, com o Celso Vi fora e Costa Neto, voc ainda fez coisas com gente mais nova, como o Chico C sar e uma nov ssima gera o que est no ltimo CD, E a Turma Chegando Pra Dan ar?

V - . O Jairzinho, filho de Jair Rodrigues, e o Daniel Carlomagno que produziram e arranjaram o CD. Mais ainda o Pedro Camargo Mariano, filho de Elis Regina e C sar Camargo Mariano, e Simoninha, filho de Wilson Simonal. Esse foi um momento em que eu queria ver a minha m sica executada por uma nova gera o. E foi o disco meu mais elogiado. Quando saiu o disco, foi mat ria em todos os jornais do pa s. Achei aquilo bacana, fiquei pensando: ser que est o me descobrindo? Foi uma sensa o muito boa para mim, porque at h pouco tempo a coisa era meio calma. Hoje eu vejo com clareza que as pessoas conhecem o meu nome, ou meu trabalho, porque muita gente n o me conhece pessoalmente, mas conhece meu trabalho, que o mais importante. Eu fico muito contente de estar sendo descoberto aos 51 anos. Est valendo a pena todo o sofrimento. Porque n o foi f cil chegar at aqui sem modificar a minha m sica, pelo contr rio, permanecer fazendo o que eu acho que melhor. E ainda trabalhando completamente solit rio, porque eu n o perten o a nenhum grupo espec fico.

P - Al m das influ ncias que voc j mencionou, at da sua pr pria terra, quais s o as outras que foram significativas para a sua carreira musical?

V - O Jo o Gilberto e o Tom Jobim foram muito marcantes. O Jo o pela maneira de cantar, pelo bom gosto de burilar cada can o e o viol o, que para mim foi a identidade maior. O Tom, em compor aquelas coisas extraordin rias. A introdu o do Tom j uma m sica. Sem d vida ele um dos maiores compositores que eu conhe o. Um deles, porque no nosso pa s dif cil de apontar, porque existem v rios. E o Baden Powell, l gico. Eu queria ser igual ao Baden. Duas pessoas que eu queria ser s o Jo o Gilberto e Baden. Interessante que Baden ganhou o mundo com aquele jeito de tocar o viol o e as pessoas n o perceberam que ele foi um dos maiores compositores do pa s, o mais brasileiro. Se voc pega coisas do Tom, voc percebe as influ ncias do jazz, a bossa nova uma influ ncia do jazz. J o Baden um universo mais negro mesmo, do choro, dos ritmos brasileiros.

P - Vicente, voc s s o influenciadores da nova gera o, tamb m ocorre o contr rio?

V - O Jairzinho, por exemplo, me deu muitos toques que eu observo hoje quando vou cantar. Ele uma pessoa muito competente, que estudou bastante e arranjador. uma troca mesmo, eles aprendem com a gente e eu aprendi muito ao ver uma nova gera o trabalhando com tanta compet ncia e com tantos recursos. Na nossa gera o os recursos eram menores. O meu filho, que est fazendo m sica, j come ou a tocar com uma guitarra Gipson. Eu comecei com um viol o muito simples.

P - Para terminar, quais s o seu projetos futuros. Voc est preparando um novo CD?

V - J estou com o repert rio do pr ximo disco pronto, s estou esperando a gravadora me chamar. Vai ser dirigido pelo Swami J nior. Ele vai fazer os arranjos junto com o Chico Pinheiro. Sabe, eu descobri que realmente n o posso ficar distante do meu viol o. A Turma Chegando... foi um disco marcante e importante, mas tem outras informa es. Depois dali eu percebi que a quest o do viol o muito marcante na minha obra. Ou seja, eu procurei pessoas que tocam viol o, que t m a ver comigo. Ent o montei esse quarteto: eu, Swami, Chico e Guilherme (Kastrup), o disco todo feito com viol o. O Chico vai tocar dois viol es, um de a o e um n ilon, o Swami um de oito e sete cordas, eu toco meu viol o e o Guilherme na percuss o.

P - E as parcerias?

V - Esse um disco que vai ter muita coisa com o Paulinho Pinheiro, que sempre esteve junto comigo e a gente tem muita coisa que n o entrou no outro disco. Eu percebi que, quando fui caminhando para uma regi o de trabalho desse CD, foram as m sicas com o Paulinho que me levaram. Basicamente metade do disco vai ser com ele. Eu fui a Salvador fazer um show, no final do ano passado, e reencontrei o meu primeiro parceiro, o F bio Paz. Ele me mostrou duas coisas que n s t nhamos feito no come o de tudo. Ele foi o primeiro letrista meu e essas duas m sicas v o estar no disco tamb m. Tem uma parceria nova com um jovem compositor que me deixou surpreso, com o que ele estava escrevendo, com o que ele falava, com o que ele pensava, que o Fernando Chu , que participou do Festival da Globo, com a m sica Tuba na. A gente virou amigo e ele me procurou depois do festival. Adorei o que ele me mostrou do trabalho dele. Ent o ser o duas parcerias nossas nesse CD novo. Al m dessas que eu j mencionei, tamb m ter duas parcerias com o Costa Neto.

P - O Vicente Barreto est feliz com este momento da carreira?

V - Muito, muito mesmo. Depois desses anos todos de carreira me sinto cada vez mais seguro para mostrar meu trabalho. Embora j tenha gravado com v rios tipos de forma es, com orquestras, por exemplo, percebi que o melhor de mim sou eu com o meu viol o. Vicente puro.

 

Letra da m sica A Cara do Brasil, de Vicente Barreto e Celso Vi fora

Eu estava esparramado na rede

Jeca urban ide de papo pro ar

Me bateu a pergunta meio esmo:

Na verdade, o Brasil o que ser ?

O Brasil o homem que tem sede

Ou o que vive na seca do sert o?

Ou ser que o Brasil dos dois o mesmo

O que vai, o que vem na contra m o?

O Brasil o caboclo sem dinheiro

Procurando o doutor n algum lugar

Ou ser o professor Darcy Ribeiro

Que fugiu do hospital pra se tratar

A gente torto igual a Garrincha e Alejadinho

Ningu m precisa concertar

Se n o der certo e a gente se virar sozinho

Decerto ent o nunca vai dar

O Brasil o que tem talher de prata

Ou aquele que s come com a m o?

Ou ser que o Brasil o que n o come

O Brasil gordo na contradi o

O Brasil que bate tambor de lata

Ou que bate carteira na esta o?

O Brasil o lixo que consome

Ou tem nele o man da cria o?

Brasil Mauro Silva, Dunga e Zinho

Que o Brasil zero a zero e campe o

Ou o Brasil que parou pelo caminho:

Zico, S crates, J nior e Falc o

A gente torto igual Garrincha e Aleijadinho...

O Brasil uma foto do Betinho

Ou um v deo da Favela Naval?

S o os Trens da Alegria de Bras lia?

Ou os trens de Sub rbio da Central?

Brasil Globo de Roberto Marinho?

Brasil bairro, Carlinhos Candeal?

Quem v , do Vidigal, o mar e as ilhas

Ou quem das ilhas v o Vidigal?

Brasil encharcado, palafita?

Seco a ude sangrado, chapad o?

Ou ser que uma Avenida Paulista?

Qual a cara da cara da na o?

A gente torto igual Garrincha e Aleijadinho...

 

 

Vicente Barreto

20/05

Feira de Artes da Vila Pompeia

14h - Palco Boulevard

Rua Padre Chico e imedia es, Pomp ia, S o Paulo

24/05

Teatro Crowne Plaza

21h - Rua Frei Caneca, 1.360 - Cerqueira C sar, S o Paulo

8/6

Centro Cultural S o Paulo

20h - Rua Vergueiro, 1000 - Para so, S o Paulo

Show com participa o de outros artistas como Ione Papas e Madan