PM – Mudando um pouco de assunto, você nasceu em Botafogo. É um autentico carioca, e bem da gema. Para terminar, gostaria que você falasse alguma coisa sobre o Rio de Janeiro?

PV – Eu sempre vou falar a favor do Rio, claro. Porque o Rio de Janeiro é maior do que todas as crises que ele possa enfrentar. Acabar com o Rio de Janeiro não é possível. Eu acho que o que está aí são questões de natureza política não muito claras, não muito definidas. Porque o que a gente observa em relação a candidatos, propostas e tudo é que os candidatos tentam se salvar de possíveis dossiês. É um quadro muito difícil. Eu nunca vi uma coisa igual. Essa luta pelo poder já não é nem mais um projeto pessoal, com uma visão altruísta, com uma visão patriótica, com uma visão estadista em relação ao país. Eu acho até que os candidatos, se é que tem algum estadista aí esperando a vez, não tem possibilidade de se colocar como tal. Eles se vêem dentro de uma roda viva onde tem que estar se defendendo permanentemente de acusações. E com isso as propostas ficam meio diluídas. A gente sabe também que essas são propostas, mas algumas são promessas e propostas. Isso vai depender de uma série de outras circunstâncias, injunções políticas internacionais, interesses que ficam difíceis para tecer maiores comentários.

PM – Mas eu pergunto sobre a bela cidade, o lado bom que ela tem?

PV – Políticas públicas, políticas diretas, efetivas eu fico vendo... Já fui convidado para reuniões, para discussões de projetos e aquilo sempre esbarra em alguma coisa. Basta um levantar o dedo, levantar uma questão o projeto não anda por mais de dois anos. E desse jeito não se vai andar nunca. Cada um levanta uma questão. Aí você percebe que a coisa comum está um pouco debaixo, sufocada por interesses particulares que muitas vezes esbarra em só uma questão, como já disse.

PM – E a música no Rio? Como vai?

PV – A música vai bem. Não que eu esteja lendo nos jornais que os espaços noturnos estão se esvaziando porque as pessoas estão com medo de violência. As pessoas vão para a rua, devem ir para a rua, devem se divertir, sair para superar essa coisa. Porque daqui a pouco está todo mundo trancado dentro de casa e não se faz mais nada. Ninguém toca mais, ninguém visita mais ninguém.

PM – Mas ainda bem que a vida vem prevalecendo. Obrigado pela entrevista, Paulinho.

PV – Obrigado também e um abraço, meu irmão.

 

Paulinho da Viola

Dia 27 de junho, às 18h30

Espaço BNDES (Auditório) - Av. Chile, 100, Centro

Tel (21) 2277-7757

Entrada franca (retirar ingressos com 1h de antecedência)