PM – Ainda sobre novos gêneros musicais eu gostaria de perguntar para você sobre o rap. Muita gente diz que por sua estrutura ser mais fácil ele é mais democrático. Mais fácil do sujeito se expressar e por isso faz grande sucesso na periferia, onde a maioria teve poucas oportunidades de acesso à educação. Mas o samba também sempre foi feito na periferia. Ele não seria um caminho mais natural ou ainda mais de acordo com o espírito sentimental e bem-humorado do brasileiro?

PV – Eu não sei e sinceramente eu não tenho condições de falar sobre isso. Eu acho que esses comportamentos e essas manifestações levam em conta muito as circunstâncias de épocas diferentes. Quer dizer, a periferia hoje não é a periferia dos anos 50 ou 60. A realidade é outra. As considerações sobre a cultura, sobre a vida, sobre o comportamento das pessoas já inclui uma quantidade absurdamente maior de informações, com técnicas e tecnologias diferentes. Na verdade, a gente sempre tem na manifestação cultural uma resposta. Ela é um reflexo de uma série de coisas. Não confundir isso com as paixões ou com as aspirações pessoais dessa ou daquela pessoa. Acho que fica difícil falar, porque era preciso, por exemplo, viver a periferia hoje. Eu sei através das informações de jornais, dos depoimentos, das entrevistas. A gente acompanha como pode. Mas vivenciar é outra história. Eu, sinceramente, não gostaria de falar sobre isso sem saber um pouco mais. Mas, pelo que a gente ouve, dá para perceber que existem muitas preocupações, muitas intenções e muitas experiências em relação a isso. Em cima de um modelo, de uma forma existe muita gente trabalhando, tentando alargar essa fórmula, tentando dar uma dimensão maior a essa forma. Há várias experiências nesse sentido...

PM - ... inclusive com a influencia do samba...

PV - ... também. Essas experiências vão permanecer. Cada vez mais, porque isso é uma coisa do nosso tempo. É essa descoberta sobre poder experimentar, misturar, até sobre uma doutrina de miscigenação, da mistura, que hoje é muito propalada. Essa coisa de uma cultura multifacetada, miscigenada. Então isso é um comportamento. Agora, o que vai resultar disso eu pelo menos não tenho condição de fazer uma avaliação, de tecer considerações.

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