Página da Música – Gostaria que você falasse sobre seu show no espaço BNDES, no Rio de Janeiro, no próximo dia 27?

Paulinho da Viola – Eu vou me apresentar com um número menor de músicos, um espetáculo mais intimista. No repertório estarão músicas de toda a minha carreira. São 36 anos de carreira agora. Vou relembrar coisas mais antigas e também dos últimos trabalhos, como dos discos "Bebadosamba", "Eu Canto Samba" e "Prisma Luminoso".

PM – Também do disco em parceria com o Toquinho, o "Sinal Aberto"? Quer dizer, esse foi seu último disco mesmo, não?

PV – É, esse foi o último. Mas esse repertório não está fechado. Costumo esperar o ensaio com os músicos, que faço dois dias antes do show. Ali é que fecho o repertório e muitas vezes mudo na hora. Quer dizer, pode existir um repertório que sempre está sujeito a mudanças, não é rígido.

PM – Mas você pode adiantar algumas músicas que deverão estar no show?

PV – Tem músicas que, às vezes, a gente nem está cantando, mas o público se adianta. Mas isso também é legal porque criamos uma empatia, uma interação maior com o público. Vai ter Coração leviano, Dança da solidão, Sinal fechado e coisas mais recentes que gosto de cantar com a turma. Devo cantar alguma coisa do Moreira da Silva também.

PM – De qualquer forma, a maneira de você pensar o repertório em shows deste ano tem alguma relação com o fato de ser o ano em que você completa 60 anos de idade, no sentido de ser um repertório que contempla toda a carreira?

PV – Não tem nada a ver. Essa coisa da idade... é claro que para muita gente e para a mídia é sempre um gancho novo. Aliás, no caso, não é tão novo assim (risos). Mas não pretendo fazer disso um gancho para mim mesmo. Tenho alguns projetos de shows este ano, mas tem um filme também, de produção do João Salles, que ele fez com o Nelson Freire e comigo. Um filme de longa metragem que vai ser lançado no segundo semestre.

PM – Esse filme já está pronto? Como é o nome dele?

PV – Está pronto, mas não sei ainda qual vai ser o nome do filme. Inclusive temos um encontro daqui algumas semanas, justamente para termos uma visão final de tudo, se tem alguma coisa que vai mudar ou não.

PM – É um filme biográfico?

PV – É um documentário, mas não é biográfico. Na verdade, é um filme comigo e outro com o Nelson Freire. O João Salles, com essa idéia de querer fazer documentários, quis fazer um filme com o Nelson Freire, que é uma personalidade da música erudita, e outro com uma personalidade da música popular. Então fez comigo.

PM – Esses documentários serão lançados no segundo semestre deste ano?

PV – Exato. E, além disso, tem outros shows. Tem projetos mais longos, de turnês, mas são projetos pensados mais para o ano que vem. Este ano serão trabalhos mais esporádicos, de shows e convites, que tenho muitos.

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