O samba em pessoa

Por Sérgio Fogaça

    Os discos de Paulinho da Viola têm uma coisa em comum: todas as faixas são boas. Imagine todo esse arsenal condensado em show. No próximo dia 27 de junho ele faz espetáculo no Espaço BNDES, passeando por músicas de toda a sua carreira. Já são 36 anos, dos 60 de idade que completa este ano. Nasceu em 12 de novembro de 1942. É chamado de Príncipe do Samba, mas reina com tranqüilidade também no choro. Sua origem musical ginga entre esses dois ritmos.

    Filho do violonista César Faria, do conjunto Época de Ouro, cresceu ouvindo em casa Pixinguinha e Jacob do Bandolim. Em 1962 já compôs seu primeiro samba: Pode ser ilusão. Sua carreira tinha destino certo e exuberante. No ano seguinte foi apresentado a Cartola, que incentivou o início de tudo. No Zicartola, famoso reduto de grandes sambistas e da rapaziada ligada em música da época, Paulinho acompanhou todas as gerações que por ali passavam, ao violão ou no cavaquinho. O Zicartola era de Cartola e sua mulher, Dona Zica.

    O ano de 1965 foi decisivo para a carreira de Paulinho da Viola. Apresentou-se ao lado de Elton Medeiros, Nelson Sargento, Nescarzinho do Salgueiro e Jair do Cavaquinho, no musical Rosa de Ouro, produzido por Hemínio Bello de Carvalho. Depois de percorrer Rio, São Paulo e Salvador, o espetáculo também rendeu dois discos. Daí em diante, muitos shows, participações e discos. Em 1968, gravou pela Odeon seu primeiro LP individual, chamado Paulinho da Viola.

    No ano seguinte, Paulinho surpreende, apresenta e vence com a música Sinal fechado o V Festival da MPB. Uma composição bem elaborada e distante das raízes do samba. Mas entre seus maiores sucessos é o samba e os ares do choro que prevalecem. Músicas como Sei lá, Mangueira, Foi um rio que passou em minha vida, Dança da solidão, Perdoa, Coração leviano, Coisas do mundo, minha nega, Eu canto samba e tantas mais. São mais de 15 discos individuais e inúmeros em parcerias ou como participação.

    Nesta entrevista para a Página da Música, Paulinho fala do próximo show, planos de carreira, novos gêneros musicais, Rio de Janeiro e um documentário que fez com João Salles e será lançado ainda este ano.

Leia:

O show no Rio e o documentário de João Salles

Próximo disco de Paulinho da Viola

O samba e o choro no Brasil

A opinião do artista sobre novos gêneros musicais

O Rio de Janeiro e o show