PM – O selo tem um conceito, uma linha, ou não necessariamente?

OH – Ele tem um conceito de música popular brasileira, da chamada MPB, que para mim é muito ampla. Mas uma idéia que permita que as pessoas gravem o que mais gostem de fazer. Nossa música brasileira é como nossas florestas, de uma variedade incrível. Então, não dá para ficar plantando só aipim. Monocultura aqui não dá.

PM – Quantos títulos já foram lançados?

OH – Nós já lançamos 16 CDs individuais. Agora, na semana passada, acabamos de lançar 30 CDs desse projeto do Instituto Moreira Salles, do Centro de Referência da Música Brasileira, com patrocínio da Petrobrás. Fizemos esse projeto da seguinte maneira em quatro etapas. A primeira foi de recuperação e de restauração de 13 mil títulos da música gravada no Brasil de 1902 a 1950. Treze mil títulos restaurados, colocados em computador e doados ao Instituto Moreira Salles para que as pessoas possam pesquisar gratuitamente. Isso foi a primeira fase do projeto. A segunda foi a elaboração de 15 CDs, chamados Memórias Musicais. Uma compilação desses 13 mil títulos. A gente selecionou cerca de 400 para colocar nesses discos. Isso tudo capitaneado do Humberto Franceschi, que é de quem nós compramos esse acervo.

PM – Explica para a gente quem é Humberto Franceschi?

OH - Ele é um colecionador carioca que passou 50 anos fazendo esse acervo, se dedicando ao estudo e a pesquisa da música brasileira gravada e não gravada. Isso tudo então virou um bem público hoje em dia. Nós compramos o acervo e repassamos para o Instituto Moreira Salles, todo restaurado. Enfim, essa foi a primeira etapa do projeto. A segunda foi a realização de 15 CDs chamados Memórias Musicais, que reúne 400 músicas, ou seja, parte do acervo de 13 mil, restauradas. A terceira parte do projeto foi a realização de 15 outros CDs, com o título de Princípios do Choro. Nessa fase, chamamos Maurício Carrilho para realizar isso para a Biscoito Fino, porque é quem melhor entende de choro no Brasil. Aliás, isso foi feito sobre uma pesquisa que ele já vinha fazendo há muitos anos, de partituras inéditas do século XIX. Ele gravou na Acari, com a Luciana Rabello e vários dos melhores chorões.

PM – E a quarta etapa?

OH – A quarta etapa foi a realização do livro "A Casa Edson e Seu Tempo", que Humberto Franceschi havia escrito há muito tempo. Esse livro conta toda a história das gravações da Casa Edson e vem com nove CDs dentro também.

PM – O livro também sai pelo selo?

OH – Não, foi produção do Instituto Sarapuí. O selo não faz livros, mas nosso Instituto Sarapuí faz.

PM – O Instituto está ligado ao selo, de alguma forma?

OH – O selo está ligado ao Instituto. Inclusive ele surgiu praticamente na mesma época da Biscoito Fino. O nosso estúdio, por exemplo, faz parte do Instituto Sarapuí.

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