PM - O que você acha da nova safra da música brasileira em dois aspectos: primeiro, em qualidade; segundo, em relação ao mercado para esse pessoal.

NA - Eu acho que não me causa nenhuma surpresa essa questão geral de nova safra porque nova safra é o novo ser humano, são pessoas que vão chegando. Sempre existe uma renovação. As coisas não são exatamente iguais, mas são muito parecidas em embasamento humano, quer dizer, a vida vai mudando. As pessoas falam um pouco de uma certa lacuna de informação, mas é porque a informação aumentou tanto que não tem nenhum parâmetro mais. Portanto, se você procurar, vê garotos, jovens que tocam choro tradicional, você vê de tudo porque a informação está aí, muitas vezes a gente não sabe de todas as coisas que ocorrem porque nem sempre música significa mercado. A música é praticamente amadora e o mercado é capitalista, cruel. Eles estão atrás de números. Às vezes os números coincidem com músicas interessantes. Existe grande complexidade em cima disso porque as pessoas, de repente, se vêem forçadas a sobreviver a uma determinada coisa, o que gera um troço muito cruel. Você se torna um adulto antes do tempo por essas coisas que a vida te coloca. A pessoa às vezes não tem condição de ficar estudando um instrumento em casa e é obrigada a fazer um monte de coisa por uma questão de mercado. É um assunto de uma complexidade danada. Clementina de Jesus apareceu com 60 anos de idade. Eu batalho há um tempão. Não que eu esteja me comparando com ninguém, mas estou com 53 anos e agora é que a gente está falando, está saindo umas coisas melhores no jornal se referindo a mim mais diretamente. Estou batalhando por um lance meu porque eu acho que tenho alguma coisa para dizer para as pessoas ou mesmo para participar de alguma coisa, para poder estar vivo. Nunca ninguém pode achar que está feito totalmente nem com 10, 20, 30 ou 90. Sempre tem que ter humildade. Gostaria de citar os nomes de meus novos parceiros: tem o Francisco Regueira (O amor de
Deus
, Tamborim, tamborim e Maria do céu) e o Pedro Landim (filho do
Cacaso), A rosa do rio.

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