Muito prazer, Iva Rothe

Por Evanize Sydow

    A capital paraense conta com um movimento musical forte e de jovens talentos. Iva Rothe faz parte dele. É cantora, compositora, arranjadora e instrumentista que já integrou bandas locais e nos últimos anos vem investindo em sua carreira solo.

   Depois de lançar em São Paulo no ano passado o CD "Aluguel de Flores", a artista está retornando à capital paulista para o show "Viagem", que traz uma banda formada por músicos de sua terra natal: Renato Torres (guitarra), Luciano Barros (contrabaixo), Gugu (bateria e percussão), Kelci Albuquerque (narração e berimbau) e Gileno Foinquinos, cantor e guitarrista que faz participação especial. O espetáculo acontece no Teatro Crowne Plaza, no dia 12 junho. Antes, Iva e seus músicos se apresentam em Macaé, no Rio, no dia 5.

   Apaixonada pelo trabalho de arranjadora – ela é responsável pelos arranjos das composições que canta –, Iva é uma divulgadora dos encantos da música e dos músicos de Belém. Fala com entusiasmo de nomes como Verequete, o rei do carimbó, e Walter Freitas, um mestre para a artista. Tendo como referências esses e outros símbolos da produção artística belenense, ela leva ao palco, em versões ímpares, músicas próprias, como Umatinta, Só coração, O dizer das coisas, Aluguel de flores, Carrossel, escrita com Rui-Rothe Neves e Queda vôo, composta com Elias Cadeth, composições já conhecidas, mas renovadas por seus arranjos – Um girassol da cor do seu cabelo (Márcio Borges e Lô Borges) e Curumim (Djavan) –, além de outras belas e pouco divulgadas obras no cenário nacional, como Tum-Tá-Ta (Walter Freitas).

   Iva Rothe estuda música desde cedo. Com oito anos de idade iniciou os estudos de piano e seguiu até os 15. Na sequência, tocou teclado, aprendeu canto, jogou capoeira e passou a tocar berimbau também. Com 16 anos entrou para a primeira banda, Ácido Cítrico, e logo depois passou a trabalhar com o grande contrabaixista Minni Paulo, que hoje integra a Cartografia Musical Brasileira, produzida pelo Instituto Itaú Cultural – músicas de Iva, aliás, também fazem parte dela.

   Depois, a artista tocou no grupo Gema, outro trabalho instrumental, e teve oportunidades de acompanhar cantores como Walter Bandeira. Entrou na Banda Nova e passou a ter contato direto com o carimbó, o foco do grupo. Tocou teclado e fez backing vocal durante alguns anos na banda. Depois desse tempo, passou a investir em seu trabalho autoral.

   O projeto de "Aluguel de Flores" recebeu o Prêmio Chico Sena da Prefeitura de Belém, em 1997, que apoiou financeiramente uma parte da gravação do disco. Por outro lado, a artista conseguiu recursos de algumas empresas e do pesquisador Milton Kanashiro – um paulista que vive há 20 anos em Belém, apaixonado que só pela música produzida naquelas terras, e que é considerado um verdadeiro mecenas, já que colabora substancialmente para diversos projetos fonográficos.

   Iva Rothe, cujas músicas agora também fazem parte da COMP-01/02, produzida por Dudu Marote, agora se prepara para lançar um CD de mantras. O disco deve sair em outubro. Para o ano que vem, mais novidades: seu disco inédito também já começa a ser concebido. É fôlego que não acaba mais. Nas conversas sempre agradáveis com ela – Iva Rothe é, necessariamente, uma buscadora do aperfeiçoamento de sua arte – é inevitável pensar em quão é imensa essa caixinha de boas surpresas chamada música brasileira. 

Para adquirir o CD "Aluguel de Flores" e outras informações: www.ivarothe.com.br

 

 

 

 

 

Iva Rothe - "Viagem"

Dia 5, às 21h

Teatro Municipal de Macaé - Av. Rui Barbosa, 780, Centro

R$ 10,00

 

Dia 12, às 21h

Teatro Crowne Plaza - Rua Frei Caneca, 1.360

Tel (11) 289-0985

R$ 15,00