"A variedade da m sica brasileira abre espa o para todas as vertentes"

Por Evanize Sydow  

    Show de um int rprete que tenha o acompanhamento da flauta m gica de L a Freire garantia de bom espet culo. Seus solos s o inspiradores e, invariavelmente, causam frisson na plat ia. L a tamb m compositora, geralmente gravada pela cantora Joyce em pa ses como Jap o, Alemanha e Inglaterra, e propriet ria do selo Maritaca, sobre o qual fala nesta entrevista concedida para a P gina da M sica. Est o na lista de importantes nomes com quem j tocou Ala de Costa, Nelson Ayres, Elton Medeiros, Leny Andrade, Jaques Morelenbaum, Isaurinha Garcia, Carlos Poyares e Arrigo Barnab . Atualmente, a instrumentista est em est dio gravando o seu pr ximo CD, que sai pela Maritaca no segundo semestre. Com uma agenda privilegiada (acompanhe abaixo a programa o), a artista falou sobre a vida de empres ria, a hist ria do selo e os projetos atuais. Acompanhe. 

 

P gina da M sica - Queria saber sobre a hist ria da Maritaca. Por que voc resolveu montar o selo? Qual a hist ria da gravadora?

L a Freire - Resolvi montar um selo por v rios motivos. Primeiro porque hoje a nossa tecnologia permite fazer m sica num pre o que antigamente s era suportado por grandes companhias. Possibilitou que v rios selos independentes surgissem no mercado. Outro motivo foi porque eu sempre senti muita falta no mercado brasileiro de m sica de qualidade. Sempre, dos anos 70 para c , o n vel da m sica brasileira gravada pelas grandes gravadoras ficou muito aqu m daquilo que eu queria ouvir e senti falta no mercado de m sica de qualidade. Sendo m sico, sei que existe um monte de compositores maravilhosos e m sicos sem espa os para gravar. E terceiro porque me formei em Administra o de Empresas, fui diretora financeira durante dez anos e resolvi juntar as duas carreiras. Resolvi fazer um selo e editora. A editora porque n o s n o existe m sica brasileira gravada como n o existe partitura.

PM - H quanto tempo voc s est o no mercado?

LF - A Maritaca come ou a funcionar no final de 1997. H cinco anos.

PM - Voc s t m uma linha instrumental. T m inten o de um dia mudar essa linha?

LF - Eu n o acho que voz n o seja instrumento. J me perguntaram porque a Maritaca um selo exclusivamente instrumental. Eu n o tenho nada contra gravar cantor. A nica coisa a qualidade da m sica a ser gravada.

PM - Quem distribui o N cleo Contempor neo, que tamb m tem uma linha muito parecida, no sentido de produzir m sica instrumental.

LF - Mas eles tamb m gravaram N Ozzetti.

PM - Como voc s firmaram essa parceria sendo dois selos que t m uma mesma linha, ou seja, que teoricamente s o concorrentes?

LF - Somos parceiros. Na verdade quem compete s o as grandes empresas. Um n o sobrevive sem o outro porque a m sica existe e tem que ser divulgada. O Teco (Cardoso) e o Benjamim (Taubkin) s o meus amigos de inf ncia, a gente tocou junto durante muito tempo e n o tenho o que competir com eles. A id ia n o essa, a id ia somar.

PM - Os CDs s o vendidos na internet ou tem uma outra forma independente de comercializa o?

LF - Tem alguns sites que vendem. O N cleo Contempor neo tem uma lista das lojas para onde eles distribuem e eles est o pensando em entrar no mercado eletr nico, mas isso complicado.

T tulos do selo Maritaca

PM - A Maritaca tem quantos t tulos?

LF - A Maritaca pequenininha, tem tr s CDs e um livro. Este ano n s vamos lan ar mais um CD e um livro.

PM - Quais s o os CDs que voc s j produziram?

LF - "Ninhal" (L a Freire), "Piano Brasileira", da pianista Silva Goes, fazendo praticamente todo o disco de piano solo. Nossa! Que dificuldade para achar um piano em est dio aqui em S o Paulo... O terceiro CD do Tib Delor, que um contrabaixista franc s que fazia m sica da melhor qualidade, acabou ficando por aqui e se apaixonou por Tom Jobim. Agora, estou terminando de fazer a produ o do novo CD do Arismar do Esp rito Santo e do livro de partituras.

PM - E os pr ximos lan amentos?

LF - Arismar (do Esp rito Santo), o do Mozart (Terra) e o meu, que comecei a gravar em primeiro de julho.

PM - Qual a dificuldade em ser artista na hora de montar um selo?

LF - Eu s estou somando as minhas duas carreiras. O hor rio complicado porque sendo m sico voc tem que estudar. E ao mesmo tempo voc tem que fazer toda a hist ria da burocracia da divulga o, dos telefonemas, enfim...Essa experi ncia tem sido compartilhada com quase todos os selos independentes do Brasil, mas como a mulher j faz dupla jornada... (risos). Essa hist ria de globaliza o, foi s um nome que deram para "voc vai ficar sem emprego". E aquele que ficou com emprego tem que chutar com a m o, com o p , com o nariz. Eu acho que esse um erro fundamental porque voc desgasta seus melhores recursos e todo mundo vai enlouquecendo. A come a a aparecer livro de auto-ajuda, porque ningu m aguenta um tranco desse.

PM - Como funcionam os contratos? Voc s t m um casting?

LF - Os contratos s o espec ficos para o CD. N o envolve um longo prazo. O nico compromisso que o selo tem de manter os itens em cat logo e dependendo do artista voc faz um acordo com ele. Esse contrato para aquele trabalho espec fico. A gente produz alguns eventos para os artistas tamb m. Os poucos espa os ainda para a m sica instrumental na m dia precisam ser aproveitados exaust o.

PM - Voc s s o bastante procurados pelos artistas?

LF - Eu recebo muita coisa. Algumas coisas n o t m muito o estilo da gravadora, mas s o coisas excelentes. Nem sempre a gente pode produzir tudo o que gostaria. O Brasil muito rico de m sica boa. A gente tem que fazer malabarismo.

PM - Quais s o os seus projetos como instrumentista atualmente?

LF - Eu acabei de chegar de Bras lia tocando com Arismar do Esp rito Santo e Silvia Goes no Clube do Choro, que uma iniciativa maravilhosa do pessoal de Bras lia. Eles fizeram o Clube do Choro, que j tem nove anos e hoje a TV Senado e a TV C mara colocaram as apresenta es em suas grades de programa o. L eu j aproveitei para falar com o pessoal de livrarias etc. Agora, come o a gravar meu CD. Vou para o Festival de Jazz de Ipatinga, em Minas Gerais. Eu tenho muita sorte. Toco com pessoas de quem eu gosto muito, como o Arismar, Silvia Goes, Tib Delor, e at acabei produzindo esses sons porque eu gosto muito de tocar com eles. Mas tamb m toco com gente que produzida por outros selos, como Celso Pixinga.

PM - Voc comp e tamb m.

LF - Sou compositora. A Joyce gravou uma m sica minha agora.

PM - Que, ali s, muito bonita. Esse seu pr ximo CD j tem nome?

LF - N o, mas ele um projeto mais camer stico. Tem o Tib , que m sico mais erudito, o Rog rio Bocatto, que da Jazz Sinf nica e toca com Toninho Horta, o Felipe Senna, um pianista novo que um excelente m sico. Tem um povo maravilhoso que eu n o sei de onde brota tudo isso. A maravilha de voc n o ter um conservat rio. Como definiu o Carlos Galv o, diretor da escola de m sica de Bras lia: "O nome conservat rio para conversar coisas, transformar a escola num freezer". E o Brasil um pa s enorme com uma variedade de m sica, regionalmente falando, impressionante, que abre espa os para todas as vertentes.

PM - Acho que isso justifica um pouco esse grande n mero de selos independentes.

LF - Isso a maioridade do m sico, de tomar as r deas da pr pria vida nas m os e n o ficar esperando que o governo ou a gravadora ou sei l quem interfira neste processo.

PM - Inclusive d espa o para estes m sicos que voc est falando. Cada um abre espa o para os que conhece, porque se voc for depender da gravadora ningu m faz mais nada...

LF - E eles est o fazendo uma coisa t o pasteurizada, onde a qualidade t o menosprezada, que ningu m est preocupado com a qualidade da m sica, do som que vai ouvir nem nada.

PM - O caminho parece ser cada vez mais o independente mesmo.

LF - Com certeza. A m sica artesanato e a internet est se tornando um grande divulgador. O quarto poder, que a m dia, est e sempre foi comprometido com os seus financiadores. Isso faz o maior sentido. Agora, com a internet t o barata, todo mundo usa, voc pode acessar muita gente. A nova m dia, que a internet, possibilitou um novo espa o de divulga o, onde n o h esse poder todo. A j come aram os movimentos e os famosos do pop dos Estados Unidos n o querem mais esses contratos leoninos, mesmo porque a gravadora da r dio ou da televis o.

PM - Entrevistando o Roberto Menescal ele falava que os meios de comunica o deles (a gravadora Albatroz) s o os ve culos alternativos; eles n o contam com os programas de domingo na televis o.

LF - Exatamente. S o os sites como a P gina da M sica e outros que fazem cr tica n o s no Brasil, as TVs Cultura, Educativa, Senac e as do governo, TV Senado e TV C mara. S o os que est o dando espa o.

 

Site Maritaca: www.maritaca.art.br 

 

dia 7 - L a Freire, Teco Cardoso, Benjamim Taubkin, Sylvio Mazzuca Jr. e AC Dal farra

dia 14 - Mozar Terra e Grupo

dia 21 - Tib Delor

dia 28 - Silvia G es

Sempre s 18h

Livraria Cultura - Shopping Villa Lobos - Av. Na es Unidas, 4777
Tel. (11) 3024-3599

Gr tis

 

L a Freire

dia 9, s 21h

Villaggio Caf - Pra a Dom Orione, 298, Bela Vista

Tel (11) 251-3730

Couvert art stico R$ 10,00

 

L a Freire, Tib Delor, Delipe Senna e Rog rio Bocatto

dia 10, s 21h30

Bar Las Artes - Rua Wisard, Vila Madalena, S o Paulo

 

L a Freire, Arismar do Esp rito Santo, Silvia G es e Toninho Pinheiro

dia 12

Centro Cultural da Usiminas - Shopping Vale do A o, Ipatinga, Minas Gerais

 

L a Freire, Arismar do Esp rito Santo e Silvia G es

dia 21, s 16h

Rua do Choro - Pra a J lio Prestes, s/n, Luz, S o Paulo

 

L a Freire, Tib Delor, Felipe Senna e Rog rio Bocatto

dia 30, s 22h

Villaggio Caf - Pra a Dom Orione, 298, Bela Vista

Tel (11) 251-3730