"As pessoas querem uma parte do que é você porque é difícil aceitar o todo"

Por Evanize Sydow e Sérgio Fogaça  

    Chico César faz parte do precioso grupo de artistas que têm renovado e enriquecido com muita força a música brasileira nos últimos anos. Mais do que isso. Chico não tem feito música pura e simplesmente. Nascido em Catolé do Rocha, na Paraíba, em 26 de janeiro de 1964, "aí pelas cinco e meia da tarde", ele conta, o artista faz de sua arte um canal de comunicação mais que perfeito com a camada mais popular e também com a mais cult do povo brasileiro. Basta pensar em Mama África, quase um hino seu. "Em João Pessoa, tive uma sensação clara de que quando começava a tocar Mama África, bastava dar os acordes e a fisionomia do público mudava. Era como se estabelecesse uma intimidade, uma cumplicidade imediata. Um reconhecimento do público que, ao mesmo tempo que se reconhece na música, me reconhece também", lembra o cantor.

   O autor de À primeira vista, Mulher eu sei, Templo e tantas outras é rei onde quer que vá. Homem que mais parece menino, modernérrimo na vestimenta, idéias largas, sorriso natural tal qual a sua postura desafetada com os que o rodeiam. Chico tem sido mais do que a voz que movimenta platéias. Usa esse mesmo instrumento para pedir respeito às raças, às pessoas, às suas idéias, às nossas particularidades. "Respeitem meus cabelos, brancos", seu terceiro e recente disco, lançado pela Abril Music, fala um pouco de tudo isso. E mais. Como bem disse Luís Nassif na apresentação do CD, esse "caldeirão musical" nos dá de presente baladas, reaggae, ritmos nordestinos. Tudo em 12 faixas que completam um disco imprescindível para as discotecas. Produzido por Will Mowat, um suíço-inglês, "Respeitem meus cabelos, brancos" conta com participações especialíssimas. Começa com Chico Buarque em Antinome e segue com Naná Vasconcelos em Sem ganzá não é coco, Carlinhos Brown e Nina Miranda, cuja voz lembra muito a de Nara Leão, em Experiência. Os músicos que participam formam um time de primeira: tem Swami Jr, Marcos Suzano, Guilherme Kastrup, Simone Soul, Nelson Ayres, Horácio Schaefer, Toninho Ferragutti, Adriana Holts, entre outros excepcionais instrumentistas.

   Chico César recebeu a reportagem da Página da Música para uma entrevista que trata do recente disco, da vinda da Paraíba para São Paulo, da música atual, do início de sua carreira e de suas influências.

 

Página da Música – Chico, qual o conceito do CD?

Chico César – Acho que o nome do CD dá um conceito, talvez, ideológico, de pensamento do disco. Mas ele tem um conceito sonoro que acho que antecede essa coisa de conceito ideológico, da mensagem. É um conceito que vem um pouco do disco anterior, o "Mama Mundi". Ou seja, trabalhar com bastante melodia, harmonia e com os violões e a voz na frente. A partir do "Mama Mundi" houve uma retomada de algo que estava lá atrás em meu trabalho. Tem a ver com o CD "Aos Vivos" (o primeiro CD de Chico César), que foi um trabalho só de voz e violão. Depois fiz dois discos com mais parafernália, metais, bateria, baixo etc. Isso de uma forma talvez infantil, no sentido positivo até de que a criança vai pegando tudo e experimentando. Depois desses dois, pensei: ‘puxa, quero voltar um pouco a valorizar a canção, a melodia, a harmonia, os violões, o jeito que toco, utilizando também algumas peculiaridades do violonista’. Ainda combinando isso com novas tecnologias, com o uso de samples, montar loops e tudo. Mas nunca quis que meu trabalho fosse escravo da tecnologia, da eletrônica. Isso eu evito, nunca quis usar essas coisas para estar up to date. Uso para dar texturas, burilar o som dos instrumentos acústicos. Isso já vinha desde o "Mama Mundi", que acho que se revelou um disco que me recolocou numa rota, num caminho meu, mas, ao mesmo tempo, era hermético. E o meu lugar, imagino, é um lugar onde há elaboração, mas há comunicação. Sinto que a minha relação com música popular é muito forte. Trabalho muito mais internamente, pensando em me comunicar com um número maior de pessoas, do que para agradar um grupinho, as panelinhas seletas, ditas cult, que muitas vezes são elitistas. Me entregar a elite, nesse sentido, seria uma espécie de traição com as minhas origens, que são bastante populares.

PM – E com relação ao nome, essa vírgula em "Respeitem meus cabelos, brancos"...?

CC – Quando o disco havia começado, já tínhamos trabalhado em Londres com o Will Mowat, que é o produtor. A gente tinha feito a pré-produção. A Nina Miranda e o Chris Franck já haviam gravado a parte deles. A gente já havia gravado em João Pessoa e estávamos em Recife. Na verdade, eu vivi um Carnaval em João Pessoa e Recife este ano. Em João Pessoa, tive uma sensação clara de que quando começava a tocar "Mama África", bastava dar os acordes, a fisionomia do público mudava. Era como se estabelecesse uma intimidade, uma cumplicidade imediata. Um reconhecimento do público que, ao mesmo tempo que se reconhece na música, me reconhece também. É como se fizesse muito sentido que tivesse aquele artista tocando aquela música, naquela situação para aquelas pessoas. Isso foi um toque para mim. Eu tocava um monte de outras coisas, Pombo correio, Mamãe eu quero, era Carnaval, puxando trio elétrico. Mas quando tocava "Mama África" era uma sensação de felicidade, um êxtase coletivo. Depois disso. a gente foi para Recife. Fizemos show no Centro Antigo, um puta show, muita gente. Depois fizemos Casa Amarela e Afogados. Em Afogados, na periferia de Recife, tinha aquela juventude de negros, pobres, dançando, fazendo o pogo, aquela dança dos punks, se chocando um contra os outros e tal. Isso foi numa música. Em outra, na terceira, a polícia entrou, tipo "vamos acabar com essa bagunça..."

PM – Não entenderam direito...

CC – Eles nunca entendem direito. Quando tem preto e pobre eles nunca entendem, já vêm com o cassetete. Eu olhei aquilo, fiquei indignado e falei: "Esse tempo de bater em preto e pobre já passou, isso é antigo, do tempo das capitanias hereditárias, acabou, chega. Aqui nem é a Bahia. Na Bahia é mais comum a polícia bater..."

PM – Inclusive essa história lembra o clima da música Haiti, não?

CC – Exatamente, tem a ver. Por isso que falei 'aqui não é a Bahia'. Porque na Bahia faz parte, tem o Olodum, o Ilê Aiyê, os blocos e tem a polícia também. Já é uma marca registrada. E eu falei para a polícia: "Vocês podem ir para a casa". Daí eles saíram e ficaram ao lado acho que pensando "vamos ver o circo pegar fogo". Aí falei para o pessoal que agora era conosco. Baixou em mim um pouco do estudante da universidade. Falei 'agora é auto-gestão, não precisamos desse pai mau, bravo, que vem nos bater; nós somos responsáveis por nós mesmos'. A dança continuou, embora tenha dado uma certa refreada. Afinal, o pessoal ficou um pouco chocado com o discurso. E tudo continuou correndo bem, não saiu ninguém ferido.

PM – Deu certo via música?

CC – Mas já ia dar certo, entendeu? Eu sei que apesar da intervenção da polícia e com o discurso a coisa tomou um caminho meio fraterno. Vamos fazer a nossa dança. Aí, depois do Carnaval, voltei para São Paulo. Já havia gravado o Naná Vasconcelos, o pessoal do Metalúrgica Filipéia...

PM – Foi só depois que você foi para Londres?

CC – Não, foi logo depois esse episódio. Londres foi janeiro, depois veio o Carnaval, depois do Carnaval voltei para São Paulo. No Carnaval fiz João Pessoa e Recife. Quando voltei para São Paulo e fiquei pensando nas coisas que acontecem no Carnaval, cenas que vêm a tona. Coisas que a gente vê, que a gente faz, que você se arrepende etc. Veio essa história do show e pensei: "puxa, como foi forte aquele negócio". E também aquela sensação quando toquei Mama África, em João Pessoa. Fiquei pensando: "os negros trabalham o ano inteiro, lavando carro, carregando água para casa de madame, passeando com cachorro. Aí, quando chega a hora de brincar, vem gente dizer como você tem que brincar?" Entendeu? Veio a lembrança das brincadeiras com meu cabelo, nem sempre engraçadas. Por exemplo, expressões como abacaxi, cebolinha, beterraba, formiga atômica, coqueirinho. Eu pensei sobre isso também. Fiquei pensando a importância que tem um artista como eu, de vir dessa origem, de conhecer muito bem o que é ser preto e pobre e falar para eles. Como o discurso pode ter efeito. Refiro-me ao discurso da música. Falar para eles e, ao mesmo tempo, falar por eles. A música popular brasileira pode ter essa carga de engajamento e não deixar só no ambiente do rap. Reivindicar para si esse compromisso. Inclusive eu já tinha isso em outras músicas, a própria Mama África, Mandela, Dá licença, aquela que fala: "fome, barriga do homem não é sua casa/dor, peito do homem não é seu apart hotel/medo, cabeça do homem não é sua praia/infelicidade, barriga do homem não é seu metrô/sai, sai, sai". Algumas pessoas até estranharam um pouco esse título "Respeitem meus cabelos, brancos", a letra da música e tal. Mas tudo, na verdade, tem bastante humor, que é uma peculiaridade do discurso musical. Acho que as pessoas se acostumaram a me associar com canções como À primeira vista, Onde estará o meu amor, Templo. "Ah, o Chico é aquele menino bonzinho que escreve coisas bonitas, como ele é doce, nossa, ele é tão feminino". Eu sou bonzinho, mas eu não sou bobo (risos). O mesmo cara que escreveu essas letras escreveu: "grisalho/o olho do espantalho/vê as maldades do mundo e diz/caralho". Fez outra música que diz: "é preciso ter pão/é preciso ter grana.../é preciso dar cu". Mas as pessoas meio que filtram. Elas querem uma parte do que é você, porque é difícil aceitar o todo. Isso no geral. Tem gente que fala assim: "Ele escreve umas letras tão legais, mas aquele cabelinho dele é tão ridículo". Ou o contrário: "O cabelo é dá hora, mas a música dá licença". Me referindo a um outro tipo de público. Porque quando você trabalha com música popular brasileira é, de certa forma, uma coisa muito conservadora. Positivamente e negativamente conservadora, porque tem raízes muitos profundas. Você está trabalhando no terreno de Donga, de Noel Rosa, João Bosco, Aldir Blanc, de Gonzaguinha. Um pouco no terreno da música dos tios, dos pais. É diferente de você fazer rock, quando se está trabalhando no terreno, sei lá, de Dead Kennedy’s, Nirvana, que é uma coisa mais aqui e agora. Quando pensei 'puxa, sou um artista de música popular brasileira', eu queria a conciliação desses dois discursos, de uma elaboração que tem a ver com essa coisa do território de você pegar os elementos da cultura brasileira, da cultura nordestina. Juntar Luiz Gonzaga com Arrigo Barnabé e, ao mesmo tempo, ter influência de Lulu Santos, Paralamas. Acho que há sempre um avanço na música popular brasileira que é um pouco impulssionado por esse tipo de artista que eu sou. Que é o cara que não faz o rock’n roll, o pop, a música de rádio pura e simplesmente, que é o material com os quais trabalham as gravadoras. A gente pode olhar aqui nessa parede (Chico aponta para uma parede na gravadora onde estamos) e vocês vão ver Capital Inicial, Falamansa, Frank Aguiar, Rita Lee. De todo mundo que está aí, talvez Rita Lee e Titãs sejam um pouco os artistas dessa linha do rock que se aproximaram da idéia de MPB, que buscaram essa consistência que tem a MPB. Mas a maioria só trabalhou com um lado ou com outro. Acho que isso gera muitas dúvidas do ponto de vista do ouvinte, do receptor: "Quem é esse cara, o que é que ele está fazendo, por que ele não continua fazendo os seus disquinhos voz e violão, cantando a sua mpbzinha?". Mas o fato é que quando fiz voz e violão, o conceito já era de uma música popular brasileira diferente, com raízes nordestinas, mas, ao mesmo tempo, dialogando com outras coisas.

PM – E tem bastante gente em comunhão com esse tipo de música, não? Quando a gente percebe as participações em seu disco, além dos nomes já bem consagrados, como Carlinhos Brown e Chico Buarque, tem também músicos maravilhosos, como Swami Jr, André Kastrup, Toninho Ferragutti, os compositores...

CC – O Swami, por exemplo, está comigo desde 94. Até antes de a gente tocar no Bambu Brasil, quando a gente se apresentava só no Vou Vivendo, na Pedroso de Moraes (bar referência da música brasileira em São Paulo).

PM – Quando você considera que começou sua carreira?

CC – Eu penso que é injusto a gente considerar a carreira quando você conseguiu se levantar e correr mesmo. É importante a gente pensar que quando você ainda está se arrastando, quando se é bebê, ali já é o começo da carreira. Porque quando você está correndo é, na verdade, a continuação daquilo que está lá atrás e já o começo de um fim que você não sabe quando vai ser. Tenho foto minha com um grupo de música quando tinha dez anos. Chamava Super Som Mirim ou The Snakes, ou ainda uma versão pequena que se chamava Trio Mirim, eu e mais dois amigos tocando forró. Fiz a primeira música com 12 anos. Não sabia que era minha primeira música. Vim a saber quando ela já estava feita. E pensei: "Eu posso fazer música". Com 14 anos eu tinha um grupo chamado Grupo Ferradura. Já era bastante sério, ideologicamente identificado com o Quinteto Violado, com a Banda de Pau e Corda. Mas, ao mesmo tempo, também escutava bastante Pink Floyd e Led Zeppelin. A gente juntava tudo e ouvia tudo muito misturado. E isso ia para o trabalho. Depois fui morar em João Pessoa quando tinha uns 16 anos.

PM – Foi em João Pessoa que você cursou universidade?

CC – Isso, fiz Comunicação lá, mas antes tinha já feito o terceiro científico com 16. Com 17 entrei na faculdade e fiz o curso de Comunicação.

PM – Você se formou cedo porque chegou aqui já formado em 1985?

CC – Eu entrei na faculdade em 1981 e saí no final de 1984. Quando cheguei em João Pessoa, ainda com essa idade de 16 para 17, comecei um grupo de música chamado Jaguaribe Carne, que tem até duas fotos no encarte do CD dos dois irmãos que compunham o grupo comigo, Paulo Ró e Pedro Osmar. Ali também tem fotos com meus pais e com o Carlinhos Brown. É um pouco para mostrar essa coisa de diversas tribos negras, das minhas tribos. A tribo inicial ali do berço, a tribo que foi a minha adolescência musical com eles, e hoje essa coisa da afirmação do artista negro no mundo do show business, e aí a figura do Carlinhos Brown é bastante representativa. Esse grupo, o Jaguaribe Carne, me ajudou bastante a conceituar o que é meu trabalho hoje. Porque quando cheguei em João Pessoa, em minha visão, o máximo de ser artista era Os Novos Baianos. Essa coisa meio comunitária. Aquele monte de cabeludo bebendo, fumando, dormindo junto. A mulher de um que fica grávida e tem os filhos, mas ao mesmo tempo ela pode aparecer numa foto sentada no colo do outro.

PM – Anos 70 mesmo.

CC – Eu acho que vivo um pouco, ou vivia um pouco, essa saudade de uma coisa que eu não tinha vivido dos anos 70. Que ao mesmo tempo era a contracultura, a coisa hippie, e a coisa da luta armada, do engajamento da juventude. Ao mesmo tempo em que a gente amava Os Novos Baianos, também tinha essa admiração por (Fernando) Gabeira, (Carlos) Lamarca, (Carlos) Marighela. E isso tudo estava começando a conceituar uma nova coisa. Só que quando eu cheguei em João Pessoa, o grupo Jaguaribe Carne me mostrou que ser artista não era só aquilo. Você poderia ser artista de outro jeito. Aí eles me mostraram música eletrônica, música aleatória, música dodecafônica, étnica etc. Abriram um leque para mim. Mostraram os discos de um selo alemão que gravava o jazz europeu dos anos 80. Então tinha lá o disco do Codona, 1, 2 e 3, que era o grupo do Naná Vasconcelos e outros. Também tinha Meredith Monk, uma pianista minimalista. E eles eram pessoas muito normais, não tinham essa coisa doidona. Eram pais de família. Um trabalhava no correio, era carteiro, o outro era artista gráfico e morava numa casa coberta de palha e tinha os discos mais preciosos que eu já vi na minha vida. Discos e livros. Ele trabalhava também com arte postal. Essa coisa de um artista neozelandês mandar um cartão postal para um artista do Mato Grosso, que, por sua vez, interfere e manda para um artista da Paraíba, que interfere e manda para o cara da Alemanha. Então, isso deu uma mexida na minha cabeça e é uma parte importante na definição do que sou hoje. Sou um artista que tem raízes muito nordestinas, mas eu não sou do grupo do Ariano Suassuna, por exemplo, nunca poderia ser. Sou admirador do Caetano e do Gil, mas tem uma fase do Caetano que eu não suporto, que é uma fase que muita gente gosta, da música Leãozinho e Odara, por exemplo. Era uma fase que eu estava na adolescência, radical pra caramba. Então, para mim, o bom era o Arrigo Barnabé. Na fase em que estava na minha adolescência, acho que queria que todo mundo fizesse música experimental. Porque o adolescente tem essa coisa autoritária, de não aceitar que o outro se expresse livremente. Ele quer ser agradado. Aí tem a birra com essa fase, até o Caetano fala dessa coisa dizendo que são os órfãos do Araçá Azul (disco experimental e polêmico de Caetano Veloso), mas eu até hoje acho que o melhor disco do Caetano é o "Transa". Quer dizer, eu não sou órfão do Araçá Azul, mas eu sou um pouco neto do "Transa".

PM – O Transa já era bastante universal, com algumas letras em inglês, feito na época do exílio em Londres do Caetano.

CC – É. Foi feito em Londres, com o (Jards) Macalé fazendo os arranjos. Essa fase de radicalidade foi importante. A gente ia para a rua recitar poesia. Então recitávamos (Manuel) Bandeira e, ao mesmo tempo, recitávamos poemas escatológicos ou pornôs. De vez em quando, baixava a polícia e a gente tinha que dar explicações, dizendo que era poesia. Porque a gente misturava, a gente não hierarquizava, entendeu, achava que tudo era importante. Bandeira, Bráulio Tavares, Zé Limeira, Pessoa e as nossas coisas. Essa fase foi importante e deixou marcas profundas na minha personalidade artística.

PM – No seu site, em um lugar que fala de suas influências, tem Mao Tsé-Tung, Cicciolina, Jackson 5. De que forma eles te influenciaram?

CC – São influências provocativas, porque eu poderia só mostrar o lado chique da vida, entende? Tipo falar só de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro, Irmãos Campos, Paulo Leminski, ficar num ambiente mais chique. Mas eu acho que, por exemplo, o Mao Tsé-Tung, essa coisa da revolução cultural, é importante. Pegar um país daquele tamanho, com aquela população e falar: "Nós não vamos nos aliar, chega de ser dominados por europeus ou americanos, vamos trilhar nosso caminho". Um caminho com equívocos, como qualquer outro, mas era o caminho deles. Foi uma figura que veio e conseguiu isso, puxar uma nação. Mas é claro que depois tudo se desvirtua, a maçã apodrece. E tem a coisa dessa saudade de uma coisa que eu não vivi, tipo anos 60, "é proibido proibir", a juventude na rua e tal. Eu tinha cinco anos nessa fase. Eu estava mais é querendo mingau do que qualquer outra coisa (risos). Tendo mingau já estava bom demais para mim. Mas a Cicciolina, por exemplo. Primeiro que eu acho ela bela, acho ela linda. E ela tem um jeito de propor política assim... a Cicciolina para mim é pós-Gabeira. É política do corpo, literalmente. De colocar o próprio corpo na política. Ir lá e fazer campanha com os peitos à mostra. E também para mostrar que o parlamento não é uma coisa tão séria assim. Que mais putaria é o que aqueles caras do parlamento estavam fazendo e não o que ela fazia. Eles é que eram os putos e não ela. Eu acho que alguém que chega e cria um ruído num ambiente assim é legal. Gosto muito dela.

PM – Tem também, entre as influências, a Elke Maravilha.

CC – A Elke para mim é como se fosse a nossa Cicciolina. Apesar de ela nunca ter arregaçado essa coisa da sexualidade. Fez lá uns filmes de pornochanchada, que até são muito pueris, digo, a pornochanchada dos anos 70. Eu acho a Elke Maravilha linda. Eu gosto muito dessas figuras. Elke Maravilha, Wilza Carla, os Secos e Molhados, Maria Alcina, essas figuras que visualmente já significam algo em si. A Maria Alcina, inclusive, fizemos coisas juntos. Fizemos shows, um pouco antes de eu gravar o "Aos Vivos". As pessoas achavam até que eu era meio filho dela. Nós dois nos dávamos tão bem no palco, era muito engraçado e bacana. E o Jackson 5 entra ali meio representando uma parte de coisas que eu ouvia quando trabalhava numa loja de disco, dos 8 aos 15 anos. Música internacional etc.

PM – Você escutou muita música desde cedo?

CC – Muita, muita. E na verdade a gente não seccionava. Tinha uma parede que era música nacional, com Elis Regina, Agepê, Jorginho do Império, Luiz Melodia, Jards Macalé, Caetano Veloso. E na outra parede música internacional, com Paul Morriat, Bee Gees, Rolling Stones, Beatles etc. O mundo, na cabeça da gente, só era separado pelo que era nacional e o que não era nacional. Não tinha assim separação por estilos e tudo vendia. Desde o Luiz Melodia até Noca do Acordeon, que era música instrumental. Ele tocava bastante chorinho na sanfona. Luiz Gonzaga era um Deus. Todo sábado a gente passava o dia inteiro tocando forró e muito Luiz Gonzaga. Era o dia da feira do pessoal do campo que vinha para a cidade, escutava aqueles discos e levava. Então, era uma época nesse lugar, nessa cidade, que tinha espaço para tudo, inclusive o Araçá Azul, do Caetano Veloso, foi para lá e foi vendido. Sei lá, tinha cinco discos e todos foram vendidos.

PM – Não teve devolução? Esse disco ficou famoso porque o pessoal devolvia nas lojas...

CC – Não teve devolução. Eu me lembro que o dono da loja ia buscar coisas em Recife. Discos do Chico Buarque, da Maria Bethânia.

PM – Tudo para você foi muito através da música. Tem uma coisa legal que você cita no encarte. Diz que foi a música que te trouxe para cá. Quando você vem para uma grande capital como São Paulo, foi a música que te trouxe ou você veio por causa dela?

CC – Eu vim para a música. A gente fez uma abertura para um show do Arrigo (Barnabé) lá em João Pessoa, o Clara Crocodilo. Aliás era um show em que o Passoca abria tocando a viola dele e assobiando. Era engraçado, ele entrava assobiando e dizendo: "Oi, eu sou o Passoca, aquele que canta e toca", e assobiava (risos). Depois vinha o Arrigo. E antes de todos eles vínhamos nós, o grupo Jaguaribe Carne...

PM – Isso quando?

CC – Em 1983. Durante o projeto Pixinguinha.

PM – Foi bem eclético: Jaguaribe Carne, Passoca e depois Arrigo mostrando uma coisa bem diferente para a época.

CC – O Passoca meio que fazia parte do show do Arrigo. Ele namorava a Vânia Bastos, para a nossa inveja geral e coletiva (risos). Foi super legal a gente lá à tarde, olhando eles passarem o som. E a gente meio sem saber o que ia fazer. Ficávamos esperando o Paulo Ró sair do correio, que era meio assim quase na hora do show, atravessar a rua, tudo ficava na praça em João Pessoa, onde tinha o correio, o batalhão da polícia e o teatro Santa Rosa. E a gente ficava ali no teatro esperando ele chegar. Era meio improvisado, pensamos em tocar duas coisas certas e inventar uma na hora. Aí combinamos de fazer um Como pode um peixe vivo, começando com um coral silencioso. Um regendo e todos nós cantando silenciosamente a música, sendo que internamente era cada um num tom. E eles ficavam olhando a gente fazendo aquilo (Chico imita, dublando a música). O Tonho Penhasco até pediu para entrar também. A gente falava que podia, mas que tinha que cantar desafinado. Chegava uma hora em que começávamos cantar de verdade, mas cada um numa velocidade, num tom. E a gente percebeu que eles gostaram. Afinal eles já tinham feito shows em vários lugares, como em Natal e viam todo mundo tocando com o seu violãozinho a sua música com o maior capricho, com aquela oportunidade de mostrar para o público. Queríamos era mais fazer arte.

PM – E o pessoal entendeu, tanto é que o Tonho Penhasco já entrou numa sintonia com vocês desde lá, porque depois vocês ficaram amigos aqui, certo?

CC – O Tonho entrou. Muitos anos depois eu fui ver um negócio chamado Bandaliadas, lá na frente do Tuca, na PUC, e tinha várias bandas, como o Papavento. Aí chega um cara um pouco com cara de soldado nazista, meio careca, alto e fala: "Você é da Paraíba, né?" Eu digo: "Sou". E ele: "Você não está lembrado de mim?" E falou que era da banda do Arrigo e que tinha gostado muito da gente e ainda disse que o Arrigo ficou chamando a gente de ‘os punks da caatinga’. Afinal o grupo era barra pesada mesmo. Passou um tempo, nós ficamos amigos aqui em São Paulo. Ele tocou na minha banda uma época. Eu vim por causa disso. Vim para São Paulo para batalhar minha música e porque eu sabia que aqui tinha espaço para Arrigo (Barnabé), Itamar (Assumpção), Premeditando o Breque, Rumo, Tetê Espíndola, Almir Sater. Eu pensava isso, que a música desse pessoal não era fácil, era difícil. Então, bom, se tem espaço para a música deles, que era difícil, vai ter para a minha também, que também não é fácil. Mas não ia encontrar espaço no Rio de Janeiro, por exemplo. Porque era na época do rock’n roll e só tinha espaço para rock no Rio; aqui tinha para tudo.

PM – Lá rolava uma efervescência do rock e aqui, embora parecesse mais quieto, tinha muita coisa acontecendo, só que mais variada.

CC – E aqui, quando cheguei, eu tinha dificuldade de encontrar lugar para tocar. Tinha o Espaço Off, que era dito cult, onde tocava Os Mulheres Negras, o Luni, tinha umas apresentações de teatro de vanguarda. Eu achava que ali era meu lugar. Eu levava minha fitinha e eles achavam que eu era nordestino demais para tocar naquele espaço. Eu queria então tocar nos espaços nordestinos do Brás, onde tinha o forró, eles achavam que eu era brasileiro demais e nordestino de menos. Mas eu pensava mesmo que ainda haveria um espaço para a minha música. Então fazia shows pequenos, no Café Paris, Café Maravilha, na Abílio Soares, Teatro Hall, fazia show para 16 pessoas. Quando dava 25 pessoas era um êxito total (risos).

PM – Gostaríamos de te perguntar do Instituto Béradêro, que tem referência em seu site.

CC – Instituto Cultural Casa do Béradêro. O Instituto nasceu do trabalho de uma freira, Irmã Iracy, que foi minha primeira professora de música. Ela fazia um trabalho de musicalização com crianças, iniciação musical, que é o mesmo trabalho que ela fazia comigo quando eu era criança. Bate lá umas claves, toca uma flauta. E o trabalho dela foi crescendo, já estava com umas 50 crianças. Eu me animei em dizer a ela que a gente poderia incrementar esse negócio, para criar uma escola, não só de música, mas dança, cinema, teatro etc. Eu disse: "Empresto meu nome, se servir para alguma coisa, faço contatos em São Paulo." Juntamos com outras pessoas da cidade e teve um momento inicial, quando ganhamos um prédio que foi construído para ser um hospital, do Dr. Benjamim. Ele cedeu para a gente em sistema de comodato, mas o prédio precisava de uma reforma grande. Uma arquiteta foi lá e fez a planta, também engenheiros analisaram. Conclusão: a gente precisava de R$ 200 mil para reformar o prédio. A gente ganhou agora da Vitae um dinheiro para comprar instrumentos de orquestra. E as crianças estão estudando, tocando violoncelo, viola, violino, clarinete.

PM – Tem mais ou menos quantas crianças e qual a faixa etária?

CC – Tem umas 70. A nossa idéia é trabalhar com crianças de 6 anos até jovens de 21 anos. Agora, tem crianças de 8 anos e adolescentes de 16 anos. Então, tem esse núcleo que já existe e que se apresenta e toca, e a gente está nessa batalha de reformar o espaço. Já levamos uma moça daqui de São Paulo para dar um curso de gravura lá, que foi muito bacana. E a idéia é trabalhar a auto-estima. Partir dos elementos da cultura local, mas claro não se fechar e ver de tudo. Criar uma biblioteca, uma cdteca. Seria uma espécie de escola modelo de artes, e de graça. E a partir da cultura, das artes, mexer com os conceitos de auto-estima e de cuidados pessoais de saúde. Estamos num estágio inicial. Porque a minha idéia é a seguinte: eu tive muita sorte de ter tido diversas pessoas em momentos chave da minha vida, que me orientaram para ler alguma coisa, por exemplo, escutar alguma coisa. E isso tudo lá mesmo, na minha cidade. Mas o meu desejo é sistematizar essas oportunidades que tive para um número grande de crianças e adolescentes. De ter professores de música, uma biblioteca, orientação para as crianças, que estimule a leitura. O contato com a literatura de cordel ao mesmo tempo em que abre para a literatura universal. Mas estamos numa fase inicial ainda.

PM – Quanto tempo tem o Instituto?

CC – Já tem uns dois anos que foi fundado. Mas a nossa batalha agora é reformar esse prédio. Porque ele vai ser um suporte básico, essencial do negócio. Breve a gente vai começar uma campanha de doações. Desde pequenas até grandes doações.

PM – No site tem os dados de como doar e a gente pode mostrar (veja no final da entrevista). Mas voltando um pouco para o CD, como você conheceu o produtor do CD, que é inglês?

CC – Eu conheci o Will quando fui fazer um show em Londres, há uns três anos, dividindo com o Lenine. Foi um papo rápido com ele, mas já rolou uma empatia. Depois, voltei a Londres no ano seguinte para dividir um show com a Daniela (Mercury) e fiquei quatro dias em Londres, saímos juntos, conversamos...

PM – Ele foi produtor da Daniela também...

CC – Foi, e também da Fernanda (Abreu), Soul II Soul, Daúde, música africana ele também produzia bastante e música céltica. E rolou empatia porque ele disse que eu era um dos últimos melodistas da cena internacional, do que ele conhecia de novos artistas.

PM – A gente até começou nosso papo falando disso, sobre a melodia. Você acha que as pessoas estão se dedicando menos a ela?

CC – Eu acho que é uma fase. Porque a música de hoje em dia... o rap, por exemplo, não tem melodia, é muito a palavra, o tecno, não tem nem palavra e nem melodia, são timbres e texturas. Acho que é uma coisa da época, espero que a melodia volte. Porque as canções que a gente vai lembrar mesmo são as canções que têm melodia e letra. Mas ele falava que sentia que tinha muita melodia, mas que também meu violão era sempre "groovado". Ou seja, rolou um interesse de trabalharmos juntos. Ele veio para o Brasil, conversamos e formalizamos dele produzir meu disco. Eu apresentei a proposta à gravadora que, a princípio, ficou meio resistente com a idéia de ter um produtor estrangeiro. Eles argumentavam que eu era um artista tão brasileiro e alegavam que poderia ser meio arriscado. Mas eu já sabia bem o que queria, já tinha bem o disco na cabeça. E um produtor estrangeiro viria com o ouvido fresquinho com relação a mim. Porque acho que as pessoas estavam muito com idéia formada do que eu sou, do que é a minha música. Achei legal vir um cara que não me viu no Faustão, que não leu entrevistas minhas, que não leu opinião de jornalistas a meu respeito. E foi muito legal. Ele burilou ali os sons, os timbres, e deixou minhas idéias muito claras, muito transparentes e deu eficiência ao disco. Acho que o ganho com relação ao "Mama Mundi" é esse, é você ter um disco cheio de delicadezas de texturas, mas, ao mesmo tempo, ele é eficiente e resulta mais imediatamente. O ouvinte não precisa, vamos dizer assim, fazer muitas ginásticas para ouvir o disco. Ele escuta, tem coisas que vão chegar mais imediatamente, tem coisas que são mais misteriosas. Mas de qualquer modo acho que o disco tem um visgo, uma liga imediata com o ouvinte. Ele não exclui o ouvinte, ele inclui, meio que ele se completa com a audição. Alguém precisa ouvir. Porque tem disco que ele se completa nele mesmo, como se pudesse ficar anos numa prateleira.

PM – Falando do repertório. A música Antinome tinha sido inscrita para o Festival da Música Brasileira, da Rede Globo. Tínhamos escutado falar que eles ficariam com os direitos da música. Isso tem fundamento?

CC – Acho que tem alguma coisa no contrato, mas eu não levei a sério. A música é minha e faço com ela o que eu quiser. Mas acho que, na verdade, eles ficavam com ela até um determinado período, ou talvez as premiadas, sei lá.

PM – Tem uma regravação no repertório. Porque você regravou Templo, que você já havia gravado no primeiro CD?

CC – É uma auto-regravação. Na verdade, o CD "Aos Vivos" deverá ser todo regravado por mim. Porque normalmente as músicas são primeiro gravadas em estúdio e depois são regravadas ao vivo. No meu caso, eu comecei com um disco ao vivo, só de voz e violão. Quero que um dia cada música daquela tenha a minha versão em estúdio, de acordo com a minha cabeça, na época. Um dia a gente pode juntar todas as músicas e dizer: "Esse é o 'Aos Vivos' em estúdio".

PM – Mesmo depois de você algumas pessoas gravaram Templo. Quais são os artistas que gravaram?

CC – Renata Arruda, Vânia Abreu, Nilson Chaves... Ou seja, deste último trabalho, essa eu tinha gravado, mas também Elba (Ramalho) tinha já gravado Sem ganzá não é coco, que eu fiz pensando nela, fiz para ela, e Bethânia tinha gravado Antes que amanheça. Eu não me preocupo que um intérprete grave uma música minha antes de mim. Porque cedo ou tarde, virá a versão do autor.

PM – A gente não queria deixar de perguntar para você sobre o tanto de gente legal, como você, que está fazendo música no Brasil. Além de nomes que sempre relacionam com a sua pessoa, como Zeca Baleiro e Rita Ribeiro, tem também, por exemplo, Kléber Albuquerque, Miriam Maria, para citar ainda o pessoal de trinta e poucos anos. De uma geração mais nova tem o Cordel do Fogo Encantado, Yamandú Costa, Vanessa da Mata, Quinteto em Branco e Preto, enfim, são muitos nomes. Você acha que as pessoas e, principalmente, o mercado estão percebendo isso?

CC – Dizem que a próxima aposta das gravadoras no mercado vai ser a MPB. Se isso se concretizar, se isso for verdade, vai ser muito legal ver, sei lá, o Kléber Albuquerque no Caldeirão do Huck, a Miriam Maria no Faustão, se for isso mesmo. As gravadoras investiram em modismos durante os últimos dez anos e agora começa um pouco a dar água nesse barco. Então eu acho que todos têm que pensar em investir um pouco a longo prazo, em coisas que vão fazer catálogo.

PM – Teve uma época que foi acontecendo um pouco isso, a gravadora grande aliando outros selos menores para mostrar um outro tipo de música...

CC – É um pouco o que acontece agora. Ainda é parecido. A Sony distribui o selo do Paulinho Lepetit. Quem poderia pensar a Sony e Paulinho Lepetit juntos há três anos? A Sony está lançando a Vanessa da Mata, a Abril abraçou o selo do Mazzola, lançando eu, o Zeca, a Rita, o Mano Borges. Acho que isso é a novidade agora.

PM – Agora você começa a fazer shows?

CC – Começamos em agosto pelo Sul. Algo enfim no Brasil vai começar de baixo para cima e não de cima para baixo (risos).

PM – Brasil e exterior?

CC – Exterior só depois de julho do próximo ano.

 

Chico César - "Respeitem meus cabelos, brancos"

dia 2, às 19h

Fnac - Barra Shopping - Avenida das Américas, 4666, loja B, 101/116, nível Lagoa, Rio de Janeiro

dia 3, às 21h

Sesc Barra Mansa - Av. Tenente José Eduardo, 560, Rio de Janeiro

dia 4, às 21h

Sesc Teresópolis - Rua Delfim Moreira, 749, Rio de Janeiro

dia 5, às 21h

Sesc Ramos - Rua Teixeira Franco, 38, Rio de Janeiro

dia 6, às 22h

Abertura do Festival Regional de Avaré (Centro Avareense), São Paulo

dia 11, às 21h (com Paulinho Moska)

Sesc Vila Mariana - Rua Pelotas, 141 - Tel (11) 5080-3000

dia 12, às 19h

Saraiva Mega Store - Morumbi Shopping - Av. Roque Petroni Jr., 1089, piso térreo

dia 13, às 22h

Abertura do Festival de Inverno de Antonina, Paraná (Praça Central)

dia 19, às 19h

Festa pela candidatura de Vicentinho a deputado federal - Rua Visconde de Parnaíba, 419, Brás, São Paulo

dia 21

Festival de Música de Bonito, Mato Grosso do Sul

 

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