Renato Braz é consagrado por público e júri no 5º Prêmio Visa de MPB

Por Sérgio Fogaça  

    Em noite de festa para a música brasileira, a 5ª edição do Prêmio Visa de MPB – Edição Vocal terminou com a consagração absoluta do intérprete paulista Renato Braz. Depois de receber o prêmio de voto popular, que lhe dá o direito de uma viagem à Itália por uma semana com tudo pago pelos cartões Visa, ele também foi o primeiro colocado do festival, pela avaliação do júri. Com esse prêmio, Renato recebe a quantia de R$ 100 mil, o direito de gravar um disco pela Gravadora Eldorado e a turnê de lançamento do CD, também patrocinada pelos cartões Visa.

    Em segundo lugar ficou o grupo vocal Banda de Boca, de Salvador, e em terceiro, a cantora mineira Paula Santoro. As outras duas colocações ficaram para o paulista Marcelo Pretto e a cantora de Avaré, interior de São Paulo, Lucila Novaes. O segundo colocado recebe R$ 50 mil, o terceiro R$ 30 mil e os outros dois R$ 10 mil cada.

    O júri foi composto por 12 integrantes. Presidido pelo maestro, pianista e arranjador Nelson Ayres, também contou com compositores, regentes, intérpretes e jornalistas especializados em música. São eles: o violonista Paulo Bellinati, o compositor, arranjador e pianista Mário Valério Záccaro, a cantora Jane Duboc, o diretor executivo do Grupo Eldorado e também músico João Lara Mesquita, o músico Arrigo Barnabé, a cantora Leila Pinheiro e os jornalistas Juarez Fonseca, Regina Echeverria, Sérgio Martins, Hagamenon Brito e Mauro Dias.

    O evento contou com apresentações das cantoras Flávia Virgínia, que fez bonito ao piano, e Luciana Mello, além de Wilson Simoninha e Jair Rodrigues, que entregou o prêmio a Renato Braz e foi quem fez o show de encerramento. O Prêmio Visa foi aberto com a Orquestra Jazz Sinfônica interpretando um tema de Adoniran Barbosa. Foram mais de duas horas de muita expectativa pelo resultado.

    Renato Braz, 34 anos, é paulista e já foi indicado ao Prêmio Sharp como revelação logo que lançou seu primeiro disco, em 1997. Um ano depois, lança o CD "História Antiga" com arranjos e regência do compositor Dori Caymmi. Entre tantos outros admiradores do intérprete, também está Edu Lobo, que em 2000 o convidou para uma remontagem do espetáculo "O Grande Circo Místico", de Edu e Chico Buarque, transmitido durante a programação de Natal pelo SBT. Recentemente, Renato lançou mais um trabalho, "Outro Quilombo". Na noite de ontem, abriu o repertório de três músicas com Onde está você, de Oscar Castro Neves e Luvercy Fiorini, para depois cantar Desenredo, de Dori Caymmi e Paulo César Pinheiro, com introdução de O trenzinho do caipira, de Heitor Villa-Lobos, e finalizar com Tristeza do Jeca, de Angelino de Oliveira.

    O grupo vocal Banda de Boca vem da Bahia e foi formado há três anos. Seus integrantes são Hiran Monteiro, Poliana Monteiro, Fábio Eça, Neto Moura e Arno Hübner. Seu principal arranjador é Hiran Monteiro. O grupo explora, com bastante versatilidade, os recursos vocais da imitação de instrumentos com a voz e a percussão vocal. No repertório, o grupo costuma apresentar sucessos da música brasileira, internacional e bastante atenção também a ritmos nordestinos, como o maracatu. Na noite da final apresentaram as músicas Eu só quero um xodó, de Dominguinhos e Anastácia, Construção, de Chico Buarque, e Bailarina, de Eudes Fraga e Dudu Falcão.

    Paula Santoro, 36 anos, é mineira de Belo Horizonte, mas está radicada no Rio de Janeiro há quatro anos. Seu trabalho de intérprete tem uma ligação bastante íntima com a televisão. Foi integrante do grupo vocal Nós & Voz, participando da minissérie Chiquinha Gonzaga. Em outra minissérie da Rede Globo, Aquarela do Brasil, Paula emprestou sua voz para a atriz Maria Cândido. E não é só. Também já enveredou pelo rock progressivo com o compositor Marcus Vianna, pelas trilhas sonoras das novelas Pantanal e da série Ana Raio e Zé Trovão. Atuou em musicais como "Manoel, o Audaz", com música de Toninho Horta, em Belo Horizonte, e "Aldir Blanc, Um Cara Bacana", de Cláudio Tovar, no Rio de Janeiro. Ontem, apresentou as músicas Resposta ao tempo, de Cristóvão Bastos e Aldir Blanc, Atrás da porta, de Chico Buarque e Francis Hime, e Para Lennon e McCartney, de Lô Borges, Márcio Borges e Fernando Brant.

    Marcelo Pretto, 35 anos, é paulista e faz parte do conceituado grupo A Barca, que realiza pesquisas sobre música regional brasileira. Com eles, Marcelo já participou do espetáculo "Saravá Mário de Andrade", em 1999. Ele mesmo, Marcelo, é um estudioso do canto popular e já participou cantando forró do grupo Boi de Lata, durante dois anos, na casa Remelexo, em São Paulo. Outros trabalhos seus foram compor a trilha sonora do espetáculo O Astronauta, de Renato Tehobaldo, e a participação no grupo de percussão corporal Barbatuques. Atualmente, está ministrando uma oficina de canto popular, na Casa de Cultura Raul Seixas, em São Paulo. Apresentou na final Choro anoitecido, de Lincoln Antonio e Marcelo Mota Monteiro, Aquarela brasileira, de Silas de Oliveira, e Pra onde vai, Valente?, de Manezinho Araújo.

    Lucila Novaes, 34 anos, é natural de Avaré, interior de São Paulo. Em festivais, ela é uma espécie de recordista que já acumulou cerca de 30 prêmios como intérprete. Seu primeiro disco solo chama-se "Frestas de Céu", lançado em 1998 e indicado para o Prêmio Sharp de 1999 como revelação feminina. No repertório do CD ela mistura autores consagrados como Chico Buarque e Dori Caymmi com nomes emergentes, como Rafael Altério e Juca Novaes. Seu segundo CD, "Claridade", está em fase de finalização. Para a final, Lucila escolheu as músicas Brasil – Holanda, de Moacyr Luz e Aldir Blanc, Mais uma boca, de Fátima Guedes, e Sentimental, de Chico Buarque.

    O Prêmio Visa é produzido pela Rádio Eldorado e tem o patrocínio dos cartões Visa. Sua história começou em 1998, com a versão instrumentistas, que terminou com empate de primeiro lugar. Os vencedores foram os jovens talentos André Mehmari, ao piano, e o contrabaixista Célio Barros. A segunda edição, no ano seguinte, foi a versão vocal tendo como vencedora a cantora Mônica Salmaso. No terceiro ano, em 2000, a versão compositores premiou o compositor paulista Dante Ozzetti. No ano passado, voltando ao ciclo inicial com a versão instrumentistas, o Prêmio revelou o talentoso violonista gaúcho Yamandú Costa.