Aggeu Marques: sob a influência dos Beatles e do Clube da Esquina
Por Evanize Sydow
Um dos melhores intérpretes dos Beatles em Liverpool, na Inglaterra, vive em meio às montanhas de João Monlevade, cidade próxima a Belo Horizonte, com seus cerca de 70 mil habitantes.
É mineiro de tudo. Principalmente na simpatia. Chama-se Aggeu Marques, jovem médico pediatra que agora desponta com seu primeiro CD solo, "Quer Saber".
Aggeu não poderia ter começado melhor. No disco ele é acompanhado por uma banda de primeira: Paulinho Carvalho (baixo), que toca com Lô Borges há vários anos, Mário Castelo (bateria), Doca Rolim (guitarra solo), Will Motta e Carlos Ivan (teclados).
Foram gastos três meses – acreditem – desde a composição até a produção final do CD. Aggeu responde por todas as melodias e letras, com exceção de Manguaça, que tem música de Doca Rolim.
Enquanto gravava, muitas coisas passavam pela cabeça de Aggeu. E quando chegou nos arranjos de Luz dos meus sonhos, a segunda faixa, ele só pensava em uma voz: "Como eu queria o falsete maravilhoso de Flávio Venturini aqui".
Moço de pensamento forte este. Era 25 de dezembro de 2000. E o Papai Noel designou Paulinho Carvalho como portador de seu presente a Aggeu: Flávio Venturini, em carne, osso e voz, chegou aos estúdios Ferreti, em Belo Horizonte, em pleno Natal, disposto a gravar a canção que já anda tocando os corações mais atentos. O próprio Flávio se emocionou ao ouvi-la pronta pela primeira vez.
Flávio Venturini é referência forte para Aggeu. "Não conheço ninguém que tenha uma harmonia vocal tão bem feita como ele. A música dele representa demais. Para mim, ele é o Paul McCartney brasileiro", revela.
Não é só Venturini que influencia Aggeu. Nascido em Caratinga, terra de Ziraldo, o cantor passou a sua infância e adolescência em Montes Claros, cidade de Beto Guedes, assim como Flávio, integrante do Clube da Esquina de Milton Nascimento, Márcio Borges e outros bons mineiros. Durante algum tempo, Aggeu morou na mesma rua onde Beto – que em breve será avô – morava e eles saíam juntos para tocar e cantar nas madrugadas.
Os Beatles também estavam presentes o tempo todo nessas andanças de Aggeu pelas entranhas do Clube da Esquina. Daí para Liverpool foi um pulo. O músico é o brasileiro que mais se apresentou na terra dos Beatles. Integrou as bandas Sgt Pepper's – chegando a gravar no estúdio Abbey Road – e Hocus Pocus, que, no ano passado, foi considerado um dos melhores grupos do festival Beatles Week, na Inglaterra. Seu ídolo é Paul McCartney, mas isso não o impediu de compor Paz, amor e violão em homenagem a John Lennon, no aniversário de sua morte.
O disco "Quer Saber" traz ainda Renascer – "O homem anda só, caminho tão sombrio, ninguém pra dar a mão. Quem sabe olhar pra trás, diminuir o frio que faz no coração" –, Desatando um nó e Quer saber, que têm Ângela, mulher de Aggeu, como musa inspiradora, além de Empty life, antes chamada 18/06/98, data do primeiro aniversário de McCartney sem a esposa Linda, Numa noite em Liverpool e Alma de vinil.
Em julho, Aggeu Marques faz o lançamento do disco no Schopenhauer, em Belo Horizonte, às sextas-feiras. Sua música, aliás, já está nas rádios da capital mineira. No dia 16, ele e sua banda (Paulinho Carvalho, Mario Castelo, Guilherme Rancanti, Carlos Ivan e Eduardo Santos) ultrapassam as montanhas de Minas e chegam ao Ballroom, do Rio de Janeiro, para um espetáculo com a participação de Flávio Venturini, que elogia o trabalho do artista. "Acho o Aggeu muito talentoso. Ele realizou, sem pretensão, um lindo primeiro disco. Espero que vá em frente."
Nós também.
O primeiro passo foi dado. Do Ballroom, Aggeu Marques segue para o mundo. Na bagagem, apenas o básico: inspiração, sensibilidade, banda de primeira, música boa. Paz, amor e violão. Para quê mais?
Aggeu Marques - "Quer Saber"
16/7, às 21h
Ballroom - Rua Humaitá, 110, Humaitá
Tel. (21) 537-7600
Couvert R$ 8,00
13, 20 e 27/7
Schopenhauer - Av. do Contorno, 6.817