Carlinhos Brown

 "Na verdade, eu tive um crescimento nos últimos 20 anos. E o ano 2001 faz parte disso. Já não corro mais o risco de voltar àquela linha da pobreza. Graças a Deus. Como cidadão brasileiro já me estabeleci. Não corro mais o risco da fome e, na verdade, isso é que é o meu sucesso. Foi isso o que eu tentei vencer a vida inteira. Venci para mim, mas ainda tem os outros e são os meus projetos futuros de também contribuir com as pessoas. Em 2001 eu terminei trabalhando com muitas pessoas e tive muito sucesso. Tive uma parceria com Erasmo Carlos. Eu, Erasmo e Marisa (Monte). Sou autor da trilha do filme "Duendes" da Xuxa. Compus a música do Sítio do Picapau, O Saci, junto com Guto Graça Mello. Produzi músicas para o Ricky Martin. Fiz todo DVD da Marisa, com autorias e parcerias. Fiz uma turnê no Japão de 12 shows. Fiz uma turnê na Europa de 28 shows com muito sucesso, principalmente na Europa latina, que é onde o meu mercado mais cresce. Estou muito bem na França, Espanha, Itália, Alemanha e outros países. Produzi o disco de Arnaldo Antunes com Alê Siqueira. Acabei de entregar o disco de Margareth Menezes. Foi um ano muito positivo para o projeto social que eu desenvolvo no Candeal, onde conseguimos terminar todos os projetos de habitação e distinguir, de uma vez por todas, os paralelos do bairro. Conseguimos terminar o posto. Só falta inaugurar, mas a casa já está pronta. Tivemos um ano importantíssimo com a escola de música. Ganhamos o prêmio da Caixa Econômica e agora fomos indicados para concorrer a um prêmio internacional de projetos sociais que dão certo no Brasil. O Rock in Rio todo mundo viu aquilo como um desastre e eu não. Aquilo veio como uma afirmação das melhores que um artista pode ter porque, de um certo modo, foi a minha consagração. Fui palestrante, com muita honra, na Fundação Getúlio Vargas para convidados do MEC. São tantas coisas positivas... porque eu também trabalho muito. E terminei agora com um documentário a mando do Domenico De Masi, que é uma pessoa com quem eu tenho uma aproximação muito boa na Itália e que, talvez, seja a pessoa que vá fazer o Brasil até me entender mais porque ele está muito atento ao social e essa positividade construtiva que hoje tem na Bahia. Porque, às vezes, parece que a Bahia hoje é só música. E não é. Ao contrário. Até criticam um pouco a Bahia em resultado a isso, mas é porque não enxergaram ainda a nossa mudança. Nossa mudança ainda não foi enxergada, de um certo modo, como a Bahia está acontecendo e para onde a Bahia está apontando. Não quero dizer que a Bahia é a bola da vez porque a Bahia sempre foi a vez. Aqui começou o Brasil. Só que agora descobrimos o nosso potencial turístico, a nossa calma – que as pessoas chamam até de preguiça – e essa calma tem feito com que as empresas acreditem mais na qualidade de vida que existe nesse estado e também na busca de melhorar isso cada dia mais. E para a glória desse ano maravilhoso findei com um show no Farol da Barra para mais de um milhão de pessoas, juntamente com meu chefe, Caetano Veloso. Um show com a Timbalada. Fechar com chave-de-ouro. E começo 2002 já sabendo o que eu quero. A minha esperança é finalizar esses 21 anos de projeto social, mas com uma coisa que eu sempre quis fazer, que é um  embrião. Era uma creche. Vou explicar: Eu sempre quis fazer projeto social, mas sempre quis ter uma creche. Na situação em que o Brasil está agora é até difícil você edificar coisas básicas porque a auto-estrutura está, de um certo modo, podre. A gente tem problemas na adolescência. Temos problemas educacionais brabos. Então, eu cuidei desta faixa. Fui no adolescente, no idoso, nos problemas mais básicos para poder edificar uma creche. Porque não adianta você fazer uma creche, uma coisa de base, e quando termina tudo aquilo que você plantou para ensinar um aluno novo ele se perde porque encontra um caminho todo defeituoso. Então, para isso se edificar, eu tive que agir assim. A creche é a última ação do projeto social porque, agora sim, as pessoas estão preparadas para entender uma geração que já vai nascer salva. Não vai ter os mesmos problemas que nós enfrentamos. Em termos da minha carreira artística, vem surpresas... Para 2002 já estou com agenda de shows fechada pela Europa. E quero agradecer a todas as pessoas que colaboraram e que acreditaram no meu trabalho. Agradecer a Marlene Mattos, Roberto Talma, Ricky Martin, que saiu daqui e está me colocando no mercado americano latino de uma forma que o Brasil vai se orgulhar, vai até acreditar mais na música que eu faço, Arnaldo Antunes, meu parceirão, que acreditou em mim como um produtor, as pessoas do Japão, que têm sido maravilhosas e estão me convidando para a Copa – quero ir para a Copa com uma bela de uma batucada inesquecível –, Rede Globo, que, talvez, seja a emissora que mais me convide para fazer coisas – gostaria que as outras também convidassem, por mais que o tema da Pícara Sonhadora seja meu também, com Erasmo e Marisa... São sucessos que deixam a gente bem contente. Trabalhamos, fomos úteis para a nossa sociedade. Acho que isso é que dignifica o homem."

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