Benjamim Taubkin
"Foi um ano com bastante atividade para mim. Logo em janeiro participei da Oficina de Música de Curitiba, dando um curso de piano e prática de grupo. Foi uma ótima experiência, tanto na relação com os alunos, como na convivência com os outros músicos. Ao lado dos trabalhos que já vinha participando, como a Orquestra Popular de Câmara e com a Mônica Salmaso, pude também iniciar alguns projetos que vinha acalentando (estou ouvindo Zequinha de Abreu, daí as palavras...) há algum tempo. O primeiro é um grupo de choro com músicos que para mim são muito especiais: Proveta, Isaías do Bandolim, Israel, Guello, Edmilson Capelupi, Toninho Carrasqueira e eu. A proposta é buscar um olhar próprio para o choro. O outro é um projeto em cima da música tradicional brasileira com o grupo Abaçaí. Ambos os projetos são para mim muito estimulantes. Outra apresentação que curti muito foi um duo com Naná de Vasconcelos, abrindo o Centro Cultural Banco do Brasil. Participei também de um concerto, que acaba de sair em CD, "Adoniram e Noel". E tive o privilégio de participar de um belo projeto do Ivaldo Bertazzo, "Folias Guanabaras". É um espetáculo de dança, teatro, música e vídeo. Com Elza Soares, Rosi Campos, Seu Jorge, Ana Friedman, DJ Dolores e Orquestra Retratos do Nordeste. E neste caso, muito especialmente, com os adolescentes da Favela da Maré no Rio. Além do prazer de trabalhar com todos, foi uma grande experiência conviver com estes jovens, impressionantemente talentosos. Foi uma lição de vida, que me fez perceber que o assistencialismo, mesmo bem intencionado, tem problemas sérios. O que estes jovens precisam é de oportunidades iguais. Eles podem fazer qualquer coisa se tiverem chance – física quântica, artes visuais, psicologia, o que for... Na área de produção (ainda acho um nome melhor), foram lançados os dez CDs da Cartografia Musical Brasileira no programa Rumos Itaú Cultural Música, que coordeno. Foram realizados três seminários dentro do mesmo programa, Produção Independente, Comunicação e o Seminário Internacional de Educação Musical. E colocamos no ar um extenso mapeamento com dados atuais, englobando toda a produção musical brasileira. Está tudo no site www.itaucultural.org.br em Rumos Música. Um grupo com 29 gravadoras criou a ABMI, Associação Brasileira de Música Independente. O Núcleo Contemporâneo lançou diversos CDs: "Luzes das Cordas", com Marco Pereira e Hamilton de Holanda, "Fragmentos", do Naná Vasconcelos, "Música Para Gente Grande", do Artur de Faria, "Caminhos Cruzados", com Teco Cardoso e Ulisses Rocha, "Cadernos de Composição", de Mozar Terra, "Bach e Pixinguinha", com Mario Sève e Marcelo Fagerlande, e junto com a Maritaca, da Lea Freire, "Piano Brasileiro", de Silvia Goes, e "No Tom da História", com Tibo Delors. Realizamos também, em parceria com a TV Cultura, uma série de quatro programas Núcleo Contemporâneo, que foram ao ar entre novembro e dezembro. E fui convidado a atuar como curador no Mercado Cultural da Bahia, que este ano aconteceu em conjunto com o Strictly Mondial. O mercado, realizado pela Via Magia, é um projeto muito especial e com cujos objetivos me identifico bastante. Reuniu músicos e produtores culturais de todo o mundo. Está no www.viamagia.com.br. Fiz algumas trilhas com a BEI, que é uma "fábrica de conteúdos". Participei, como convidado, de alguns seminários, discutindo questões que basicamente tratam de política cultural para a área de música (que é o que me parece importante), como o Encontro de Pesquisadores no Rio, de Rádio em Minas Gerais e de Produção independente em Itabira. Para este ano vou concentrar esforços, junto com o Teco Cardoso, para gravar o novo CD da Orquestra, do choro e o projeto com o Abaçaí. Pretendemos também retomar o Paralelas, um projeto multimídia. E lançar Percussões, que aconteceu em 99, com vários percussionistas importantes do Brasil. Devo me apresentar em janeiro com a Mônica Salmaso nos Estados Unidos e com a Orquestra Popular de Câmara no Rio. Fui convidado pela Sarau Produções para dirigir um projeto, também em janeiro, no centro Cultural Banco do Brasil de São Paulo, "Cantorias Paulistanas". É um olhar sobre a música de São Paulo. Espero dar continuidade a estes projetos . E esperar que eles dêem frutos, ao lado de outros, no desenvolvimento e na geração de espaços e encontros da música brasileira criativa. E que possam ser mais que uma lista de eventos. Um ótimo ano para vocês. E continuem com a Pagina da Música. É um trabalho importante."