Andréa Pinheiro
"Sou uma cantora que desenvolve o ofício, profissionalmente, há 13 anos. Comecei a cantar aos 17 anos em um bar teatro, em Belém, O Maracaibo. Durante este período, estudei técnica vocal, participei de vários shows, festivais de música, gravei como convidada em CDs de artistas paraenses e em CDs de coletânea. Só me ressinto de não ter levado adiante meus estudos de violão. O ano de 2001 foi muito bom para o meu trabalho. Foi quando consegui lançar meu primeiro CD solo, "Fiz da Vida uma Canção", onde interpreto 16 composições de Waldemar Henrique. Este disco nasceu de um show com o mesmo título. O patrocinador interessou-se pelo trabalho e então gravamos. Sempre achei que não era uma boa idéia gravar o primeiro disco temático. Hoje discordo de quem tenha esta opinião. Acho que depende muito do trabalho que você apresenta, pois este meu disco, apesar de ter um tema, de ser sobre a obra de um compositor, tem uma enorme pluralidade: somatória de ritmos, sons, timbres... e que, ao mesmo tempo, tem a unidade da obra do maestro e do meu próprio trabalho como intérprete. Fiquei muito feliz com o resultado e tenho tido uma receptividade enorme com ele. O segundo disco, que já está gravado, está previsto para lançamento em 2002. É um CD de sambas e chorinhos gravado com o grupo carioca Galo Preto. Vai ser lançado pelo selo da Secretaria de Cultura do Estado do Pará. Como vêem, não posso me queixar do ano que termina. Preparo, já, planos para meu próximo CD, que deve ser gravado em 2002 com composições de vários artistas, cuidadosamente selecionados. Recentemente, participei do show de aniversário do compositor Nilson Chaves (inclusive teve divulgação na Página). Foi um grande evento que reuniu mais de 50 convidados, músicos de todo o País. Dentre eles estavam Chico César, Ivan Lins, Zeca Baleiro, Sandra de Sá, Boca Livre, Zé Renato, Flávio Venturini, Cláudio Nucci, Luli e Lucina, Sebastião Tapajós, Jane Duboc, Fafá de Belém e vários outros, entre eles muitos paraenses. Foi um belo show. É claro que nem tudo são flores... a dificuldade que nós, artistas, enfrentamos, e eu falo aqui no Estado (Pará), onde conheço bem, com a questão da divulgação e distribuição do trabalho. O meu CD, por exemplo, tem tido uma procura muito grande, mas nem de perto é a procura que poderia, pois a divulgação é quase inexistente. Não temos um selo e a distribuição que conseguimos é local (Belém), levando às lojas que têm feito pedidos. Os exemplares que estão fora do Estado (Rio, Brasília, São Paulo) são levados por amigos que sabem da nossa dificuldade, que gostam do trabalho e procuram de alguma maneira levá-lo a outros ouvintes. Mas isso ainda é muito pouco dentro do universo que temos pela frente para tentar alcançar."