CD's Janeiro 2002
Adriana Maciel - "Sozinha Minha"
Este é o segundo trabalho solo da cantora e atriz Adriana Maciel, que, a partir dos palcos, firmou sua carreira como intérprete. O repertório tem sonoridade eminentemente pop criativo com ela interpretando à sua maneira Lobão, Chico César, Paulinho Moska, Vitor Ramil e Zeca Baleiro, entre outros. Com produção de Sacha Amback, o CD começa com Sozinha minha, de Lobão, mostrando o lado mais doce do lobo. Sons eletrônicos e cordas convivem muito bem aqui e no resto do trabalho. De Thedy Corrêa, Adriana interpreta Deixa o sol entrar. Um clima psicodélico e envolvente passeia pela canção que termina no melhor estilo "Hair" com a frase "deixa o sol / deixa o sol entrar". A terceira é Não deveria se chamar amor, de Paulinho Moska, com mais cordas, violão do próprio Moska e cajón de Marcos Suzano. Depois vem Deixa eu me perder, Vitor Ramil e André Gomes. Adriana não deixa de gravar o gaúcho Vitor Ramil. Em seu primeiro CD também tinha a presença do compositor. A quinta faixa é Amargo, de Zeca Baleiro, outro que a cantora já havia gravado antes. Ainda da mesma praia de compositores, Adriana escolheu Menos de doer, mais de doar, dos contemporâneos e parceiros de Zeca Chico César e Carlos Careqa. Uma letra sofisticada. Depois o CD segue com uma introdução de guitarra tradicional e balanço marcado em Meio da rua, de João Nabuco. Tudo para valorizar ainda mais a voz e o canto de Adriana. Segue com A ilusão da casa, também de Vitor Ramil, numa bela canção. A nona faixa é Coisas de você, com mais Vitor Ramil, que traz o produtor do disco Sacha Amback ao piano acústico e no certeiro arranjo para as cordas. Ramil deve ter ficado bem feliz. Em seguida vem Quase ao alcance do olhar, de Chris Braun e André Estrella, com sonoridade mais densa, ao mesmo tempo em que leva para um clima de ciranda e sonho. Teatral. O trabalho encerra com Voltar, de Celso Fonseca, e, na emenda, Prelúdio, de Newton Carneiro, com Adriana na flauta e Sacha Amback no teclado. Na verdade, essa "emenda" dura mais de um minuto em silêncio entre as músicas. Adriana Maciel lança "Sozinha Minha" em São Paulo este mês. Ganhe ingressos para o espetáculo. Lançamento Jam Music. www.jammusic.com.br . (Por Sérgio Fogaça)
Alexandre Birkett e Washington Soares - "Feira Livre"
Uma das mais perfeitas traduções do jeito brasileiro são as feiras livres, que inspirou o título deste trabalho de Alexandre Birkett e Washington Soares. Este já é o segundo CD da dupla. O primeiro chama-se "Trem pra Ribeirão". "Feira Livre" tem, de fato, uma sonoridade bem brasileira, que também é o tema das músicas. O CD abre com Chiquita. De Birkett, definida como um carimbó estilizado e quase samba de roda. A música foi inspirada numa cachorrinha chamada Chiquita. Depois vem Viva São João!!!, também de Birkett, trazendo toda ambientação possível para se lembrar das festas juninas. Bicho preguiça, de Birkett é a terceira faixa, com uma inspiradíssima execução de Birkett só, na viola caipira. Depois vem Posto de monta, uma canção de domínio popular, cujo ambiente são os coretos e bandinhas de praça do interior, segundo o encarte do CD. O clarinete de Ezequias Ferreira puxa a melodia. A quinta é Engenho São Jorge dos Erasmos, de Birkett. Uma homenagem ao velho engenho da ilha de São Vicente. A música parece que passeia por vários ambientes e conta a história do engenho. Em seguida vem Gaia, de Birkett, uma sofisticada bossa nova com a elegância das cordas: cello, violino, violão e baixo acústico. Estação Paranapiacaba, de Birkett, traz um charmoso solo de cavaquinho dele mesmo, escorado no baixo acústico de Washington Soares e o pandeiro de Roberto Biela. O ritmo é um oportuno chorinho lembrando as origens desse gênero que tanto passeou pelas ferrovias. O berimbau de Duda Mendes puxa Saci, a próxima música. Um samba em três por quatro. Depois vem uma canção de Soares, feita em 1994. Fogo na chaleira traz uma linda melodia, entre arranjo de cordas e o solo de viola de 10 cordas de Birkett. A décima é Samba do amanhecer, também de Soares. Um samba rápido com marcação precisa dos instrumentos. Segue com a canção que deu título ao CD, feita por Soares. Frevo, Pernambuco, bom gosto no naipe de metais e pandeiro de Guelo. É de Birkett a composição e execução solo de violão em Santa Fé, a décima segunda música do CD. O violão em seu estado mais puro e intimista. Eterna, de Soares, traz uma conversa sincera entre os instrumentos dos parceiros deste disco. Uma confraternização. O trabalho fecha com Milongueiro, de Soares, uma peça solo para contrabaixo inspirado no tango. Lançamento Independente. Contatos: abirkett@terra.com.br (Por Sérgio Fogaça)
Baião de Corda - "A Dança da Moda"
Formado por seis jovens cariocas – André Aragão (voz e violão), Rodrigo Marchevsky (sanfona), Léo di Mola (zabumba e voz), Dudu (triângulo e voz), Fernando Maranhão (baixo) e Andréas (guitarra e voz) –, o grupo Baião de Corda, seguidor do forró pé-de-serra de Luiz Gonzaga, Jackson do Pandeiro e João do Valle, lança seu primeiro disco, "A Dança da Moda". Uma mistura de xaxado, xote, baião e coco em músicas de Dominguinhos, Ednardo, Luiz Gonzaga, João do Valle, Zé Dantas e Nando Cordel, estas com novos e belos arranjos. Além delas, outras cinco músicas próprias e inéditas compõem o CD. São elas: Ó do Borogodó, Saudade de você, Pena de mim, Toda cor e Boizinho brasileiro, que já estão na ponta da língua do público que gosta de um bom forró. Dos mestres, o disco traz Pé do lajeiro (João do Valle, José Cândido e Paulo Bangu), Pra se misturar gostoso (Dominginhos e Nando Cordel), Rasgo de lua (Geraldo Azevedo e Carlos Fernando), Enquanto engoma a calça (Ednardo e Glimério), Ponteira (Sérgio Habib) e Dança da moda (Luiz Gonzaga e Zé Dantas). Para adquirir: www.remixnews.com.br .
Duo Canta Viola - "Colcha de Retalhos"
O CD "Colcha de Retalhos", do Duo Canta Viola, é uma homenagem à dupla Cascatinha & Inhana, que vendeu meio milhão de discos no final da década de 50. Gravado apenas com a utilização da viola caipira e do violão, o disco tem 11 músicas destacadas da dupla homenageada e duas canções inéditas do Duo Canta Viola, formado pela violonista, cantora e compositora paulista Laura Campanér e pelo violonista Zé da Terra. Estão no repertório Meu primeiro amor (Hermínio Giménez, numa versão de José Fortuna e Pinheirinho Júnior), Flor do cafezal (Carlos Paraná), Chuá chuá (Pedro Sá Pereira e Ary Pavão), É bem cedo (Zé Terra e Luisa Gimenez), Anahi (Oswaldo Sosa Cordero, em versão de José Fortuna), Sertaneja (René Bittencourt), Índia (M. Ortiz Guerrero e J. Asunción Flores), que rendeu dois troféus Roquete Pinto a Cascatinha & Inhana, em 1951 e 1953, Rolinha (S. Yradier), com versão de Pedro de Almeida, Serra da Boa Esperança (Lamartine Babo), Guacyra (Hekel Tavares e Joracy Camargo), Casinha pequenina, Água (Laura Campanér, Bel Carrilho Martins e Luisa Gimenez) e a faixa-título, de Raul Torres. Lançamento Borage Diskos. Distribuição Ouver Entertainment. www.borage.com.br .
Elaine Marin - "Elaine Marin"
Embora dê vontade de destacar o clima de festa deste CD gravado ao vivo, vale mesmo dizer que é um trabalho de primor poético e musical. E não é mesmo uma alegria isso?!? Elaine Marin floresce e aparece num trabalho consistente e sincero. Já de cara uma autobiografia corajosa e, ao mesmo tempo, feita com simplicidade. Eu... introduz o ouvinte no universo dela, com Elaine entoando voz e tamborim. Na seqüência, ela também mostra como sabe andar em boa companhia. Em Pra depois, dela em parceria com Giselle Furlanetto, estão nos instrumentos Paulo Padilha, no arranjo e violão de nylon, Dante Ozzetti, no violão de aço, Clara Bastos, no baixo acústico, Simone Julian e Hugo Hori, nas flautas, Lincoln Antonio, no piano, Simone Soul, na bateria e percussão, e Natália Mallo dividindo os vocais com Elaine. Ufa! Mas vale a pena citar. Esses são a maioria dos músicos que a acompanham por todas as faixas. O CD segue com Quis saber, com arranjo de Paulo Lepetit. A quarta é Amostra grátis, dela e Natália Mallo, que também participa com voz e violão de aço. Aqui Elaine também toca violão de nylon. Plano, a quinta música, embora traga a linguagem moderna de Elaine e músicos tão contemporâneos, ao mesmo tempo lembra o clima das melhores canções de uma grande compositora dos anos 60 e 70, chamada Sueli Costa. Ela ainda está na ativa, embora a mídia ignore. De volta ao trabalho de Elaine, Aconteceu é a sexta música, com Elaine dividindo os vocais com Paulo Padilha, Tata Fernandes, Simone Julian e Hugo Hori. Segue com Chantagem, com uma letra que traz a crueza de quem quer se fazer escutar: "Se eu adoeço é pra te chantagear". Depois vem Mistério, com voz e violão de Elaine e Djembê de Simone Soul. A seguir, Pequena fábula de uma cigarra anoitecida, com um emocionante coro de 18 crianças que trazem ainda mais magia e alto astral para uma canção já bonita por natureza. Depois vêm duas canções nas quais Elaine divide a parceria com Siomara Thomaz. Seresta, com arranjo do prêmio Visa de melhor compositor Dante Ozzetti e High-tech melody. Fotos, a próxima, é uma aventura bem contada com um afinadíssimo coro feminino. Segue com a bela O cara. Canção e letra gostosa, de se deixar levar. Susana Salles também participa cantando a música. Com você encerra o trabalho em clima de festa mesmo, numa levada bem a moda da dita vanguarda paulistana do início dos anos 80. Nos vocais, Elaine conseguiu juntar o ontem e sempre dessa vanguarda com as vozes de Suzana Salles e Ná Ozzetti, passando por Tata Fernandes, Vange Milliet, Miriam Maria, Titane e agora Natália Mallo. Extraordinário conjunto. Lançamento Cigarra Music. Tel. (11) 3159-1264 ou e-mail: cigarraprod@bol.com.br (Por Sérgio Fogaça)
Emílio Santiago - "Um Sorriso nos Lábios"
Bela homenagem de Emílio Santiago à Gonzaguinha, o grande compositor, cuja morte foi lembrada ano passado, depois de dez anos. A voz emocionada de Emílio aparece com precisão tanto nos sambões de Gonzaguinha, como nas baladas mais românticas e inspiradas do compositor, filho de Luiz Gonzaga. O CD abre em alto astral com E vamos à luta. Os arranjos não economizaram instrumentos, colocando tudo que tem direito para a resolução das músicas. Metais, percussão e cordas. Com o ambiente ainda em festa, o disco segue com O homem falou. Um samba bem ao gosto do intérprete. A terceira mexe na saudade mais comovente com Grito de alerta, uma das músicas mais marcantes da carreira de Gonzaguinha. Segue com Espere por mim, morena, onde os arranjos, regência e piano são de Cristóvão Bastos, que também participa em outras faixas. Vale ainda destacar nessa música o acordeom de Toninho Ferragutti. O protesto não poderia faltar. Este é outro lado importante na carreira de Gonzaguinha. Nessa linha, Emílio escolheu Comportamento geral, a quinta faixa. Palavras, a próxima, veio provar que o cantor não escolheu só coisas óbvias para o repertório. Depois vem Deixa Dílson e vamos Nelson, caindo no balanço novamente, seguida de De volta ao começo, mais um desses momentos mágicos de Gonzaguinha. Belo arranjo e destaque para o solo de Jessé Sadoc, no flugel. A nona canção é Com a perna no mundo, seguida de Ser, fazer e acontecer, quase um bolero marcado no baixo de Jamil Joanes. Com um pé no romantismo de Gonzaguinha, o CD segue com Avassaladora. A décima segunda é Artistas da vida, seguida do grande sucesso Sangrando, momento de muita emoção do disco para Emílio, músicos e ouvintes. Depois vem a canção título do CD, Um sorriso nos lábios e O que é o que é?, com Emílio acompanhado de um grande time de instrumentistas, como aconteceu durante todo o trabalho. O CD homenagem fecha com Não dá mais pra segurar (explode coração), com o intérprete acompanhado só pelo violão de João Lyra. Composição harmônica de muita sensibilidade, deixando a interpretação de Emílio mais intimista e emocionada. Saudades! Lançamento Sony Music - Tel. 0800-234425 (Por Sérgio Fogaça)
Gilson Peranzzetta - "Pingolé"
Gilson Peranzzetta é um músico raro. A sua discografia conta 26 títulos. O mais recente é "Pingolé", lançado pelo selo do próprio artista, Marari Discos. É um disco de choros da melhor qualidade. Entre os instrumentistas que o acompanham neste trabalho estão Carlinhos 7 Cordas (violão), Henrique Cazes (cavaquinho), Beto Cazes (pandeiro), Paulo Russo (contrabaixo acústico), João Cortez (bateria), Rildo Hora (gaita), Marcello Gonçalves (violão), Paulo Sérgio Santos (clarinete), Joel do Nascimento (bandolim) e Mauro Senise (flauta). Os 11 choros presentes no CD "Pingolé" são dedicados a pessoas queridas, como Hermeto Pascoal, Edu Lobo, Rildo Hora, Chiquinho do Acordeon, Tom Jobim, Mauro Senise e Luiz Eça. O disco começa com Chorinho da Vovó, em homenagem a D. Orminda, avó do intérprete, e depois segue com Fazendo hora, Cheio de graça, Bruxo, Choro do lobo, Choro sim, por que não?!, Tom sur Tom, Luiz, Eça é prá você, Mauro, se liga, Dalila e Abigail, além da faixa-título. Gilson Peranzzetta, que responde pela direção musical, composição e arranjos, já foi citado por Quincy Jones como um dos cinco maiores arranjadores do mundo e também é um dos melhores pianistas da atualidade. Suas músicas já foram interpretadas por Ivan LIns, Nana Caymmi, Leila Pinheiro, Leny Andrdade, Sara Vaughan, Toots Thielemans, Shirley Horne, George Benson, Diane Reeves, Diane Schurr, entre outros grandes nomes. Em abril deste ano, Gilson leva sua música para a Alemanha, onde rege e toca com a Orquestra da Rádio de Colônia. Lançamento Marari Discos. Tel (21) 2259-4499.
Roda de Saia - "Tô de Olho"
O conjunto Roda de Saia vem trazer tempero feminino para o samba. Formado por quatro mulheres criadas em autênticas rodas de samba carioca e apadrinhadas por ninguém menos que Martinho da Vila e Beth Carvalho, Ana Costa toca violão, além de compor sempre em dupla com Bianca Calcagni, que também toca tantan, mais Dedé Alves no pandeiro e Elaine Damasceno no cavaquinho. Já tocaram com nomes importantes do gênero como Zeca Pagodinho, Beth Carvalho, Mestre Marçal, Jorge Aragão, Jovelina Pérola Negra e Rildo Hora, entre outros. O CD do quarteto abre com a faixa título Tô de olho, de Ana Costa, Bianca Calcagni e Agrião. Segue com Deixa falar, da dupla de compositoras mais Alceu Maia. Elas mesmas ensinam o refrão e ajudam na palma da mão. A terceira faixa é Me faz sonhar, de Marcelo Guimarães e Alceu Maia, samba de linda melodia. Na mesma onda o trabalho segue com Voltar pra mim, de Flávio Cardoso e Serginho Procópio. Perfeita alquimia confirma a habilidade de compositoras da dupla Ana Costa e Bianca Calcagni. A sexta música é Razão de viver, da mesma dupla, seguida de Vem cá, meu nego, música inédita de Martinho da Vila e Roque Ferreira. Mais samba inédito na seqüência. De Arlindo Cruz e Jorge David as meninas cantam e tocam em Hora exata. A nona, Essa é pra você, também de Ana Costa e Bianca Calcagni, é uma canção inspiradíssima. A penúltima é Banho de felicidade, de Wilson Moreira e Adalto Magalhães, com as vozes afinadas do grupo, uma ode "aos pagodes da cidade". O CD termina com outro samba inédito, desta vez de Jorge Aragão e Flávio Cardoso. Uns e alguns traz mais samba no pé e na palma da mão. Pagode bom, verdadeiro e inspirado. Lançamento independente. E-mail: rodadesaia@ig.com.br (Por Sérgio Fogaça)
Rodrigo Lessa - "Feito à Mão"
Com as participações mais que especiais de Dona Ivone Lara, Joyce e Janita Salomé, o cantor, compositor, instrumentista e arranjador Rodrigo Lessa lança o CD "Feito à Mão". Choros, sambas, sonoridades afro-caribenhas, reggae, milonga, blues, funk, maxixe. Tudo isso está neste excelente segundo disco de Rodrigo, integrante dos grupos Nó em Pingo D´Água e Pagode Jazz Sardinha's Club. As músicas de "Feito à Mão" são todas de Rodrigo, algumas em parceria com Eduardo Neves, Mauro Aguiar, Mônica Sinelli e Thereza Lessa. O disco abre com Chinelão da madrugada. Na seqüência, vêm A do santo é sagrada, com os violões sempre bem-vindos de Lula Galvão e Rogério Souza, Aldeia, com Dona Ivone Lara dando o tom, Casa de pensão, Patifaria, Voyeur – e a cuíca bem colocada de Marcos Esguleba –, Meu fraco é perfume, Ela, uma homenagem a Elis Regina que tem a interpretação de Joyce, O xis do charme e Virado pra Lua, feliz parceria com Mauro Aguiar. Etérea, com a viola caipira de Marcus Ferrer, Mouro amor e À deriva, dedicada ao violonista e compositor Guinga, fecham o CD. Atuando com nomes como Ivan Lins, Leila Pinheiro, Paulinho da Viola, Guinga, João Bosco, Ney Matogrosso, Cristóvão Bastos e Johnny Alf, Rodrigo Lessa é intérprete virtuoso e chega a um segundo disco mostrando que a música brasileira é mesmo uma caixa imensurável de talento. Site do artista: www.rodrigolessa.com.br .
Silvia Goes - "Piano à Brasileira"
É sempre um prazer escutar um bom piano. Se o pianista for excelente, melhor ainda. A saudação é para Silvia Goes com seu "Piano à Brasileira", um dos três títulos de estréia da editora e selo Maritaca, da flautista e compositora Léa Freire. A distribuição e parceria é da gravadora Núcleo Contemporâneo, agregando uma iluminada trupe da mais alta qualidade quando se fala em música instrumental brasileira. De volta ao trabalho de Silvia Goes, o CD possui 12 faixas, sendo 11 inéditas. O disco abre exatamente com a releitura de Tico-tico no fubá, de Zequinha de Abreu, com Silvia dando banho de interpretação, mostrando seu jeito próprio e vigoroso de tocar. Depois o CD segue com suas composições até a 12ª faixa. A segunda é Hello Heloisa, um baião feito especialmente para o nascimento da neta da compositora. A doce flauta de Léa Freire, que produziu o CD, marca presença. Lembrando também que a co-produção foi feita pelo saxofonista e compositor Teco Cardoso. Valsa nº 1, a terceira, transpira emoção entre os dedos da pianista. Segue com Falta pouco, outra homenagem para a neta. Expectativa e felicidade, entre choro e canção. Cachorrada, a quinta música, foi uma inspiração que a artista teve a partir do latido de cachorros. Bem brasileiro. Já o dia-a-dia do convívio familiar inspirou Conflito de gerações. Bela introdução seguida também do namoro de Silvia com o chorinho. Mas a música não se restringe a um só ambiente sonoro, como sugere o título. Esta é a canção mais longa do CD, com seis minutos. As outras têm entre quatro e cinco minutos, em média. O baixão, creio, é de Arismar do Espírito Santo. A sétima canção é Velho amigo, definida pela pianista como choro-canção. Abril é a oitava, um bolero que já foi gravado por Roberto Sion. A seguir vem Te enganei, uma brincadeira em cima de expressões usadas pelos gaúchos, com o acompanhamento da flauta de Léa Freire e o baixo percussivo de Arismar. Depois vem o delicioso choro Preguiça medonha, que ganhou o subtítulo de Menino, sai da rede!. A décima primeira música é Mr. Claire, canção dedicada a Claire Fisher, músico que teve grande influência na carreira de Silvia. O inspirado CD fecha com Para sempre, uma valsa que retrata a despedida de um grande amigo. Lançamento Maritaca. Distribuição Núcleo Contemporâneo. Tel. (11) 3873-1386 ou pelo site www.nucleo.art.br (Por Sérgio Fogaça)
Madan, Kléber Albuquerque, Luiz Gayotto e Élio Camalle - "UmdoUmdoUm"
Um projeto inusitado e curioso une coincidências e forte apelo musical. O CD "UmdoUmdoUm" traz quatro grandes compositores e intérpretes contemporâneos, todos já com dois discos individuais lançados pela gravadora Dabliú. Madan, Kléber Albuquerque, Luiz Gayotto e Élio Camalle se juntaram para gravar, pela mesma gravadora, um CD inédito no reveillon do ano passado. Foi a gravação ao vivo do primeiro CD do milênio. Foram quatro apresentações no KVA Pub, em São Paulo, em todas as sextas-feiras de dezembro de 2000, que culminaram com o show especial gravado na noite do reveillon de 2000 para 2001, dentro de um estúdio. Uma festa! O CD inicia com energia pura por meio da própria contagem feita por convidados e músicos para a entrada do novo milênio, ao mesmo tempo em que inicia a música Isopor, de Kléber Albuquerque e Élio Camalle. Mais que apropriada, a música é "tudo de bom!". Segue com a inspirada Pele, de Madan e Olga Savary. Madan também é grande intérprete de suas composições. A terceira faixa é O preconceito, de Luiz Gayotto, um verdadeiro tratado sobre o assunto. Uma lição. Depois vem A dança, de Élio Camalle. Uma música de sutileza cortante sobre os contrastes da vida. A quinta é Espera, de Kléber Albuquerque. Letra sentida que serve para exorcizar a eterna espera de um amor que não volta mais. De Madan e Arnaldo Antunes é a próxima canção. Dúvida é música e letra à flor da pele. Depois vem a sensível Super-nova, de Luiz Gayotto e Kléber Albuquerque, seguida de Cabeça, de Élio Camalle. A nona música é Manjedoura, de Kléber Albuquerque. Linda canção que traz para os tempos atuais um assunto tão milenar. Depois vem um blues de Madan e Ademir Assunção. Londrix é uma união evidente de dois poetas numa composição. A décima primeira é Vigília, de Kléber Albuquerque, que está entre o forró e o pop, mas é a letra mesmo que chama a atenção. Segue com Waldirene, de Élio Camalle e Kléber Albuquerque. O pandeiro de Gayotto dá uma marcação precisa para Élio cantar quase como um rap. O CD fecha com O teu poder, de Luiz Gayotto, um incentivo para ir à luta. Eles foram, e nós ganhamos um belo trabalho. Lançamento Dabliú. Tel. (11) 3079-1843/0372 (Por Sérgio Fogaça)
Xangai e Quinteto da Paraíba - "Brasilerança"
Xangai é um desses artistas que conseguem imprimir sua marca dentro do cenário musical com categoria. Neste seu mais recente trabalho ele soube promover muito bem a junção do popular com erudito tocando em parceria com o Quinteto da Paraíba. Este já é o segundo CD em que os músicos trabalham juntos. O primeiro foi "Um Abraço pra ti, Pequenina", lançado em 1998. Com "Brasilerança", Xangai amplia o projeto que extrapola a idéia de CD, apresentando o repertório também em rádio, TV e teatro. O disco começa com Meninos, de Juraildes da Cruz, com um envolvente arranjo de Sérgio Galo, que também arranja outras faixas. Depois vem uma extensa canção em cinco movimentos, diríamos assim. Tudo incluso na faixa dois. Primeiro, Gírias do Norte, de Jacinto Silva e Onildo Almeida, seguida de Brasil x Portugal, de Xisto Medeiros e Lúcio Lins. A parte C é Coco sincopado, de Jacinto Silva, e, na emenda, De quinze pra trás, de Xangai e Pinto Pelado, e fecha com O sapo no saco, de Jararaca e Ratinho. A terceira música Xangai executa só, ao violão. Luz dourada, de Juraildes da Cruz, mostra a habilidade de voz e violão do cantor e instrumentista vigoroso. A música incidental Béradêro, de Chico César, anuncia o sertão de Paraíba, de Luiz Gonzaga e Humberto Teixeira, próxima canção. Um clássico com arranjo sinfônico de Guerra Peixe adaptado para o Quinteto por Adail Fernandes. Ficou classe. Mais Chico César, agora com a canção onde o próprio participa tendo composto, arranjando junto com Sérgio Galo, e dividindo os vocais com Xangai. Trata-se de Utopia, que Chico compôs especialmente para Xangai. O CD prossegue com Curvas do rio, de Elomar, companheiro de Xangai na histórica série "Cantoria", da qual também participaram Vital Farias e Geraldo Azevedo. Depois vêm, em dois movimentos, Não é brincadeira, de Maciel Melo, que também participa nos vocais, seguida de Poema de Rogaciano Leite, do livro "Carne e Alma". A oitava faixa é Gago grego, de Jacinto Silva, com Xangai entoando a música a capela, com voz dobrada. Cantada, de Elomar, é a nona, seguida de Pequenina, que Renato Teixeira também compôs especialmente para Xangai. El carretero, de José René Moreno K., traz letra e estética musical em espanhol. A décima segunda é outra canção do CD que também vem em três movimentos. Abre com Serra da Borborema, de Agripino Aroeira, seguida de Balanço da sereia, de Déo do Baião, e fecha com Quem casou, casou, de Elias José Alves. Na próxima canção, a especialíssima participação do sax alto de Nailor Proveta. Kukukaia, de Cátia de França, prima pelo alto astral encaixado em boa música e letra. O CD fecha com uma nova gravação do maior sucesso de Xangai nos palcos. Trata-se de O ABC do preguiçoso (Ai d’eu sodade), de compositor anônimo, adaptada por Xangai com ele só, ao violão. Tradição! A tempo, o Quinteto da Paraíba é Yerko Tabilo, 1º violino, Ronedilk Dantas, 2º violino, Samuel Espinoza, viola, Nelson Videla, violoncelo e Xisto Medeiros, contrabaixo. Lançamento Kuarup. Para adquirir, clique na capa do CD e entre diretamente no site Kuarup. (Por Sérgio Fogaça)