Roberto Menescal e a MCB: M sica Criativa Brasileira

Por Evanize Sydow

    "Selo de Artista" traz este m s o m sico Roberto Menescal, um dos grandes e primeiros nomes da bossa nova. Nesta entrevista concedida P gina da M sica, ele comenta as dificuldades e alegrias da experi ncia de ser dono de um selo. A "Albatroz" vem lan ando discos de artistas importantes, como Danilo Caymmi, Joyce, Oswaldo Montenegro e Zez Motta. Por meio desta conversa voc vai saber quais s o os pr ximos lan amentos da gravadora, al m dos atuais projetos do artista, que faz show ao lado de Wanda S no dia 4 de dezembro, no Centro Cultural Light, na capital carioca. Menescal e o grupo Bossa e Cuca Nova fazem lan amento de seu recente CD em janeiro no Ballroom, tamb m no Rio. Acompanhe.

P gina da M sica - Como surgiu a gravadora e por que voc resolveu montar o seu selo?

Roberto Menescal - Primeiro, eu passei 16 anos na Polygram, trabalhando como executivo, diretor art stico e achei que eu podia fazer alguma coisa, usando essa experi ncia que eu tive esses anos todos em prol de uma m sica que eu acredito ser uma m sica brasileira boa. A , montei o primeiro selo logo no come o, talvez em 87, uma produtora, que, mais tarde, mais ou menos em 93, virou um selo realmente, o "Albatroz". Em 93 resolvemos fazer um cat lago mesmo de m sica brasileira. "Vai ficar t o dif cil para a m sica que a gente chamava de MPB..." Agora, por uma sugest o da Joyce, a gente chama de MCB, M sica Criativa Brasileira. Fazemos os discos dentro de uma possibilidade bem curta. Mas n s estamos com quase 60 discos. Eu fa o quest o de n o ter um casting. N s propomos ao artista que queira gravar com a gente, gravar, mas ficar livre. Fiquei com trauma, nos anos da Polygram, daquela coisa "estamos tr s anos exclusivo". Essa n o uma forma simp tica. Ap s assinar o contrato, passa uma forma de "rivalidade". As pessoas que est o mais constantes com a gente s o os Cariocas, Leny Andrade, Oswaldo Montenegro, Danilo Caymmi. S o pessoas que t m gravado v rios discos. Fora isso, tem os projetos de Zez Motta, Mar lia Pera.

PM - Atualmente, quais os discos que voc s est o trabalhando?

RM - A gente acabou de lan ar Danilo Caymmi. Saiu um disco que n o de mercado, Cec lia Dale. Ela me procurou h 2 anos, eu estava fazendo um show, "Nara Uma Senhora Opini o", e, no final do show, o marido dela disse "eu queria muito que voc produzisse o disco da minha mulher, n s somos de S o Paulo, mas n s vamos ao Rio". Eu disse que n o precisava... Fui tomar caf na casa deles. Quando ela abriu a boca, eu falei: "O que voc est fazendo esse tempo todo que n o gravou?" Ela disse: " que optei por ter filhos, agora que estou livre quero cantar. Ela fez um disco, "Standarts In Bossa" que s o cl ssicos da m sica americana. S ela j vendeu 9 mil discos. Essa semana saiu o segundo disco dela, "Standarts In Bossa n mero 2".

PM - O repert rio foi escolha dela?

RM - Foi uma proposta que eu fiz a ela. Porque eu sempre falo para as pessoas que n o adianta fazer um disco, adianta voc pensar num projeto. Quando eu vi, ela gostava de jazz, bossa nova, cantava muito bem em ingl s.

PM - Ela tem feito show?

RM - N o. Ela faz, s vezes, noites de muita curti o na pr pria loja, que muito chique. Acho que ser feito lan amento oficial desse segundo disco.

PM - Fora do Brasil tem tido aceita o tamb m ou est voltado para o Brasil?

RM - Est bem voltado para o Brasil, mas n s vamos lan ar l fora. N s temos a id ia de fazer tr s discos. Eu voltei da Europa agora. Passei um m s l trabalhando um disco que a gente fez chamado "Bossa Cuca Nova e Roberto Menescal", que um CD que gravamos com uns meninos que trabalham comigo, inclusive com o meu filho, e eles produziram uma bossa nova meio pop. Fizemos 20 e poucos shows na Europa e todos lotados. um disco que a gente licenciou para a gravadora Trama porque achamos ser mais a cara dela. Eles gostaram muito do projeto, est o lan ando agora, na primeira semana de dezembro. N s acabamos de fazer um projeto, um disco que chama "Cantoterapia: O Lado Bom da Vida", de S nia, irm da Cec lia Dale. A S nia tem uma escola de cantoterapia, terapia pelo canto. Acho que este ano n o vamos lan ar mais nada.

PM - Qual a maior dificuldade em se abrir e manter uma gravadora?

RM - A maior dificuldade sempre a distribui o e a divulga o. Porque n o d para competir com as grandes gravadoras. Eu tenho um neg cio na cabe a que muito legal: a gente n o pensa em Faust o... Isso uma via que est longe da gente. Pensamos no show. Agora, um disco meu eu fa o com R$ 10 mil. Uma gravadora n o faz por menos de 100 mil.

PM - Em m dia, quanto custa o CD de voc s?

RM - Para o consumidor, R$ 15,00. Mas se tiver uma distribui o para lutar neste mercado, a gente poderia colocar o disco a R$ 12,00. Acho que a gravadora grande n o pode cobrar menos de R$ 25,00 porque vai ter preju zo. Este preju zo muito relativo. Talvez se ela botasse por R$ 18,00, vendesse mais. Ent o, o pirata acaba sendo um grande neg cio.

PM - Qual a vantagem em ser artista na hora de ter uma gravadora?

RM - Independente n o deveria ser o cara que n o tem condi o de estar numa gravadora. Independente deveria ser o cara que ganhou independ ncia. Quer dizer, o Roberto Carlos, a Maria Beth nia tinham que ser independentes. Porque esses grandes artistas poderiam conquistar sua independ ncia e pagar uma pessoa, um empres rio, que tratasse dos neg cios deles.

    Por exemplo, chegava para a Sony: "Eu sou Maria Bethania, quero oferecer meu pr ximo disco para c . Voc me d um advance, eu fa o meu disco e distribuo por voc ". Na verdade, o disco dela, continuaria a ser dela. Ela poderia fazer o disco como quisesse. Ela n o iria botar o dinheiro dela na frente porque a pr pria gravadora bancaria o disco e ela teria um royalty muito maior. Eu propus isso para a Bethania em 1980. Ela n o entendeu direito e ficou com raiva de mim. N o fala comigo at hoje. Ela pensou que eu estava colocando ela para fora. Mas era o contr rio. Agora, n o pode um artista novo fazer isso.

PM - Voc s s o muito procurados pelos artistas?

RM - Muito. Eu voltei agora da Europa e vou ter que escutar muita fita. Ou o tudo e respondo a todo mundo. Hoje, confesso que estou mais relaxado com isso porque hoje eu sou dono do meu selo, viajo para fazer shows, fa o arranjos, produzo.

PM - E tem muita coisa boa nesse material que voc recebe?

RM - De tudo, uns 2% de coisas boas.

PM - Tem algu m da nova gera o que voc gostaria de gravar?

RM - Muita gente. Agora mesmo estou lan ando um disco chamado "Lual", com Rafael Greyck, filho do M rcio Greyck, um cantor da Jovem Guarda. Um dia este menino  me mandou um tema dele e gostei muito. Gostei dele. um garoto bom e a o apresentei ao Oswaldo Montenegro, que o colocou na primeira pe a. Oswaldo colocou um time que faz tudo, quer dizer, canta, mas ao mesmo tempo contra-regra do show, ajuda na divulga o...

    No ano passado eu fiz um show do Oswaldo e falei para ele: "Rafael, estou com id ia de gravar uma coisa com voc e acho que vai ser bem legal, que uma esp cie de m sica de fogueira." N s fizemos ele cantando e o pessoal cantando junto e chamamos de "Lual". Est saindo agora. S o tentativas que a gente faz e nas quais eu acredito muito porque toda a gera o de universit rios canta essas m sicas (Legi o, Paralemas, Marina...).

PM - E seus projetos como artista...

RM - Agora vamos lan ar o CD aqui no Brasil, no Ballroom, em janeiro. Fizemos l fora, mas ainda n o lan amos aqui. o "Bossa Cuca Nova e Roberto Menescal".