Jorge Vercilo chega a São Paulo
Por Evanize Sydow
Depois de conquistar o Rio de Janeiro e muitas cidades do Nordeste, o cantor e compositor Jorge Vercilo agora chega à capital paulista. A bem da verdade, o músico já tem fã-clube formado na Terra da Garoa. O objetivo mesmo é consolidar o sucesso. Para começar a caminhada, Vercilo faz shows em dezembro e janeiro no Teatro Crowne Plaza. Abaixo você lê entrevista com o artista, que conta as novidades sobre o novo CD, "Elo", e o show "Leve".
Página da Música - Como será esse show que você faz em São Paulo?
Jorge Vercilo - É o segundo que eu faço em São Paulo. O primeiro foi no Blen Blen. Estou indo de voz e violão e com o meu percussionista João Bani, que também faz vocais. Será um show intimista. O repertório focaliza mais o meu terceiro disco, "Leve". É meu primeiro CD pela EMI. Mas eu também faço nesse show um passeio pelos trabalhos anteriores, os dois discos, onde estão músicas de novela como Encontro das águas, tema da novela "Mulheres de Areia", e Praia nua, de "Tropicaliente". É um passeio pelo meu repertório autoral de três discos, enfocando mais o terceiro trabalho. Eu também canto Beatriz, obra-prima de Edu Lobo e Chico Buarque, Reino das águas claras, que é uma música que eu fiz há pouco tempo para a trilha do Sítio do Picapau Amarelo. Esta é uma música que não está em nenhum disco meu. Saiu agora na trilha do Sítio do Picapau Amarelo pela Som Livre.
PM - Vai ter alguma inédita?
JV - Eu não pretendo mostrar ainda. Estou gravando o meu quarto disco, mas, como estou iniciando um trabalho em São Paulo, não pretendo mostrar nenhuma música inédita, até porque muitas das músicas que eu vou tocar soam ainda como novidade. Acaba ficando muita coisa para as pessoas assimilarem, mas eu pretendo colocar algumas coisas fora do roteiro do show e que tenha relação com São Paulo. Por exemplo, a balada Sensível demais, que é uma música de minha autoria e foi o último grande sucesso da dupla Christian e Ralf. É uma coisa interessante porque eu sou um autor de música popular brasileira, mas fui gravado por eles e ficou super legal a gravação.
PM - Você não costuma cantar essa música.
JV - Não. No meu show aqui no Rio não costumo cantar. Ela não faz parte do show "Leve", mas a minha carreira é muito interessante. Por exemplo, eu vou para o Nordeste e toco coisas lá que as pessoas conhecem e aqui no Rio não toca na rádio. Quer dizer, a espinha dorsal do show é a mesma, mas a gente varia um pouco de acordo com a forma como está o trabalho em cada região. Como a música Sensível demais tocou muito em São Paulo, pretendo cantá-la também.
PM - Quando você lançou o "Leve"?
JV - Meu primeiro disco foi em 94 pela Continental, "Encontro das Águas". Depois veio em 96, também pela Continental, "Tudo que é Belo". Nesses dois discos eu tive cinco músicas de novela. Só que a Continental não soube divulgar o meu início no mercado, os trabalhos que eu faço. Mas me deu oportunidade de fazer dois discos verdadeiríssimos e sou super agradecido por isso. Em 98 saí da Continental e comecei a preparar um disco independente, que é o "Leve". Gravei o disco com a minha banda. Encontrei com Djavan e tivemos a idéia de fazer uma participação especial. Ele já me conhecia e incentivava o meu trabalho. Ele gravou comigo e eu lancei o disco no início do ano 2000 de forma independente mesmo. Só que eu trabalhava muito no Nordeste. Sou carioca, mas antes de tocar no Rio eu tocava muito no Nordeste. Até lancei o CD "Leve" em Fortaleza, Recife, Teresina antes de lançar no Rio. Depois, a música Final feliz estourou aqui. Isso ainda como independente. Comecei a vender disco de forma independente no Rio, no Nordeste, no Espírito Santo e na passagem de 2000 para 2001 eu assinei com a EMI. Foi aí que comecei a entrar no mercado de São Paulo. O "Leve" foi um disco muito importante na minha carreira. Marcou a virada da minha carreira. É um disco que nasceu independente, mas eu vendi 10 mil cópias devido ao êxito do trabalho no Rio. Aí as gravadoras começaram a me sondar – Sony, Continental, Universal e, por fim, a EMI, onde acabei ficando.
PM - Como você foi parar no Nordeste com esse sucesso todo?
JV - Acho que tem várias leituras aí. Primeiro, porque estas músicas minhas de novelas já tocavam em cadeia nacional, mas elas tiveram uma penetração maior no Nordeste, talvez até porque a novela "Tropicaliente" tenha sido gravada em Fortaleza e eu acho que lá já estava tocando e eu nem sabia. Fiquei sabendo através de um fã que acabou me achando. Acabei indo para o Nordeste antes de gravar o terceiro disco. Comecei por lá fazendo show e construí um público. Antes de fazer sucesso no Rio, já tocava para 2 mil pessoas em cidades como Fortaleza e Recife. A segunda leitura é a de que talvez tenha uma influência muito grande no meu trabalho os meus ídolos da MPB, que são nordestinos, como Caetano Veloso, Gilberto Gil e Djavan. Quer dizer, tem uma empatia musical. A terceira leitura que eu faço e costumo falar para muitos amigos meus que são novos cantores e compositores é que o Nordeste, e não só, mas também o interior do Brasil, de Minas e até o de São Paulo, ainda é carente. O radialista ainda tem espaço para ouvir coisas novas e se interessar pelo que ele acredita. No Rio e em São Paulo também acontece, mas em menor escala porque são mercados que têm muita concorrência porque as grandes gravadoras estão localizadas nessas cidades. Sobra pouco espaço para o novo. Eu comecei a atuar onde as gravadoras não davam muito atenção.
PM - O seu quarto CD sai pela EMI?
JV - Exatamente. O disco "Leve" eu mesmo produzi e gravei com a minha banda de músicos da nova geração do Rio de Janeiro. Este quarto disco, que se chama "Elo", mantém o mesmo grupo de músicos, criando uma homogeneidade da minha música. Nós mantivemos esta equipe que está ganhando. Então, a gente não mexe. Estou co-produzindo o disco. A produção é do Paulo Calazans, tecladista, arranjador e compositor também. Ele trabalhou muito tempo com Gilberto Gil, Djavan, Gal Costa e agora é o segundo ou terceiro disco que ele produz. Estou muito contente de fazer essa parceria criativa com ele. Os arranjos estão nascendo muito da soma da criatividade de todos e esse está sendo um processo muito prazeroso.
"Elo" é um disco de músicas inéditas, algumas composições só minhas, outras em parceria. Por exemplo, Fênix, composta com o Flávio Venturini, que é um cara que eu sempre admirei. É a musicalidade mineira do Flávio Venturini com as minhas tendências e fica uma coisa muito interessante. Vem também com parcerias novas, como Marcelo Miranda, que é da nova geração. Tem parceria com Altay Veloso, que é um grande parceiro meu. Mas o foco são as minhas composições.
PM - Você fez um show com o Altay Veloso recentemente em Niterói.
JV - Fiz. O Altay Veloso, o Paulo Feital, grande poeta, e o Jota Maranhão são três dos meus mais constantes parceiros. São grandes referências na minha carreira desde que eu comecei a tocar e a aprender a tocar. Compor com o Flávio Venturini foi a realização de um sonho maravilhoso, mas foram duas músicas que a gente fez há dois anos, uma coisa esporádica. O Jota, o Altay e o Feital são os meus parceiros mais constantes e eu tenho uma ligação muito forte com eles. Foi a comemoração de quatro parceiros.
PM - Você também participou do disco do Beto Dourah, cantor de Brasília.
JV - Perfeito. Assim como o Marcelo Miranda, que está com o disco independente e tem duas músicas tocando muito no Recife e em outros lugares do interior do Brasil, o Beto Dourah é um ótimo compositor da nova geração que me mostrou uma música, eu me apaixonei por ela, ele já gostava do meu trabalho e fiz uma participação especial. Chama-se Celestes. Essa música toca bem em Brasília, Rio, Nordeste. Tem muita gente boa vindo independente. Inclusive esse pessoal da Trama, Jairzinho, Luciana melo, Pedro Mariano. Quando eles vêm para o Rio eu vou ao show, dou canja. A gente está sempre junto em cima do palco. E eu pretendo chamá-los para o meu show.
PM - Você estará no Teatro Crowne Plaza em janeiro também?
JV - Sim. São quatro dias, uma vez por semana. Estou muito contente porque nunca fiz a minha carreira em São Paulo. É uma área, fonograficamente falando, muito profissionalizada. Você precisa ter uma estrutura. Agora que estou tendo, fico muito motivado a começar essa minha carreira em São Paulo. Na minha página (www.jorgevercilo.com.br) eu já vejo várias mensagens de paulistas, pessoas que gostam do meu trabalho.
E um outro projeto e um sonho é me juntar com novos talentos, como Adil Tiscatti e Marcelo Miranda, do Rio, Beto Dourah, de Brasília, pessoal de São Paulo, e fazer um movimento musical em âmbito nacional. Esse é um projeto que está todo mundo a fim de fazer e é uma coisa que em breve vai aparecer.
Jorge Vercilo
15/12
9, 16, 23 e 30/1
Sempre às 21h
Teatro Crowne Plaza - Rua Frei Caneca, 1.360 - Tel (11) 289-0985
R$ 20,00