Elis, a única

Por Evanize Sydow  

    Eram 2h10 da tarde de 17 de março de 1945 quando Elis Regina Carvalho Costa chegou a este mundo. Gaúcha, filha de pai descendente de índio, começou a cantar aos 11 anos de idade, no programa Clube do Guri da Rádio Farroupilha de Porto Alegre. Ao ir embora, em 1982, aos 36 anos, era a rainha da música brasileira, o canto perfeito, vivo e singular que estava registrado em pelo menos 25 discos.

    A sua brilhante trajetória musical agora chega condensada na coleção "Sucessos Inesquecíveis de Elis Regina", que estará disponível para o público a partir do dia 14 de agosto. O braço musical de Seleções do Reader´s Digest, responsável pelo lançamento, passou três anos pesquisando o repertório de Elis para chegar aos cinco CDs que integram a caixa.

    O diretor artístico de "Sucessos Inesquecíveis de Elis Regina", Luiz Laureano, conta que 8 mil clientes de Seleções foram consultados até concluírem o repetório que agora chega ao mercado. "A coleção é um retrato do que foi a carreira de Elis. São 70 músicas com suas letras e o que tem de melhor nos mais de 20 discos dela." Laureano lembra que Elis foi uma importante figura no lançamento de outros artistas, como Belchior e João Bosco, ao mesmo tempo em que grava compositores já conhecidos, como Adoniran Barbosa.

    Os discos foram divididos em temas. O primeiro tem como título "Nasce uma Estrela" e começa com Elis interpretando Arrastão, de Edu Lobo. Na sequência vêm outras três músicas de Edu Lobo: Upa, neguinho, parceria com Gianfrancesco Guarnieri, Corrida de jangada, composta com Capinan, e Casa forte. Canto de ossanha (Baden Powell e Vinicius de Moraes), Andança (Danilo Caymmi, Edmundo Souto e Paulinho Tapajós) e Vida de bailarina (Américo Seixas e Dorival Silva) – com a qual Elis homenageou Ângela Maria, sua musa – também estão no CD. Completam as 14 faixas Reza (Edu Lobo e Ruy Guerra), Da cor do pecado (Bororó), Vera Cruz (Milton Nascimento e Márcio Borges), Zazueira (Jorge Ben), Black is beautiful (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), Vou deitar e rolar (Quaquaraquaquá), de Baden Powell e Paulo César Pinheiro, e Ladeira da preguiça, música de Gilberto Gil que ganha bela interpretação de Elis.

    "Elis, Romântica" é o título do segundo CD. Parte das canções românticas às quais Elis deu vida ao longo de sua carreira está aqui para um panorama de emoções. Começa com Me deixas louca, de Armando Manzanero e versão de Paulo Coelho. Depois vêm Preciso aprender a ser só, de Marcos e Paulo Sérgio Valle, a clássica Carinhoso, de Pixinguinha e João de Barro, É com esse que eu vou, de Pedro Caetano, e Você, parceria de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli. Músicas de Tom Jobim e Vinicius de Moraes não poderiam faltar neste CD e a produção selecionou Modinha e O que tinha de ser. Milton Nascimento, o grande amigo e compositor de Elis, também está presente com Cais, composta com Ronaldo Bastos. A interpretação é belíssima e emocionante, como, aliás, são todas as músicas de Milton na voz de Elis. Outras obras que compões o disco são Na batucada da vida (Ary Barroso e Luiz Peixoto), Boa noite, amor (José Maria de Abreu e Francisco Mattoso), canção que Elis ouvia desde muito nova, Samba do perdão (Baden Powell e Paulo césar Pinheiro), a bonita Folhas secas (Nelson Cavaquinho e Guilherme de Brito), Pra dizer adeus (Edu Lobo e Torquato Neto) e a parceria de Tom Jobim com Dolores Duran Estrada do Sol.

     Alguns dos grandes sucessos de Elis Regina estão no CD de número 3. Estão no repertório Aprendendo a jogar (Guilherme Arantes), Casa no campo (Zé Rodrix e Tavito), Fascinação, na versão de Armando Louzada para música de Marchetti e Feraudy, Madalena (Ivan Lins e Ronaldo Monteiro de Souza), Nada será como antes (Milton Nascimento e Ronaldo Bastos), O mestre-sala dos mares (João Bosco e Aldir Blanc) e Travessia (Milton Nascimento e Fernando Brant).

    "Sambas e Outras Bossas" é o título do quarto CD, que faz um passeio por composições de Roberto Menescal e Ronaldo Bôscoli (O barquinho), Adoniran Barbosa (Saudosa maloca), Baden Powell e Paulo César Pinheiro (Falei e disse), João Bosco e Aldir Blanc (Bala com bala e O rancho da goiabada), Gilberto Gil (Amor até o fim e Meio de campo), Chico Buarque (Construção), Carlos Lyra e Vinicius de Moraes (Marcha da Quarta-feira de Cinzas). Outras canções de Milton Nascimento voltam à singular voz de Elis: Morro velho, Conversando no bar (esta em parceria com Fernando Brant). Na sequência, Dinorah, Dinorah, de Ivan Lins e Vitor Martins, Aquarela do Brasil (Ary Barroso), Nega do cabelo duro (Rubens Soares e David Nasser) e Sinal fechado, de Paulinho da Viola, canção presente no show "Transversal do Tempo".

    O quinto CD tem o nome de "Elis Total" e abrange algumas das mais conhecidas canções interpretadas por Elis Regina. Estão neste grupo Alô, alô marciano (Rita Lee e Roberto de Carvalho), O bêbado e o equilibrista (João Bosco e Aldir Blanc), Como nossos pais e Velha roupa colorida (Belchior), Ponta de areia e Caxangá (Milton Nascimento e Fernando Brant), Querelas do Brasil (Maurício Tapajós e Aldir Blanc), Águas de março, de Tom Jobim, com o próprio cantando com ela, e Menino das laranjas (Théo). Elis e Milton dividem os vocais em O que foi feito Devera (de Vera), parceria dele com Fernando Brant e Márcio Borges. Depois vêm These are the songs (Esta é a canção), de Tim Maia, e o samba Aquele abraço, de Gilberto Gil. Adoniran Barbosa dá o tom e Elis segue na interpretação de Tiro ao Álvaro, de Adoniran e Oswaldo Molles.

    O encarte da coleção "Sucessos Inequecíveis de Elis Regina" conta com depoimentos emocionados de compositores que tiveram suas músicas eternizadas pela voz cristalina de Elis. Ivan Lins é o primeiro e diz que Elis poderia ter sido "ritmista, instrumentista, arranjadora, compositora, poeta, atriz, mas só quis cantar. Sintetizou tudo no seu canto". Jair Rodrigues lembra da primeira vez em que esteve com ela, no programa "Almoço com as Estrelas". Roberto Menescal conta que logo percebeu que Elis era uma revolução, "um novo movimento musical". "Elis foi (e ainda é) metade de mim", assim Milton Nascimento começa o seu depoimento, contando que todas as canções que fez foram pensando nela. 

    Uma entrevista de Elis Regina para o jornalista, produtor e diretor de TV Fernando Faro também faz parte deste lançamento. Faro conta que a primeira vez que viu Elis foi no Festival da Excelsior, com ela interpretando Arrastão.  "Elis era uma mulher emocionante e que emocionava a gente. Tudo o que ela fazia era por paixão e com paixão", escreve. "Lembro de uma cantora de Cuba, Rita Montaner, que era chamada de "a única". Rita foi a responsável por levar a música negra cubana para os teatros e isso revolucionou muita coisa. Estou falando dela porque essa questão de ser "a única" cabe bem para a Elis."

 

 

Para adquirir "Sucessos Inesquecíveis de Elis Regina" (R$ 99,80, já incluídas despesas de correio): Tel 0300 7897819 (R$ 0,27 o minuto), www.selecoes.com.br ou no Rio de Janeiro - Rua do Mercado, 17A, Centro.