Com a palavra, Zuza Homem de Mello

"Em Jo o Gilberto, o viol o metade de um conjunto sonoro completado pela voz, formando um bloco, uma entidade un voca de voz e viol o, e n o de voz com viol o"

Por Evanize Sydow e S rgio Foga a

No Brasil, poucas pessoas t m a viv ncia, o conhecimento, a t cnica e a sensibilidade musical de Zuza Homem de Mello. Personalidade mais que respeitada, ele admirado por todos os que valorizam a m sica brasileira. Projetos como os livros "A Can o no Tempo - 85 anos de M sicas Brasileiras", em dois volumes, que Zuza fez em parceria com o historiador Jairo Severiano, s o definitivos para a pesquisa e o deleite de qualquer ouvinte ou m sico. Atualmente, Zuza segue incans vel envolto em v rias atividades. Acaba de lan ar um livro da s rie Folha Explica sobre Jo o Gilberto, que se apresenta nos dias 17, 18 e 19 de agosto no Tom Brasil. A obra de Jo o o foco principal da entrevista abaixo. Para o pr ximo ano, Zuza lan a mais um livro, agora falando sobre a era dos festivais. Em setembro, o Free Jazz esquenta os palcos do Rio de Janeiro e de S o Paulo, como ocorre todos os anos, sob a programa o de Zuza. Um gentleman que nos brinda constantemente com sabedoria, trabalho e bom gosto, e que recebeu a P gina da M sica para uma agrad vel conversa em seu apartamento, em S o Paulo. Veja a entrevista que passeou por v rios assuntos a seguir.

 

PM - Zuza, voc acaba de lan ar um livro sobre o Jo o Gilberto, da s rie Folha Explica, que n o pretende ser biografia. Voc j pensou em escrever uma biografia mesmo dele?

ZHM - N o, porque eu j estou com dois trabalhos. Um trabalho o livro sobre os Festivais e o outro para o ano que vem que ainda est para fechar. Eu acho que a rea t cnica da m sica, a rea de explicar a m sica, n o para qualquer um. A pessoa precisa ter um certo conhecimento musical. Tanto que o que est escrito nesse livro (Folha Explica - Jo o Gilberto) nunca foi dito, nunca foi escrito. Eu acho muito mais til meu conhecimento para explicar a m sica e n o para explicar a vida. Para explicar a vida, um bi grafo, como o Ruy Castro, por exemplo, pode fazer.

PM - Precisa ter essa viv ncia, n o ?

ZHM - O conhecimento. Um conhecimento estritamente t cnico, nada feito mais ou menos. Se a pessoa n o tiver o conhecimento t cnico n o vai poder dizer o que foi dito a . O Luis Galv o (ex-integrante do grupo Novos Baianos, que est fazendo uma biografia sobre Jo o Gilberto) n o vai poder escrever isso porque n o tem conhecimento t cnico. Ele vai poder se valer desse conte do que est no meu livro para enriquecer o livro dele, ou acrescentar alguma coisa no livro dele, que ser sobre a vida de Jo o. O que ele faz trabalho jornal stico de algu m que escreve bem. Mas esse livro do Jo o que eu fiz feito por algu m que tem conhecimento t cnico de m sica. Isso o que diferencia esse livro de qualquer outro que j tenha sido feito sobre o trabalho do Jo o Gilberto. A n o ser o livro do Walter Garcia, "o Bim Bom", que eu cito no meu livro, que tamb m um livro t cnico. Embora eu tenha feito sobre um outro ngulo.

PM - Falando sobre seu conhecimento t cnico, gostar amos que voc contasse sobre a sua experi ncia em Nova York, na Juilliard Scholl, do seu come o l aprendendo m sica?

ZHM - Eu comecei a estudar m sica pelo caminho inverso da maioria das pessoas. Geralmente as pessoas come am a estudar m sica de crian a e v o se desenvolvendo. claro que eu tinha na minha inf ncia uma aproxima o muito grande com a m sica, tocava instrumento, gaita, piano. Mas eu nunca direcionei a minha vida m sica at um certo tempo. Inclusive eu fiz um curso de Engenharia. Cursei at o segundo ano. At ent o a minha viv ncia com a m sica era de tocar contrabaixo, piano etc. Estudar m sica n o tinha surgido ainda, mas eu j era m sico, pode-se dizer profissional, porque eu vivia daquilo, mas n o conhecia mais profundamente m sica. Ao parar o estudo de Engenharia, que foi uma decis o minha, comecei a estudar m sica. Eu tinha uns 16 ou 17 anos, que muito tarde para uma pessoa que iria, um dia, se dedicar a isso. Mas foi o que eu fiz. A partir de ent o, comecei a estudar m sica em S o Paulo. fiz v rios cursos para poder me habilitar a fazer um curso na Juilliard Scholl of Music, em Nova York. Mas, um pouco antes desse curso que iria se iniciar em agosto, que quando come a o ano letivo l , eu me inscrevi na Scholl of Jazz, num curso de ver o, como contrabaixista. Era o primeiro ano dessa escola dirigida pelo John Lewis, do Modern Jazz Quartet. E quem me chamou muito a aten o l foi o contrabaixista Ray Brown, que foi meu professor. Al m de ter aula com ele, ainda tive aulas de harmonia, orquestra o etc. Mas n o se esque a que eu j tinha me preparado um pouco aqui. Para mim, foi valios ssimo. Eu tive contato direto com pessoas como o Quincy Jones, que na poca estava l . Assistia a concertos extraordin rios. Era um contato direto, no dia a dia, com Oscar Peterson, Dizzy Gillespie, todos eles que eram tamb m professores. Ou seja, os alunos e professores viviam juntos. Quando terminou esse curso, eu fui para Nova York. Fui aceito na Juilliard e comecei a fazer um curso de musicologia, e a escolhi as mat rias que eu queria fazer. Eu estava nos Estados Unidos numa poca urea do jazz, a segunda metade dos anos 50. Tive oportunidade de assistir pessoalmente a todos os grandes, como Billie Holliday, George Lewis, de New Orleans, caras legend rios. Eu vi a orquestra do Count Basie umas 30 vezes, no Birdland, quase toda noite. Thelonius Monk e John Coltrane, uma vez por semana. Ouvindo tudo isso, enriqueceu muito o meu conhecimento jazz stico e de m sica. Porque o jazz ensina a pessoa a ouvir m sica. Dentro da rea de m sica popular, a nica rea que realmente provoca a pessoa a saber ouvir o jazz. A pessoa tem que acompanhar o improviso. O ouvinte n o pode deixar a m sica tocar e ficar fazendo outra coisa. Ela tem que ficar ouvindo para se situar em rela o ao que o cara est fazendo. Consequentemente, o jazz um est mulo muito grande para audi o de m sica. De uma certa forma mais at do que a m sica erudita, na qual voc atua mais passivamente do que no jazz. A participa o no jazz mais ativa porque voc participa da intensidade de cria o moment nea do m sico, no momento em que ele est fazendo um solo. Participa porque voc se v diante de uma cria o instant nea. V aquele objeto de arte que est sendo criado na sua frente. como acompanhar um sujeito esculpindo uma obra de arte na sua frente. diferente do que ver a obra de arte j esculpida. Esse o ponto que diferencia o jazz de todas as outras m sicas. Imagine se voc pudesse ficar vendo o Picasso pintar um quadro na sua frente? diferente a rea o de ver o quadro pintado depois. Isso muito provocante e instigante para a pessoa desenvolver o sentido de ouvir m sica.

PM - Al m do que o mesmo tema pode ser esculpido de forma diferente depois.

ZHM - Claro. Cinco minutos depois ele pode fazer um outro solo completamente diferente. Isso, junto com as aulas, me deu um grande embasamento. Sem d vida nenhuma, foi um per odo maravilhoso da minha vida. Eu s vivia para a m sica, n o fazia outra coisa. Recebia uma mesadinha do papai, que dava para eu viver, dava para pagar onde eu morava, comer e ir a alguns shows. O jazz era baratinho, cobravam cerca de U$ 0,75 para entrar no Birdland e ver um grande jazzista a noite toda. Eu gastava dinheiro em discos. Era obrigado pela Juilliard a assistir a concertos da Filarm nica de Nova York toda semana. E ainda via as outras orquestras, como as de Filad lfia, Boston, Chicago, al m de musicais da Broadway. Vi My Fair Lady e West Side History na vers o original. Foi uma poca maravilhosa.

PM - Quanto tempo voc ficou l ?

ZHM - Dois anos.

PM - Voc voltou para o Brasil em que ano?

ZHM - Eu cheguei no final de 1958, quando eu fui para a TV Record. Naquela poca eu j escrevia para a Folha. Na verdade eu j escrevia para a Folha antes de ir para l , desde 1956. Tinha uma coluna de jazz no jornal. Naquela poca ainda n o era Folha de S.Paulo. Era Folha da Manh e Folha da Noite.

PM - Mesmo de l voc acompanhava o que estava acontecendo, afinal a Bossa Nova j estava se formando?

ZHM - Estava acompanhando. Tanto que quando estavam surgindo os primeiros discos de Bossa Nova eu j tinha chegado, em 1959.

PM - E como voc se tornou amigo do Jo o Gilberto?

ZHM - Eu tive grande admira o por ele desde o primeiro contato com a sua m sica. Mas eu nunca tentei for ar a aproxima o com ele. Eu tive v rias oportunidades de conversar com ele j que eu trabalhava na TV Record e ele muitas vezes foi cantar l . Mas eu nunca fiz nenhum esfor o para a aproxima o. Na verdade, a minha aproxima o com o Jo o Gilberto se deu muito mais em Nova York, quando ele morava l em 1967. E eu fui fazer um outro livro de m sica popular e precisava de uma entrevista com ele. Acertei tudo com a Mi cha, que era amiga minha. Ent o conheci melhor o Jo o na casa deles em New Jersey. O Jo o Gilberto um ser muito especial. Voc n o precisa fazer uma introdu o para se apresentar, como as pessoas normais fazem. Ele percebe quem voc sem que voc fa a muito esfor o. Quando eu comecei a conversar com ele pela primeira vez, parecia uma conversa que j vinha sendo feita h muito tempo, tanto da parte dele como da minha. Ele j sabia quem eu era e como eu era. N o houve necessidade de iniciar uma amizade. Ela j estava iniciada h muito tempo, desde a poca em que eu ouvia a m sica do Jo o. Mas fisicamente foi a . Depois, houve outras ocasi es quando ele ainda morava nos Estados Unidos. Eu fiz v rias viagens para l e estive com ele v rias vezes. Por exemplo, no lan amento do disco "Amoroso". Nessa ocasi o, eu ia muito ao hotel onde ele ficava. J era um papo s eu e ele, fic vamos horas conversando. Claro que a ficou mais s lida nossa amizade. o que eu disse. N o adianta for ar nada com o Jo o Gilberto. Ele tem absoluto dom nio do que ele faz. Ele faz o que ele quer. Essa a diferen a dele com qualquer outro artista mundial. Nenhum outro artista no mundo tem absoluto dom nio do que faz. A Madonna, vamos supor: a gravadora que tem ger ncia sobre o trabalho da Madonna. Algu m tem alguma d vida?

PM - Como voc acha que ele consegue esse controle?

ZHM - Pela arte dele. Porque a arte dele t o superior que as pessoas aceitam porque sabem que ele est certo, em tudo. Haja vista sobre essas quest es do som que ele reclama. s lembrar do caso do Credicard Hall.

PM - Ele muito seguro do que ele faz ou do que ele ?

ZHM - Ele tem um conhecimento superior. Voc acha que os t cnicos de som podem discutir com o Jo o Gilberto? N o podem. tempo perdido. Se o Jo o fala que tem um ru do, ou seja l o que for, os caras v o ter que descobrir porque tem. E tem mesmo.

PM - o que se chama de ouvido absoluto?

ZHM - Ouvido absoluto outra coisa. Isso uma sensibilidade extremada. Ouvido absoluto o sujeito que consegue detectar uma nota independente de uma nota b sica, ou de uma refer ncia. um ouvido interno. Voc sabe qual o d ou r , sem ter uma refer ncia, por exemplo. E eu n o sei se o Jo o Gilberto tem ouvido absoluto. Pode ser que ele tenha. Mas, de qualquer forma, o Jo o uma pessoa que tem uma precis o auditiva extraordin ria. Na hist ria mundial poucas pessoas t m essa agucidade e precis o. Tanto que ele procurou o som que ele pretendia alcan ar um dia durante anos at chegar num resultado.

PM - Zuza, quer amos relembrar esse momento t o importante para voc , na verdade para um monte de gente, da primeira vez em que escutou o Jo o Gilberto. Inclusive voc tem uma frase na abertura do seu livro que diz que quando voc escutou o Jo o pela primeira vez ele te mostrou para onde ia o futuro. Gostar amos que voc explicasse exatamente o que voc quis dizer com isso.

ZHM - Naquela poca a gente j estava recebendo informa es a respeito de uma modernidade na m sica brasileira que estava se passando e que eu comento no primeiro cap tulo do livro. Naquela poca t nhamos informa es que j vinham provocando e instigando as pessoas para perceberem que estava se passando alguma coisa diferente na m sica brasileira. l gico que o Johnny Alf era completamente diferente do que havia como establishment na m sica brasileira naquela poca. Como tamb m era o caso do Dick Farney, L cio Alves e, logo depois, nas primeiras m sicas do Tom Jobim. Isso elementar. Talvez para as gera es mais novas n o seja muito f cil de entender. O establishment da m sica brasileira esse que todo mundo esta vendo por a . Existe um ou outro caso excepcional, mas n o existe um rio que come a a brotar e que vem vindo com for a.

PM - O M rio Reis j mostrava alguma coisa nesse sentido, como na maneira de cantar, por exemplo?

ZHM - O M rio Reis foi um caso de muitos anos antes, dos anos 30, e nessa poca est vamos em 1960. O M rio Reis tinha mostrado que o samba se faz por uma forma r tmica. Ele fez uma forma de cantar completamente diferente do Chico Alves, por exemplo. A divis o dele tinha sutileza, valorizando as palavras. O M rio Reis foi um dolo meu quando eu tinha 14 anos. Eu sabia todas as m sicas de cor e cantava tudo aquilo. Era fan tico por ele.

PM - E para o Jo o, o M rio Reis tamb m foi um dolo, uma inspira o?

ZHM - Para o Jo o foi o Orlando Silva. Que, ali s, foi meu dolo tamb m. Numa ocasi o eu estava na casa de um amigo meu e n s ouvimos um mesmo disco do Orlando Silva da meia-noite at as seis da manh , daqueles 78 rota es, ou seja, n o era um long play, eram duas m sicas. E cada vez a gente descobria coisas melhores. Quando eu vi o Jo o Gilberto, senti aflorar um ritmo completamente diferente de tudo que havia. Uma forma de projetar a can o, uma forma de cantar falando e um resultado extraordin rio na economia, abolindo todos os excessos, os vibratos. Porque os vibratos s o um excesso. Voc pega, por exemplo, o Chit ozinho e o Choror , que tem no vibrato um de seus pontos fortes. Tem momento em que um excesso aquele vibrato. O vibrato uma coisa for ada, que demonstra um pouco o bel canto.

PM - Voc acha que a Tet Esp ndola, quando subia muito, era um excesso ou era uma maneira dela mostrar at onde chegava sua voz?

ZHM - Acho que o que a Tet fazia era uma coisa natural. Ela n o fazia uma coisa for ada. Existe um limite que voc detecta sem ter uma raz o concreta para detectar, do que natural e do que for ado. Era provavelmente uma coisa que ela ouvia na inf ncia dela no Mato Grosso. Talvez influenciada pelos sons que haviam em volta dela. Eu acho, por exemplo, que uma cantora como a Roberta Miranda natural. Agora, h cantores e cantoras que for am, nas quais se percebe uma tentativa de fazer algo que n o natural dele. O que o Jo o Gilberto fez era uma coisa natural. O corte da nota do Jo o a economia, o extrato do perfume, n o precisa de excesso.

PM - Ele faz isso com naturalidade?

ZHM - Total naturalidade. A naturalidade um elemento indispens vel na m sica. Voc pega um artista como o Baden Powel, que faz coisas prodigiosas no viol o com a maior naturalidade. Voc sente quando um artista est se for ando a fazer alguma coisa, at pela fisionomia dele, pelo modo como ele enrijesse a musculatura, a express o facial. Voc observa um Nelson Freire tocando piano. Aquilo para ele natural, ele joga as m os sobre o piano e sai som. Outros voc j olha e parece que o cara est encarando o piano como um inimigo, parece que ele quer ganhar do instrumento. Para voc perceber essas coisas n o precisa mais do que a primeira nota.

PM - Parece ent o que a m sica sensibilidade por dentro e por fora. s vezes, sem o som d para perceber o instrumentista?

ZHM - Por isso que se pode detectar um menino prod gio. Porque ele capaz de tocar como se estivesse brincando.

PM - E no caso do canto l rico, voc consegue perceber quem faz aquilo com naturalidade ou n o?

ZHM - Eu n o tenho tanta intimidade com o canto l rico assim. Eu vou s peras, freq ento, ou o, gosto de ouvir. Mas confesso que n o tenho tanta intimidade com a pera e o canto l rico para poder exprimir uma opini o. Mas claro que d para perceber quando um cantor est cantando bem ou mal. Eu posso te falar sobre jazz, a m sica popular e sobre m sica erudita tamb m. Ali s bom lembrar que agora em agosto o Jo o Gilberto vai estar fazendo um show no Tom Brasil e aquilo vai ser uma aula. Tudo o que for neur nio levado ao sentido auditivo estar em funcionamento, estar excitado pelo som do Jo o Gilberto. E a gente aproveita aquilo integralmente, como vai ser esse espet culo agora. V o ser aulas de m sica, mas n o aulas com aquele sentido professoral, ser o aulas com prazer.

PM - E o Jo o Gilberto compositor. Reparamos que s existem composi es dele nos primeiros discos, sempre sozinho e poucas. Ele s comp s no come o da carreira ou ele ainda produz?

ZHM - Ele tem uma parceria com o Jo o Donato, que S saudade. Agora n o sei se ele est produzindo, ele n o tem mostrado.

PM - Tem uma m sica dele que se chama Jo o Marcelo . Esse um filho dele com a Astrud, e que nasceu em 1960. A Bebel Gilberto todo mundo conhece e inclusive est fazendo bastante sucesso, e o Jo o Marcelo?

ZHM - Ele mora nos Estados Unidos, parece que mexe com m sica tamb m. N o sei se t cnico de som ou coisa parecida, n o sei se instrumentista. E a Bebel est com proje o mundial. Mas voltando a falar sobre o Jo o compositor, ele comp e pouco coisas dele, mas em compensa o o que ele cria em cima das composi es dos outros d a ele a condi o quase que de parceiro. Voc pega Rosa Morena com ele, por exemplo. Hoje em dia, essa m sica tem que ser praticamente do jeito que ele canta. Ali s, isso tamb m uma coisa curiosa. Quando comparamos uma m sica antiga que ele recriou, sem conhecer a grava o original, voc acha at que ele fez uma outra m sica. E verdade. Isso uma coisa muito interessante de se fazer, porque o Jo o Gilberto canta muitas m sicas baseadas em grupos vocais da poca dele, e os grupos vocais eram muito limitados sobre conhecimento harm nico etc. O que os grupos vocais gravaram eram vers es muito simples, sem profundidade. O Jo o Gilberto injetou em cada uma das m sicas uma quantidade t o grande de novidade, de coisas novas, que transformou a m sica em 90 ou at 100%. Muitas delas s o m sicas quase banais. O Jo o Gilberto capaz de melhorar uma m sica totalmente banal, como um Parab ns a voc . Eu vi o Jo o Gilberto cantar essa m sica e fiquei impressionado. Voc descobre como essa m sica tem coisas interessantes. Ele pega uma banalidade e transforma aquilo numa coisa rica. Isso um dom extraordin rio e uma experi ncia que as pessoas v o poder ter nesses tr s dias do Tom Brasil. Porque ele vai fazer isso, com certeza. Vai aparecer alguma coisa que ele vai tirar do ba .

PM - Se n o fosse o viol o, se fosse o piano, por exemplo, como voc acha que seria o Jo o?

ZHM - Seria o piano, porque um instrumento harm nico. Ele precisa da harmonia. N o tenho d vida que seria o piano. Como o caso do Johnny Alf, onde o instrumento o piano. N o tem muito outra alternativa, na verdade. S o dois instrumentos harm nicos, ele precisa dos acordes. N o seria um instrumento mel dico, isso com certeza.

PM - Queremos saber um pouco mais sobre o processo do livro. Voc fez em dois meses?

ZHM - Dois meses e meio. Em dezembro o Nestrovsky (o editor do livro) me perguntou se eu queria fazer um livro sobre o Jo o Gilberto. E eu hesitei j que estava fazendo um livro sobre os festivais. Mas ele contra argumentou dizendo que o lan amento tinha de ser em junho. Eu achava que dava para fazer embora tenha achado, no in cio, o tempo curto. Eu comecei o livro em fevereiro e terminei em abril.

PM - S fazendo isso?

ZHM - N o, outras coisas tamb m.

PM - Voc vai muito a shows?

ZHM - J fui muito. Agora, vou praticamente s a concerto. Eu vou a uma m dia de um concerto e meio por semana. Em shows, vou pouco. Vou agora ao show do Ney Matogrosso, que muito amigo meu e eu trabalhei dando sugest es nesse ltimo disco dele (Ney Matogrosso fez shows no Credicard Hall, dias 27, 28 e 29 de julho). Tamb m vou ao do Jo o Gilberto em agosto. S o os dois shows que eu quero ver. Em outros shows dif cil. Mas eu j fui muito a shows. Eu ia em m dia tr s vezes por semana. Eu escrevia no Estad o e, desses tr s, pelo menos sobre um eu tinha que escrever. Agora dif cil eu me sentir t o excitado para ir a um show.

PM - Voc acha que n o est perdendo muita coisa?

ZHM - N o. Eu acho que alguns artistas valem a pena. Mas outros n o.

PM - Mas existe uma gera o de trinta e poucos anos, ou mesmo de outras idades, que est fazendo coisas interessantes. Quando a gente pensa no Prata da Casa, por exemplo, aquele projeto das ter as-feiras na Choperia do Sesc Pomp ia, onde aparece muita gente boa.

ZHM - Eu me interesso muito mais por shows assim do que por shows consagrados. No Pr mio Visa, por exemplo, n s vimos quatro artistas novos na final. Aquilo para mim interessa. O Yamand Costa, por exemplo. Aquele menino do viol o, de Franca, muito bom tamb m. Esse tipo de coisa nova, quando totalmente novo, isso sim me interessa. Isso me interessa ouvir, me interessa ver. Agora ir ver um show dos j consagrados, acho mais dif cil de eu me interessar. Exceto o do Jo o Gilberto, que um caso a parte.

PM - sempre diferente um show do Jo o Gilberto?

ZHM - Sempre. Tanto que desta vez eu pretendo ver pelo menos dois dos tr s dias. Acho que n s somos uma gera o privilegiada por poder ver o Jo o Gilberto. Os nossos descendentes v o ter muito ci me da gente. como eu te falar que eu vi a Billie Holiday ou o Duke Ellington Isso um privil gio. As pessoas exclamam: "Puxa, voc os viu". Futuramente, as pessoas v o dizer isso sobre a gente com respeito ao Jo o Gilberto.

PM - O Jo o faz shows regulares at .

ZHM - Claro que faz. s vezes tem essa conversa fiada de que ele dif cil e tal. Ele simplesmente quer respeito, que um direito dele. Ele tem todo o direito de ficar trancado no hotel. Na hora do show ele n o faz bem? A nica coisa que ele n o admite um show mal feito. E para isso ele precisa contar com uma parcela do trabalho de outras pessoas, do som, por exemplo.

PM - O Jo o fez um show no Festival de guas Claras, por volta de 1981, n o fez? Isso n o est na cronologia do livro.

ZHM - Aquele cronologia n o completa. Ali s o Jornal do Brasil publicou uma que pode ser combinada e que tem mais coisas. Ele fez um show em guas Claras, sim.

PM Por qu , de alguma forma, ele fazer um show num festival como aquele pode parecer inusitado, pelo menos para algumas pessoas?

ZHM - Quer ver outro exemplo. Ele fez um show aqui, num lugar que tinha aqui na Avenida 23 de Maio, que era uma caravela. Era um restaurante que foi transformado numa casa de shows. E o Jo o Gilberto uma vez fez um show l e eu vi.

PM - Era o Latitude 3001.

ZHM - Isso. Agora, o que n o pode o som n o funcionar. Como foi o caso do Credicard Hall.

PM - Voc estava l naquele dia da inaugura o?

ZHM - Gra as a Deus, n o. Sen o, eu ia ficar zangado. A plat ia era de um outro tipo de m sica. Aquilo foi uma cat strofe preparada. Uma cat strofe arquitetada. N o propositadamente. Porque quando voc resolve convidar aquelas pessoas para assistir ao Jo o Gilberto, est criando todas as condi es para uma cat strofe.

PM - Voc j assistiu a show no Credicard Hall?

ZHM - N o, a primeira vez que eu vou (no de Ney Matogrosso). Mas todas as pessoas, pessoas que eu confio, dizem que as condi es ac stica est o p ssimas, e eu acredito. Eu acredito no Edu Lobo, eu acredito no Jo o Gilberto, por exemplo.

PM - E o que voc acha da ac stica do Teatro Alfa?

ZHM - Eu gosto da ac stica do Alfa. Gosto da Sala S o Paulo, gosto do Cultura Art stica. O Teatro Municipal, dos quatro, o menos elogi vel. Voc s t m opini o a respeito?

PM - Gostamos. Eles planejaram algo especial em rela o a ac stica. A gente at foi chamado no dia em que eles fizeram um teste, um pequeno concerto para mostrar isso.

ZHM - Eu acho que hoje em dia, para o meu gosto, a Sala S o Paulo a n mero um aqui em S o Paulo. Depois, o Cultura Art stica e o Teatro Alfa tamb m s o muito bons. E o Municipal n o uma maravilha, mas bom.

PM - E no caso do Tom Brasil? Temos a impress o de que deve ser bom tamb m, afinal o Jo o Gilberto tem vindo se apresentar sempre l .

ZHM bom. Em primeiro lugar voc tem que ver a conforma o da sala. A sala do Tom Brasil mais ou menos um ret ngulo, quase um ret ngulo. Quando voc tem um ret ngulo e voc tiver um palco do lado maior do ret ngulo, voc j botou a cara para bater, que o caso do Palace. N o pode colocar o palco no lado maior do ret ngulo, porque o som vai rebater e vai voltar e as laterais v o ficar prejudicadas e desprovidas. A n o ser que voc coloque alto-falantes nas laterais. S que, a , o que fica prejudicado o centro. o caso do Palace. Em determinados lugares voc ouve muito bem o que vem pelos alto-falantes, mas o que vem do pr prio palco voc n o ouve. Como o Memorial da Am rica Latina tamb m. P ssimo. O Sinfonic Hall, de Boston, um ret ngulo comprido e o palco est l no fundo. Voc ouve perfeitamente. s vezes, voc n o fica pr ximo, mas ouve. Isso elementar.

PM - O que acontece na hora de construir uma casa de espet culos e de chamar uma pessoa que saiba melhor opinar sobre essa quest o?

ZHM - O ltimo que d opini o o cara da ac stica. o ltimo que chamado. Primeiro chama o decorador, e tudo, depois o cara da ac stica.

PM - Zuza, gostar amos de voltar a falar dos seus projetos. Voc est fazendo o livro dos Festivais. J tem mais ou menos a previs o de quando ele deve ser lan ado?

ZHM - A inten o lan ar no ano que vem.

PM - E o outro projeto que "A M sica Popular Brasileira Cantada e Contada por..."?

ZHM - Esse projeto foi levado para editoras e nenhuma delas se interessou em relan ar o livro.

PM - Esse projeto foi at quando?

ZHM - O livro esgotou rapidamente. Ele foi lan ado em 1976 e nunca foi feito uma segunda edi o. Por isso que quando ele se esgotou, se tornou um livro dif cil de se encontrar.

PM - E o "A Can o no Tempo", que voc fez com o Jairo Severiano?

ZHM "A Can o no Tempo" est na quarta edi o do volume 1 e na terceira do volume 2. Eu acredito que ainda este ano fa am mais uma edi o. Ele continua vendendo. um livro de venda permanente.

PM - Voc s pretendem fazer uma edi o incluindo mais tempo, j que vai at 1985?

ZHM - N s n o temos a inten o de, por hora, complementar o s culo.

PM - Voc acha que precisa de uma dist ncia maior para fazer um terceiro volume?

ZHM - isso mesmo. Precisa ter um tempo para voc entender o que se passou.

PM - Mas voc acha que em 15 anos...?

ZHM - N o tem muito n o. Vai ficar um contraste muito grande.

PM - E se fizesse o segundo volume at 1995, vamos supor?

ZHM - Em primeiro lugar voc tem que se lembrar que n s come amos o livro em 1986. Por isso, se a gente terminasse o livro naquele ano, teria que terminar em 1985 mesmo. S que o livro levou 12 anos para ser feito.

PM - Foi um projeto grande, n o?

ZHM - um projeto que permitiu v rios outros projetos e espet culos que foram baseados nele. E poucos foram os que citaram a fonte. O disco da N Ozzetti um dos que cita a fonte e eu acho que muito importante, porque a pessoa se vale daquilo. Acho que n o custa nada. N o precisa falar o nome do autor, basta dizer o t tulo do livro. Aquele programa da TV Globo, "A TV do S culo" mamou, bebeu, chupou do livro e n o deu uma palavra a respeito. Um mo a da TV Globo me ligou dizendo: "Olha, n s estamos aqui usando seu livro e queremos saber qual a porcentagem de direito autoral para poder fazer". Eu falei que n o tinha direito autoral nenhum, porque quando eles compraram o livro eu j recebi os 10%. Mas eles colocaram a fonte? Nada.

PM - Esse livro pode gerar belos trabalhos.

ZHM - A id ia essa, que incentivar para que aconte am outras coisas. Fazer cole es, discos etc. O livro do Nelson Motta, "Noites Tropicais", por exemplo. Ele nunca escondeu que o nosso livro foi uma refer ncia importante para ele.

PM - Em qual fase voc est desse livro da Era dos Festivais?

ZHM - Eu estou pegando um pouco de cada coisa. Pego um pouco de cada ano, um pouco de cada festival. J tenho muito material gravado, entrevistas. Muito material xerocado, de jornal etc, e j tenho uma parte escrita. N o sigo uma seq ncia, cada cap tulo estanque, ele se fecha dentro do pr prio festival. Cada cap tulo vai ser um dos festivais.

PM - Voc vai colocar esse festival da Globo tamb m?

ZHM - N o. O livro p ra em 1972. Por isso ele se chama "A Era dos Festivais". Ap s esse ano de 1972, a era terminou. Houve outros festivais, mas a era j tinha terminado. Esse da Globo eu senti que era uma arma o tentando mostrar uma coisa que n o era o que a gente via. Eram umas mo as fazendo entrevistas na plat ia sobre a opini o do que as pessoas tinham visto E o que eles tinham visto era t o diferente do que todos n s t nhamos visto... Tentando mostrar que era uma coisa maravilhosa, quando n o era. Esse contraste foi t o chocante que me fez lembrar aquelas locu es de futebol no in cio, quando os locutores de r dio foram para a televis o e fantasiavam, sendo que o que voc via na televis o era diferente. Foi isso que eu vi no Festival. Uma fantasia sobre tr s m sicas indecentes que chegaram aos primeiros lugares. Simplesmente indecentes. Qual a m sica que ganhou o festival? Voc s se lembram? Sabem o nome dela?

PM - Tudo Bem Meu Bem.

ZHM - Ent o voc s est o de parab ns.

PM - N o vale ter a gente como refer ncia, n s escrevemos sobre o festival.

ZHM - Voc n o pode ter num festival, como parte do j ri, o diretor da gravadora da TV Globo. um absurdo isso, um disparate. O sujeito tinha que ser convidado e dizer que n o poderia participar disso, porque era diretor da gravadora da TV Globo. Ele tinha que ser honesto e fazer isso.

PM - Curioso que entre os jurados estavam pessoas que prezam a m sica brasileira, como o Fernando Faro, por exemplo, que tem um trabalho importante.

ZHM - N o se esque a que existe uma vaidade que tem que ser levada em conta e qual todo o ser humano est sujeito. Pode ter certeza que foi a vaidade que levou o Fernando Faro a participar desse festival. Todo o homem tem um pouco de vaidade. Mas foi uma p gina absolutamente sem nenhum valor na biografia do Fernando Faro. Ou n o? O que vale isso para ele? Ter sido j ri daquela coisa que o Brasil inteiro ficou espantado de ver a ruindade? Ou houve algu m que falou que gostou do festival? Eu nunca vi algu m falar que gostou, nem o que ganhou. O grande problema a frustra o dos que se inscreveram pensando que podia ser uma coisa que poderia projet -los. Acho que n o merece perder tempo mais com isso. E outra coisa que ficou evidente que o pessoal da Rede Globo n o sabe fazer festival. bom destacar que o Solano Ribeiro n o da TV Globo. Ele foi contratado pela Rede Globo. Mas o pessoal da TV n o sabe fazer festival, como tamb m n o soube fazer "A M sica do S culo".

PM - E o Free Jazz?

ZHM - Ele ser lan ado oficialmente agora em agosto e a programa o est quase pronta, falta alguns pontos. Mas a parte de jazz e a parte pop est o praticamente conclu das. Em agosto a Souza Cruz promove um coquetel com a imprensa, no Rio ou em S o Paulo. A ltima vez foi em S o Paulo. Eu acho que temos um elenco muito bom este ano. A gente est bastante confiante.

PM - Relacionando com o festival do ano passado, quais foram as mudan as?

ZHM - Este ano existem algumas mudan as para melhor com rela o aos palcos. Essas mudan as v o facilitar. Todo o ano a gente corrige alguns erros e, esse ano, vai ser em rela o aos palcos. Mas basicamente vai acontecer nos mesmos lugares, ou seja, no MAM, no Rio de Janeiro, e aqui em S o Paulo, no Jockey Club.

PM Em termos de n mero de atra es e dias, ser mais ou menos a mesma coisa?

ZHM - Ser o os mesmos tr s dias no Rio e S o Paulo. Mas, no final da hist ria, acho que o festival vai ter mais gente, em termos de artista, por causa dessas mudan as do palco. Vai ter uma programa o mais extensa. Ser uma paulada para ag entar os tr s dias, vai ter m sica sem parar.

PM - Lemos um texto seu sobre a Rita Ribeiro e voc comentava a respeito da produ o musical no Maranh o. Citava ela, o Zeca Baleiro e mais algumas pessoas. Voc acha que no Brasil de hoje tem algum estado que est se destacando mais nessa produ o?

ZHM - Os talentos n o t m lugar pr -determinado para nascer. O Jo o Donato nasceu no Acre. De forma que, em princ pio, amanh pode vir um cara de Santa Catarina fazendo um som maravilhoso, mas os estados do nordeste brasileiro s o os que produzem maior quantidade de talentos, proporcionalmente. Principalmente, Pernambuco e Para ba. S o os dois estados que t m algum motivo, que eu n o sei exatamente qual , e que produzem talentos. Ainda agora nesse festival de Avar , eu vi um paraibano chamado Linhares. Jo o Linhares. Evidentemente trata-se de um talento. Este um cara destinado a fazer carreira com preparo musical. Ele conhece t cnica, estudou viol o cl ssico, sabe tocar o viol o. Faz composi es interessantes, tem suingue, letras interessantes. Eu acho que o jovem Linhares um candidato a se tornar um grande nome na m sica brasileira nos pr ximos anos. N o do Maranh o, da Para ba. Portanto, a gente n o pode pr -determinar que vai ser daqui ou dali. Agora, esses do Maranh o s o muito bons. Talvez o fato de um certo isolamento. Esse isolamento, curioso, mas uma coisa que em princ pio parece negativo e depois se revela positivo. E o caso mais evidente, nos ltimos anos, o de Cuba. Voc tem uma proposta musical que descoberta de uns caras que nem m sica mais estavam fazendo e depois tomam conta do mundo inteiro. Um dos estados que t m um dinamismo musical, pelo menos tinha, n o sei se ainda tem, o de Goi s. A cidade de Goi nia tem um grande dinamismo musical, uma grande efervesc ncia musical, e isso eu acho importante acontecer. Vejo que isso tem acontecido em lugares fora do eixo Rio-S o Paulo. Cidades do interior dos estados. Claro que depois o cara tenciona vir para a capital, mas isso tem acontecido. Veja o caso do Yamand Costa. Enfim, quando o cara fica isolado ele cresce.

PM - Parece que quando o cara j est num grande centro ele absorve tanta coisa que tem pouco tempo para conhecer a si pr prio ou a um contato maior com alguma identidade pr pria?

ZHM - Sem d vida alguma. N o tenho a menor d vida. A uma natural propens o para a reflex o quando o cara est mais isolado. E a reflex o traz essa maturidade. O que eu vejo que a m dia est destruindo, esmagando, triturando em pouco tempo as promessas. Tratando as promessas como coisa consagrada, e isso terr vel. Porque promessa promessa, n o coisa consagrada. A maturidade adquirida ao longo do tempo. Voc veja o que est acontecendo no futebol. O sujeito faz uma partida boa, vem um diretor de um time da It lia e contrata. Mas o cara um boboca, ele fez uma partida boa e mais nada. Isso n o nada. Quer dizer, ele era uma promessa, triturou o cara e ele desaparece. A ansiedade de suprir os ve culos de comunica o com novidades t o grande que qualquer coisinha pode ser tratada como um fato extraordin rio. E n o . Voc v isso com as top models, por exemplo. Em todos os setores voc v que est acontecendo isso. Ou seja, as pessoas est o sendo levadas para um foco muito iluminado bem antes do que deveria ser. por isso que geralmente quem n o tem estrutura se frustra. Antigamente, digo, l pelos anos 60, levava tempo para o sujeito ficar na primeiro p gina de uma revista. Mesmo um grande m sico. Hoje em dia, n o. Voc v meninos e meninas que mal sabem falar, com proje o.

 

Zuza Homem de Mello estar autografando o livro "Feliz Anivers rio, Jo o" no pr ximo dia 17 de agosto, no Tom Brasil

Jo o Gilberto canta nos dias 17, 18 e 19, s 22h

Tom Brasil - Rua das Olimp adas, 66, Vila Ol mpia