A nobreza do samba
Por Sérgio Fogaça
Durante uma temporada de três meses estará em cartaz no Rio de Janeiro o espetáculo "O Samba É Minha Nobreza", dirigido por Hermínio Bello de Carvalho. É uma reedição do famoso show "Rosa de Ouro", que teve o mesmo diretor em 1965, quando foi revelada para o grande público Clementina de Jesus. A apresentação atual traz sambistas veteranos e novos talentos
O samba não agoniza e nem morre. Muito pelo contrário. Cada vez mais aumentam as rodas de samba, os bares e gente nova se interessando por esse gênero musical brasileiríssimo. Durante os próximos três meses o incansável baluarte de importantes projetos da música brasileira Hermínio Bello de Carvalho coloca no ar uma reedição do espetáculo que revelou Clementina de Jesus, em 1965. Se alguns quiserem ver como uma espécie de homenagem a ela, podem ir em frente, já que este ano Clementina completaria 100 anos de idade. A estréia será no dia 4 de abril, no Cine Odeon, no Rio de Janeiro
A principal idéia de Hermínio Bello para o espetáculo "O Samba É Minha Nobreza" é mostrar músicas quase inéditas para o público jovem. Músicas que foram nunca ou pouco regravadas. O show começa com um texto de quatro minutos que ele escreveu e depois gravou com Maria Bethânia. Esse texto contém uma breve história do samba. Depois o espetáculo é dividido em blocos temáticos que falam de humor, carestia, machismo, amor frustrado, entre outros assuntos comuns às letras de samba.
Ainda entre um e outro bloco entram depoimentos sobre o samba feito por personalidades diretamente ligadas ao samba e também de admiradores do gênero. Músicos como Paulinho da Viola, Dona Ivone Lara, Elton Medeiros, Zeca Pagodinho, Ed Motta, Gabriel O Pensador e Frejat, grande admirador de Cartola.
O espetáculo estréia junto com o lançamento de um CD de mesmo nome, gravado em janeiro deste ano, que conta com as participações de Robertinho Silva, a cantora e pesquisadora Cristina Buarque, o violonista e arranjador Paulão 7 Cordas e, pelo menos, mais dez novos talentos. Essa gente nova, na verdade, são bem conhecidos de quem freqüenta os bares da Lapa no Rio. São eles: Pedro Miranda, pandeiro e voz, Pedro Paulo Malta, voz, Mariana Bernardes, voz e cavaquinho, Pedro Aragão, bandolim, banjo e cavaquinho, Marcelo Bernardes, sax e flauta, Bernardo Dantas, violão, Roberto Marques, trombone, Marcos Esguleba e Trambique, percussão.
Depois de um extenso trabalho de pesquisa para montar o espetáculo, Hermínio também fez apostilas para sessões especiais voltada às escolas públicas. Os primeiros que terão o privilégio de assistir ao espetáculo são os alunos da escola que Zeca Pagodinho mantém em Xerém. Essa foi uma maneira que Hermínio pensou para homenagear o gesto nobre do sambista cidadão.
O espetáculo Rosa de Ouro
No auge da bossa nova e começo da efervescência musical dos festivais, que também passaria pela tropicália, Hermínio Bello de Carvalho monta um espetáculo que foi um marco na história do samba brasileiro. O ano era 1965 e o espetáculo trazia nomes fundamentais como os novatos Paulinho da Viola e Elton Medeiros, além de Nelson Sargento, Jair do Cavaquinho e Nescarzinho do Salgueiro. Também trazia duas cantoras importantes: Araci Cortes, que foi bastante reverenciada nas décadas de 20 e 30, mas na época andava um pouco esquecida pelo público, e Clementina de Jesus, que estreava como cantora no ano em que completava 63 anos de idade. Na época, os depoimentos presentes no espetáculo foram de nomes como Pixinguinha, Cartola, Donga, Sérgio Porto e Almirante.
O Samba é Minha Nobreza
Estréia: 4 de abril
Cine Odeon BR - Praça Mahatma Gandhi, 2 - CinelândiaTel. (21) 2262-5089
Ingressos a confirmar