Antonio Vieira - "O Samba Bom"

Descoberto a tempo, em vida, mais um g nio da m sica brasileira. Antonio Vieira mais um desses mestres escondidos por uma sociedade que teima em s reconhecer o que aparece nas TVs, sem olhar para os lados, ali pertinho mesmo. Pelo menos quem mora em S o Lu s, no Maranh o, teve a chance de ter reconhecido essa grande personalidade que veio luz pelas m os da cantora e tamb m maranhense Rita Ribeiro, quando ela gravou em seu primeiro disco duas composi es de Vieira, incluindo a j cl ssica Cocada. O nome do compositor foi inspirado no Padre Antonio Vieira, o que parece ter ajudado em sua "prega o", s que do samba desta vez. O CD "O Samba Bom" pode ser considerado mais um marco na hist ria das eternas descobertas dentro da m sica brasileira. Foi gravado ao vivo nos dias 19 e 20 de janeiro de 2001, no Teatro Arthur Azevedo, em S o Lu s, com a participa o especial de grandes nomes, incluindo Rita Ribeiro e Zeca Baleiro, tamb m maranhense que idealizou e produziu este projeto. O CD, de 18 faixas, come a com a m sica O samba bom, s de Vieira. Ali s, todas as autorias s o dele, com algumas parcerias que ser o citadas. Segue com Mulata bonita, primeira m sica composta por Vieira, aos 16 anos hoje ele est com 82 anos. A terceira Cocada. Uma chance de saber como a sua interpreta o para a m sica que Rita Ribeiro imortalizou. Depois vem Ci me, feita em parceria com Chamin , lindamente interpretada pela cantora C lia Maria. A quinta faixa a singela Papagaio de papel, feita com Pedro Giusti. A sexta Mocambo, seguida da bela Para que recordar, com participa o especial e emocionada de Rita Ribeiro. Um bolero muito bem acompanhado musicalmente. Ali s, "louvado seja", o CD indica ao lado de cada can o qual o seu g nero. H bito saud vel e saudoso para a boa informa o musical. Isso foi mais comum na poca dos LPs dos anos 50. A participa o de Rita continua na pr xima can o. Tem quem queira, um maxixe, tamb m foi gravada pela cantora em seu primeiro trabalho. A nona Poema para o azul, com participa o do violonista Sinh (Jo o Pedro Borges). Banho cheiroso, a pr xima can o, tamb m foi gravada por Rita Ribeiro, s que em seu segundo CD, "P rolas aos Povos". Depois vem o bai o Balaio de Guarim , com parceria de Lopes Bog a. A participa o oportuna nessa m sica de Sivuca, no acordeon. O instrumentista tamb m participa na pr xima can o, Ma arico, s que desta vez tocando inspiradamente um piano. A d cima terceira Martim-pescador, seguida do samba Na cabecinha da Dora, em parceria com Pedro Giusti, contando com a participa o da grande dama da voz e da interpreta o, Elza Soares. Ela tamb m participa da pr xima, Cacha a apanhou, feita em parceria com Lopes Bog a. A d cima sexta Ingredientes do samba, seguida de Encerramento. Para terminar, o CD e show trazem a participa o do diretor-geral do projeto, Zeca Baleiro. A m sica Menino travesso, de Vieira e Pedro Giusti. O curioso que o protagonista da m sica chama-se... Zeca. O disco termina com uma divertida vinheta com o clima do show, por meio de sons e vozes justapostas. Isso uma amostra, um belo registro. Antonio Vieira tem cerca de 300 composi es no ba . ouro. Esperamos que os piratas n o se apossem. Lan amento Elo Music - www.elomusic.com.br  - Distribui o Sony Music - www.sonymusic.com.br  (Por S rgio Foga a)

 

A Quatro Vozes - "Felicidade Guerreira"

O CD "Felicidade Guerreira" o primeiro trabalho registrado em disco pelo quarteto vocal feminino formado em 1994. Temperado com baladas, lamentos, calangos, bossa e samba, o trabalho das meninas tem um forte apelo a m sicas da cultura negra. Tanto na instrumenta o como na escolha do repert rio. O grupo j participou de eventos importantes, como o 17 Festival do Fogo, realizado anualmente em Santiago de Cuba. Na ocasi o, em 1997, a homenagem da mostra foi dedicada ao Brasil. No ano seguinte, o quarteto fez uma apresenta o especial com a bateria do Olodum, no Pelourinho, em Salvador. O CD abre com Cantiga do caminho, de dom nio p blico e com uma cita o de Retirantes, de Dorival Caymmi. Um berimbau chama a pr xima can o: Zumbi, a felicidade guerreira, de Gilberto Gil. A cita o, desta vez, fica por conta de Chica da Silva, de Jorge Benjor. Emocionante escutar esse conjunto de can es nas vozes delas. Segue com Turmalina, de Maria Anuncia o Rosa da Silva, com expressiva instrumenta o acompanhando as vozes. A quarta can o B ia fria, de Doralice Otaviano, uma das integrantes. A m sica incidental aqui Funeral de um lavrador, de Chico Buarque. Depois vem uma tremenda bossa de Vin cius de Moraes e Wimer Botura Jr. A m sica L vai Candinho. A sexta can o Visagem, de Ney Couteiro e Ekton Silva. Uma toada sobre cren as e lendas. Segue com Ruas de bar o, de Juarez Otaviano, com as garotas cantando a capela, s estalando os dedos e com sutis sons incidentais de ru dos da cidade. Belo arranjo vocal de Ozias Stafuzza. Tamb m outro grande arranjo, desta vez feito pelo pr prio grupo, est em Yolanda, de Pablo Milan s, com vers o de Chico Buarque, a pr xima m sica. A nona can o X meu sabi , de dom nio p blico, com adapta o de Th o de Barros. Uma moda de viola bem marcada pela viola vigorosa de Br ulio Mendon a. Depois vem, de Ozias Stafuzza, primavera, seguida de Terra de Andara , de Jurema Otaviano, outra integrante do grupo. O CD fecha com Isso Brasil, de Mario Rocha, Renato Correia e Paulo S rgio Vale. Uma exalta o ao Pa s feita com alegria e t cnica pelo grupo. Lan amento Independente. E-mail - aquatrovozes@originet.com.br  (Por S rgio Foga a)

 

Bico-de-Pena - "Entre Linhas"

Era uma vez um violoncelo e uma flauta. Um belo dia eles resolveram se casar. E a cerim nia n o ficaria completa sem um... padre. Isso de fato aconteceu e este CD a pr pria celebra o. O cello Angelique Camargo e a flauta Renato Camargo, um casal de verdade, com forma o erudita e anseios de produzir m sica popular com seus instrumentos. O papel de padre aqui foi realizado pelo produtor e m sico vers til Maur cio Pereira, que uniu a id ia toda. O di logo e a empatia criada nessas 14 faixas s poderia ter dado t o certo mesmo com tanta afinidade, tanto do casal como tamb m da sinergia criada entre produ o, est dio e artistas. No repert rio, cl ssicos mais que populares: m sicas de classe e genialidade. O CD abre com a sempre divertida Conversa de botequim, de Vadico e Noel Rosa, como jamais foi tocada. A t cnica erudita dos instrumentistas d um molho mais que especial obra de Noel e Vadico. Segue com Eu te amo, de Tom Jobim e Chico Buarque. impressionante como a m sica passa a sugerir entre linhas com a execu o dos dois. A terceira faixa Zinha, de Pattapio Silva, compositor meio esquecido pelos instrumentistas em geral. Aqui eles tiram o atraso, porque a pr xima tamb m do mesmo compositor. A j mais conhecida Primeiro amor. Depois vem a bela Valsa brasileira, de Edu Lobo e Chico Buarque. Mais um momento muito especial do CD, de grande inspira o. A sexta Karat , de Egberto Gismonti. Na pureza de imagem, eles optaram at por deixar a palavra "gravando" do diretor de est dio. E, por falar nisso, no encarte inclusive avisado que "o disco foi gravado a partir da performance ao vivo dos m sicos na sala de grava o, sem overdubs, colagens ou qualquer tipo de edi o digital". Tudo com inten o de preservar ao m ximo o calor e a espontaneidade das interpreta es do Bico-de-Pena. Ainda, segundo o encarte. A s tima uma declara o expl cita com a m sica Angelique, que Renato fez para a sua mulher. Depois vem Chorinho pr ele, de Hermeto Pascoal, seguida de Naquele tempo, de Pixinguinha, dois belos choros para enriquecer ainda mais o valente repert rio. Ainda no g nero, o CD segue com O v o da mosca, de Jacob do Bandolim, mostrando grande habilidade dos instrumentistas. A d cima primeira o cl ssico popular de Tom Jobim Luiza, que leva uma interpreta o solo, no cello, de Angelique. Segue com Chorinho para Renato Camargo, de Yves Pignot. Na pen ltima vem mais Egberto Gismonti, com a m sica Frevo. Mais um show criativo e virtuoso na interpreta o. Fiquemos imaginando como deve ser assisti-los tocando ao vivo. O CD termina autoral com Matizes, de Renato Camargo. De um bom gosto excepcional. Lan amento Independente. E-mail - bicopena@dialdata.com.br  (Por S rgio Foga a)

 

Paulo C sar Feital e Jorge Simas - "Carta ao Rei"

Nada como um bom samba engajado, seja na alegria ou na pol tica. No caso do CD "Carta ao Rei", como j sugere o t tulo, temos as duas formas. A dupla formada pelo letrista Paulo C sar Feital e o m sico Jorge Simas, um dos fundadores do grupo N em Pingo D gua, estr ia com um CD que n o usa s o samba para dar o seu recado. Al m de letras bem constru das, tamb m importante lembrar que Jorge Simas um dos mais conhecidos sete cordas do Pa s. Sua liga o com o samba profunda. Recentemente assinou a dire o musical do ltimo trabalho de Dona Ivone Lara, "Nasci pra Sonhar e Cantar". O CD "Carta ao Rei" traz grandes participa es especiais. E lembrem-se, isso sempre quer dizer que quem participa comunga com os artistas em quest o. No CD, esse respaldo para a dupla vem de Chico Buarque, Leny Andrade, Paulo Moura, Selma Reis, Carlinhos Vergueiro, Cris Delanno e Rildo Hora. E Chico Buarque que abre magistralmente o CD. A m sica Labareda. Para completar, uma homenagem a Jo o Nogueira. A composi o da dupla. Tamb m essa m sica conta com a participa o de Carlinhos Vergueiro. Depois vem Muito bom, da dupla, com participa o de Cris Delanno, al m deles dois, nos vocais. Uma bela exalta o consciente ao Brasil. Na verdade, assim como em quase todo o CD. A terceira m sica, Carlos Poeta, da dupla em parceria com Clarisse, tem Paulo Moura na clarineta e uma homenagem a Carlos Cacha a. Um dos momentos nost lgicos do CD No tempo do patropi, de Jorge Simas, com ele interpretando. A m sica traz momentos assim: "e aquele disco da Nara / o chope no Zeppelim / censura mostrando a cara / e as gafes do Ibrahim". A quinta can o do bob , tamb m da dupla, seguida do denso e inspirado tango Cabar tropical, interpretado por Selma Reis. Depois vem um recado direto para FHC. Carta ao rei um samba-enredo da dupla, tamb m em parceria com Clarisse, onde h trechos como "eu ouvi dizer, e acreditei / j n o s o mestre-sala que se viu". Segue com Mais feliz, de Elton Medeiros, Carlinhos Vergueiro e Paulo C sar Feital, sugerindo mais nostalgia de tempos bons e mais rom nticos. N o deixa tamb m de ser uma homenagem m sica brasileira, citando nomes como os de Eliseth Cardoso, Tom Jobim e Elis Regina, entre outros. As homenagens continuam. A pr xima tamb m muito comovente. Desta vez para Rosinha de Valen a, que h anos vive inconsciente numa cama. Primeiro, em forma de Texto: luz valenciana, de Paulo C sar Feital, dita por ele mesmo. E depois, ainda na mesma faixa, a can o Valsa pr Rosinha, da dupla, interpretada por Cris Delanno. A d cima m sica Absolvi o, seguida de Choro animal, ambas da dupla. Depois vem Cinco contra um, onde os autores tiveram a coragem de fazer uma m sica bem humorada sobre o "atraso". A d cima terceira Y Y de Marechal, que tira um sarro merecido dos torturadores da poca da repress o no Pa s. Citam mesmo o nome do delegado Fleury, b h! Segue com L bios de Deus, com participa es especiais de Leny Andrade cantando e Rildo Hora na gaita. Depois, Santo Ant nio do Categer , uma bela ora o. O CD fecha com o samba O Clero, interpretado pelo coro dos amigos. Magistral! Lan amento independente. O CD pode ser adquirido pelo do site www.samba-choro.com.br  ou pelo e-mail: dunadosanjos@domain.com.br  (Por S rgio Foga a)

 

Terno de Damas - "Terno de Damas"

O CD do Terno de Damas um belo passeio pela m sica brasileira. Seja na interpreta o vocal, arranjos, produ o, dire o musical ou na sens vel escolha do repert rio, que consegue manter uma certa unidade mesmo que inclua compositores de pocas diferentes. Dos mais contempor neos como Andr Abujamra e Zeca Baleiro, passando por Itamar Assun o, Chico Buarque, Jo o Donato e Caetano Veloso at Ary Barroso. Tudo com a tranq ilidade de quem sabe o que quer: m sica feita com respeito e carinho. O CD come a com uma dupla de compositores campe . Dante Ozzetti vencedor do pr mio Visa, vers o compositores, e Luiz Tatit respons vel por grande parte das mais criativas composi es das ltimas duas d cadas. A m sica composta por ambos Cr pula. Segue com um cl ssico do cancioneiro brasileiro: Vendedor de caranguejo, de Gordurinha. O charme fica por conta da conversa que a guitarra de M rio Manga trava com as vozes do Terno. A divis o vocal de A r , de Jo o Donato e Caetano Veloso, a terceira faixa, se encaixou muito bem na interpreta o do grupo. Depois vem Camisa amarela, de Ary Barroso, com voz solo de Heloisa Ara jo, que imprime uma certa brejeirice oportuna para a can o. Um salto no tempo para outra dessas m sicas que marcam poca. Depois de Ary Barroso, grupo Rumo. Para quem n o conhece, o conjunto hist ria, principalmente em S o Paulo. Revelou expoentes importantes da m sica, como N Ozzetti e Luiz Tatit. Com bastante academicismo e fluidez musical, reinventaram o modo de compor, executar e interpretar a can o brasileira, desde meados dos anos 70. A m sica escolhida por elas foi Ladeira da mem ria, de Zecarlos Ribeiro. Mostrando versatilidade, o grupo vocal tamb m cantou em outra l ngua interpretando a deliciosa One more kiss, dear, de Skelling e Vangelis. A pr xima can o O que tinha de ser, de Tom Jobim e Vin cius de Moraes, com uma emocionada interpreta o solo de Fernanda Brazzach. Segue com a l rica A ostra e o vento, de Chico Buarque. A nona can o Comendo uva na chuva, de Andr Abujamra. Al m de divertida, tamb m mais uma oportunidade para o grupo mostrar sua criatividade vocal. Segue com Sonho paulista, de Dan Nakagawa, onde a voz solo de Celina Gusm o constr i um belo casamento com a can o. Depois vem Boi de haxixe, de Zeca Baleiro, onde cada uma delas se sobressai solando alternadamente. A m sica puro astral. O CD fecha com um verdadeiro manifesto feminino. A m sica Devagar comigo, de Itamar Assump o. O arranjo moderno comunga com o compositor e a versatilidade das meninas. Um show de tr s vozes e concep o. Dire o musical do maestro Adilson Rodrigues e produ o do experiente M rio Manga. Lan amento Independente. E-mail - ternodedamas@uol.com.br  (Por S rgio Foga a)