Onde a MPB acontece


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Pra cima, pro c u  

Por S rgio Foga a
  

Foto: Jo o Felippe

Parece que toda m sica que Ceumar produz vai pra cima, pro c u. Como todas aquelas montanhas de Minas Gerais que apontam pra cima, de onde ela vem. Nasceu em Itanhand , bem no sul de Minas, quase S o Paulo. mesmo uma mistura de interior de S o Paulo e Minas, que o interiorz o do Brasil. Da mo a prendada que pinta e borda. E piano tamb m. Toda fam lia, pelo menos classe m dia, tinha ou tem um em casa. Mas piano n o "anda" por a . E Ceumar queria andar. E foi, com viol o na m o. Passou pela capital mineira. Abriu horizontes. Foi uma bela escolha pra come ar expandir suas notas musicais. De l , volta pra terra natal. Depois fica um tempo em Itajub , tamb m Minas. Respira fundo e vai pro come o... do Brasil. Salvador, mo a grande, uns 24 anos, com viol o e namorado em punho. Mais um tempo por l e... Itanhand , sempre. Mais uma boa respirada, e vai para S o Paulo. Bem mineira, veio chegando devagar, aos poucos, e pelas m os de amigos. Chegando, chegando, chegou! L por 1996 e 1997, na r dio Musical FM, estourou com Dindinha, m sica de Zeca Baleiro. Estourou assim, daquele jeito poss vel, entre os interessados que compunham o p blico da Musical. Lan ou o primeiro CD em 2000, com o t tulo "Dindinha". Disputado at hoje. Neste ano de 2003, lan ou um trabalho que um mel. Suave, doce, cheio de prote na musical. Trabalho cuidadoso, logo se v , ali, na 1 faixa. Sua sensibilidade, talento, estrela, sei l , faz ela se aproximar de gente tamb m sens vel, grande, astuta, como ela. Est o l , pelo CD, gente como Kl ber Albuquerque, Tata Fernandes, Gero Camilo, Carlos Zimbher. M sicos, do mesmo tamanho, grandes, de primeira. Gigante Brasil, Swami Jr., Webster Santos, Lelena Anhaia, tantos mais. Uma do ura. Essa menina mo a, personal ssima, , ao mesmo tempo, voz, composi o, harmonia e viol o. Sabe tudo. Arranjo, anjo da can o. Com voc s, mais um tanto de Ceumar.

 

P gina da M sica Onde voc nasceu?

Ceumar Em Itanhand , no sul de Minas Gerais. Na verdade, bem pr ximo da divisa do estado de S o Paulo.

PM Voc acha que uma cidade que tem mais jeit o paulista do que mineiro?

C O sotaque, por exemplo. A gente n o tem aquele sotaque mais carregado do norte de Minas ou mais de perto de Belo Horizonte. mais parecido com o interior de S o Paulo. Eu acho, sempre achei. Tanto que as minhas irm s estudaram aqui. A refer ncia sempre foi mais S o Paulo que BH. Belo Horizonte fica a 450 quil metros de Itanhand . S o Paulo mais perto.

PM Que cidade de S o Paulo mais pr xima dali?

C Cruzeiro e todo o Vale do Para ba.

PM Sua fam lia grande?

C N o. O n cleo familiar mesmo s o meus pais e tr s irm s, contando comigo. Quase que s tem mulher na casa. Ali s, isso interessante dentro do contexto da fam lia. bem feminino.

PM De modo geral, como foi sua inf ncia?

C Foi tima. Brinquei muito na rua. Mas n s, eu e minhas irm s, desde pequenas j adquirimos uma forma o que inclu a tocar piano. A gente estudava piano e todo final de ano tinha uma audi o. Da j veio uma certa erudi o, vamos dizer assim. Aprendemos a costurar, bordar, coisas muito mineiras e muito tranq ilas que me fazem lembrar bem de Itanhand . Aprendemos essas coisas com minha m e. Um universo bem feminino, como disse. Acho que isso foi muito marcante. Eu sempre fui muito t mida, quieta, bem na minha. Por isso eu gostava de fazer essas atividades assim mais internas, de casa. Mas quando fui ficando adolescente, come ou a "rebeldia". At ent o, fic vamos muito em casa. Sobre a m sica tamb m teve a influ ncia do meu pai, que havia sido cantor at os 18 anos. Ele tinha um grupo e tudo.

PM Ele era cantor profissional?

C Era. Mas minha av tinha com rcio e ele a ajudava, al m de cantar nas horas vagas. Mas ele tinha um grupo que se apresentava ali pela regi o. Faziam shows.

PM O que ele costumava cantar? Coisas pr prias ou de outros autores?

C Tinha composi es pr prias, mas tamb m tinha muito samba-can o, xote, o que era mais pr prio da poca.

PM Como o nome de seu pai?

C Cl lio. Mas quando ele casou foi parando gradualmente e ficando s com o trabalho da loja. At hoje ele comerciante.

PM E a sua m e?

C Minha m e tamb m canta muito at hoje.

PM Ent o o interesse pela m sica foi super natural, j tinha tudo ali na sua casa?

C Foi. Eu sou a mais nova das irm s e elas tamb m tocavam piano. Por isso, comecei a estudar e tocar. Mas achava o piano um instrumento muito comportadinho. Na adolesc ncia, eu cultivava muito o gosto de andar e debandar, tocar na rua, sei l , tocar na escola, e a comecei com o viol o. Mas o meu pai tamb m tinha viol o em casa.

PM Voc lembra o que come ou a "fazer a sua cabe a" em termos musicais, principalmente, na adolesc ncia?

C O que chegava pra gente l era Milton Nascimento, todo o pessoal do Clube da Esquina, Fl vio Venturini, 14 Bis. Mais as coisas mineiras mesmo. Muito tamb m por causa da minha irm , que j tinha sa do para estudar e come ou a trazer esses sons para casa. A comecei a escutar aquilo que ela trazia para casa. Se n o, era escutar r dio... nem r dio direito tinha. Eram trilhas de novela. A gente comprava muita colet nea de novela. Que, por sinal, eram timas. Tinha isso. E na escola tamb m circulava mais a m sica que cada um ia trazendo. Era muito isso, m sica mineira.

PM Voc escutou rock tamb m?

C N o, n o tenho essa forma o de rock. Nem Beatles, eu os conheci muito depois. Mas ouvia o Renaissance, porque tinha muito essa onda de escutar rock progressivo. S o aqueles acordes viajand es... Acho que porque Minas tem aquela coisa das montanhas, os acordes...

PM Que lembram a m sica do Marcus Vianna, por exemplo?

C . Aquela coisa da m sica ir para o c u, sabe? Mas eu n o escutei sons, assim, muito "pesados". At penso que pela minha forma o n o cabia muito esse tipo de som mesmo. N s viv amos muito tranq ilos, dentro daquele jeit o de Minas. Ir para as cachoeiras, andar na rua etc.

PM Durante a adolesc ncia voc pensou em outro tipo de caminho profissional? Voc j queria a m sica?

C Eu sa de l e j queria estudar m sica. Principalmente viol o. Mas fui fazer cursinho em Belo Horizonte com 17 anos. Eu e tr s amigas. Fomos morar numa pens o e comecei o cursinho para prestar vestibular, sem saber o qu ainda. Paralelo a isso, me inscrevi numa escola tima que tem em BH de m sica contempor nea. A base dela era m sica contempor nea.

PM Qual escola?

C Chama Funda o de Educa o Art stica. uma escola muito legal. Putz, a abriu minha cabe a completamente. Tinha shows de m sica contempor nea, atonal, foi uma mistura grande, muita informa o. Fui estudar viol o e lembro que meu professor tinha muito orgulho, achando que eu seria uma concertista muito boa.

PM O ensino tendia mais para cl ssico e erudito?

C Cl ssico e erudito. Villa-Lobos, Leo Brower e todo aquele estudo de viol o.

PM Mas quando voc diz contempor neo tamb m significa algum tipo de experimenta o?

C No meu estudo especificamente at que n o. Apesar de que tamb m eu fazia leituras atonais no viol o. Eles chamam l de musicaliza o. Voc vai para a sala de aula ouvir m sica. E mostravam a m sica de cada s culo at mostrar a produ o atual de m sica. A eu comecei a abrir para isso, porque eu n o tinha essas refer ncias.

PM Voc foi fazendo isso paralelamente ao cursinho?

C Fui fazendo a escola, cursinho, fiz vestibular e passei. Cursei um ano e meio de Desenho Industrial. Isso ainda foi uma tentativa de n o arriscar tanto na m sica. Porque eu ainda n o sabia o que ia ser.

PM Como foi ficando mais claro o seu caminho?

C N o muito diferente da maioria. Fui cantando na noite e me descobrindo.

PM Voc foi conhecendo m sicos em Minas, na noite de Belo Horizonte? De repente, conhecendo m sicos que eram seus dolos?

C Eu fui "perdendo" os dolos (risos), com o tempo. Fui chegando l , caindo na real, conhecendo muita gente, mas pessoas como eu, que estavam come ando tamb m. M sicos fazendo shows, backings, jingles.

PM Quanto tempo voc morou em BH?

C Quatro anos.

PM Foi o tempo que durou essa escola de m sica.

C Eu fiquei l bastante. N o me lembro exatamente quanto, mas acho que uns tr s anos, pelo menos.

PM Ent o foi em BH que come ou de fato sua hist ria com a m sica. Voc tamb m compunha?

C Fazia uma coisinha ou outra, mas muito como experimento, com o viol o. N o tinha essa clareza ainda.

PM E depois de BH?

C Depois eu dei mais um tempo em Itanhand . Eu sempre fui muito free. Tive vontade de prestar vestibular para m sica, na Unicamp. Fui para Itajub tamb m, porque tenho um monte de amigos l e que tocavam tamb m. Itajub uma cidade grande do sul de Minas e tem um clima bastante estudantil. Ent o, tinha lugar para cantar. Teve um movimento bom e fui ficando. Fiquei um ano e meio mais ou menos. E de l fui para Salvador com um namorado que tinha em Itajub . Ele foi para Salvador e eu tamb m achei bom mudar de ares. Minha m e at me deu uma for a.

PM Quanto anos voc tinha?

C Uns 24 anos.

PM Sua m e foi bem legal.

C Eles s o. Mas eu tamb m tenho bastante liberdade, dentro da minha fam lia, porque sou uma pessoa bem tranq ila, sensata, eles t m muita confian a em mim. A , sim, a m sica j estava me chamando.

PM Voc gostou de morar em Salvador? Porque parece uma unanimidade as pessoas dizerem que gostam de morar l .

C Gostei. A cidade linda. Mas ralei muito, n , com a m sica.

PM Voc se mantinha tocando e cantando?

C Por isso. Eu tamb m tinha a responsabilidade de me manter. Meu pai me dava uma ajuda, mas eu ia tocando na noite, em bar.

PM At ent o sempre como int rprete, al m de instrumentista, claro...

C Experimentando m sicas. J cantava uma m sica in dita ou outra. Mas eu sempre optava por coisas mais complicadas ou mais dif ceis de se ouvir normalmente. Do Djavan, por exemplo, pegava uma m sica que quase ningu m cantasse. A colocava um Hermeto (Pascoal) junto, Egberto, Barca do Sol, sei l , eu sempre optava por um caminho que n o fosse t o bvio, pelo menos. Montava shows, ou tocava na noite mesmo. Mas muitas pessoas j notavam que eu tinha um caminho pr prio. Eu estava me descobrindo. Estava numa busca de uma coisa minha.

PM E como aconteceu de voc vir de Salvador para S o Paulo?

C N o. Eu sempre dava um tempo em Minas, me preparava. At porque eu voltei de l no final de um relacionamento. Ent o precisei de um tempo. Fiquei um tempo em Minas, at que um amigo me chamou para vir a S o Paulo. Foi na ocasi o em que abriu um bar chamado Piratas do Tiet , na Alameda Tiet . Era legal, diferente, num subsolo.

PM Em que ano foi isso?

C Em 1995. Vim, comecei a ensaiar, fomos l , inauguramos o bar. Mas a eu vinha e voltava...

PM Voc conhecia as pessoas desse bar?

C N o, um amigo me chamou para cantar na banda. Tanto que a banda era grande, seis pessoas, mas foi diminuindo, porque a dona do bar dizia que n o dava para pagar todo mundo. Eu sei que acabou ficando eu e mais dois m sicos. Mas sempre optando por um repert rio diferente. M sicas raras. Fomos ali criando um p blico, mas eu ainda n o morava aqui. Vinha e voltava. Ficava na casa de um amigo um dia, dois, e ia embora. Depois come aram outros trabalhos. Tem um amigo meu, desde a poca de BH, que o Milton Edilberto. Ele toca viola caipira, estava gravando um disco na poca e eu vim gravar com ele. Quer dizer, fui ficando e fui gostando. Porque tamb m me dava muito medo S o Paulo. Mas eu cheguei de um jeito bom, atrav s de amigos. Eu tamb m j tinha o telefone do Zeca (Baleiro) e liguei pra ele...

PM Voc j conhecia ele?

C N o, s de nome, mas que temos uma amiga em comum, a Rossanna Decelso. E ela j divulgava o nome dele pra caramba. Fazia shows inteiros com as m sicas do Zeca. Ent o eu j conhecia o trabalho dele, enfim, j tinha cantado m sica dele e do Chico (C sar) tamb m.

PM E se conectou a uma turma, de certa forma, que estava se formando: Zeca Baleiro, Chico C sar, Rita Ribeiro...

C Acho que sim, tem muita gente a . Hoje, ent o, nem se fala, muita gente.

PM E depois dizem que n o est acontecendo nada na m sica brasileira...

C Ah, ah, ah!!!

PM Dizem que depois de Chico Buarque e Milton Nascimento n o aconteceu mais nada...

C Na verdade, um questionamento e ao mesmo tempo uma afirma o que real. Existiu mesmo esse tempo, essa poca, esse movimento, e hoje em dia fica essa discuss o v . Porque n o existe mais MPB! Ou o que MPB?! Essa viagem...

PM Engra ado, de alguma forma, procurei um jeito de respeitar essa abrang ncia que existe hoje em dia na m sica brasileira nunca escrevendo MPB nos textos que produzo...

C . O que mudou ai foi justamente o Popular. Justamente que o que era, at os anos 80, vai. Depois de 80, a j desvirtuou. Ainda esses dias eu pensei sobre isso. Acho que tinha a quest o pol tica tamb m. A quest o de fazer com que a m sica fosse popular, foi muito uma busca pol tica "daqueles caras", naquela poca. De 80 ou mesmo 90 para c , parece que a gente se acomodou. N o existe mais uma vontade pol tica de que essa m sica seja popular. Porque "os caras" nunca quiseram mesmo. Acho que quem fez essa parte justamente foi Gil, Caetano, Chico Buarque. De querer que isso fosse uma coisa pol tica. Eles foram exilados. Quer dizer, houve uma aten o voltada para isso, por causa de tudo que eles passaram. Da ainda foi vindo uma outra gera o ainda bem politizada como o Z Ramalho, Alceu Valen a. Mas depois ficou todo mundo meio bom mo o, n . De um tempo para c ficou tudo um pouco mais individual. H pouco tempo li sobre o Lenine falando um pouco a respeito disso, no livro da Patr cia Palumbo. timo o depoimento dele sobre isso. Ele sente que, desde 90 para c , as pessoas s o mais solit rias nas suas quest es, na sua busca, embora exista a uma certa contemporaneidade. Mas n o se forma esse grupo. E ser que isso ruim, isso bom? A que t , eu n o sei. Eu sinto um v cuo. No que eu fa o, parece que estou sozinha. Apesar de encontrar um monte de gente falando coisas parecidas, eu me sinto t o sozinha...

PM De alguma forma, como se fossem v rias personalidades musicais. Afinal, muito do fruto da m sica brasileira da mistura mesmo, de muita informa o. Essa gera o dos anos 90 vem com toda essa informa o da mistura e tal. Ent o por isso que eu acho que parecem v rias personalidades. Ningu m consegue agrupar. O que maravilhoso, porque cada um est fazendo uma coisa totalmente diferente. s vezes parecido, mas tem muita personalidade...

C N o, mas n o precisa ser parecido, eu penso assim, se for essa a quest o. Acho que n o era parecido Z Ramalho, de Alceu, de Chico, Gil e Caetano, apesar desses dois ltimos serem mais afins. que acho que tinha isso, tinha uma quest o pol tica. Eu acho que hoje em dia a coisa est mais individualizada mesmo, n o acho ruim. Isso poderia ser timo do mesmo jeito. Mas a quest o que n o tem mais o interesse desse popular a , que desvirtuou um pouco, o que popular e o que n o . Existe um certo ran o com essa palavra. O que uma pena.

PM Parece que as coisas ficam mal situadas. Fica at parecendo que n o est acontecendo nada e tem muita coisa legal acontecendo. 
Ceumar, fala um pouco dos seus parceiros musicais. Voc j citou o Zeca Baleiro. Tem pessoas com quem voc tem afinidades e produz? Antes disso, uma pergunta para contextualizar melhor: Voc se considera mais int rprete, instrumentista, compositora, arranjadora, como voc se v musicalmente, de uma forma s ou de v rias ao mesmo tempo?

C Ai, ai, nunca pensei sobre isso. Acho que sou uma boa int rprete. Mas n o sou uma int rprete que s tem esse perfil de interpretar uma can o, porque como eu tamb m vou toc -la, eu j criei um esp rito para ela ali.

PM Ou seja, no caminho para essa cria o voc arranjou, comp s, voc toca viol o tamb m, certo?

C Toco no CD inteiro, quase. No outro tamb m eu toquei. Foi muito isso que chamou a aten o do Zeca para tentarmos a diferen a. Porque tem muitas cantoras que tocam viol o, mas, talvez, um viol o masculino, um viol o mais agressivo. Eu tenho um jeito de tocar viol o mais suave, menos cheio de nota. E o Zeca disse pra gente usar isso, alegando que essa era a diferen a. Me incentivou desde o primeiro disco a tocar. Eu sempre toco. Tem uma m sica ou outra no show que n o toco, relaxo nesse sentido. Mas digo isso, n o me considero assim uma int rprete de pegar uma m sica e... mas morro de vontade de fazer s isso. Pegar um disco ou um show e s cantar. Fiz isso esses dias num show sobre a Clara Nunes, onde s cantei. diferente pra mim.

PM Ou seja, n o ter a id ia de conceber a m sica toda, s interpretar...

C , j tinham feito um arranjo e disseram o arranjo esse, voc s vai cantar. interessante para mim. um desafio. Porque eu vou s cantar e n o vou ter que tocar nada, e vou me abrir para isso. Mas hoje em dia n o sei ver assim, vejo tudo junto.

PM Mas voltando ao assunto sobre suas parcerias musicais. O Zeca Baleiro inclusive produziu seu primeiro CD.

C . Ele produziu o primeiro, que foi o "Dindinha", em 2000.

PM E o segundo o que saiu agora em 2003, o "Sempre Viva".

C Ent o, eu fui encontrando essas pessoas. A Alice Ruiz, essa poeta que est morando aqui em S o Paulo. A gente se encontra mais. Ela me deu uma letra e eu fiz a m sica. A Tata Fernandes, que minha vizinha querida, muito parceira. Apesar de a gente n o criar muito, a gente fala muito, a gente conversa muito, a gente troca muita id ia. Ent o, considero uma super parceira, porque a gente est sempre discutindo coisas e conversando. Mais recentemente, o Gero Camilo, que vizinho tamb m, mora aqui na Vila Ipojuca.

PM O Gero Camilo o ator, que trabalhou no Bicho de Sete Cabe as e Carandiru, entre outros filmes e pe as?

C Isso mesmo. De um ano pra c pegou o viol o... j tinha muita m sica, mas quando pega o viol o e come a a tocar, a faz um monte de can es e chega com coisas lindas. A gente fica l babando, porque ele escreve muito bem.

PM Acredito que pouca gente saiba que ele tamb m compositor, al m de excelente ator.

C Eu gravei duas m sicas dele nesse ltimo CD. A que abre o disco, que s dele, e tem tamb m uma parceria dele com a Tata. Tem tamb m o Kl ber (Albuquerque), a Miriam Maria, que cantora, o Rubi, Luis Gaiotto, Carlos Zimbher. uma turma grande. A gente, quando consegue se encontrar, vai dando toques um pro outro. Considero meus parceiros. Com o Chico C sar, por exemplo, n o que a gente fa a coisas juntos, mas estou com uma letra dele numa fita, em casa. Ent o, considero uma presen a. s vezes, at acho que dever amos ser mais ativos. Tipo, hoje n s vamos trabalhar, com todo mundo se encontrando e produzindo. Mas n o n o, bem mais vontade. Um jeito de fazer que mais na amizade, de troca. Mas o legal isso, a gente trocar em v rios n veis. A gente conversa, discute muito. O Gero, por exemplo, faz cinema, teatro e outras coisas. Falamos bastante sobre tudo. Essa vontade que a gente tem de expandir e de que tudo n o seja t o fechado. Se a gente acredita tanto e acha t o bom, porque n o expandir? Porque tem que ficar assim dentro de um contexto? Porque tem que ser uma coisa de elite? Vamos pra rua! Fizemos a um movimento dia 9 de janeiro, na Avenida Paulista. O Gero que encabe ou isso, chamado "A Lavagem da Paulista".

PM Voc j falou sobre algumas parcerias suas, inclusive de pessoas inspiradoras, que est o por perto. E m sicos? Desde o primeiro CD s o os mesmos, como ? Fala um pouco sobre eles.

C Em 1997 conheci o Webster Santos, um grande instrumentista, que toca v rios instrumentos de corda. At foi o Zeca quem me indicou esse violonista, achando que a gente ia se dar bem. Eu j tocava viol o, mas queria um show diferente, com dois viol es, achei que ficaria legal, ia ficar bonito. Foi timo, somos super parceiros. Tenho facilidade com ele, temos uma sintonia legal. Agora, de l para c encontrei muita gente. J toquei com v rios m sicos. Hoje em dia estou com uma banda formada pelo Gigante Brasil, a Lelena Anhaia, que amigona de anos, tocou no disco tamb m e agora est tocando nos shows. Ou seja, estamos em quatro, contando com o Webster. O Gingante uma figura, estou adorando tocar com ele. Sei l , muita gente que passa. O Ari Colares, percussionista. Zezinho Pitoco, que fez clarinete. Swami Jr., que tocou no primeiro e agora novamente. S o pessoas que, mesmo que a gente n o esteja tocando junto, estou sempre ligada neles. Mas acho que o Webster o cara que est mais pr ximo mesmo, desde aquela poca, quando comecei a fazer shows em S o Paulo.

PM Al m de CDs e shows, voc j trabalhou com a m sica em outras reas, como cinema, teatro ou outras coisas?

C Justamente com o Gero. Ele tem um espet culo solo chamado A Prociss o, e ele chamou a Tata para fazer a m sica. Ela, ent o, criou uma ambi ncia para ele onde tem um anjo que segue os passos dele dentro do espet culo. Uma encena o muito coerente com a vida, o jeito, a linguagem dele. Esse espet culo ficou lindo. Num certo momento, a Tata me chamou para substitu -la e fui fazer. Um dia, o Gero falou: Por que n o as duas? E ficamos um tempo fazendo n s duas, os anjos, como base pra ele. Foi timo. Uma experi ncia de teatro.

PM Como a pe a?

C um mon logo onde ele conta a hist ria de um cara durante uma prociss o. Concorremos ao Pr mio Shell esse ano.

PM Voc s apresentam essa pe a ainda?

C Eu n o mais. Porque uma coisa muito livre, a j entrou a Lelena junto com a Tata, quando n o pude fazer, e hoje ainda s o as duas e o Gero. Mas a trilha coletiva. Tem, por exemplo, uma m sica do final que fui eu que fiz. Tem outras m sicas que a Tata fez, outras que o Gero fez. um espet culo muito simples, e acho que a tal da simplicidade que busco na minha m sica. Acho que o Gero busca muito tamb m na hist ria teatral dele. Enfim, das coisas simples terem a verdade que elas precisam ter.

PM Voc fez mais alguma coisa no g nero?

C S o tantas coisinhas que acabo esquecendo. O Chico (C sar) agora tamb m me chamou para cantar na trilha de um espet culo infantil chamado Am dalas. Ano passado, fiz um trabalho lindo chamado Brincadeiras de Papel, que aconteceu durante dois meses, no Sesc Santo Andr . E para isso a gente se preparou junto com uma diretora chamada Cristiane Paoli Quito, que agora dirigiu meu show. uma diretora muito querida. Ela trabalha bastante com improvisa o, de um jeito diferente. Ent o, trabalhei com ela no ano passado, ou retrasado, n o lembro direito. L , a gente fazia o que queria, no bom sentido da coisa. Era um grupo imenso, com 30 pessoas. Cada dia com um grupo de oito. A gente improvisava, dan ava, cantava, fazia origami, j que era sobre a hist ria do papel. Pensando em tudo, at percebo que fa o bastante coisa. Mas tento n o me prender a esse padr o, porque realmente nada padronizado. A gente lan a um disco e fica "lan ando" dois anos (risos), n o tem aquela urg ncia. Isso bom, mas, de vez em quando, d uma certa afli o.

PM O primeiro CD, Dindinha, voc lan ou por qual gravadora?

C Foi pela Atra o. Depois sa de l e o CD Dindinha acabou ficando comigo. Fiz uma tiragem sozinha, mas foi muito complicado. Agora estou tentando a Tratore, que aquele selo legal, novo. Eles tamb m agora est o funcionando como distribuidora independente. Achei legal. Mas sinto que o CD meu assim. O Sempre Viva eu tamb m lancei pela Elo Music, mas meu, eu fiz at o fim. S o discos bem... meus (risos).

PM Tem algum momento da sua carreira que voc considera mais importante, ou especial, ou que trouxe mais emo o?

C Olha, eu n o costumo assim destacar um momento. Foi tudo muito vibrante. Quando fizemos o Dindinha, por exemplo, junto com o Zeca e a Tata, eles dois chegaram juntos, em casa, e disseram: vamos fazer o disco. Eu estava com filho pequeno, de meses. Nem pensava em fazer o disco. Eles acabaram me induzindo. Come aram junto comigo e foi lindo. Quando chegou o Dindinha a gente chorava, quer dizer, eu nem chorava, a Tata chorava, eu n o conseguia nem chorar. Foram dois anos, depois o show... a , choradeira. Depois, tudo que fui conquistando. Porque realmente o Dindinha um disco muito concentrado e muito precioso, dentro daquele momento. Por ser o primeiro disco e at hoje as pessoas n o param de falar e querer. Agora, o Sempre Viva foi diferente, estava sozinha. Estava meio apressada, na verdade, porque o patrocinador do Rio de Janeiro tinha um prazo para entregar, ele tinha uma empresa de engenharia de meio-ambiente.

PM Voc conseguiu via Lei Federal?

C N o. O cara chegou pra mim e falou que queria um certo n mero de discos para dar de brinde de Natal, na empresa dele.

PM Isso acontece bastante por a , n o?

C Muito. E comecei com aquele tanto que o cara tinha oferecido. Mas ele foi pedindo tamb m mais discos, foi fazendo um movimento l no Rio at que outra empresa tamb m se interessou. Fiquei com duas do Rio e uma de S o Paulo, j que no final tinha acabado o dinheiro e precisava ainda mixar. Comentando o problema com um amigo, ele lembrou que tinha um amigo que tamb m poderia querer, e, realmente, comprou mais 300 CDs. Foram 1.700 no total.

PM Como funciona isso, de modo geral?

C Olha, a gente faz um pre o especial e o cara me d o dinheiro antes.

PM Qual a contra-partida? Al m do nome dele como patrocinador ele vai ter um tanto de CDs para distribuir, isso?

C Isso. A fiz no fim do ano dois mil. Mil e quinhentos para o cara do Rio e 300 para a empresa daqui, al m de me sobrarem alguns que dei para os m sicos. Eu n o vendi. A minha preocupa o era n o vender porque a , realmente, ia usurpar direito autoral. Ent o, n o foram vendidos  esses 2.000 discos. Depois, com o disco pronto, ofereci para a Elo Music, a gente mudou um pouco o encarte e ficou com eles. Mas est todo mundo feliz. Esse cara do Rio, chamado Raul Pita, um cara muito ligado a m sica, escreve sobre m sica.

PM Voc est exatamente mostrando o repert rio desse CD, fazendo shows? O que voc est pensando da sua carreira nesse momento?

C A gente tamb m passa por uma dificuldade que a quest o da produ o. E isso meio geral. Todos os amigos reclamam que n o t m produtor. uma profiss o que tamb m important ssima.

PM Parece que, al m disso, tamb m faltam lugares para tocar?

C Exatamente. Tem uma dificuldade no ar. Eu acho at que uma quest o pol tica. Tenho certeza de que tem uma interroga o em torno do Minist rio da Cultura, do Gilberto Gil e do que que vai ser feito. As pessoas ficam meio que com medo. E ao mesmo tempo tem muita coisa rolando. Mas acho que a gente tem que estar muito conectado para saber onde est rolando e ir atr s. Ent o, lancei o Sempre Viva e n o tinha produ o. Eu que produzi o show. Vamos l , lan amos, e agora? A Elo dando uma for a na divulga o. Pintou uma amiga e come amos a fazer um trabalho. Depois pintou uma viagem para a B lgica, em 27 de julho deste ano. Aconteceu porque eu havia cantado em Salvador, no Mercado Cultural da Bahia, um mercado muito abrangente e um cara me viu. Desde janeiro j estavam fazendo contato e fui para a B lgica cantar.

PM Foi um show s ?

C Um show.

PM Como foi?

C Foi timo. Eles adoraram.

PM S o brasileiros que v o ver?

C Muito pouco brasileiro. S o festivais de world music. Eu tamb m assisti a um monte de coisa que n o entendia bulhufas. Mas, bicho, se o m sico tiver carisma, as pessoas embarcam. Percebi muito isso, que n o era mais o que eu estava falando, mas uma outra coisa que eu ia ter que apresentar para o p blico se interessar, para a minha m sica chamar a aten o deles. Ent o, acreditei nisso, nessa sonoridade que pr pria do viol o. O Webster estava com bandolim e viol es de a o. O Ari estava l e tocou pandeiro, zabumba. Apresentamos isso e cantamos as minhas m sicas, dos meus discos, fiz o meu show e foi muito legal. Tinha poucos brasileiros. Mas o p blico, em geral, est muito ligado porque est sabendo que m sica do mundo.

PM E agora, voc tem shows marcados para esses pr ximos meses?

C Tem. Em Bras lia, em Itaja e outras coisas que v o acontecendo. Em S o Paulo est mais dif cil. Mas vamos fazer com a banda no final de setembro, no Centro Cultural S o Paulo (os shows aconteceram nos dias 26 e 27 de setembro). E com a banda, ent o, est ainda mais complicado. Porque da tem a banda, t cnico de som, a luz. A gente quer fazer.

Por isso digo que produ o legal. Porque um jeito de a gente pensar junto. Ir atr s de algu m que queira patrocinar, ou ir atr s de uma id ia, de um projeto, enfim. Isso faz falta, pessoas que estejam articulando. Porque o m sico, o artista, n o tem muito esse dom. A gente faz porque precisa. Mas, sinceramente, posso at ter id ias, mas ir l e fazer projeto eu n o sei fazer. Sinto que faz muita falta isso, de ter pessoas preparadas nesse sentido.

PM Viabilizar id ias, articular...

C Exatamente, articuladores. Isso uma coisa que devia ter curso j , sabe. Deveria ter alguma coisa que estivesse incitando as pessoas a fazerem isso, porque tem muito artista a que precisa. Ao mesmo tempo em que tem muito espa o, falta articula o. Voc mesmo citou espa os da prefeitura.

PM Na verdade, parece que mais ou menos todo mundo sabe que tem espa o, mas est realmente faltando fazer acontecer.

C , exatamente. A gente vai fazendo porque precisa, como eu j disse. A gente faz. O Kl ber, a Miriam, eu, a Vange (Milliet), cada um ali. Uma coisa ali, outra aqui. Mas essas pessoas que realmente est o pensando, essa coisa articuladora, isso a raro. E tamb m porque os produtores que j t m uma estrutura melhor v o fazendo outras coisas onde ganham mais.

PM De modo geral, voc acha que o mercado est mais dif cil?

C Eu acho que existe um certo medo de se correr riscos.

PM Em que sentido, de apresentar alguma coisa que seja diferente?

C N o, n o diferente. Essa nossa m sica n o diferente. uma m sica de viol o, de bateria, de baixo, de palavras. O risco de fazer projetos que sejam diferentes, que sejam ousados, que n o v o dar dinheiro mesmo. Que a principio n o v o dar dinheiro, mas que uma hora pode dar, ou n o vai dar. Enfim, n o sei se seria alguma coisa da Secretaria de Cultura. Se seria com empresas privadas, n o sei. Por isso repito que sinto falta de pessoas que articulem isso para mim. Realmente estou sentindo isso com esse CD. N o um CD que est numa grande gravadora, mas tamb m n o totalmente independente. um meio termo. Eu n o sou conhecida demais. Mas tamb m n o sou totalmente desconhecida. As pessoas dizem, pelo menos, que j ouviram falar de mim. Ent o, o que fazer com essa grande galera que est no meio termo (do mercado). Est o faltando espa os para a gente entrar, al m de pessoas para articular isso.

PM uma grande quest o. Porque a gente percebe que existe um p blico para voc , entre outros artistas. Talvez o Zeca, Chico e Rita tenham conseguido uma penetra o maior. Talvez at porque tenham chegado um pouco antes?

C - Eles t m o apoio da gravadora. Antes era a Universal, agora est o todos na Abril. E querendo ou n o, uma gravadora forte. Acho que tem dinheiro. Tipo, vamos fazer um clipe? Vamos. Eles t m clipe, t m assessoria de imprensa, entre outras coisas.

PM Agora, a gente percebe que tem um p blico para voc , que tem um p blico para a Consuelo de Paula, por exemplo. Existe esse p blico, mas que tem mais dificuldade, at por conta da grande imprensa que n o d muita bola...

C Acho s que um processo mais lento. Por isso, digo: legal a gente n o estar tanto nessa coisa comum que lan ar o disco, fazer show, e ir seguindo essa id ia e esse conceito sucessivamente. Fiz esse, ent o n o sei, deixa rolar e vamos indo, vamos fazendo outras coisas. Isso timo, porque a gente est preparado, eu acho. A Consuelo tamb m, ela produz, ela faz o show dela, ela vai l , ela coloca a m o na massa. N o fica esperando mais. A gente j sabe como que faz. Por isso que a gente at tem medo de soltar o trabalho. Eu fiz esse disco e fico pensando que n o vou soltar para qualquer um, n o vou deixar fazer qualquer coisa, porque muito meu. Eu sei o que que fazer. Ent o, por esse lado timo. Est se formando a um grande grupo de pessoas que sabem fazer, que p em a m o na massa. N o mais aquele tempo em que a cantora chegava l e estava tudo pronto e s cantava, ou n o dava palpite em nada. A gente sente falta hoje em dia na Gal, por exemplo. P xa, cad a Gal Costa, que sabia o que queria, falava coisas importantes, com a voz dela!? Porque agora parece que algu m fez, algu m pensou, n o foi ela. Eu sinto falta. Da Joyce, que nem toca aqui mais, s toca no Jap o, na Europa. Cad , entendeu!? Eu acho que a gente sabe o que fazer, mas s que isso. Para fazer mais coisas precisa de ou uma empresa, ou uma pessoa, uma produ o, pessoas que queiram se arriscar mais.

PM As coisas precisam acontecer mais. Elas acontecem, mas num universo das pr prias pessoas, das pr prias rodas.

C que n o est f cil mesmo fazer coisas para n o ganhar. Antes voc ainda fazia, pelo sonho, pela utopia. Hoje em dia n o, a gente precisa de um retorno. Eu tenho sim um lado rom ntico, mas tenho uma indigna o muito grande tamb m. S n o estou sabendo colocar muito bem essa indigna o, porque n o quero ser aquela coisa panflet ria e chata.

PM Se voc n o se conforma, voc procura falar sobre isso.

C . Mas ainda n o encontrei um jeito bom de ser muito clara com essa quest o. Ainda estou buscando. Eu quero que as pessoas entendam e vamos juntos, vamos buscar o que . O que incomoda voc ? O que me incomoda? Vamos come ar a perceber para come ar a fazer a mudan a, de verdade. Mas acho que as coisas est o acontecendo.

 

Shows - Ceumar

5 de outubro, s 20h
Bar Trilhos Urbanos Rua Alselmo Pedro de Medeiros, 98, Osasco, S o Paulo
Tel (11) 3683-5469
R$ 15,00

8 de novembro, s 22h
Bagdad Caf Rua Portugal, 243, Praia Grande, S o Luis, Maranh o
R$ 12,00










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