Entrevistas >
Vander Lee
No
balanço de Vander LeePor
Evanize Sydow

Buracão,
Departamento, Nin de Rato, Pito Aceso e Leite. Todos nomes de pequenos
lugarejos que dividiam o bairro onde o mineiro Vander Lee nasceu. Ele
era mesmo do Leite. "Esse nome se devia ao fato de ter havido na
minha rua dois irmãos que possuíam algumas vaquinhas que alimentavam
boa parte das famílias do bairro, que até então tinha poucos
habitantes. Só algum tempo depois chegou a primeira padaria, com a
novidade do leite de saquinho tipo C", conta ele.
Garoto,
o hoje consagrado cantor e compositor Vander Lee ouvia seu pai tocar
violão em casa ou no boteco. Daí para o menino de 15 anos se
interessar pela música foi um pulo. Logo surgiram as primeiras
composições e a primeira banda com os amigos de infância.
Vander
Lee ouvia Clube da Esquina, músicos do Vale do Jequitinhonha, Bezerra
da Silva, Tim Maia, Alcione e Cassiano.
Suas canções têm um pouco de tudo isso, mas o seu estilo próprio
alcançou intérpretes singulares como Gal Costa, Rita Ribeiro, Emilinha
Borba e Alcione, e a admiração de renomados artistas como Luiz Melodia
e Elza Soares. Tem em sua bagagem quatro discos - Vanderly,
No balanço do Balaio,
Vander Lee Ao Vivo e
Naquele Verbo Agora - e
espetáculos com casas lotadas. Além disso, acaba de gravar seu
primeiro DVD, com a participação de Zeca Baleiro.
Acompanhe abaixo a
entrevista que a músico concedeu a Página da Música,
respondendo, por e-mail, as perguntas de nossos leitores, dentro da seção
"Outras Palavras".
Nilva Ribeiro
(Rio de Janeiro, RJ) - Como você
define esse momento da sua carreira depois de alguns CDs já gravados
e nome reconhecido como um dos melhores intérpretes
e compositor de MPB?
Vander
Lee - Acho super bacana esse momento. mas acho tambem que há muito
por fazer e aprender ainda. Hoje conto com a atenção e o carinho
de todos, mas preciso confirmar isso com a continuidade na carreira.
Tem um ditado que diz: atrás de morro tem morro...
Rita
Venâncio (São
Paulo, SP)
- Acompanho há alguns
anos a trajetória de músicos mineiros. Minas Gerais é um celeiro
de grandes talentos. Você, que é um deles, considera que a
sua música se insere nessa linha musical mineira de tradição,
quer dizer, herdeira do Clube da Esquina etc?
VL -
Acho o Clube da Esquina super importante, uma galera que mudou muita
coisa na forma de conceber música e letra na MPB, e essa foi
uma das muitas vertentes que influenciaram meu trabalho. Na verdade,
sempre fui um ouvinte assíduo de rádio e por isso ouvi um pouco de
tudo. Hoje sou amigo de vários remanescentes dessa geração, mas
busco todas as referências possíveis para somar à minha música.
Maria
Célia R. Soares (Rio
de Janeiro, RJ) -
Você se transformou,
pelo menos aqui no Rio, em um artista de lotar teatro, de ter fã-clube
feminino muito grande. Como você, um mineiro que me parece pacato, se
sente nesse contexto?
VL -
Me sinto muito feliz e mais bonitinho, hehehe... Não me deixem
muito sem vergonha...
Ricardo
Freire Santos (Bananeiras,
PB)
- Vander Lee: a música
brasileira continua sendo a
melhor do mundo? O que é que você acha da produção musical
brasileira hoje em dia?
VL -
Com certeza, temos a melhor música do mundo, mas acho muito precário
o cuidado que se tem com os artistas e músicos que fazem essa
melhor música. Acho que o país deveria cuidar de suas divas e seus
medalhões, para que não terminem seus dias na miséria, como muito
se vê ainda hoje. As carreiras de sucesso ainda duram pouco, não
ha espaço nas gravadoras para lançar novos valores e muita gente
está desperdiçada por aí... Eu tive sorte de conseguir bons
padrinhos, estive no lugar certo na hora certa, mas quantos terão a
mesma sorte?
Valéria
Santana Neves (Guarulhos,
SP) -
O amor é o seu tema
principal? Como é o seu processo de criação?
VL -
Na verdade, as relações são meu grande tema. Por elas sempre
passa o amor, a saudade, o desejo, o ciúme, a solidão, o ódio,
desdém, o tempo e até o nada. Mas meu processo é ficar com violão,
papel e caneta tocando, tocando até pintar uma entrada...
 
Heraldo
Lima (Belém,
PA)
- O lançamento de seu
primeiro DVD será agora. O que você está trazendo
nele?
VL -
Nesse projeto, eu quis fazer um grande apanhado da minha carreira,
cantando os maiores sucessos, e ainda gravei quatro músicas inéditas,
como Bangalô (parceria com Zeca Baleiro), Xilique
e Pensei que fosse o céu.
Rita
Abreu (São
Paulo, SP) - O
que você acha da crítica musical? Ela tem sido justa com o seu
trabalho?
VL -
Alguns gostam , outros não. Acho ótimo isso. Eu acho um saco
aqueles artistas que são unanimidade de crítica. Geralmente,
não mudam, não crescem e ficam dando aquelas entrevistas chatas
com um monte de chatos em torno deles. Eu, como um cara de subúrbio,
de periferia, sou um pouco cronista desse universo. É justamente
ali que sou mais querido, porque as pessoas sabem do que estou
falando. Os críticos são importantes para alguns tipos de
artistas, que fazem uma música para agradá-los. Mas eu, apesar de
respeitá-los, nunca penso neles quando estou compondo ou cantando.
Arlene
Gomes S. Santos (Curitiba,
PR)
- O que você gosta de
ouvir? Qual é seu disco de cabeceira hoje em dia?
VL -
Atualmente ando muito voltado para as minhas coisas, não está
dando para ouvir muita coisa, alem de rádio, claro.
Sérgio
Correia Peixoto (Belo
Horizonte, MG) - Como
você se sente sendo gravado por tantas mulheres maravilhosas,
como Gal Costa e Rita Ribeiro? Você tem o sonho de ser
gravado por algum intérprete em especial?
VL
- Eu acho super importante o papel das intérpretes na MPB,
pois elas dão um novo alento, um novo olhar às coisas que
produzimos. É como se, naquele momento, a música fosse delas. Quero
muito que muita gente grave minhas canções, não sonho com ninguém
em especial, apenas torço para que minhas músicas marquem o
repertório de quem cantá-las.
Teresa
Maria Lins da Silva (Rio
de Janeiro, RJ) - Como
você se tornou músico? Como foi o início da sua carreira?
VL
- Meu pai ficava tocando violão em casa ou no boteco da esquina,
e aquilo me acompanhou durante minha infância inteira, por isso
quando comecei a me interessar (por volta dos 14, 15 anos) foi
muito natural, instantâneo. E logo eu já estava compondo minhas
primeiras músicas. Formei uma banda com meus amigos de infância
e daí pra frente meu release no site diz tudo (veja www.vanderlee.com.br).
André
Luís S. Vieira (Niterói,
RJ) - Quais
são os seus projetos para o futuro?
VL
- Lançar esse DVD onde for possível, compor muito, fazer muitos
shows e discos, criar meus filhos e conhecer lugares e pessoas
bacanas sempre.
|