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Oswaldo Montenegro
"As estradas de Oswaldo Montenegro"

Por
Evanize
Sydow
Oswaldo
Montenegro conhece bem as estradas do mundo. Foi nelas que passou
dois anos de sua vida. Viveu como nômade e percorreu especialmente
as entranhas da riqueza cultural do Brasil. Montou espetáculos em
diversas cidades, privilegiando artistas locais. “Fingia que
estava ensinando para eles, mas eu é que estava aprendendo”, já
disse. Estrada é o tema mais freqüente em seu novo CD, lançado
pela gravadora paulista Jam Music. O disco “Estrada Nova” traz
parcerias do cantor e compositor com amigos de muitos anos, como Mongol,
Ulysses Machado e Raíque Mackáu. Com 25 anos de carreira, Oswaldo
produziu um disco de canções inéditas que, como bem diz o texto
de divulgação, “nos remete à alma ousada do garoto de 1980,
enriquecida pela maturidade do homem de 2002”. A seguir, o músico
responde perguntas dos leitores da Página da Música dentro da seção Outras Palavras.
Viviane
Gomes – Como você situa
esse novo disco em sua carreira? E como escolheu o repertório?
Oswaldo
Montenegro – Na verdade, os CDs, em geral, são uma continuidade.
Raramente significam uma ruptura ou uma fase radicalmente nova. Eles
são como fotografias dos momentos que vivemos. Para mim, música
funciona como desabafo. Eu componho para não ir para o hospício.
Os CDs passam a ser um resumo de como estava a minha vida naquele
momento. É um reflexo do que está rolando. O tema do “Estrada
Nova” ser repetidamente estrada tem a ver com o fato de a minha
vida ter sido na estrada, pela minha carreira e por ter vivido como
um nômade mesmo.
Ricardo
M. Leme – Como é o novo show?
OM
– O novo show tem muitos blues e músicas nordestinas da minha
carreira, mas também é informal, eu conto histórias, além do
repertório do “Estrada Nova”.
Jorge
Sabo – Existe a
possibilidade de reedição em CD dos LPs que ainda não foram lançados?
OM
– É uma coisa que só as gravadoras onde gravei os LPs sabem. O
que retarda esses lançamentos são as coletâneas, que reúnem músicas
mais conhecidas do LP. A coletânea é uma coisa chata porque
mistura música de discos diferentes e deixa de ser o retrato da
gente para sermos frankestein.
Eu não aconselho ninguém a comprar as minhas coletâneas.
Raquel
Donegá – A MPB vem sendo
cada vez mais valorizada, mas as pessoas ainda estão defasadas
quanto a gosto artístico. Que tipo de público você procura
atingir com as suas canções?
OM
– Eu exercito o não pensamento. Não tenho visão lógica sobre
que público atingir. Vou fazendo da forma mais sincera o meu
trabalho. E acho impossível prever isso. Mas o público vem se
renovando – pelo número de jovens na platéia a gente percebe
isso.
Cláudio
Machado – Um dos seus
musicais que mais emocionaram seus fãs foi “Mayã, uma idéia de
paz”. Existe possibilidade de ele ser remontado por você ou lançado
em DVD?
OM
– Existe essa possibilidade, mas no momento não estou pensando
nisso porque estou voltado para o novo disco, “Estrada Nova”.
Jorge
Sabo – Existe algum projeto
para o lançamento de uma biografia sua?
OM
– Será lançado o meu songbook pela Irmãos Vitale. Nele, além
da das músicas, vai ter também a história da carreira. Acho que
é uma boa forma de fazer a minha biografia.
Mari
Bellini – Você já fez ou faria trilha sonora para longa
metragem?
OM
– Nunca fiz, mas faria com o maior prazer.
Ícaro
Ataia Rossi – Você teve problema com a censura? Concorda com os
que dizem que a censura é um mal necessário, pois foi a época que
teve melhores criações culturais?
OM
– Eu acho um absurdo dizer que a censura é um mal necessário. A
censura é um mal.
Página
da Música – Qual o balanço que você faz desse ano para a sua
carreira e para a música?
OM
– Para a minha carreira foi um ano bom. Eu lancei dois discos este
ano: “A Lista” e “Estrada Nova”. Esse é um sintoma de que
as coisas estão correndo. Foi um ano interessante. Quanto a música,
tenho visto mais coisas que estão fora da mídia.
Site
oficial Oswaldo Montenegro: www.oswaldomontenegro.com.br
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