Onde a MPB acontece


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Entrevistas > M rio Gil

Do fasc nio pelas partituras parceria com Paulo C sar Pinheiro

Por S rgio Foga a

Poucos m sicos t m o privil gio, e por que n o dizer, a estrela de serem parceiros de um dolo pessoal. O mineiro M rio Gil pode dizer que um deles. Depois de fazer a cabe a com as m sicas que tocavam na r dio, principalmente no final dos anos 70 e in cio dos 80, onde o locutor muitas vezes dizia: de Baden Powell e Paulo C sar Pinheiro..., de Vin cius de Moraes e Paulo C sar Pinheiro , M rio Gil fez seu segundo disco inteiro em parceira com Paulo C sar Pinheiro, aos 35 anos de idade, lan ado em 1998. Mas sua carreira n o come ou a . Nascido em Juiz de Fora, em mar o de 1962, ainda bem pequeno apaixonou-se pelas partituras que via nas m os de seu pai, que tocava saxofone, embora n o fosse m sico profissional. Queria aprender a ler as partituras, entender. Aquilo me fascinava. Acho que isso me aproximou muito da m sica. Esse aspecto visual, incompreens vel. Eu sabia que aquilo virava m sica , lembra ele. Foi atrav s desse fasc nio pela grafia musical que M rio se aproximou da m sica cl ssica. E foi tocando a vida. Montou banda em sua cidade, conheceu m sicos. Vivia com o viol o debaixo do bra o. Tamb m atrav s do r dio percebeu que grandes violonistas haviam estudado com Henrique Pinto, em S o Paulo. Virou meta. Est radicado na capital paulista desde 1983, quando fez 21 anos de idade. Estudou quatro anos com seu mestre. Arranjou trabalho no Caf Paris, tocando, cantando e conhecendo gente. Ficou amigo dos m sicos e ali nasceu uma de suas parcerias mais freq entes, com o cantor Renato Braz. Quase toda discografia do int rprete foi gravada no est dio de M rio, revelando sua outra face art stica: a de produtor. Tamb m arranjador de m o cheia, participou e produziu discos de Consuelo de Paula, entre outros. Em 1993 lan a seu primeiro disco, Luz do Cais , de produ o independente e relan ado em CD em 1996. Al m do Caf Paris, tocou anos num dos maiores e melhores redutos da m sica brasileira em S o Paulo, o extinto bar Vou Vivendo, em Pinheiros. Ficou amigo de Helton Altman, um dos donos, que levou suas m sicas para Paulo C sar Pinheiro. Resultado, M rio lan ou seu segundo trabalho inteiro com parcerias suas e de Paulo C sar Pinheiro. Distribu do pela Dabli em 1998, Contos do Mar resultou para M rio, al m de o orgulho de compor com um de seus principais dolos, o Pr mio Ary Barroso, na categoria compositores. Por falar em pr mio, ganhou outro de grande relev ncia. Em 2000, ficou em terceiro lugar da edi o compositores do Pr mio Visa de M sica Brasileira. Hoje, M rio segue trabalhando incessantemente. Seja em seu est dio, gravando novos instrumentistas, al m dos j citados Renato Braz e Consuelo de Paula, produzindo seu terceiro disco, que ganhou importante incentivo da Petrobr s, ou mesmo em casa, curtindo o segundo filho que nasceu em setembro ltimo. Violonista, compositor, arranjador, produtor, um talento completo fisgado pela magia das notas musicais. A seguir, uma entrevista que apresenta melhor a trajet ria de um dos compositores brasileiros mais respeitados dos ltimos anos.

PM Onde voc nasceu?

MG Em Juiz de Fora, MG, em 1962, 28 de mar o.

PM Como sua fam lia?

MG Eu e mais tr s irm os. Meu pai era m sico, ele estava no exercito e tocava saxofone da banda militar.

PM Antes de entrar a , eu gostaria de situar melhor a sua inf ncia?

MG Fam lia de muita gente, somos cerca de 40 primos. Uma inf ncia mineira. Fiquei l at meus 20 anos e depois vim pra S o Paulo, em 1983. No ano em que eu fiz 21 anos.

PM Em Juiz de Fora, inf ncia comum, brincar na rua...

MG Em Juiz de Fora, a gente morava, ali s, ainda mora, num bairro que bem retirado da cidade. Hoje mais f cil de se locomover at essa regi o, mas na poca era mais de uma hora do centro, por exemplo. Um lugar assim de terra batida, quase que uma ro a. Mas n o chegava ser uma ro a de fato, embora tivesse algumas similaridades. Por exemplo, a casa que mor vamos parecia mais com uma casa de ro a do que de cidade. Era uma casa velha, mas bem grande. Um terreno monstruoso. Brinc vamos na rua, n o tinha problema, n o passava carro. Quando passava um carro, a gente via de longe, n o tinha perigo. N o aquela coisa de uma cidade grande, mas tamb m n o era exatamente uma ro a. Acho que parecido com uma pessoa de S o Paulo que mora em Cotia, por exemplo. S que Cotia aqui lugar de gente rica, e l n o, era de um povo aut ntico do lugar. Mas foi l que comecei a me interessar por m sica. Acho que decidi mesmo ser m sico bem cedo, talvez por conta do meu pai, ou n o, a gente nunca sabe ao certo. Mas com uns 15 ou 16 anos j havia decidido que queria ser m sico. Tamb m foi l que tive meus primeiros professores, no conservat rio.

PM Qual a mem ria musical que voc tem da sua inf ncia. Desde cedo voc tem essa lembran a de seu pai tocando? Onde ele tocava?

MG Primeiro ele era saxofonista na banda militar do exercito...

PM Desde que voc era pequeno...

MG Sim. Mas ele saiu do exercito. Depois tocou um pouco numas bandas de jazz, noite...

PM Ele militar...

MG N o. Ele j faleceu e quando morreu n o era mais militar. Mas das coisas que ele ouvia mesmo, nada me marcou muito. N o eram as coisas que eu mais gostava. O que foi mais marcante pra mim foram s partituras. O desenho das partituras. Ele tinha muitas e eu gostava de observar aquilo. Por conta disso, eu me interessei mesmo por m sica cl ssica. Queria aprender a ler as partituras, entender. Aquilo me fascinou. Eu copiava aquilo.

PM Engra ado que como se a gente pensasse que voc foi fisgado para a m sica mais pela grafia, pela magia da escrita musical, que pelo ouvido, pela audi o...

MG Aquilo foi incr vel. Eu copiava as folhas dele e depois mostrava. Mas nunca entendia. Eu copiava porque achava bonito. Acho que isso me aproximou muito da m sica. Esse aspecto visual, incompreens vel. Eu sabia que aquilo virava m sica. Depois comecei a ter aulas de viol o particular com um professor que s ensinava m sica cl ssica. Era o senhor Othon da Rocha Neves, ele at fez um m todo. Ele era de Luiz de Fora tamb m. Mas a comecei a gostar muito de m sica cl ssica, porque eu s tocava essas m sicas.

PM Dali em diante voc j estava tocando. A partir de que idade, mais ou menos?

MG Comecei a ter aulas de viol o com nove anos de idade.

PM Tinha mais gente da fam lia que tocava tamb m?

MG Sim, mais um irm o. Meu irm o mais velho que tinha um viol o e foi nele que comecei a aprender. Mas ele tocava MPB. Cheguei a aprender algumas m sicas com ele.

PM A m sica cl ssica partiu de voc mesmo, j que nem seu pai e nem seu irm o se interessavam por ela?

MG E foi um estilo que me fascinou muito. Depois, em Juiz de Fora, em v rios momentos fiz m sica popular. Inicialmente m sica instrumental. Tinha um grupo de chorinho, mas sempre m sica instrumental, como se sempre a m sica erudita viesse junto. Mesmo quando vim pra c , foi para estudar com o Henrique Pinto, um professor de viol o cl ssico...

PM Antes disso... com nove anos voc come ou a aprender viol o, e depois, como foi a adolesc ncia?

MG Na minha adolesc ncia tudo girava em torno de m sica. Os amigos que fui fazendo na escola. Lembro-me bem que na oitava s rie, quando eu devia ter ali meus 14 anos, levava o viol o todo dia pra aula. Nos finais de semana a gente tocava em todas as festas que tinham.

PM E voc continuou estudando cl ssico?

MG Cl ssico eu sempre estudei. Mas nessa fase era tudo ao mesmo tempo. Aqui em S o Paulo que teve uma fase de eu s me dedicar m sica cl ssica mesmo. Durante os quatro anos que estudei com o Henrique Pinto era s m sica erudita, nem tocava m sica popular. Mas voltei depois na m sica popular, at para trabalhar na noite, tocar em bar.

PM Voc chegou a montar banda em Juiz de Fora?

MG Montei dois grupos, um de chorinho e outro de MPB. A gente tocava num clube.

PM Voc lembra do nome desse grupo de chorinho?

MG N o me lembro, porque tamb m logo depois esse grupo juntou com outro grupo que j existia chamado Rabo de Galo. Era um grupo que o Br (percussionista reconhecido radicado em S o Paulo, toca com v rios nomes importantes na cidade) tinha. O Br tamb m de Juiz de Fora. Comecei a tocar com ele quando tinha uns 15 anos. Mas esse grupo do Br n o era s de chorinho, tocavam v rias coisas. A entrei nesse grupo dele e comecei a tocar. Depois a gente formou um grupo de choro, gravamos uma fita em casa e fizemos umas duas apresenta es na reitoria da Universidade Federal de l , mas depois acabou. Da o grupo que continuou foi o Rabo de Galo. Em Juiz de Fora foi mais ou menos por a . Depois eu servi ex rcito, com 18 para 19 anos. A voc fica meio parado. Mas nessa poca eu j sabia que queria ser m sico. Assim que sai do exercito vim para S o Paulo.

PM Qual foi motiva o para escolher S o Paulo?

MG A escolha acho que foi muito em fun o do Henrique Pinto. Esse professor de viol o cl ssico de quem eu sempre escutava sobre pessoas que tinham estudado com ele. Eu tinha muita vontade de estudar com ele.

PM Foi uma meta, uma refer ncia?

MG A R dio Eldorado tinha um concurso, tipo um Visa, mas era de m sica erudita. Era bonito pra caramba aquilo, eram concursos de m sica erudita. Lembro-me at hoje do Paulo Porto Alegre, que venceu certa vez. Tinha um outro cara, de sobrenome Lopes, n o lembro o primeiro nome. O cara tocava bem pra caramba, genial, e todo mundo tinha sido aluno do Henrique Pinto. Por isso eu achava que ele era o cara com quem eu tinha que estudar. A escolha de S o Paulo foi um pouco por isso, vir para estudar com ele. Fui aluno dele durante quatro anos.

PM Voc chegou aqui em 1983, com 21 anos...

MG Cheguei em janeiro de 1983, com 20 anos. Logo em seguida que fiz 21.

PM Morou em rep blica de estudante?

MG Sim. Eu tinha num amigo de Juiz de Fora que estava estudando na USP. Fui morar em frente ao Caf Paris, na avenida Waldemar Ferreira. Era uma rep blica estudantil, mor vamos em quatro pessoas. Mas a precisava ganhar dinheiro, eu tinha que trabalhar. Minha m e n o tinha dinheiro, meu pai j havia falecido. Minha m e tinha uma grana, combinou comigo que enviaria dinheiro por uns tr s meses. Na verdade, ela enviou mais que isso, mas ia diminuindo. Acabei arranjando um emprego no Caf Paris e fiquei dez anos l , tocando viol o e cantando tamb m. Nessa poca, o Caf Paris s tinham m sica na segunda-feira, um grupo de choro. Da comecei a tocar nas quintas-feiras. Eu tocava quase que s solo. Toquei chorinho tamb m. Tocava Lamento (Pixinguinha), Odeon (Ernesto Nazareth), Brejeiro (Ernesto Nazareth), m sicas de Tom Jobim, e por a vai.

PM Ainda s instrumental?

MG Mais instrumental, mas foi ali que comecei a cantar. Porque precisava cantar.

PM Como era o repert rio?

MG O repert rio tinha tudo haver, e ainda tem, com as coisas que eu ouvi l em Juiz de Fora. Acho que a forma o do que eu gosto de m sica, isso foi quase tudo l mesmo. Principalmente entre os 15 e 18 anos, atrav s desses amigos, dessa... sociedade, era uma sociedade de pessoas que gostavam de Milton (Nascimento), de Chico ( Buarque), Caetano (Veloso), essa turma. Eu, particularmente descobri o Dori Caymmi e Edu Lobo, que me identifiquei muito. Essa MPB. Mas ouvia muita coisa, como Gonzaguinha, Beth Carvalho, mas tudo daquela MPB que fazia sucesso na poca.

PM Ent o foi esse repert rio, do come o dos anos 80, que voc reproduzia no Caf Paris?

MG Isso, foi o repert rio com o qual tinha mais intimidade. Mas ia preparando o repert rio em cima das coisas que gostava.

PM At esse momento, quando voc j estava no Caf Paris, voc ainda n o havia composto nada?

MG J havia composto algumas coisas de m sica erudita. Tamb m alguns choros e uns poucos arranjos para m sica instrumental. At foi engra ado que, nos Estados Unidos (M rio esteve agora em julho nos Estados Unidos para tocar com Renato Braz, que por sua vez, foi convidado para gravar um disco idealizado e produzido por Paul Winter), a gente acabou gravando um arranjo de Atirei o pau no gato , que eu tinha feito l , nessa poca a . Eu nunca tinha tocado isso. O Renato que conhecia, lembrou e a gente acabou gravando isso l , dentro de um contexto de m sicas infantis.

PM Esse come o do Caf Paris foi, de certa forma, o come o de sua carreira profissional. At por for as maiores, j que estava estudando e precisava se sustentar tamb m, certo?

MG A vida profissional come ou ali mesmo, com certeza. A forma o que mais dif cil precisar. A forma o come a num lugar que a gente n o sabe precisar. De repente foi ouvindo meu pai tocar, de alguma forma.

PM O que mais foi acontecendo profissionalmente nesses anos 80, na sua carreira?

MG Gostava muito de estudar. Fui estudar harmonia com a dona Marilena Oliveira, depois fui estudar contraponto com M rio Ficarelli, um professor da USP. E, paralelo a isso fui participando de concertos de viol o. As coisas que estavam aparecendo mais eram os concertos de viol o, os recitais.

PM Voc tinha uma vida de m sica popular no Caf Paris, mas n o deixou de tocar a m sica erudita?

MG Teve um momento que era meio a meio. Mas eu virei profissional nessa ida para o Caf Paris. Mas compor m sica, do jeito que fa o hoje, isso foi uma coisa at tardia. S por volta de 1990. Foi quando comecei a fazer m sicas.

PM At ai ent o sua vida n o mudou muito profissionalmente?

MG Se a gente pegar de 1984 at 1990, tudo que fiz foi tocar em bares.

PM Al m do Caf Paris, voc tocou tamb m em outros lugares?

MG No Vou Vivendo, por exemplo. Foram poucos bares, foram dez anos de Caf Paris e seis de Vou Vivendo.

PM Sempre apresentando seu trabalho mesmo ou chegou a acompanhar algu m?

MG N o, n o acompanhei ningu m. Quando foi chegando no final dos anos 80, l por 89, 90, foi quando conheci o Renato (Braz) e o Wagner Brand o...

PM Quem Wagner Brand o?

MG Ele cantava no Caf Paris. Cantava muito bem, um cara muito musical. Mas ele acabou tendo uma doen a que n o permitia que ele cantasse mais, teve que ser internado, etc. A vida dele ficou limitada ao tratamento da doen a. Mas era um cara muito musical, chamei os dois pra fazer um show. Nesse show j tinham algumas m sicas minhas. Foi quando comecei mesmo a compor, por volta de 1988. E logo depois quis fazer um show. Acho que foi o primeiro show que fiz, chamava-se Atento ao Tempo . ramos eu e o Wagner s . Lembro que a gente fez 14 shows com essa forma o. Depois desse show montei outro que se chamava Broto Eterno , quando ent o chamei o Renato (Braz), quem eu havia acabado de conhecer. Tamb m o Br , al m de outras pessoas. E numa dessas apresenta es no Vou Vivendo, o Helton Altman, um dos donos de l , me chamou para tocar no bar. Eu chamei o Renato e a gente passou a tocar juntos. No Vou Vivendo eu sempre toquei com o Renato. Era um trabalho que a gente fazia junto. Apesar de que no Caf Paris tamb m a gente j tocava junto.

PM O Atento ao Tempo, voc lembra em que ano foi?

MG Eu tenho quase certeza que foi em 1989 e o Broto Eterno foi em 1990.

PM Da foi surgindo essa proximidade, que dura at hoje, de voc com o Renato Braz?

MG Conheci o Renato em 1988, quando ele entrou no Caf Paris. J no final de 1989 para 1990 a gente j era amigo e j estava tocando junto no Caf Paris. Depois veio o Vou Vivendo tamb m. Num outro momento a gente at dividiu casa, nessa poca ainda. Uma casa que ficava no Real Parque. No final desses trabalhos, a gente queria gravar um disco do que foi o show Broto Eterno. Mas o Wagner teve esse problema de sa de, al m de ser muito dif cil gravar disco. Mas a tive uma id ia de comprar um gravador e a gente mesmo gravar, s pra depois mixar o disco em est dio. Ai cara, isso foi uma loucura. Eu comprei esse equipamento no final de 1990 e s consegui terminar o disco no final de 1993. Porque faltava microfone, faltava cabo, faltava headfone, pedestal. Cada vez faltava uma coisa e a gente n o conseguia concluir.

PM Mas um disco de concep o totalmente sua, de m sicas suas?

MG No final isso. um disco totalmente meu, com composi es minhas, embora tenham duas ou tr s que n o s o minhas. Mas um disco, basicamente, de compositor.

PM Voc cantando, tinham convidados, j que inicialmente havia a id ia do Wagner Brand o participar?

MG Tinha o Wagner Brand o cantando. Eu convidei ele para participar. Nessa poca, ele ainda estava cantando.

PM Esse disco foi relan ado em CD depois, certo?

MG Sim, foi relan ado em CD em 1996.

PM Como o nome do disco?

MG Luz do Cais. Mas esse disco tamb m tem uma lembran a do Caf Paris. J que nessa poca quem tocava no Caf Paris era eu, o Wagner, o Renato, a M nica (Salmaso), o Br ... t todo mundo no disco.

PM Quer dizer, o Luz do Cais foi primeiro lan ado em vinil em 1993. De forma independente?

MG Totalmente. Depois eu prensei ele em CD, em 1996, tamb m independente. Ele um disco meu, mas teve muita participa o de id ias dos amigos, das pessoas que estavam pr ximas. De certa forma, ele at um disco experimental, j que tinham muitas id ias misturadas. Foi legal, at porque, na realidade, foi a primeira vez que gravei, que o Renato gravou, o Wagner, a M nica. A primeira grava o da nossa vida foi naquele disco. Olhando hoje, o que eu acho mais problem tico no Luz do Cais, o fato de ser um disco de uma sonoridade muito simples, por conta do equipamento mesmo. N o t nhamos dinheiro para ter um bom equipamento. Foi todo gravado num quarto. Mas a minha hist ria, dali pra frente, caminha muito pr xima com uma vida de est dio. Porque, depois que fiz esse disco, comecei a compor mais. E numa dessas vezes, compus uma m sica que era a Outro Quilombo. Eu achava que o melhor que poderia acontecer para essa m sica, e para mim, era enviar para o Paulo C sar Pinheiro para ele colocar uma letra. Na realidade, isso soava meio ut pico pra mim, porque o Paulo C sar Pinheiro era de uma outra gera o. Era um dos compositores que eu escutava em Minas, com 14, 16 anos, muitas can es eram dele. Muitas. Tocava no r dio as m sicas dele. A gente ligava o r dio e estava tocando l ... de Eduardo Gudin e Paulo C sar Pinheiro, Baden Powen e Paulo C sar Pinheiro, etc. Ent o pra mim n o era exatamente um plano, essa m sica vai ter letra do Paulo C sar Pinheiro . Era como pensar assim, ah, essa guitarra aqui quem poderia gravar o Joe Pass , por exemplo. Mas foi legal que eu falei com o Helton Altman, que era amigo dele. A gente estava um dia conversando no bar e eu disse que tinha uma m sica que eu gostaria de dar para o Paulo C sar Pinheiro. O Helton me pediu pra eu dar a m sica pra ele que ele passaria para o Paulo C sar Pinheiro. E eu gravei a m sica numa fita. Eu fiz isso. Foi uma das poucas vezes na vida que eu fui mais cara de pau, assim. E fiz. A cara, demorou muito tempo, muito tempo, mas um dia ele me ligou, em casa, umas 5h30 da manh para falar que tinha feito a letra. E eu nem conhecia ele. Ele tinha varado a noite fazendo a letra e ligou na minha casa direto. E eu quase n o conseguia escrever a letra. Ele estava me passando por telefone...

PM E voc quase dormindo...

MG Eu tava dormindo e depois eu estava tremendo, porque eu fiquei meio emocionado na hora. Eu ia escrevendo, e ele cantando a m sica na minha cabe a... olha, at hoje eu fico meio arrepiado. Eu fui ficando arrepiado, com vontade de chorar, mas tamb m estava gostando. Foi uma mistura de emo o. Essa m sica eu compus em janeiro de 1994. Essa letra deve ter sido composta no final do mesmo ano, que a primeira m sica minha com o Paulo C sar Pinheiro. O Outro Quilombo.

PM A m sica j foi entregue com esse nome para ele?

MG N o, a fita foi s com a melodia. Ele que fez a letra e colocou o nome. Depois disso a gente come ou a fazer mais m sicas.

PM E como foi adiante esse v nculo, a partir desse primeiro contato, at , inusitado?

MG - ... ih, na realidade eu estou pulando um pouco a ordem das coisas. Antes disso, quando eu entreguei a fita para o Helton, o Paulo C sar Pinheiro veio gravar um disco com o Jo o Nogueira aqui em S o Paulo. E o Helton disse assim, o Paulinho falou para voc levar mais coisas pra ele, pra ele saber mais ou menos como s o suas m sicas

PM Mais coisas depois dessa primeira...

MG N o, n o, antes disso. Antes de ele ter mandado a letra, o Helton tinha dado uma m sica e disse que o Paulinho Pinheiro pediu pra eu enviar mais coisas pra ele, pra ele sacar que tipo de m sica eu fazia. Uma m sica s muito pouco. E ele tamb m sugeria que eu enviasse o Luz do Cais, para o Paulo Pinheiro poder ouvir que tipo de m sica eu fazia. E mandei esse disco e mais duas m sicas. No final, ele acabou ficando com tr s m sicas em branco , sem letra. E a sim, vem a hist ria do Outro Quilombo. E continuando, naquele telefonema ele me pediu para eu gravar a m sica e enviar ela cantada para ele ver se estava tudo certo. E foi um formato que a gente acabou desenvolvendo, eu envio a m sica pra ele, ele manda a letra, eu gravo a m sica com a letra, mando novamente pra ele. Ai a gente v se est do jeito que imaginamos. Foi interessante essa parceria, porque a gente fez o Outro Quilombo, que tinha tudo haver com o mar. A a segunda, chamada Nove Luas, tamb m tinha tudo haver com o mar. A terceira foi Anabela. E quando chegou l pela sexta, s tima, e chegou l em n o sei em que n mero, ele observou, p , tudo tem haver com o mar , e sugeriu que eu fizesse um disco juntando essas can es de mar. E a o Contos do Mar veio dessa id ia. Um disco que eu esperei terminar essas parcerias com ele para colocar s m sicas que tinham haver com o mar. Na realidade, tem duas m sicas com letra sobre o amor, que n o tem, necessariamente, uma rela o com o mar.

PM A ent o o segundo trabalho gravado, que o Contos do Mar, lan ado em 1998. Independente tamb m?

MG Foi totalmente produzido independente. Foi gravado na minha casa. Mixado e masterizado por mim, mas quem lan ou foi a Dabli . Foi um licenciamento com a Dabli . Ent o ele tem produ o independente, mas o lan amento n o foi independente.

PM O Contos do Mar um disco de composi es suas com o Paulo C sar Pinheiro e quem mais tem participando do CD, al m de voc mesmo cantando?

MG Tem eu cantando e tem a participa o do Renato e da M nica. Como int rpretes, s mais os dois. Da tem as participa es dos m sicos. Tem o Br na percuss o, o Siz o Machado toca em quase todas as faixas. Marcelo Goldman, um pianista muito legal, toca tamb m, al m de outras participa es.

PM At 1998, quando voc lan ou esse segundo trabalho, tem mais alguma coisa que voc pontua como importante para a sua carreira, como shows ou premia es?

MG Duas coisas. Em janeiro de 1996 eu fui para a Su a junto com o Br , onde a gente fez 18 apresenta es. Foi um trabalho de m sica folcl rica brasileira, de viol o e percuss o. Isso foi um projeto de um produtor su o que queria fazer um m todo de viol o baseado nos ritmos brasileiros. E ainda em 1996, tamb m aconteceu uma coisa legal que foi o disco do Renato Braz, o primeiro disco dele. Mas a aconteceu o seguinte, a gente sendo muito amigo, eu comecei a gravar o Contos do Mar, e eu tinha comprado alguns equipamentos novos e propus para o Renato que tamb m grav ssemos um disco dele. Come amos a gravar e no meio do caminho, a gravadora Atra o se interessou pelo disco do Renato, comprou a id ia e pagou pelo que a gente j tinha feito. Mas a gente continuou a gravar na minha casa. Ent o gravamos e mixamos esse primeiro disco do Renato em casa. No final, por uma quest o de contrato com a gravadora, eu acabei parando de fazer o meu e ficamos fazendo s o dele. Porque a a gravadora tinha pressa. Da acabou que a primeira grava o de Anabela foi naquele CD dele. Foi uma coisa incr vel. Pra mim foi muito legal, porque, ao mesmo tempo em que era uma m sica minha, eu n o tinha nenhum compromisso com aquela grava o porque n o era eu interpretando, era o Renato. Ent o quando as pessoas chegavam para o Renato para comentar sobre a m sica, eu ficava muito lisonjeado. Acabou que foi a m sica que mais apareceu naquele disco. E a m sica teve um certo sucesso. Digo sucesso assim, de tocar na R dio USP, etc.

PM Isso era um sucesso, na verdade, de empatia com a m sica, de pegar as pessoas j na primeira audi o, certo?

MG Isso foi muito legal, contribuiu para o meu trabalho. Contribuiu para eu continuar compondo. Foi muito marcante para o Renato, de ter viabilizado aquele disco, e pra mim tamb m. Porque a partir daquele disco do Renato, produzir os discos em casa passou a ser uma id ia totalmente aceit vel. A gente escutava, por exemplo, atrav s de um aparelho de reverbe, a gente sabia que o disco tinha sido produzido com equipamento barato. Por exemplo, a gente escutou na televis o, no Cidade dos Homens, aquela m sica, sinto abalada minha calma / e embriagada minh alma (Meu drama senhora tenta o, de Silas de Oliveira e Joaquim Ilarindo, presente no primeiro disco de Renato Braz) com o surdo. A gente lembrava que pra sair aquele surdo, a gente teve que colocar cobertor em todas as portas do arm rio para poder gravar isso, de tanto que vibrava aquele neg cio. A voc pensa assim, p , abriu um caminho. A gente sabe que tem a limita o do espa o, mas poss vel fazer. Ent o eu quero dizer que, a gente sabe que tem uma qualidade limitada, pelo espa o, pelo equipamento, mas que a qualidade musical ali foi suficiente para fazer aquele trabalho andar. Ent o, a partir da , foi muito mais f cil fazer o meu segundo disco. E depois fazer o segundo disco do Renato, o terceiro, as coisas da Consuelo de Paula.

PM Ali come a uma carreira tamb m de produtor...

MG Ali foi um momento marcante.

PM De quem mais voc produziu?

MG Depois fiz um disco de um violonista chamado Nico Ferreira...

PM Da Consuelo de Paula tamb m?

MG Da Consuelo eu fiz dois, o segundo e o terceiro CDs. O primeiro dela ela at me pediu para fazer os arranjos, etc, mas na poca eu estava muito ocupado com o disco do Renato e n o pude fazer.

PM Voc se considera mais o qu , compositor, arranjador, instrumentista, produtor, como voc se v de uma forma mais evidente?

MG Mais compositor. Ainda que eu seja um compositor pregui oso . Eu tenho pouqu ssimas m sicas...

PM Quantas m sicas voc tem?

MG Entre 40 e 50. Mas eu tenho 43 anos, acho uma m dia bem ruim. Eu at falei que comecei a compor essas m sicas, do jeito que a gente est conversando aqui, em torno de 1987. Mesmo que fosse 85, estamos falando de 20 anos. Se a gente calcular como se eu tivesse feito duas m sicas por ano. Embora n o seja exatamente assim. Pode acontecer de eu ficar um ano sem compor.

PM Mas voc tamb m tem que considerar que tamb m instrumentista, voc arranja coisas para as pessoas...

MG Por isso que dif cil pra mim dizer o que fa o mais ou menos. Tem momentos em que me sinto mais compositor, tem momentos em que me sinto mais produtor e gosto muito. Ent o, por exemplo, fazer os dois discos da Consuelo, fazer o disco do Mateus Sartori, que um cantor de Mogi das Cruzes, um disco que estamos terminando, vai ficar pronto agora. Ele me convidou para produzir, gravar, arranjar e tocar no disco dele. E, no meu est dio agora, eu s produzo coisas que estou envolvido musicalmente. Se algu m quer gravar um disco, mas eu n o conhe o ou n o gosto da m sica que a pessoa faz, eu n o vou fazer. Eu ganhei uma certa confian a de fazer isso em casa, embora esteja agora num outro espa o, que n o a minha casa. Essa confian a veio mesmo por conta do primeiro disco do Renato. Depois desse, fiquei convencido de que sou capaz de fazer um disco que pode tocar no r dio. Porque existia esse medo. A d vida de que pod amos gravar um bom material com determinado equipamento. Depois de fazer um que funciona, voc ganha mais confian a.

PM Voc sabe quando lan a esse disco do Sartori?

MG A id ia dele que a gente lance em outubro.

PM Voltando para a cronologia da sua carreira. Como ela foi se encaminhando depois desse segundo disco, em 1998?

MG Depois disso teve o Pr mio Visa, em 2000, edi o compositores, onde fiquei em terceiro lugar. Isso foi uma coisa bem legal.

PM Voc sentiu, efetivamente, um retorno por estar nessa premia o? De ser um finalista, de conseguir um terceiro lugar? S pra recordar, o primeiro lugar nesse ano ficou com o Dante Ozzetti e o segundo ficou com o Chico Pinheiro.

MG Depois de mim ainda ficaram entre os cinco finalistas o Fl vio Henrique e o Renato Motha. importante essa premia o. Ela ajudou em dois momentos. Enquanto voc est participando, da divulga o do resultado de sele o, at a divulga o de resultado final, como o pr mio demorava dois, tr s meses, a gente fica na m dia, de uma certa forma, com freq ncia. Isso muito legal, ajuda muito na carreira. uma refer ncia. E uma refer ncia at hoje. engra ado, tenho um site e percebo que as pessoas acessam o meu site ainda pela p gina da Eldorado. Porque l na p gina da Eldorado tem os classificados dos outros anos. E de l pra c , outra coisa que considero marcante essa coisa da Petrobr s.

PM O que ?

MG Ano passado a Petrobr s fez um projeto de difus o de m sica brasileira. Abriu inscri es para patrocinar projetos. Eu fiz a inscri o e, em junho deste ano, recebi um aviso de que tinha sido contemplado. Ent o recebi uma verba muito legal para realizar o pr ximo trabalho, o terceiro CD. E o mais legal que esse CD tem data para ficar pronto, porque est dentro do projeto deles. Ent o em fevereiro ele tem que estar lan ado.

PM J est gravando?

MG Estou com os arranjos todos e vou gravar no meu est dio mesmo.

PM Voc j escolheu o repert rio?

MG Sim, o repert rio j est fechado com 12 m sicas.

PM E as parcerias desse CD, com quem s o?

MG Tem quatro m sicas com o Paulo C sar Pinheiro, tem uma ou duas com o Zeca Ferreira, filho do produtor Homero Ferreira, a gente fez uma m sica chamada O Imperador da Ral , tem duas ou tr s minha s , com letra e m sica. Tem uma m sica com o Rodolfo Stroeter, que a Dan a P , que est no disco Voadeira, da M nica Salmaso. Outra m sica, que o Caruana, minha e de Paulo C sar Pinheiro, que est num DVD que a Carmina vai lan ar...

PM Carmina Juarez?

MG Sim. Tem De Flor em Flor, que uma m sica s minha, mas est no CD da Consuelo. Como j disse, tem quatro m sicas minhas que eu nunca gravei, mas que j foram gravadas por outras pessoas. S o in ditos comigo interpretando, mas outros interpretes j gravaram. Pra mim faz sentido isso, s o minhas m sicas. Mas o que vai ser muito legal poder produzir um disco com o dinheiro que precisa. Foi muito gratificante receber esse recurso da Petrobr s, s o coisas que a gente n o espera. Assim como o Visa, voc se inscreve mas nunca tem certeza at onde pode chegar. Nem se voc vai classificar. E tamb m acho que fora isso, nesse meio tempo, entre esse CD de 1996, do Renato, passando pelo meu CD, e at hoje, o que eu pontuo mesmo s o os CDs do Renato, o terceiro e quarto CDs do Renato foram totalmente gravados em casa.

PM O quarto CD do Renato n o foi oriundo da premia o de primeiro colocado do Visa, edi o interprete? Ai n o foi gravado no est dio Eldorado?

MG N o, foi gravado na minha casa mesmo. O segundo disco dele eu gravei metade. A outra metade foi para um outro est dio, queriam gravar cordas, coisas que n o dava pra gente gravar.

PM Quer dizer que praticamente toda a produ o fonogr fica do Renato Braz foi gravado no seu est dio?

MG Isso mesmo. E o pr ximo disco dele tamb m a gente j marcou que vai ser gravada aqui. Na verdade, j come amos. Ent o eu pontuo, considero muito, esses discos do Renato, os dois discos da Consuelo, que foram muito legais. Parece pouca coisa, mas na realidade s o trabalhos de trezentas a quatrocentos horas. Por isso se a gente pensa em tr s trabalhos desse, por exemplo, j percebe que trabalho para caramba. As outras coisas s o participa es.

PM Ent o o momento esse, voc est gravando seu pr prio disco, produzindo discos de outros artistas, e agora voc acha que a sua carreira aponta pra onde?

MG Paralelo a isso, nos ltimos 17 anos, eu trabalhei na Escola Sui o Brasileiro de S o Paulo, como professor de m sica. uma escola muito legal porque tem no curr culo m sica. E, quando eu entrei nela, n o tinha um esquema de algu m determinando o que se tem que ensinar. Eu tive liberdade de criar um programa de m sica para os alunos. E, exatamente agora em agosto, eu estou me licenciando da escola para poder fazer os trabalhos desse segundo semestre, porque s o muitos. Como teve a contempla o de patroc nio da Petrobr s, n o ia dar para fazer todos os trabalhos e eu pedi uma licen a dessa escola. Sempre foi um trabalho paralelo.

PM E importante para segurar a carreira, n o?

MG P , muito importante. Mas n o s pelo aspecto financeiro, j que sempre foi o sal rio fixo da minha vida, mas tamb m pelo trabalho de m sica que consegui desenvolver dentro do col gio. Mas agora a situa o a seguinte, estou terminando de gravar o disco do Mateus, a gente est mixando esse disco. E tamb m terminando o disco de um cara que chama-se Caucaram. Um violonista de Porto Alegre. um amigo de muito tempo, a gente se conhece desde crian a, ele toca super bem. Ele fez um disco instrumental e eu gravei esse disco. At o final do ano eu tenho que terminar esses dois discos, fazer o pr ximo disco do Renato inteiro, que vai ser lan ado pela Biscoito Fino e fazer o meu disco. Muito provavelmente o Mario Gil compositor vai ficar parado. Eu n o vou conseguir compor nesse per odo, ou nada ou s alguma coisa quando tiver um momento muito especial. Porque toda minha energia estar voltada para essas produ es. Eu fico, s vezes, um per odo muito grande dentro do est dio. E eu gosto muito disso. Agora, nos pr ximos seis meses, vai ser isso. Mas eu pretendo depois de lan ar o disco, n o produzir, durante seis meses nenhum outro trabalho. Para poder fazer os shows e as viagens desse disco. A id ia essa. Se n o eu vou fazer um disco e n o vou divulg -lo direito. 

PM Parece que voc est satisfeito com a carreira, n o. Est produzindo, coisas suas e de outros artistas, rodeado de pessoas bacanas e produzindo o trabalho dessas pessoas, al m de ser pai novamente (ele j tem uma filha adolescente e acaba de ser pai novamente, de um garoto, que nasceu em setembro).

MG Isso mesmo. Ainda v o aparecendo coisas, como foi essa viagem recente para os Estados Unidos. N o podia deixar de ir, porque o Renato me convidou para participar. Na realidade era um trabalho do Paul Winter com o Renato. A id ia do Paul Winter era fazer um disco de can es brasileiras e convidou o Renato para fazer isso. Mas ele queria que tivesse uns m sicos brasileiros...

PM E foi o Paul Winter que escolheu o repert rio?

MG N o, a maior parte foi o Renato que escolheu. Acho que o Paul Winter como produtor escolheu a id ia, n o o repert rio.

PM A id ia e o interprete...

MG Isso mesmo. Ele escolheu a id ia de gravar m sicas brasileiras, que tipo de m sica brasileira, o interprete que ele precisava para essa id ia, a concep o de ter os m sicos brasileiros misturados com m sicos americanos, que tipo de arranjo deveria ter, mas n o teve exatamente uma inger ncia sobre o repert rio. Deu sugest es sim, e por sinal, das melhores. Eu lembro agora, por alto, de duas ou tr s coisas que ele escolheu que foi bola dentro total, coisas que a gente nem conhecia. A minha participa o nesse disco como violonista.

PM Quando vai ser lan ado esse disco produzido pelo Paul Winter?

MG Deve ser em outubro.

PM O Renato interpretando, voc no viol o, quem mais?

MG O Br na percuss o, o China, na guitarra. E ainda alguns m sicos dos Estados Unidos.

PM Voltando ao seu trabalho. Esse seu pr ximo disco j tem nome?

MG Vai se chamar Comunh o, que o nome de uma m sica.

PM Teve alguma outra premia o, al m do Visa?

MG N o teve n o. Ali s, o Visa foi o primeiro, acho que nico festival que participei. N o enviei m sica para o festival da Globo, nem para o Festival da TV Cultura agora, nem da TV Bandeirantes. Nunca consegui muito querer fazer isso. N o que eu ache errado. N o acho errado de jeito nenhum, inclusive quis fazer isso algumas vezes, mas n o tive a energia para fazer. O Visa eu achei uma coisa diferente. Um ano antes a M nica (Salmaso) havia ganho o Visa. Eu achei legal. A eu tive energia de me inscrever. E bastante energia, a n o ser que n o classifique. Agora se voc classifica, a sim, tem bastante trabalho, do que vai escolher em cada eliminat ria. Porque a gente n o faz m sica para competir.

PM Mas compensou?

MG Compensou porque mais simples do que parece. Tem menos competi o do que parece. Existe a competi o muita acirrada para os que est o assistindo. O meu irm o est torcendo como um louco pra mim. Assim como o irm o, a namorada do outro est o torcendo como loucos para o outro, e assim por diante. Mas l dentro, nenhum dos concorrentes est desesperado.

PM Bacana, M rio, acho que contamos um pouco da sua hist ria. Obrigado pela sua entrevista.

MG Foi bom o papo, obrigado tamb m!  

 

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