Prêmio Syngenta de Música
Instrumental de Viola continua no próximo ano
29.10.2004

N
o
último dia 27 de outubro aconteceu a grande final do Prêmio
Syngenta de Música Instrumental de Viola, tendo como vencedor
Sidnei de Oliveira (foto), de Caxias do Sul, Rio Grande do Sul. Mas
a premiação atingiu, de certa forma, todos os finalistas: um CD
foi gravado, ao vivo, na noite da final, registrando as composições
inéditas dos 16 excelentes violeiros que chegaram à final. Porém,
a grande notícia da noite, para violeiros e público, foi dada pelo
diretor de marketing services da Syngenta, Antonio Carlos Costa,
avisando que o Prêmio continua no próximo ano.
Dada
a importância do Prêmio, essa é realmente uma boa notícia.
Apesar de o Brasil ser o país da viola – o instrumento veio pelas
mãos dos colonizadores e nunca deixou de proliferar, tanto em número
como em diversidade – nunca se havia feito um prêmio específico
instrumental com músicas inéditas para viola. “Com esse Prêmio
pode-se perceber que a viola está inserida em todos os segmentos
musicais, da música de raiz até segmentos mais modernos, como rock
e música instrumental brasileira”, proclama Ivan Vilela, um dos
principais violeiros do país e curador do Prêmio.
A premiação
As
cinco primeiras colocações e os prêmios especiais ficaram
divididos da seguinte forma: em primeiro lugar, com um prêmio de R$
10 mil, Sidnei de Oliveira, de Caxias do Sul, RS; em segundo,
Fernando Deghi, de São Bernardo do Campo, recebendo R$ 8 mil; em
terceiro, Renato Anesi, de São Paulo, recebendo R$ 6 mil; o quarto
colocado foi Marcio Freitas, de São Paulo, ficando com R$ 4 mil; e
o quinto lugar ficou com Neto Stefani, de Bragança Paulista, SP,
que recebeu R$ 2 mil.
Ainda
duas premiações especiais foram dadas aos candidatos. O Prêmio
Aclamação foi para Vinícius Alves, de São João da Boa Vista,
SP, que recebeu o troféu das mãos do curador do Prêmio, Ivan
Vilela, além de R$ 2 mil. Já o Prêmio Revelação, que também
recebe R$ 2 mil, foi para Fernando Coselato, de Bauru, SP, que
recebeu o troféu das mãos de um dos jurados, o violonista Paulo
Bellinati. Os demais finalistas receberam a quantia de R$ 1 mil, além
do privilégio de terem suas composições registradas num CD que
será lançado futuramente. Os participantes receberão cópias
desse CD.
Realização
O
Prêmio foi uma iniciativa da Syngenta, líder mundial no setor de
agribusiness, e teve seis eleminatórias que aconteceram nas cidades
de São Paulo, Brasília, Piracicaba (SP), Curitiba, Belo Horizonte
e Cuiabá. A entrada foi sempre gratuita e contava com uma apresentação
de abertura do curador do prêmio, o violeiro Ivan Vilela, um dos
mais conceituados instrumentistas do país. Junto com ele, compunham
o corpo de jurados o violonista Paulo Bellinati e o jornalista Tárik
de Souza.
A
organização recebeu 173 inscrições de todas as localidades do
Brasil, reafirmando que a viola é tocada em todos os recantos.
“Através do Prêmio Syngenta podemos perceber como a viola é
realmente o instrumento que tem a ‘cara do Brasil’. Parte
profunda da nossa cultura musical, está inserida em todas as
classes sociais e espalhada geograficamente pelo país: além de
paulistas e mineiros, houve finalistas da região Sul, Nordeste e
Centro-oeste, com perfis que variam do autodidata ao pós-graduado”,
comenta Antoine Kolokathis, da Direção Cultura que organizou o Prêmio.
A
Final
A
noite da final foi memorável, com um público empolgado enchendo as
dependências do Teatro Alfa, em São Paulo, e não arredando o pé
enquanto o resultado não saiu. No tempo em que os jurados decidiam
as colocações, os presentes tiveram o privilégio de assistir a
uma apresentação da Orquestra Filarmônica de Violas, criada pelo
virtuoso Ivan Vilela. Em atividade desde 2001, a orquestra compõem-se
de cerca de 30 violeiros no palco e é a única no gênero que
possui afinações diferentes oferecendo um colorido todo especial
às apresentações. O show foi emocionante e acalentador para quem
esperava ansioso pelo resultado final.
O
vencedor do Prêmio estava, ao mesmo tempo, surpreso e emocionado.
“Comecei a tocar viola só em 2000 e hoje já estou recebendo uma
premiação desse porte. Não esperava mesmo por esse resultado, mas
estou muito feliz e emocionado”, exclama Sidnei Oliveira. Embora
sua inspiração inicial para tocar viola venha do músico Almir
Sater, Sidnei faz questão de dizer quem são suas maiores referências
do instrumento. “Hoje em dia, minhas maiores referências são os
violeiros Fernando Deghi e Ivan Vilela”, completa Sidnei, o grande
vencedor.
A
bilheteria arrecadada na noite da final do Prêmio foi doada ao
Centro Infantil Boldrini, hospital de Campinas referência no
tratamento do câncer infantil.
(Por
Sérgio Fogaça)