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CDs > Susie Mathias

Canção das Moças

Um álbum com cor de terra, um repertório com o gosto e a força da raiz da cultura brasileira, de uma música que nasceu nas aldeias indígenas, nas senzalas e terreiros de candomblé, nasceu do povo e é para o povo. Um repertório colhido em viagens e pesquisas pelo Brasil e que honra a expressão e a história desses precursores da MPB. Esse é o clima do novo CD da cantora Susie Mathias, Canção das moças, composto por 13 faixas.  

A integrante do grupo Mawaca lança-se em uma jornada solo por ritmos como Carimbó, Maxixe, Coco, Samba-de-roda e Chorinho, entre outros. Um emaranhado de sons que carregam emoção e cotidianos individuais e coletivos. Com um timbre vocal dramático, as melodias por Susie entoadas combinam tanto com os ritmos mais rústicos, quanto com os ritmos mais leves.

Ao escutar Canção das moças, o ouvinte é levado a uma espécie de meditação, com a diferença de ser embalada não por um trivial new age, mas pela expressiva percussão, seja de um pandeiro, de tumbadoras ou até do agogô. É um ritmo envolvente que leva a mente não para o céu ou para o espaço, mas para o interior das terras brasileiras, para o berço do povo do Brasil.

A magia do álbum vai além. Os arranjos estão recheados de instrumentos de sopro, como clarinete, saxofone, trompete, trombone e flauta. O tempero vem também dos instrumentos de corda, como violão, bandolim, violão de 7 cordas, cavaco, baixo, rabeca e até viola caipira. Para completar, Susie conta com o acordeom, tudo em perfeita harmonia para levar o ouvinte a essa viagem pelo passado e pelo presente.

Susie Mathias

O mundo recebeu Suzi Regina Mathias no dia 31 de outubro de 1961, no bairro da Lapa, em São Paulo. Filha de pai paulista de São José do Rio Pardo e mãe mineira de Jacutinga, Susie cresceu em contato com a música e com a cultura popular. Não poderia ter sido de outra forma, afinal, seu pai, outrora cantor da rádio de sua cidade natal, cantava para ela músicas de Ataulfo Alves, Lupicínio Rodrigues, Herivelto Martins e João Pacífico, entre outros. Já sua mãe não cantava, mas contava. Contava histórias de lobisomem, mula-sem-cabeça, saci-pererê, entre outras. Histórias que viajavam nos trilhos das gerações e que vieram até Susie por meio de seu bisavô, avô e mãe.

O mundo da música a recebeu na década de 80, quando começou a cantar em bailes da saudade e em bares diversos, como Café Paris e Vou vivendo. Adotou como nome artístico a grafia "Susie", como deveria ter sido registrada, não fosse um erro do funcionário do cartório.

Participou, também, de festivais pelo interior de São Paulo e Minas Gerais, como o Festival de Música da Primavera (Femp), em São José do Rio Pardo, e o Festival de Música de Muzambinho, em Minas Gerais.

Seu sangue tem um pouco de indígena, um pouco de européia, um pouco de negra. Esse sangue tão diverso quanto a cultura brasileira despertou sua curiosidade. Iniciou suas pesquisas na área de história da música na década de 90, época em que correu bibliotecas, sebos e discotecas. Mas não parou sua vida por causa da pesquisa. Enquanto isso, dirigiu e apresentou o show "Érundito Popular", em que misturava música clássica com MPB.

Conheceu, então, o compositor paraense Rafael Lima, com quem formou o Grupo Carapanã. A idéia era levar ao público um repertório composto essencialmente por músicas paraenses. Para tanto, foi ao Pará, estudou o Carimbó e conheceu de perto os lugares e as pessoas retratadas nas músicas que tocavam. Foi nessa viagem que conheceu o mestre do Carimbó, Seu Verequete.

Além disso, fez contato com Walter Freitas, compositor muito respeitado em Belém. Ainda no Pará, participou de diversas manifestações populares ocorridas nos meses de junho e julho.

A viagem para terras de fora de São Paulo não se limitaram ao Pará. Na Bahia, mais especificamente em Cabrália, teve contato com o ritmo e o canto da Capoeira. Do Maranhão, conheceu Tião Carvalho, com quem aprendeu cantos e danças daquele Estado.

Após quatro anos de estudo, Susie ingressou, em 1998, no Mawaca, grupo de sete cantoras e pesquisadoras da área de de world music. No grupo, dirigido por Magda Pucci, Susie teve a oportunidade de entrar em contato com timbres e sonoridades diferentes das que tinha tido contato anteriormente. O repertório contém os mais inusitados tipos de música oriundos das mais diversas nacionalidades, como a israelense, árabe, curda, nigeriana, entre outras.

Além do Mawaca, Susie participou de um grupo de forró, baião, xote, entre outros ritmos, chamado Joanette deu no pé. Esse grupo era formado somente por mulheres e foi dirigido por André Abujamra, do Karnak. Foi quando conheceu o compositor Oswhaldo Rosa, na época letrista desse grupo. A partir de 2001, iniciou essa parceria musical que resultou no CD Canção das moças.

Contato: www.paulus.com.br

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