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CDs > Revista do Samba

Revista Bixiga Oficina do Samba

Este cd é resultado do encontro do trio r e v i s t a do samba com o Teatro Oficina, o Movimento Bixigão e a Escola de Samba Vai Vai, tendo como tema, ponto de interseção e localização o bairro do Bixiga. 

“Berço sagrado do samba paulista”, o Bixiga, ocupado originariamente por negros quilombolas, em seguida por imigrantes italianos e hoje por nordestinos de vários estados brasileiros, pode ser visto como um microcosmo de nossa cultura brasileira miscigenada.  Seja nas peças do Teatro Oficina, na sua invenção de um novo musical brasileiro e luta pelo Teatro de Estádio, nos ensaios da Escola de Samba Vai Vai, ou na boemia vivida no bairro em suas cantinas, bares e casas noturnas, o Bixiga representa uma forma de vida, encontro e criação nas ruas, ao ar livre, utopia para uma vida urbana paulistana dominada por forte segregação social e mercadológica, e vivida entre arranha-céus, shopping-centers e minhocões.

O projeto

O lançamento do primeiro cd do trio r e v i s t a do samba no Teatro Oficina em 2003, e a aproximação deste e do teatro com a Escola de Samba Vai Vai, que culminou com a formação da Ala Teatro Oficina para o desfile do carnaval de 2004,  foram a semente do que seria o projeto r e v i s t a bixiga oficina do samba. A experiência d´Os Sertões, épico do Teatro Oficina que entre outras criações gerou o Movimento Bixigão, nascido em 2002 incluindo crianças e adolescentes do bairro na montagem dos espetáculos, definiu o caminho do projeto:  passar às novas gerações a cultura criada e vivida ali, e fazê-la viva hoje, recriando-a,  tendo o samba como sua maior expressão.

O projeto, patrocinado pela Petrobras, desenvolveu-se durante todo o ano de 2005 e início de 2006. Neste período realizamos uma pesquisa de repertório pelo samba do Bixiga, e demos seqüência e ampliamos o Movimento Bixigão, com a realização de oficinas de canto, percussão, cordas e piano, além das já existentes de capoeira, teat(r)o e circo.

Através da memória de moradores e freqüentadores do bairro, arquivos e discografias pessoais, a partir de informações obtidas no Museu do Bixiga, na Escola de Samba Vai Vai e junto ao Teatro Oficina, fomos descobrindo o Samba do Bixiga. O repertório descoberto foi então cantado e tocado nas oficinas do Bixigão e naturalmente selecionado.

O repertório

Entre as mais de sessenta composições pré-selecionadas escolhemos 22 que propiciam um passeio por sambas ligados ao Bixiga. Estão presentes desde canções de compositores que nasceram no bairro, como o violonista Antônio Rago e o zoólogo Paulo Vanzolini, e de um que não nasceu nem morou mas que hoje é nome de rua, tradutor e criador do espírito do Bixiga da imigração italiana, Adoniran Barbosa; de sambistas ligados à Vai Vai como Henricão, autor do primeiro samba para o cordão Vai Vai (antes de se tornar escola); Geraldo Filme, compositor de sambas-enredo para a escola e do que se transformou no Hino da Vai Vai, Vai no Bixiga pra ver; Osvaldinho da Cuíca, músico pesquisador do samba paulista, autor do Hino da Velha Guarda; Seu Maninho da Cuíca, ritmista da escola e hoje integrante do Teatro Popular Solano Trindade, no Embu das Artes; até Fernando Penteado, presidente da ala dos compositores da Escola de Samba Vai Vai, ele mesmo neto de Fredericão, um dos fundadores da escola. 

Entre as canções compostas para as diversas peças montadas pelo Oficina ao longo de seu meio século de teatro no bairro, foram selecionados sambas de compositores que, em diferentes épocas, firmaram parcerias sólidas com o teatro, como Zé Miguel Wisnik (desde a montagem de As Boas, de Jean Genet em 1991), Péricles Cavalcanti (parceiro desde a criação de Ham-Let em 1993), Edgar Ferreira (autor de canções para O Rei da Vela de Oswald de Andrade e presença marcante no Oficina com o Forró do Avanço na década de 80) e do próprio Zé Celso, fundador e diretor do teatro.

A gravação

O  r e v i s t a bixiga oficina do samba reuniu então para a gravação do cd o trio r e v i s t a do samba e seus convidados, músicos e intérpretes ligados ao bairro, à Escola de Samba Vai Vai, ao Teatro Oficina, crianças e adolescentes do Movimento Bixigão, e integrantes do Teatro Popular Solano Trindade. É assim que podemos ouvir Thobias da Vai Vai, puxador de samba da escola interpretando A Voz dos Morros, samba composto para a peça Os Sertões – O Homem II, do Teatro Oficina; Zé Celso cantando Já é madrugada de Henricão; o coro de atores do Teatro Oficina cantando Meu cavalo tá pesado, samba de abertura da primeira das cinco partes de Os Sertões, A Terra, cantado para receber o público; o próprio Osvaldinho da Cuíca tocando frigideira em samba de sua autoria interpretado por cantoras atrizes do teatro; crianças e adolescentes do Movimento Bixigão cantando e tocando Inverno, samba de Zé Miguel Wisnik composto para o Oficina e cantado na abertura de Mistérios Gozozos de Oswald de Andrade, e dois sambas de Geraldo Filme; Seu Maninho da Cuíca cantando seu samba acompanhado por coro de cantores ligados ao Oficina; e ainda quatro gerações da família Trindade interpretando o samba da Vai Vai para o Carnaval de 1976, com o enredo Solano Trindade – O Moleque do Recife

Neste processo contamos com o auxílio luxuoso da Associação Cultural Cachuera!, que logo se tornou parceira deste encontro entre tradição e criação.

Este é um dos possíveis panoramas do Samba do Bixiga.  Pra se ouvir e cantar junto, pra dar vontade de conhecer e passear pelo bairro, freqüentar os ensaios da Vai Vai, os espetáculos do Oficina, e principalmente despertar a curiosidade para o que é feito e vivido ali. E descobrir novos compositores e músicos que não couberam nestes 70 minutos de samba. ZIRIGUIDUM!!!!!!

Por Letícia Coura

Contato: Atração Fonográfica - (11) 3023-0944 / www.atracao.com.br /atracao@atracao.com.br  

 

Músicas

Chão do Bixiga (Fernando Penteado e Elias Gomes)

Meu cavalo ta pesado (Zé Celso Martinez Corrêa)

Um samba no Bixiga (Adoniran Barbosa)

A voz dos morros (Letícia Coura, Otávio Ortega e Zé Celso Martinez Corrêa )  

Inverno/Anhangabaú da Felicidade (Zé Miguel Wisnik)

Frigideira (Oswaldinho da Cuíca)

Dona Encrenca (Seu Marinho da Cuíca)

Praça Clóvis (Paulo Vanzolini)

Deu cupim (Henricão e J. Alcides)

Vá cuidar da sua vida (Geraldo Filme)

Para ver a luz do sol (Edgar Ferreira)

Abre alas (Hinha, Belém e Benedicto Lobo)

Nada (Zé Celso Martinez Corrêa)

Samba italiano (Adoniran Barbosa)

Hino da velha guarda (Oswaldinho da Cuíca e Luiz Vagabunbo)

Solano Trindade / O moleque de Recife (Geraldo Filme e Ailton Filme)

Meu pedaço de rua (Antonio Rago e Walter Taverna)

Será que eu estou invisível (Seu Maninho da Cuíca)

Eu sou assim (Edgar Ferreira)

Já é madrugada (Henricão e Rubens Campos)

Vai no Bixiga pra ver (Geraldo Filme)

O amor é filho do tempo (Péricles Cavalcanti, Marcelo Drummond, Nelson de Sá e Zé Celso Martinez Corrêa) 

Lançamentos







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