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> Jussara Silveira Entre o Amor e o Mar
“A
nossa existência é inseparável do mar”. Esta frase do compositor
Guilherme Wisnik sintetiza o novo CD de Jussara Silveira, 'Entre o amor
e o mar', que propõe uma viagem pela imensidão que existe entre estas
duas forças dualísticas, fontes de vida e de morte, calmaria e
tempestade. O álbum chega às lojas pelo selo baiano Maianga Discos e
patrocinado pela Petrobras, e traz dez canções inéditas, além de uma
releitura de 'Morena do Mar', de Dorival Caymmi, e 'Oferenda', de Itamar
Assumpção, gravada apenas pelo próprio autor.
Uma
vez Arnaldo Antunes afirmou que Jussara tem “uma voz carregada de
sentidos, que vão se desnudando aos poucos”. Múltiplos significados
tem a voz, assim como o amor, tal qual o mar. “Este é meu disco mais
pessoal. Fala da ligação das pessoas com o mar e de relações
humanas, é o olhar sobre o outro”, sintetiza a cantora.
Para
a produção musical do cd, Jussara convidou o violonista Luiz Brasil,
seu grande amigo e parceiro no trabalho de voz e violão 'Nobreza', lançado
este ano. “Ele me conhece muito bem e respeita minhas idéias, é o
par perfeito para criar diferentes camadas sonoras para o repertório
escolhido juntamente com Carlos Maltez, que dirigiu meu show de estréia
na Bahia, em 1989”. Luiz Brasil também saúda a parceria: “É muito
bom trabalhar com a Jussara, ela sabe exatamente onde quer chegar, mas
está sempre aberta aos meus comentários e disposta a experimentar”.
A
cantora transita com delicadeza pelas belezas e intempéries do amor e
do mar, amparada por arranjos enxutos.
Nascida
no sertão mineiro, em Nanuque, Jussara viu o mar pela primeira vez
ainda menina, em Conceição da Barra, interior do Espírito Santo.
“Um poema atual de Paulo Neves traduz a minha maneira de ver o mar.
Fala da descoberta deste mar imenso que não se pode abraçar. Ele é
uma força motriz do próprio povo brasileiro, como tão bem descreveu
Guilherme Wisnik: 'somos a caravela que se lançou ao mar e deslocou
consigo o eixo do mundo'.
A
faixa que abre o cd, 'Só' (Guilherme Wisnik / Vadim Nikitin), é uma
homenagem a Guimarães Rosa. “A música foi composta após uma viagem
do Guilherme e do Vadim às Geraes”. A canção é seguida pela
faixa-título, parceria de Ná Ozzetti e Luiz Tatit. A seqüência refaz
a própria trajetória de Jussara, do sertão mineiro ao mar da Bahia.
“Ná me mostrou esta música em Salvador, há dois anos. Ela é o
ponto de partida deste cd”. Jussara acrescenta que “o restante do
repertório é uma investigação sobre o que existe entre o amor e o
mar”.
Após
dedicar seu segundo cd a Dorival Caymmi, Jussara faz nova incursão pela
obra do mestre baiano. “Caymmi sempre, a vida toda. Ele me fez cruzar
o oceano novamente, me fez descobrir outros países de língua
portuguesa e despertou um imenso amor pelo Brasil”, explica Jussara.
Ela acrescenta que selecionou 'Morena do Mar' ao ouvir um arranjo inédito
de Arthur Nestrovski, reproduzido no cd. “Ele estudou música clássica
e depois entrou no universo da canção popular, seu violão é o
resultado desse encontro, dois universos que se juntam atrás da serra
do luar do sertão”.
Algumas
canções presentes no cd foram pinçadas por Jussara em shows que
assistiu ou dividiu com outros artistas. Jussara conheceu 'Braço de
Mar' em uma apresentação do autor, Quito Ribeiro. 'Chula Cortada'
conquistou a cantora de imediato, em um espetáculo conjunto com Dona
Ivone Lara e Roque Ferreira, o compositor da canção. “É uma autêntica
chula do recôncavo”, define Jussara.
Parte
do repertório é velho companheiro de Jussara. 'Oferenda' foi escolhida
pela paixão declarada por Itamar Assumpção. “O primeiro show que
fiz na Bahia, em 1989, já tinha música dele e conheço esta canção há
muitos anos, ela sempre me seduziu. Lembrei imediatamente do Domenico,
que fez o arranjo - em parceria com Maurício Pacheco – e toca vários
instrumentos nesta gravação”, revela. Já 'Meu Coração Só'
(Adriana Calcanhotto) está guardada com Jussara há mais de quatro
anos. “Não existe o mar explícito, mas entendo como uma reflexão à
beira-mar,
por isso usei um tom de voz mais sombrio, escuro, para expressar esse
amor marítimo”.
Jussara
conta ainda que pediu a Jorge Helder que tocasse baixo como se Roberto
Carlos fosse colocar a voz.
Em
contraponto à escuridão da canção de Adriana, Jussara selecionou 'À
Contraluz', de Paulo Neves. “Esta música me arrebatou. Eu a canto em
um tom solar, é libertadora”, entusiasma-se Jussara. Paquito e
Ariston são parceiros de longa data de Jussara, presentes já no
primeiro cd da cantora, de 1997. Do primeiro, ela escolheu 'Sonhei que
eu era feliz' e, de Ariston, 'Gangorra de Dois', parceria com Péri.
Estas duas faixas são especiais para mim, pois contam com a participação
da minha irmã, Christine Silveira, que está no início de sua jornada.
A
canção do Péri, meu amigo e parceiro há muitos anos, é uma canção
de dois, por isso escolhi a Christine para dividi-la comigo”. 'Só pra
ver onde dá' (Rômulo Fróes / Gustavo Moura) faz Jussara viajar no túnel
do tempo. “Embora seja novíssima, esta música me remete aos sambas
que o Chico Buarque compunha na década de 60, tem uma leveza, uma forte
identificação popular. O grupo carioca Choro na Feira veio recriar
esta atmosfera”. Esta canção questiona onde o amor vai dar.
Jussara
conclui, no encerramento do cd, que não importa onde ele desemboque,
paira acima de tudo. “Já tinha escolhido outra canção do Péricles
Cavalcanti, mas quando ouvi 'O nosso amor é maior', não tive dúvidas,
parei tudo. Ela é o que precisava para fechar este cd”. Jussara
ressalta que “agora é a vez do ouvinte reconhecer-se nas canções
construídas de forma simples e essencial com esses grandes músicos,
escolhidos especialmente para cada uma delas. O cd é uma celebração
com esses parceiros”, completa a cantora.
Contato: www.jussarasilveira.com.br
ou www.maianga.com.br
Ouça
as músicas em:
http://www.jussarasilveira.com.br/entreoamoreomar/
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