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> Edson Natale Calvo, com sobrepeso
O CD inclui textos gravados em hebraico e árabe dando um
caráter cosmopolita ao trabalho. Pelas 14 faixas, músicos de primeira
linha emprestam seu talento como a cantora Elizah Rodrigues, o baixista
Paulo Brandão, os tecladistas Lincoln Antonio e Daniel Szafran, o
bluesy Tuco Marcondes, que se reveza no banjo e no dobro, o trombonista
Tiquinho, além do internacional Swami Jr., que acompanha ao sete cordas
Jards Macalé. E muitos outros.
Velhas almas,
faixa que abre o CD, uma parceria de Natale com Toninho Mattos, é uma
composição desse período em que os conjuntos de violões reinavam,
Catherine-Coryell, McLaughlin-Di Meola-De Lucia – no Brasil o Grupo
D’Alma, que apadrinhou o Dharana. Vôos de imaginação apoiados em
competência técnica. E é arrebatador. A flauta de Hugo Hori e o
violino de Alex Braga, sublinhado pelo vocal afro-descendente bolado por
Renato Braz causam arrepios. Principalmente com o apoio da cozinha da
baixista Clara Bastos e da baterista Simone Soul (Orquídeas de Itamar),
a viola personalíssima de Paulo Freire e o violão de Natale.
Na segunda música, Oito
de Março (Arthur Faria), em que os solos passam para o acordeão de
Toninho Ferragutti, Natale declama o poema de Faria em que fraciona as sílabas
do advérbio “depois”, causando estranheza. E assim o disco segue
cheio de achados e sutilezas.
O jornalista Luiz Nassif, por exemplo, declama sobre a
toada Não Me Incommodity (Natale
e Maurício Pereira), um invólucro perfeito para a voz de Braz. O
fagote de Adolfo Almeida Jr. dá um ar solene a Cais
do Corpo poema do psiquiatra Roberto Freire musicado pelo filho,
Paulo.
O piano de Szafran emoldura emocionado Agora
e na Hora de Nossa Morte (Natale) enquanto Juvenar
(André Abujamra e Carneiro Sândalo) vira uma festa. Quando ouvimos
temas como Amor Porteño (Alfredo
Victor, Alex Braga e Natale), Toque
de Fada (Natale e Mattos) Pequena
Ciranda para uma Mulher Nua e Jeito
de Loren, ambas de Natale, fica impossível dissociar dos vôos
instrumentais de Astor Piazzola, do saudoso Marco Antônio Araújo, de
Vitor Ramil e do Edú Lobo de Limite
das Águas.
Edson Natale
É autor do Guia
Brasileiro de Produção Cultural (94, 99, 01, 04 07), do Anuário
Brasileiro dos Músicos Produtores e Estúdios (1996), do livro
infantil A História do Incrível
Peixe Orelha, apoiado pela ONU. Trabalhou nos discos de Itamar
Assumpção, Jards Macalé, Renato Braz, Ceumar, Mônica Salmaso &
Paulo Bellinati, Ivo Perelman, Maurício Pereira, Paulinho Nogueira,
entre outros.
Discografia (com o Grupo Dharana): Dharana e Guerreiro do Arco Íris.
Discos solo: Nina Maika, Sol
de Inverno, Aboio e Quando Eu Soube Que
Você Viria (1995) e Lavoro (coletânea),
todos produzidos por Suba, o mago do estúdio Mitar Subotic (1961 –
1999).
Contatos: www.edsonnatale.com.br
ou
natalenat@uol.com.br
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