Circular ou elíptico. Lento,
suave, rápido ou vigoroso. Na verdade, o movimento se expressa de
infinitas e singulares formas. Modos que sofrem interferências
externas e também do que levamos lá dentro.
Arrisco a dizer que são os
movimentos, uma sucessão inebriante de “ires e vires” que compõem a trama misteriosa do Sr. Tempo durante nossa
passagem por esse mundo. E
são os olhares loucos, e atentos, dos poetas que captam o mistério
e também a magia que há em cada átimo.
Menestrel contemporâneo, Daniel
Taubkin fotografa meticulosamente com a mente e o coração o
universo ao seu redor. Como em um abrir e piscar de olhos, ele
verte em versos e notas as brincadeiras e o aconchego da infância,
o encontro dos enamorados, as despedidas felizes e os rostos
divinos que surgem de cinematógrafos emudecidos. O compositor
registra, ainda, as andanças de loucos e ciganos, de viajantes e
migrantes. Como se fosse pouco, o intérprete transforma esses
fotogramas em sílabas que deslizam esféricas por nossos ouvidos.
Na expedição ao mundo d’Outro,
Daniel Taubkin leva consigo irmãos de Alma, Emerson Villani e
Gigante Brasil, aos quais se juntam outros fraternos: Walmir Gil,
Kuki Stolarski, Juliano Beccari, Marcelo Maita e Paulo Lepetit, além
das belas Aline Mel e Luísa Maita. O resultado colorido e vívido
dessa viagem recebe o título de "Cinema de Rua", o
segundo CD do artista pelo selo Organismo Vivo.
Apesar de render homenagem poética
às águas da impermanência (da transitoriedade do Todo), o périblo
sonoro de Daniel e seus amigos é a tal ponto contagiante,
que a certeza que se fica - na audição das onze faixas que compõem
o CD – é que a música de Daniel Taubkin veio, indubetavelmente
- para ficar na memória auditiva e afetiva de cada um de nós.
Contato: www.tratore.com.br