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Ney Mesquita e Lincoln Antonio
Quintal
Um
trabalho de sensibilidade impressionante. Seja nas composições,
arranjos, concepção e, principalmente, nas interpretações de
piano e voz de Lincoln Antonio e Ney Mesquita, respectivamente. Os
dois são músicos que visam a... música. A paixão por ela está
declarada em cada nota, ou mesmo nas respirações entre elas.
Lincoln Antonio é um santista de 32 anos, radicado em São Paulo há
14 anos. Tem trabalhos importantes como, por exemplo, atuar como músico
e produtor do grupo A Barca, cujo show “Turista Aprendiz”
percorreu 40 cidades brasileiras. Produziu o CD “Cavalo de Praia
– Sambas da Ilha”, reunindo compositores e músicos de Santos e
foi semifinalista da 3ª etapa do Prêmio Visa MPB – compositores.
Ainda, entre outros tantos trabalhos, fez regência nos excelentes
discos “As Silabas” e “Concerto Cabaré”, da cantora Suzana
Salles. Ney Mesquita é paulista e tem 35 anos. Para quem não
conhece sua voz, é uma agradável surpresa. Só a voz? Não, a
interpretação também acompanha o saudável presente. É
expressivo e dá o tempo certo da canção, como no bom teatro. Aliás,
ele também atua. Interpretou o compositor Assis Valente, do texto
de Zeno Wilde e Zumbi, na peça homônima de Paulo Fabiano. No
cinema, é o Detento 2 do Amarelo, do filme Estação Carandiru, de
Hector Babenco. Sua voz é suave e boa de escutar. O CD
“Quintal” traz composições dos 15 anos de carreira do pianista
e compositor Lincoln Antonio e parceiros. É um show que virou
disco... que virou um show, em casa. O espetáculo transformou-se no
embrião do CD que foi gravado durante três dias no Teatro Cultura
Inglesa, em São Paulo. Começa com um certo lirismo de Abraçando
bobby, de Lincoln Antonio e Jair de Santos Freitas. Aí já se
tem a idéia do deleite a que estará submetido quem escutar as
outras 15 faixas do CD. O casamento, a integração de voz, piano e
canção é sublime. Segue com E já se leva, de Joan Garcia de Guilhade e Lincoln Antonio, com a música
incidental Mia cavalo, de
domínio público. Fica entre o jongo, o choro e o samba. Na
verdade, é difícil de definir. Esse não é um disco de gênero,
que se possa catalogar com facilidade, como lembra o release do
trabalho. A próxima é a canção título do CD. Quintal
é de Lincoln e Walter Garcia. Coisas simples e puras que compõem o
dia-a-dia transformado em bela canção. Mensagens e imagens que
ficam lá no inconsciente. A quarta música é No
vazio da saudade, de Marcelo Mota Monteiro e Lincoln Antonio.
“To sambando de alegria/pela tua companhia”. Depois vem a
originalíssima Valsa da lua
no Abaeté, de Lincoln e Walter Garcia, seguida de Quero ser tambor, que Lincoln fez sobre poema de José Craveirinha.
Adiante com Era assim, de
Lincoln e Marcelo Mota Monteiro, o parceiro mais constante de
Lincoln neste CD. Metade das músicas é em parceria com ele. A
seguir, a fina ironia de Choro
anoitecido, de Lincoln e Marcelo, seguida de Com
o auxilio da verdade, também da mesma dupla. A seguir, mais
lirismo em Astros apagados, de Marcelo, Lincoln e Paulo Maymone. Salve a
criatividade e a sofisticação da linguagem musical e composição
poética de Não senhor!,
de Lincoln e Marcelo, seguida de Radicais
livres, também da mesma dupla. Bom humor digno de Noel Rosa.
Outro momento inspirado do CD é Stela
do patrocínio, da própria em parceria com Lincoln. Teatral,
instigante, poesia em estado bruto. A interpretação é só para
craques. Por enquanto corresponde. O agradável jogo de palavras e o
sensível piano de Lincoln só valorizam Lua duna, de Lincoln e Walter Garcia, a décima quinta música.
Agora, de Lincoln Antonio, Walter Garcia, Marcelo Mota Monteiro e
Paulo Maymone, vem Jongo tradição,
com a música incidental Jongueiro
velho, de Jefinho. O CD encerra com É
saudade só, de Marcelo e Lincoln. Delicada canção onde
reafirma a mais perfeita integração entre voz e piano desses dois
grandes intérpretes e sensíveis músicos. É puro amor pela canção!
Lançamento Pôr do Som. Site: www.pordosom.com.br.
E-mail: contato@pordosom.com.br.
Tel. (11) 3031-7546. (Sérgio
Fogaça)
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