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Guilherme de Brito A
Flor e o Espinho
O patrimônio do samba Guilherme
de Brito lança mais uma obra-prima. Como se alguma coisa que ele
tenha feito não o fosse. "A Flor e o Espinho", título
também de um dos seus maiores sucessos, tem a primorosa produção
de Moacyr Luz, que teve a tremenda inspiração de convidar o Trio
Madeira Brasil para compor esse trabalho. Com arranjos do próprio
Trio, que toca em todas as faixas, a regravação de grandes
clássicos de Guilherme ganham uma leveza sem igual. Belos sambas em
cordas e voz, deixando em primeiro plano as composições de
Guilherme que, em sua maioria, foram feitas com o lendário Nelson
Cavaquinho. Das doze composições do CD, dez são da dupla. As
outras duas são uma só de Guilherme, inédita, e outra com
Fagner, que também participa cantando. Aliás, outras grandes
participações estão aí. Beth Carvalho, Elton Medeiros e o
próprio Moacyr Luz dividem vocais com Guilherme. O CD começa, de
certa forma, autobiográfico com a música O dono das calçadas,
de Guilherme de Brito e Nelson Cavaquinho. Realmente, uma beleza a
conjunção de cordas e voz sambando melodiosamente. A sonoridade do
Trio Madeira Brasil costuma ser definida como música popular de
câmara. Já participaram, por exemplo, do Free Jazz de 1999 e é
composto por Zé Paulo Becker, no violão e viola, Marcello
Gonçalves, no violão de 7 cordas, e Ronaldo do Bandolim, no
bandolim. A segunda faixa é Pranto de poeta, da mesma dupla,
sucesso de 1957. Segue com a faixa título, A flor e o espinho,
onde Alcides Caminha junta-se à dupla, sempre referida aqui, na
composição. Um marco entre as composições da música
brasileira quando Guilherme, e não Nelson, como muita gente indica,
apresentou os versos: "Tire o seu sorriso do caminho / que eu
quero passar com a minha dor". Aliás, ótima oportunidade para
fazer jus aos versos inspirados do poeta Guilherme de Brito. Em
todas as parcerias dessa dupla fundamental para o samba, Nelson
compunha a melodia e Guilherme as letras. Depois, o disco segue com
as belas canções Minha honestidade vale ouro e Mesa
farta, ambas com arranjos de Marcello Gonçalves. Garça,
a sexta canção, é uma das três músicas do disco que traz a
percussão de Beto Cazes. A seguir, outro grande e inesquecível
sucesso da dupla. Folhas secas, uma emocionada homenagem à
Mangueira, que foi feita para Beth Carvalho interpretar. E, como
não poderia deixar de ser, é ela mesma quem está presente na
faixa. Mais uma participação especial na próxima canção. Fagner
divide composição e vocais com Guilherme em Distância. O
inspirado arranjo de Ronaldo do Bandolim faz da canção um
belíssimo fado. Ainda na seqüência das participações especiais,
quem aparece agora é Elton Medeiros tamborilando sua caixinha de
fósforo em Gotas de luar, canção que Marisa Monte também
gravou em seu trabalho "Memórias, Crônicas e Declarações de
Amor". A décima faixa é a inédita Meu violão, só de
Guilherme, seguida de Quando eu me chamar saudade. E,
lembrando os versos da música, por favor, "flores em
vida" para Guilherme! O CD termina com Minha festa e a
participação especial do compositor, intérprete e produtor deste
trabalho, Moacyr Luz. Saudações a Guilherme, saudades de Nelson. A
fonte está aqui. Lançamento Lua Discos. Distribuição MCD World
Music. www.mcd.com.br - Tel. (11) 3257-9744.
(Sérgio
Fogaça)
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